Festa da Parada LGBT 2013: chuva, protestos e música!

segunda-feira, 3 de junho de 2013 0 comentários

Público se diverte ao lado da bandeira gigante (Foto: J. Duran Machfee/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Chuva, protestos e música marcam a Parada Gay de 2013
Daniela Mercury e manifestações contra homofobia marcaram evento. Ao contrário da Virada Cultural, parada teve poucas ocorrências policiais.

Chuva, protestos contra o preconceito e muita música marcaram a 17ª edição da Parada Gay de São Paulo, ocorrida neste domingo (2). O tempo nublado e chuvoso não desanimou o público, que marcou presença desde a concentração, na Avenida Paulista, próximo ao Masp, até o fim, na região da Praça da República, no Centro. Segundo a organização, 3 milhões de pessoas participaram do evento. Até as 22h, a PM não tinha um número fechado de quantos estiveram no evento.

Ao contrário do que ocorreu na última Virada Cultural, que foi marcada pela violência, a parada teve poucos casos de polícia. Segundo balanço das 20h da Polícia Militar, das 2.179 pessoas abordadas, apenas duas foram presas em flagrante: uma por tentativa de furto de uma câmera e outra por usar uniforme oficial do Corpo de Bombeiros sem pertencer à corporação. Seis foram detidas por urinar em via pública.

O clima de paz era nítido desde horas antes do início da festa. Aos poucos a Avenida Paulista ganhava os tons do arco-íris, símbolo do movimento gay. Bandeiras coloridas apareciam nas mãos de drag queens com perucas e roupas extravagantes, de travestis com decotes exagerados, de casais gays e até de casais heteros com crianças.

Guarda-chuvas e capas eram itens fundamentais, principalmente para quem usava fantasia ou maquiagem carregada. Mas houve quem não se importasse com a precipitação. "A maquiagem vai ficar mais desconstruída ainda. É essa a ideia", disse o maquiador Maurício do Vale. Outros se protegeram sob uma bandeira gigante do arco-íris.

A maioria, porém, torcia que a chuva passasse. Um “sósia” do Papa perdeu a conta de quantos participantes o abordaram para que ele pedisse a São Pedro que encerrasse a chuva. Coincidência ou não, o tempo melhorou no início da tarde. "Vamos aplaudir São Pedro que parou a chuva para a gente", disse um animador no primeiro trio.

Prevista para começar ao meio-dia, a parada teve início com mais de uma hora de atraso. No primeiro trio, o prefeito Fernando Haddad (PT) discursou contra o preconceito. "Existe amor em São Paulo. Vamos lutar contra toda forma de intolerância. Viva São Paulo na luta pela liberdade", disse.

Querida pelo público gay, a ministra da Cultura e ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) subiu no caminhão e, ao lado de Haddad e do deputado federal Jean Willys, disse ao microfone: "Manda bala, gente! Vamos começar essa parada". Ela discursou sobre os direitos dos homossexuais, que devem ser iguais aos dos heterossexuais, e foi aclamada pelo público.

Apesar de a chuva voltar a cair, com alguns períodos de tregua, o público não desanimou e caiu na dança. Cada trio tocava um tipo de som. Em alguns imperava a música eletrônica, outros tocavam Lady Gaga, mais adiante havia um caminhão de axé.

Daniela Mercury e sua namorada na Parada Gay
(Foto: Marcio Fernandes/Estadão Conteúdo)
O trio mais requisitado, porém, foi o da cantora baiana Daniela Mercury. Já na Rua da Consolação, ela começou a cantar alguns de seus sucessos, como "O Canto da Cidade" e “Ilê Pérola Negra”. Por quase duas horas ela agitou o público, inclusive cantando marchinhas de carnaval. Apesar da chuva, o público não se intimidou e seguiu seu trio.

No meio da apresentação, Daniela beijou a namorada, sendo ovacionada pelo público. A cantora recentemente se assumiu homossexual e, desde então, tornou-se crítica contumaz da homofobia. "A Constituição aceita todo mundo do jeito que é", disse.

Antes de cantar "Qualquer maneira de amor vale a pena", Daniela contou ao público que gravou a música, de autoria de Milton Nascimento, coincidentemente quando conheceu sua namorada. "Feliciano, qualquer maneira de amor vale a pena", cantou, em referência ao deputado Marco Feliciano (PSC). Ligado à ala evangélica da Câmara, o polêmico presidente da Comissão de Direitos Humanos é considerado homofóbico por entidades ligadas aos gays.

Protestos
Protesto contra Marco Feliciano (Foto: Flavio Moraes/G1)

Feliciano foi uma das figuras mais citadas na parada. Além das críticas de Daniela, o deputado foi citado em um trio elétrico. “[A Comissão de] Direitos Humanos não é lugar de homofóbico e racista. Fora Feliciano. Não nos representa”, dizia banner fixado na lateral do último caminhão.

Ele também foi lembrado em cartazes levados pelo público. Um deles dizia: “Beijos, Feliciano. Agora eu posso casar!”, em referência à aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Por volta das 18h30 o último trio chegou à Praça Roosevelt, perto da Rua da Consolação, onde o público se reuniu. De lá, os participantes seguiram para a Praça da República.

Apresentações
Fazia oito anos que a parada não contava com shows de encerramento, segundo a organização. Neste ano, duas apresentações foram feitas em palco montado na Praça da República, perto da Rua 24 de Maio, no Centro.

A primeira a subir no palco foi a baiana Mariene de Castro, que cantou clássicos de Clara Nunes. “A parada é um dia em que se comemora o amor e a liberdade”, disse, logo no início de sua apresentação. “É um momento importante para essa luta. Respeito é bom e todo mundo gosta. Isso vem de casa”, acrescentou.

A parada terminou com apresentação de Ellen Oléria. Vencedora do The Voice Brasil e lésbica assumida, ela subiu no palco e, no início do show, beijou sua namorada. Antes de encerrar o show, ela agradeceu os fãs e disse: "O amor venceu a guerra".

*Com reportagem de Julia Basso Viana, Roney Domingos e Elaine Almeida

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Casais de mulheres falam de sua vida em comum, dos filhos e do preconceito

domingo, 2 de junho de 2013 0 comentários

Os casais (da esq. para a dir.) Keicy e Samantha e Keila e Renata revelam particularidades da relação












Casais de mulheres revelam as particularidades de suas relações

Por Camila Dourado 


Depois de Daniela Mercury apresentar publicamente sua mulher, Malu Verçosa, a questão da união estável entre homossexuais no Brasil virou tema de discussão e ganhou mais força. A atitude veio no momento em as declarações da cantora Joelma e do pastor Marco Feliciano sobre gays revoltavam grande parte da população e impulsionavam manifestações contra a homofobia.

Depois de anos de muita luta, no dia 14 de maio de 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) finalmente aprovou uma resolução que obriga os cartórios de todo o país a realizar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Para comemorar e continuar com a conscientização, a 17ª parada do orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e trangêneros) acontece neste domingo, 2 de junho, na Avenida Paulista, com o tema "para o armário, nunca mais!". 

Como qualquer casal heterossexual, um casal gay tem vantagens e desvantagens de acordo com as características da personalidade e do dia a dia de cada um. "Não há diferenças nem para melhor e nem para pior. A vida a dois é determinada por fatores relacionados ao cotidiano e àqueles que são decorrentes do amor, e tudo isso está presente em todos os tipos de relação", afirma o psicoterapeuta Flávio Gikovate, que lançou recentemente o livro "Sexualidade sem Fronteiras" (MG Editores). 

Amor intenso

Amar alguém do mesmo sexo, no entanto, tem peculiaridades como um guarda-roupa dobrado e, no caso delas, duas TPMs. Quando se trata de um casal de mulheres, é comum que a dinâmica da relação seja mais intensa, emocional, carinhosa e tenha mais diálogo. 

Para a roteirista Mariana Lima, 32, e a revisora e tradutora Larissa Rocha, 32, que vivem juntas há três anos, a intensidade é um aspecto muito particular do universo feminino. "Somente uma mulher é capaz de explorar e potencializar toda a complexidade de outra mulher", diz Mariana. "As mulheres também são muito carinhosas e sedutoras", diz Larissa.

A supervisora de mídias sociais Renata Andreolli, 32, e a supervisora de atendimento Keila Roberta Oliveira, 37, juntas há seis anos, também concordam que a intensidade dos sentimentos é uma peculiaridade evidente. "Sentimos tudo em dobro: o amor, o ódio. São muitos sentimentos misturados. Durante um único dia, qualquer situação, por menor que seja, é urgente. Não existe o amanhã, precisamos do hoje para continuar sonhando e querendo viver a relação", diz Renata.

Para o psicólogo e psicoterapeuta Klecius Borges, especializado no atendimento a homoafetivos e suas famílias e autor do livro "Muito Além do Arco-Íris" (Edições GLS), características biológicas e culturais relacionadas ao gênero feminino podem se destacar forma duplicada em um relacionamento entre duas mulheres. "Isso pode facilitar ou dificultar o relacionamento, dependendo das pessoas envolvidas", afirma.

Quando positiva, a intensidade feminina abre espaço para uma forte cumplicidade entre as mulheres. "Conversamos muito. Temos assunto que não acaba mais --sobretudo DRs--, e estamos sempre nos ajudando. Somos muito companheiras", diz a chef de cozinha Graziela Araújo, 31, que vive há quatro anos com a cantora Luciana Moraes, 29. "Além disso, dá para dividir tudo, coisas comuns da vida de mulher, como o absorvente, o desodorante, as roupas e a maquiagem", diz.

Para a ilustradora Samantha Reis, 31, noiva da estudante de gastronomia e assistente de cozinha Keicy Faria, 25, além do companheirismo e da troca de experiências, a ajuda mútua com as responsabilidades de casa e da família é um ponto importante. Em um casal de mulheres, a tendência é que não exista a antiga e ultrapassada figura do chefe de família, ainda presente entre alguns casais heterossexuais.

É um modelo que contribui para a quebra de paradigmas, abrindo espaço para que novos formatos de relacionamento se firmem na sociedade.

Para Keicy, esse modelo não deve depender do tipo de casal. "Isso tem a ver com pessoas que se amam de verdade, que abraçam todas as dificuldades da convivência e que topam tudo para fazer o casamento dar certo", diz. 

Fidelidade e liberdade sexual

Gikovate acredita que a particularidade mais marcante entre os casais de mulheres esteja relacionada à fidelidade. "As mulheres têm o sexo mais fortemente vinculado ao amor do que os homens e são menos visuais. Sendo assim, tendem para a fidelidade nos relacionamentos afetivos estáveis", diz.

Para ele, as mulheres lidam melhor com a sexualidade do que o homem. "Elas são mais livres para experimentar as trocas de carícias eróticas com outras mulheres sem que se sintam estigmatizadas, sem que ponham em dúvida sua feminilidade", afirma. Para a chef de cozinha Graziela, o fato de conhecer bem seu próprio corpo e como alcançar o prazer faz com que a mulher consequentemente saiba do que a outra gosta, o que favorece muito na relação sexual. "Na teoria, sabemos o que e como fazer", diz ela.

Filhos

Renata tem dois filhos, Henrico,10, e Eduardo, 7, e Keila chegou para completar a família. "São eles que nos mostram, todos os dias, a importância da família", diz Renata. Segundo ela, embora a escola que seus filhos frequentem aborde diferentes formas de formação familiar, há uma realidade com que precisam lidar: as outras crianças carregam para a sala de aula o preconceito que aprendem dentro de casa.

"Vivemos em uma sociedade impiedosa. Nossos filhos têm acompanhamento para entender melhor o que causa o preconceito e como lidar com ele. Para eles, não há diferença entre relações homoafetivas e heterossexuais. Eles entendem como uma forma de amor, porque é exatamente assim que aprenderam desde o nascimento".

Enfrentando o preconceito

Aguentar olhares e comentários preconceituosos ao dar alguma manifestação pública de carinho é frequente entre os casais gays. "Percebo isso muitas vezes e incomoda, mas não impomos restrições a nós mesmas porque alguém está olhando", diz Graziela. 

Segundo o psicoterapeuta Klecius Borges, enfrentar o preconceito e sair do armário pode ter um significado ainda mais forte para as mulheres. "Para algumas pode ser apenas o exercício livre de seu desejo e afetividade dirigida a outra mulher. Mas, para outras, pode significar a libertação de um padrão patriarcal de dominação e de submissão ao masculino. É a possibilidade de escolher um amor que atenda a seus verdadeiros desejos e necessidades", afirma ele.

Por isso, atitudes como a de Daniela Mercury são vistas com admiração por muitas mulheres. "Embora ela não precise provar mais nada para ninguém, o mundo precisa de gente admirada como ela saindo do armário espontaneamente para mostrar que qualquer um pode gostar de pessoas de qualquer sexo, que é algo natural", diz Mariana.

Fonte: UOL Mulher, 02/06/2013

Armários são para roupas, não para pessoas! Uma resposta ao "Já para o Armário"!

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Por Míriam Martinho

Para o armário, nunca mais! – União e conscientização na luta contra a homofobia é o tema da 17ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo deste ano. O tema não poderia ser mais acertado para o momento, pois realmente a visibilidade LGBT está incomodando demais toda a fauna conservadora e seus simpatizantes.

De fato há uma parte do ativismo LGBT que dá munição aos conservadores, com sua patrulha constante de anúncios comerciais e falas de celebridades que não se inserem em seus cânones radicais. Entretanto, mesmo esses excessos não são suficientes para referendar a conversa vigarista dos conservadores de ditadura gay, gayzismo, gaystapo e congêneres. Em essência, os movimentos sociais buscam a isonomia de direitos entre os seres humanos, causa que os conservadores historicamente rejeitam. E é essa rejeição que constitui o pano de fundo das manifestações conservadoras contra os direitos homossexuais e não os excessos da militância. Na verdade, os conservadores querem é jogar o bebê fora junto com a água suja da bacia!

No texto Já para o armário! (ver abaixo), do jornalista Guilherme Fiuza, para a revista Época do dia 28 último, percebe-se bem esta predisposição (e olhe que Fiuza não é um típico conservador).  Nele, o jornalista deixa transparecer seu ressentimento, com a visibilidade da causa LGBT, pretextando discordar da decisão do Conselho Nacional de Justiça de obrigar os cartórios brasileiros a celebrar o casamento civil entre pessoas de mesmo sexo. Embora advogados e juristas divirjam sobre a competência do CNJ para a decisão tomada, Fiuza declara peremptoriamente que "A resolução do CNJ sobre o casamento entre homossexuais é uma aberração, um atropelo as instituições pelo arrastão politicamente correto. A defesa da causa gay está ultrapassando a importante conquista de direitos civis para virar circo, explorado pelos espertos."

Sem me deter nessa questão da competência ou não do CNJ, lembro apenas que vários estados já haviam determinado aos cartórios a aceitação dos pedidos de casamento civil homossexual, antes da decisão de Joaquim Barbosa, o que nos leva no mínimo a ponderar ter a decisão do mesmo respaldo legal ou então que ninguém mais entende de nada, com exceção naturalmente dos conservadores. Por outro lado, lembro também que, na França, não obstante o casamento igualitário ter sido aprovado pelo Legislativo local, os conservadores não aceitaram a decisão do parlamento e vêm ameaçando o governo Hollande, por seu apoio aos direitos LGBT, com uma versão neocon da queda da Bastilha. Em outras palavras, a questão legal parece ser o de menos nessa história ou, como se diz popularmente, o buraco é mais embaixo.

É mesmo. Todo o texto de Fiuza, fora as invectivas contra o presidente do STF, por supostas ilegalidades, encontra-se - retomando - perpassado pelo ressentimento quanto à visibilidade do tema homossexual. Já começa demonstrando seu desgosto com essa visibilidade ao afirmar que "a causa gay, como todo mundo sabe, virou um grande mercado comercial e eleitoral. Hoje, qualquer político, empresário ou vendedor de qualquer coisa tem orgulho gay desde criancinha."  E termina com: "Um jogador de basquete americano anuncia que é homossexual, e isso se torna um espetáculo mundial, um frisson planetário."  Ou ainda: "O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, dá declaração solene até sobre a opção sexual dos escoteiros. Talvez, um dia, os gays percebam que foram usados demagogicamente, por um presidente com sustentação política precária, que quer se safar como herói canastrão das minorias."

De fato, a temática LGBT se tornou recorrente na imprensa hoje em dia, mas a razão para isso é muito simples, até óbvia: o processo de reconhecimento dos direitos civis das pessoas homossexuais é uma grande novidade e está em pleno andamento. Gays e lésbicas viviam se escondendo, mas vêm se assumindo cada vez mais, um fato bem recente. Nos países escandinavos, por exemplo, onde esse reconhecimento e visibilidade já tem anos, não há mais nenhum frisson sequer local quanto mais planetário sobre o assunto porque a novidade foi incorporada, os LGBT incluídos na sociedade. No resto do mundo ocidental, inclusive pela obstinada resistência dos conservadores em aceitar a lei universal da perpétua mudança, o assunto não sai das manchetes e provavelmente permanecerá nelas ainda por bom tempo. Passada essa fase, entrará no rol das coisas comuns das quais a imprensa não se ocupa.


Por isso, afirmei, no início do texto, que o pano de fundo das manifestações conservadoras contra os direitos homossexuais não são os excessos de parte da militância LGBT e sim a rejeição que os conservadores têm pela isonomia de direitos entre os seres humanos. Como, no caso dos LGBT, a repressão social se construiu  pela invisibilidade forçada da existência homossexual, é precisamente contra ela que os conservadores agora mais investem. Não por menos se escuta todo o tempo o discurso cínico do "não se deve levar o que se faz entre 4 paredes a público", que homossexual bom é homossexual "discreto" que não afronta a tirania heterossexista e não sai por aí levantando bandeira. Considerando a impossibilidade de se reivindicar direitos sem visibilidade social, conclui-se que - obviamente - os conservadores não querem homossexuais reivindicando direitos.

E no afã de obter esse intento, os neocons desejam inclusive convencer a população LGBT que - vejam só - as demandas do ativismo LGBT não atendem seus interesses. Em seu texto, Fiuza declara ao final:  "... A luta contra o preconceito precisa ser urgentemente tirada das mãos dos mercadores da bondade. Eles semeiam, sorridentes, a intolerância e o autoritarismo." Tira-se então a luta contra o preconceito das mãos dos "mercadores da bondade" para colocá-la nas mãos dos que repreendem os LGBT na base do "Já para o armário!"? Como se diz aos cães ou às criancinhas endiabradas!? É mole?

Entretanto, aviso aos neocons, a despeito das inúmeras diferenças existentes entre as pessoas homossexuais, ativistas ou não, e de suas diferentes visões de como encaminhar reivindicações por direitos ou lutar contra o preconceito, a maioria delas, salvo malucos portadores da Síndrome de Estocolmo, não quer saber de voltar para o armário, pois hoje tem certeza que armários foram feitos para roupas, não para pessoas. Assim como os negros saíram das senzalas para não mais voltar e as mulheres deixaram de ter no lar amargo lar seu destino e cárcere, os armários não mais aprisionarão os LGBT. Vale sempre repetir que a conservalha ladra (e luta encarniçadamente contra as mudanças sociais), mas a humanidade sempre passou e agora - mais uma vez - passa!!!!

Já para o armário
Guilherme Fiuza

A causa gay, como todo mundo sabe, virou um grande mercado comercial e eleitoral. Hoje, qualquer político, empresário ou vendedor de qualquer coisa tem orgulho gay desde criancinha. Se você quer parecer legal perante seu grupo ou seu público, defenda o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Você ganhará imediatamente a aura do libertário, do justiceiro moderno. Você é do bem. Em nome dessa bondade de resultados, o Brasil acaba de assistir a um dos atos mais autoritários dos últimos tempos. Se é que o Brasil notou o fato, em meio aos confetes e serpentinas do proselitismo pansexual.

O Conselho Nacional de Justiça decidiu obrigar os cartórios brasileiros a celebrar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Tudo ótimo, viva a liberdade de escolha, que cada um case com quem quiser e se separe de quem não quiser mais. Só que a bondade do CNJ é ilegal. Trata-se de um órgão administrativo, sem poder de legislar e o casamento, como qualquer direito civil, é uma instituição fundada em lei. O CNJ não tem direito de criar leis, mas tem Joaquim Barbosa.
Joaquim Barbosa presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça é o super-herói social. Homem do povo, representante de minoria, que chegou ao topo do Estado para "dizer as verdades que as pessoas comuns querem dizer". O Brasil é assim, uma mistura de novela com jogo de futebol. Se o sujeito está no papel do mocinho, ou vestindo a camisa do time certo, ele pode tudo. No grito.

Justiceiro, Joaquim liberou o casamento gay na marra e correu para o abraço. Viva o herói progressista! Se a decisão de proveta for mantida, o jeito será rezar para que o CNJ seja sempre bonzinho e não acorde um dia mal-humorado, com vontade de inventar uma lei que proíba jornalistas de criticar suas decisões. Se o que o povo quer" pode ser feito no grito, o que o povo não quiser também pode. O Brasil já cansou de apanhar do autoritarismo, mas não aprende.

E lá vai Joaquim, o redentor, fazendo justiça com as próprias cordas vocais. Numa palestra para estudantes de Direito, declarou que os partidos políticos brasileiros são "de mentirinha". Uma declaração absolutamente irresponsável para a autoridade máxima do Poder Judiciário, que a platéia progressista aplaude ruidosamente.

Se os partidos não cumprem programas e ideias claras, raciocinam os bonzinhos, pedrada neles. Por que então não dizer também que o Brasil tem uma Justiça "de mentirinha"? Juízes despreparados, omissos e corruptos é que não faltam. Quantos políticos criminosos militam tranquilamente nos partidos "de mentirinha", porque a justiça não fez seu papel? A democracia representativa é baseada em partidos políticos. Com todas as suas perversões e são muitas -, eles garantem seu funcionamento. E também legitimam a ação de gente séria que cumpre programas e ideias, pois, se fosse tudo de mentira, um chavista mais esperto já teria mandado embrulhar o pacote todo para presente, com Joaquim e tudo.
A resolução do CNJ sobre o casamento entre homossexuais é uma aberração, um atropelo as instituições pelo arrastão politicamente correto. A defesa da causa gay está ultrapassando a importante conquista de direitos civis para virar circo, explorado pelos espertos. Um jogador de basquete americano anuncia que é homossexual, e isso se torna um espetáculo mundial, um frisson planetário. Como assim? A esta altura? A relação estável entre parceiros do mesmo sexo já não é aceita na maior parte do Ocidente? Por que, então, a decisão do jogador é uma bomba? Simples: a panfletagem pró-gay virou um tiro certo. 

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, dá declaração solene até sobre a opção sexual dos escoteiros. Talvez, um dia, os gays percebam que foram usados demagogicamente, por um presidente com sustentação política precária, que quer se safar como herói canastrão das minorias.

Ser gay não é orgulho nem vergonha, não é ideologia nem espetáculo, não é chique nem brega. Não é revanche. Não é moderno. Não é moda. É apenas humano.

A luta contra o preconceito precisa ser urgentemente tirada das mãos dos mercadores da bondade. Eles semeiam, sorridentes, a intolerância e o autoritarismo. Já para o armário!

Fonte: Época - 28/05/2013

11ª Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de São Paulo

sábado, 1 de junho de 2013 0 comentários


Com o tema "O Estado é laico! Construindo direitos, desconstruindo preconceitos: basta de lesbofobia!", a 11ª Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de São Paulo ( um dos eventos que antecede a 17ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo) acontece neste sábado (1°) na avenida Paulista, com concentração a partir das 12h30 no vão livre do Masp (Museu de Artes de São Paulo).

A caminhada percorrerá a avenida Paulista, a rua Augusta e terminará por volta das 17:00 na praça Roosevelt, região central da capital paulista, onde haverá show da cantora Joana Flor e da Dj Barbara Deister entre outros até às 21:00.

A caminhada tem como objetivo a luta contra a violência, o preconceito, a invisibilidade de lésbicas e bissexuais e contra a discriminação sexista. 

Segue trecho do embasamento para esta edição do evento.

O ESTADO É LAICO! CONSTRUINDO DIREITOS, DESCONSTRUINDO PRECONCEITOS: BASTA DE LESBOFOBIA!

Ao sair às ruas, chamamos atenção para o conjunto de práticas opressoras em relação às mulheres lésbicas como indivíduos, casal ou grupo social, cuja justificativa não encontra amparo nos princípios do estado laico de direito, mas, sim, em discursos religiosos e na tradição machista e patriarcal de nossa sociedade. Práticas que englobam preconceito, discriminação e abusos violentos. Opressão que se manifesta nas diversas esferas pessoais e sociais da vida de cada mulher, iniciando-se desde o ambiente familiar, que não permite a livre expressão das meninas ao cobrar delas comportamentos, gostos e pensamentos condizentes com o padrão heteronormativo.

Nossa sexualidade ainda é taxada como fetiche e erotismo. Somos alvos de constrangimento pela nossa vestimenta, que se não estiver de acordo com os ideais machistas, é passível de ridicularização ou assédio. 

Ainda, precisamos sair às ruas em protesto para que possam nos enxergar como mulheres, como lésbicas e bissexuais, cujo desejo é inerente a cada uma e independente de outras experiências com homens. Nossa sexualidade não é baseada na falta do afeto masculino; não é baseada na negatividade do homem para conosco; passa longe de não ter "encontrado o homem certo". É a nossa vontade manifestada; é o nosso desejo exposto e autônomo. Num cenário conservador e moralista pelo qual nos encontramos, a heterossexualidade obrigatória continua a sustentar as bases do patriarcado. 

O apagamento social, pelo qual nós lésbicas e bissexuais passamos rotineiramente, se reflete em variadas violações de direitos básicos, associadas à falta de acesso a bens e serviços em diferentes áreas, setores, segmentos, bem como à falta de acesso ou a não existência de políticas públicas referentes à geração de emprego e renda, a educação, saúde, cultura, assistência social, etc. E nós, lésbicas e bissexuais, continuamos em luta diária para o reconhecimento da nossa sexualidade e autonomia enquanto mulheres livres, como deve permitir e defender um Estado laico.
Lutemos então pela viabilização real da laicidade das políticas públicas!

Com informações da Folha de São Paulo e do site XI Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de São Paulo

Tribalistas "jogam arroz" em apoio ao casamento civil igualitário

sexta-feira, 31 de maio de 2013 0 comentários


Música tema da campanha nacional em apoio ao casamento civil igualitário, composta e tocada por Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes.

O Casamento Civil Igualitário já foi regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça mas ainda falta sua aprovação no Congresso.

O trio fez uma música para sensibilizar os deputados, senadores e a sociedade brasileira em nome da liberdade de amar.

www.casamentociviligualitario.com.br
www.arnaldoantunes.com.br
www.carlinhosbrown.com.br
www.marisamonte.com.br

Joga Arroz
(Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte)

O seu juiz já falou
Que o coração não tem lei
Pode chegar
Pra celebrar
O casamento gay

Joga arroz
Joga arroz
Joga arroz
Em nós dois

Quem vai pegar o buquê
Quem vai pegar o buquê
Maria com Antonieta
Sansão com Bartolomeu
Dalila com Julieta
Alexandre com Romeu

Joga arroz
Joga arroz
Joga arroz
Em nós duas em nós todos
Em nós dois

Ficha Técnica:
Voz. Arnaldo Antunes
Voz \ Ukulele \ Q Chord. Marisa Monte
Voz \ Baixo\Percussão\Bateria\Programação. Carlinhos Brown
Violao. Cesar Mendes
Guitarra Pignose\Ukulele. Dadi
Programação \ Thiago Pugas
Gravado em Maio de 2013 por Thiago Pugas, Dadi e Carolina Monte
Mixado por Carolina Monte e Marisa Monte

Ministro do STF nega mandado do PSC contra casamento gay

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Fux nega pedido do PSC contra casamento gay em cartórios

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux negou na terça-feira mandado de segurança do PSC contra resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que obriga cartórios de todo o Brasil a celebrar a união estável ou o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Para o ministro, o CNJ tem competência para regulamentar questões internas da Justiça de acordo com valores constitucionais.

Fux argumenta que a própria Constituição confere ao CNJ a tarefa de analisar a legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Judiciário usando como base os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Segundo o ministro, essa competência já foi reconhecida pelo Supremo ao confirmar resolução do conselho que proibia a prática de nepotismo no Judiciário. 

“É de se ressaltar que tal postura se revela extremamente salutar e consentânea com a segurança e previsibilidade indispensáveis ao Estado democrático de direito, em geral, e à vida em sociedade, em particular, além de evitar, ou, pelo menos, amainar, comportamentos anti-isonômicos pelos órgãos estatais”, analisa.

Fux também entende que o PSC cometeu erro formal ao optar por um mandado de segurança para questionar a “lei em tese”. Ele acredita que a legenda deveria ter escolhido uma ação direta de inconstitucionalidade para tratar do tema.

O PSC alegava que o CNJ cometeu abuso de poder ao editar a norma, e que a resolução não pode ter validade sem passar pelo processo legislativo. Se a legenda recorrer, o caso deverá ser analisado pelo plenário do STF.

Fonte: Terra, 28/05/2013

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