Pai e filho que agrediram casal de mulheres são condenados a 8 anos de cadeia

quinta-feira, 2 de maio de 2013 0 comentários


Os Arice são condenados a oito anos
Os condenados vão recorrer em liberdade


Por Paulo Torraca

Após 10 horas de julgamento no Fórum de Jacareí, os Arice, pai e filho, foram condenados a 8 anos de cadeia pelos crimes de tentativa de homicídio por motivo fútil ao casal homoafetivo, Ana Raad e Rosana Akemi, hoje (30). Os condenados vão recorrer da sentença em liberdade.

Para o Juiz da primeira Vara Criminal de Jacareí, Josué Vilela Pimentel, o regime oficial para os condenados por crimes hediondos é reclusão fechado. Mas, a Defesa vai recorrer da sentença de hoje, “se eu decretasse a prisão hoje seria apenas uma prisão preventiva. Ainda não transitou e julgado definitivo e a Defesa já manifestou que vai recorrer. Portanto, como eles não deram causas para prisão em quanto o processo estava em andamento. Não existe motivo para a prisão preventiva”, afirmou o Juiz.

Os sete jurados condenaram os réus a penas de 12 anos por crime de homicídio e tentativa de homicídio com motivo fútil a cada réu. Com a redução de dois terços da pena o tempo de cadeia é reduzido para quatro anos cada crime. Portanto, como são dois crimes a soma total da pena chega a oito anos de cadeia para cada réu.

Por dentro do caso:

A agressão ocorreu no dia 15 de dezembro de 2010, segundo os laudos da Polícia, os réus Steeve e Claudinez Arice agrediram as sócias proprietárias do estacionamento. Segundo o Ministério Público, os dois ofenderam ambas com palavrões “sapatão tem que morrer, eu vou te matar” e agrediram fisicamente Ana e Rosana, que mantêm um relacionamento homossexual estável e trabalham juntas.

Os réus chegaram ao estacionamento as 20h30 e foram alertados por Rosana para que ficassem atentos ao horário do fim do funcionamento do estacionamento. Deixaram o carro estacionado e foram informados por Ana Cristina que o estabelecimento fecharia às 22h30.

Steeve retornou ao estacionamento às 23,08h. Rosana, que então se encontrava no caixa, o alertou para que, da próxima vez, ficasse atento ao horário. Inconformado com a repreensão, Steeve passou a ofender Rosana, com palavrões e afirmou que "você é uma vaca, filha da puta e vai ficar ai até a hora que eu quiser".

Ao ouvir os gritos, Ana Raad se aproximou perguntando a Steeve o que estava acontecendo. Ele então a empurrou, derrubando-a no chão. O outro réu desferiu socos em seu olho direito, atirando-a novamente no chão.

Em seguida, Claudinez abaixou sua bermuda e a cueca, deixando seu órgão genital à mostra, disse: “agora você vai ver o que eu faço com sapatão! Eu vou te matar sua sapatão, agora você vai ver como é que se faz”.

Como as duas gritaram por socorro, pessoas que passavam pela rua chamaram a polícia. Pai e filho só pararam com os golpes quando os policiais chegaram.

As vítimas foram socorridas na Santa Casa de Jacareí e Ana Raad chegou a ser transferida para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Por causa das agressões sofridas, Ana perdeu totalmente a visão do olho direito e Rosana sofreu debilidade permanente da função auditiva do ouvido esquerdo.

A promotora de Justiça Vanessa Yoko Hatamoto Médici ofereceu denúncia contra os dois por tentativa de homicídio por motivo fútil, não consumada por circunstâncias alheias às suas vontades (artigo 121, parágrafo 2º, inciso II, combinado com o artigo 14, inciso II, por duas vezes).

A denúncia também ressalta ainda que os crimes foram cometidos por motivo fútil, já que os dois tentaram matar as vítimas somente porque Steeve foi alertado por Rosana de que o horário de funcionamento do estacionamento deveria ser obedecido, bem como pelo preconceito decorrente da orientação sexual das vítimas.

Fonte: Jornal de Jacareí, 01 de maio de 2013

Horóscopo de Maio (2013)

quarta-feira, 1 de maio de 2013 0 comentários

Míriam Julie
Previsões para Maio de 2013 

ÁRIES
21/03 a 20/04
Este trânsito traz bastante ânimo e disposição. Dá bem-estar e alegria de viver. Em compensação, você fica com um apetite exagerado e acaba engordando. A vida social e a popularidade melhoram e você recebe muitos convites para festas e passeios.

Em casa, passa por momentos felizes, e o convívio familiar será positivo e benéfico. Está com sorte para jogos ou para receber mais dinheiro no trabalho. O convívio com mulheres, da família ou não, estará beneficiado.

A saúde está favorecida e podem nascer crianças na família. Neste período, pode se reencontrar com seu passado: revê amigos de infância ou volta a seu lugar de origem. Essas lembranças vão ser positivas e lhe trarão alegrias, podendo também trazer novidades relacionadas à sua vida amorosa de forma inesperada.

TOURO
21/04 a 20/5

Este é um período que vai exigir de você muita calma e paciência. Vão acontecer mudanças bruscas em sua vida que vão deixá-la preocupada e agitada. É um período em que você age de forma turbulenta e impensada.

Está sujeita a rupturas e brigas em casa ou entre amigos.

Você vai ansiar muito por maior liberdade e independência, mas não vai saber esperar o momento certo para agir. Estará cheia de ideias, mas não saberá usá-las de forma positiva.

Não é uma boa fase para viagens de avião ou para lidar com aparelhos eletrônicos, que se queimarão várias vezes. Procure descansar e ter momentos de paz, senão será um candidato à estafa. Procure ter mais cuidado ao lidar com a pessoa amada, ela poderá estar mais sensível à sua falta de atenção ou frieza.

GÊMEOS
21/05 a 20/06

Aproveite este período, pois você terá mil oportunidades!

Será um período agitado e cheio de mudanças repentinas em casa ou no trabalho. Podem surgir várias oportunidades de viagens de avião bastante interessantes. Bom período para quem trabalha em órgãos públicos ou com administração. Seu raciocínio estará ágil e você resolverá problemas com bastante rapidez. Também saberá organizar tudo que faz com perfeição.

O tempo passará com extrema rapidez, mas será um período produtivo e de muita modernização em sua vida. Você estará otimista, mas mesmo assim vai estar ansiosa por maior liberdade e independência. Não tome atitudes precipitadas por causa disso. Neste período você estará particularmente intuitiva. Aproveite e dê crédito às suas intuições. Excelente para quem trabalha com em áreas relacionadas a comércio.

CÂNCER
21/06 a 22/07

Neste período você vai sentir um efeito de solidez e construtividade. Você se tornará mais séria e responsável, e sentirá que está encarando a vida de forma mais produtiva. É um bom período para resolver problemas imobiliários, como compra ou venda de imóveis. É bom também para aluguéis ou para reformar e ampliar sua casa.

Pode se entender melhor com pessoas de idade e até ser prestigiado por elas. Se você tem problemas ósseos, principalmente de coluna ou joelhos, pode conseguir uma boa melhora. Você tem mais ânimo para se dedicar a pesquisas ou qualquer estudo que exija muita concentração. É um bom período para você fazer as pazes consigo mesma, tornando-se mais consciente e realista.

A vida amorosa pede mudanças para que possa ter continuidade. Procure estar mais atenta à pessoa amada.

LEÃO
23/07 a 22/08

Será um período cheio de mudanças positivas, principalmente em casa. As coisas acontecerão com muita rapidez e você quase não terá tempo de entender o que está acontecendo.

Estará muito intuitiva e alerta, e saberá agir com rapidez e organização. Bom para quem faz muitas viagens de avião ou mexe sempre com aparelhos eletrônicos. O convívio com mulheres, no trabalho ou na vida social, pode ser animador e positivo. É um período de muito progresso. Você pode resolver modernizar várias coisas em sua casa, para facilitar sua vida.

Ficará agitada e com tendências à ansiedade, querendo mudar coisas que nem você mesmo sabe quais são. Não corra demais no trânsito; estará com muito gosto pela velocidade.

VIRGEM
23/08 a 22/09

É uma época de muita sorte para você. Pode conseguir ganhar mais dinheiro de uma forma repentina, em jogos ou em algum bom momento nos negócios. Estará num período feliz e de muito progresso. Pode resolver mudar algo em sua vida, e isso será muito positivo. É o momento de tentar técnicas mais modernas no trabalho ou comprar aparelhos elétricos modernos. Bom período para viagens ao exterior ou para lidar com assuntos estrangeiros ou legais.

Você estará muito mediúnica e interessada pelo lado espiritual da vida. Pode confiar em suas intuições, pois elas estarão lhe revelando coisas importantes. É um bom período para praticar meditação, ioga ou estudar filosofia. Contará com a proteção do plano espiritual: seu anjo da guarda estará zelando por você. O contato com a praia e o mar lhe trará bem-estar.

Sua vida amorosa passará por uma renovação, e é possível que reencontre alguém do seu passado que a verá com novos olhos. Ou mesmo uma pessoa nova que proporcionará experiências diferentes à sua vida.

LIBRA
23/09 a 22/10

Este trânsito é muito benéfico para quase todos os assuntos. Mesmo que você esteja com problemas, eles serão amenizados por este aspecto.

Os assuntos afetivos estarão excelentes. Novos romances podem acontecer ou mesmo um renascimento num relacionamento que andava meio sem graça. Bom período também para casamentos e noivados.

A fase também é ótima para lidar com finanças. Seus investimentos vão render bastante e pode até ganhar mais dinheiro em algum golpe de sorte. Para quem precisa lidar com mulheres no trabalho ou na vida social, o momento é favorável. A saúde estará protegida e você se sentirá bem animada. A digestão e a circulação, regidas por Júpiter e Vênus, estarão ótimas, mas você terá tendência a engordar. Bom período para tratamentos estéticos e assuntos artísticos.

Neste período você vai sentir um efeito de solidez e criatividade. Você se tornará mais séria e responsável e sentirá que está encarando a vida de forma mais produtiva

ESCORPIÃO
23/10 a 21/11

Você estará com muita consciência moral e só vai aceitar agir dentro da lei. É um período em que você vai querer seguir a ordem estabelecida e não admitirá transgressões. Pode encarar a vida com mais seriedade e trabalhar bastante, mas sem perder o otimismo.

Pode resolver assuntos financeiros e legais, mas com muita demora. Tudo levará muito mais tempo do que imagina. Sua saúde andará frágil. Seu fígado vai estar mal e sua má-digestão pode se tornar crônica. Pode ter problemas arteriais ou tendência a cristalizações que levam à artrite ou à formação de pedras na vesícula.

A vida amorosa tende a ficar em compasso de espera durante este mês. Alguma situação mal resolvida será trazida á tona.

SAGITÁRIO
22/11 a 21/12

Este período vai lhe parecer uma grande provação. Você se sentirá cansada e sobrecarregada de trabalho. Evite os exageros, pois pode acabar tendo uma estafa. Poderá enfrentar problemas com pessoas de idade e ter muitas preocupações com elas. Você se tornará um pouco pessimista e vai começar a enxergar tudo meio cinza. Tente evitar isso!

Procure também cultivar a ponderação e a paciência que lhe serão muito úteis. Quanto à saúde, cuide-se muito, pois estará sem vitalidade e estafada. Pode ter problemas ósseos, principalmente na coluna ou nos joelhos. Os dentes, pele e cabelos estarão enfraquecidos. Para quem tem propensão, pode ocorrer formação de cristais ou pedras nos rins ou vesícula. Apesar de tudo, quando acabar o aspecto, você sentirá que aprendeu muito.

Sentirá necessidade de ficar isolada para reflexão.

CAPRICÓRNIO
22/11 a 19/01

Você estará de muito bom humor, com pensamentos otimistas e bastante autoconfiança. Mesmo tendo problemas, você enxergará tudo mais ameno e pelo lado mais positivo. Poderá ganhar mais dinheiro, seja do próprio trabalho, seja através da sorte em jogos. Mas cuidado, pois também estará excessivamente generosa e gastadora. Ótimo período para fechar bons negócios, assinar bons contratos e para a situação profissional em geral.

Também é boa época para firmar relacionamentos ou se casar. Boa fase para quem trabalha com Educação, Direito ou Línguas. Pode aparecer uma boa oportunidade de viagem. Aproveite!
Sua saúde estará boa e a vitalidade física estará mantida. A circulação sanguínea vai estar muito ativada, assim como o fígado e a digestão. Este período é muito agradável e, mesmo que não lhe aconteçam muitas coisas boas, você terá uma sensação de bem-estar e alegria.

AQUÁRIO
20/01 a 18/02

Você vai estar mais estável e segura de si mesma. A autoconfiança vai fazê-la se empenhar muito no trabalho, o que trará solidez e construtividade à sua carreira. As coisas correrão de forma lenta, mas trarão maior ascensão social e profissional.

Você vai se sentir muito mais segura. Bom contato com pessoas mais velhas, que vão encará-la com mais atenção. O período é bom para compra ou venda de imóveis, ou para reformas e construções. Sua saúde vai estar boa e sua resistência física vai estar aumentada. Se tiver tratamentos dentários, ósseos ou de pele e cabelos, o momento é excelente. Bom período para estudos profundos e pesquisas.

Sua vida afetiva necessita de mais atenção: se está sem ninguém, o período anuncia a entrada de uma pessoa interessante no seu caminho ligado à área profissional.

PEIXES
19/02 a 20/03

Você estará muito segura e com sensação de solidez. Vai enxergar a vida de uma forma mais organizada e ponderada. As pessoas com quem você convive vão notar a diferença. Vão achá-la mais madura. Seu humor vai estar mais equilibrado e você vai se sentir mais calma. Bom aspecto para consolidar seu relacionamento com mulheres em nível familiar, afetivo ou social. A saúde vai passar por bons momentos. Você pode conseguir se curar de algo que a incomodava. De qualquer forma, estará com o organismo muito equilibrado. É um período de boa saúde e bom para tratamentos ginecológicos. 


Miriam Julie é astróloga humanista, terapeuta holística, taróloga e numeróloga há 26 anos e mantém, desde 2004, as previsões astrológicas anuais e mensais, entre outras, do site da Um Outro Olhar. Atualmente em formação como terapeuta tântrica no método Deva Nishok.

Para consultas online ou pedidos de mapa astral, combinação de mapas, previsões, entrar em contato com miriam-zen@umoutroolhar.com.br 

Juntas há 37 anos, Ana e Maura agora puderam oficializar sua união!

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Casamento de Ana Lúcia Scapolatiello e Maura de Almeida Moraes (de óculos). Foto: Edu Cesar

“É uma satisfação poder fechar uma história de amor com chave de ouro”

Por causa de um amor surgido em plena Ditadura Militar, Ana e Maura enfrentaram o preconceito e a rejeição da família. Mas 37 anos depois, a relação continua forte e agora é reconhecida pela lei

Juliana Moraes


“Estou tão nervosa que entrei fumando no cartório e quase levei uma bronca”, confessa Maura de Almeida Moraes , 57 anos, enquanto apaga rapidamente o cachimbo com as mãos trêmulas, minutos antes de se casar. A outra noiva, Ana Lúcia Scapolatiello, 63, faz graça para descontrair a tensão evidente no semblante de ambas. “Olha lá, você se comporte, ou eu vou falar para o juiz que a resposta é ‘não’”, provoca a companheira de 37 anos, abrindo um largo sorriso.

Apesar de dividirem o mesmo teto há quase quarenta anos, as culinaristas paulistas Maura e Ana só recentemente conquistaram o direito de oficializar a sua união e garantir os mesmos direitos legais que os casais heterossexuais recebem.

“Quando nós entramos com o pedido de casamento, em janeiro, a lei ainda não estava em vigor”, explica Maura, se referindo decisão do judiciário do estado de São Paulo, que desde 1º de março garante equivalência de diretos entre casais gays e héteros que se casam no civil.“

Quem tem que decidir o meu futuro na hora da doença é quem mora comigo, quem me conhece (Maura)

“Resolvemos casar no civil porque queríamos conquistar todos os direitos de um casal. E ainda existem as questões médicas envolvidas, de hospitalização, de herança e tudo mais. Quem tem que decidir o meu futuro na hora da doença é quem mora comigo, quem me conhece”, afirma Maura com uma certeza inabalável.

Convictas e conscientes de seus direitos, ela oficializaram seu casamento e trocaram alianças na ensolarada manhã do último sábado (20), num cartório da Praia Grande, no litoral paulista. Para a cerimônia simples, mas carregada de emoção, foram convidados apenas amigos íntimos e alguns familiares.

Mas a impossibilidade de “casar no papel” não é nem de longe a maior dificuldade que as duas enfrentaram por causa de seu amor. Por esse sentimento, Ana e Maura enfrentaram os familiares e sofreram preconceito nas ruas. Sem apoio dos pais, as duas começaram a namorar em um momento político conturbado no País.

“Em 1975, ainda existia a Ditadura Militar, era tudo muito mais complicado. A gente era obrigada a se encontrar escondidas”, lembra Ana. “Sofremos pressão das famílias. Quando a gente saía para um chá, sempre tinha alguém seguindo, tínhamos que mudar de hábitos para ninguém pegar a gente. Era uma vergonha você ter um filho homossexual, éramos tratadas como se tivéssemos uma doença infecciosa”, completa Maura.

“Em 1975, ainda existia a Ditadura Militar, era tudo muito mais complicado. A gente era obrigada a se encontrar escondidas” (Ana)

A maneira encontrada para fugir da não aceitação dos pais veio com um grande pesar: o afastamento de toda a família. Mantendo contato à distância com os irmãos e os sobrinhos, Ana e Maura até se mudaram da capital paulista para a praia. “Quando você não tem apoio das únicas pessoas que poderiam te ajudar a passar por isso...”, emociona-se Maura, interrompendo sua fala.

Prosseguindo, Maura fala mais das dificuldades que elas enfrentaram em todos esses anos. “Nós nos amamos, então tivemos que nos afastar de todos aqueles que tentaram nos prejudicar. Vivemos só nós duas. Nunca tivemos uma casa para comemorar Natal, fim de ano, ninguém que nos chamasse para algum evento de família. Então nós duas levamos as nossas vidas, e isso não interessava a mais ninguém. Com amor, blindamos a vida e não deixamos ninguém se intrometer. São raras as pessoas que entram em casa”, desabafa ela.

Se por um lado, o convívio familiar foi conturbado, por outro, os anos de luta trouxeram maturidade ao casal. “Nós temos cumplicidade. Passamos pela etapa da paixão, depois pela da serenidade e amor, agora estamos na fase do amor e da cumplicidade. Chegamos ao ponto em que ninguém precisar abrir a boca. Basta um olhar”, diz Ana.

“Vivemos só nós duas. Nunca tivemos uma casa para comemorar Natal, fim de ano, ninguém que nos chamasse para algum evento de família. Então nós duas levamos as nossas vidas, e isso não interessava a mais ninguém. Com amor, blindamos a vida (Maura)

Elas veem o casamento como uma forma de coroar os 37 anos de união. “Para nós teve um motivo maior. A gente sentiu como se estivesse fechando um ciclo que a gente não via como poderia ser fechado. A gente pensou que nunca teria um fim e a gente viu que dava, sim. É uma satisfação poder fechar uma história de amor com chave de ouro", analisa Maura. 

A cerimônia foi marcada por gargalhadas e também por lágrimas. Discretas, as noivas optaram por não dar o beijo na boca após o tão esperado “sim”. “Temos que celebrar o amor”, conclui Maura, que agora adotou o sobrenome da mulher e se chama agora Maura de Almeida Moraes Scapolatiello.

Fonte: Juliana Moraes, do iG São Paulo | 26/04/2013 

Efeito dominó: Justiça aprova casamento gay na Paraíba

terça-feira, 30 de abril de 2013 0 comentários

Paraíba passa a ser o 13º Estado brasileiro
a consentir o casamento homoafetivo

Depois de um estudo jurídico com uma equipe de juízes, o corregedor-geral de Justiça, desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos, editou o Provimento 06/2013, que dispõe sobre a estruturação da união estável homoafetiva nas serventias extrajudiciais de todo o Estado. O documento também regulamenta a conversão da união estável em casamento e autoriza o processamento dos pedidos para casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Com essa medida, a Paraíba passa a ser o 13º Estado brasileiro a consentir o casamento homoafetivo. Uma das considerações para a edição do provimento é a dignidade humana e a isonomia de todos perante a lei, “sem distinções de qualquer natureza, inclusive de sexo, nos termos constantes do artigo 1, inciso III e artigo 5, caput, e inciso I, da Constituição Federal de 1988. O provimento está publicado no Diário Eletrônico do Tribunal de Justiça da Paraíba, edição desta terça-feira (30).

Segundo o corregedor-geral, o estudo sobre a matéria foi feito pelos três juízes auxiliares da Corregedoria e seus assessores. O trabalho foi coordenado pelo juiz Maeles Medeiros de Melo.

“Esse provimento não obriga que o juiz faça o casamento homoafetivo. Ele que é a autoridade para a realização deste ato, com todos os recursos cabíveis. Coube a Corregedoria regulamentar a matéria, caso ele entenda que deva fazer o casamento”, explicou Márcio Murilo. Desta forma, a Corregedoria determinou que os cartório façam não só o casamento entre héteros, como também de pessoas do mesmo sexo.

Com a publicação do Provimento 06/2013, a Paraíba acompanha uma forte tendência nacional, a repeito da liberação do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O texto ainda levou em consideração a decisão proferida pelao Supremo Tribunal Federal (STF), com efeito vinculante, no julgamento conjunto da ADPF n 132-RJ e da ADI n 4.277-DF, sob a relatoria do ministro Ayres Britto, que conferiu ao artigo 1.723 do Código Civil inpetração de acordo com a Constituição Federal para dele excluir todo o significado que impeça o reconhecimento da união contínua, pública e duradora entre pessoas do mesmo sexo como entendidade familiar.

O artigo 2º do provimento estabelece que a união estável homoafetiva é reconhecida como entidade familiar, “servindo a escritura pblica como instrumento para que as pessoas do mesmo sexo que vivam uma relação de fato, contínua e duradora, em comunhão afetiva nos termos do artigo 1.723 do Código Civil, com ou sem compromisso patrimonial, legitimem o relacionamento e comprovem seus direitos, disciplinando a convivência de acordo com seus interesses”.

Habilitação - Por sua vez, o artigo 9º do provimento permite os serviços de registro civil, com atribuições para o casamento, receber pedidos de habilitação para casamento de pessoas do mesmo sexo, procedendo na forma do Título II, Capítulo V, da Lei 6.015/73 e dentro do Código Civil Brasileiro. A viabilidade para a habilitação do casamento homoafetivo tem como base a orientação emanada da decisão proferida pelo STF, no recurso especial n 1.183.878, da relatoria do ministro Luis Felipe Salomão.

Fonte: Cofemac

Mais um: CGJ autoriza casamento entre pessoas do mesmo sexo em SC

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A Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ) de Santa Catarina autorizou a partir desta segunda-feira (29) a formalização da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Com a decisão, casais homoafetivos podem registrar a união em cartórios de registro civil. De acordo com a entidade, o registro poderá ser realizado sem a observância da limitação de gênero que impõe a legislação, mas ambos precisam residir no estado.

“A partir de agora, o serviço notarial e de registro estará autorizado a dar normal seguimento às habilitações para casamento, independentemente do sexo dos contraentes”, afirmou o juiz-corregedor Davidson Jahn Mello, responsável pelo Núcleo IV – Serventias Extrajudiciais da CGJ.

De acordo com Alexsandro Postali, coordenador do núcleo extrajudicial da Corregedoria, o pedido foi feito pela Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) há três semanas. "Há outros estados que também autorizaram, como Alagoas e São Paulo. Porém, para registrar o casamento em Santa Catarina é necessário que ambos morem no estado", explicou Postali.

A decisão amplia a interpretação do artigo 629 do Código de Normas da CGJ, que permite a união estável desde 2011. A deliberação teve como base a do Supremo Tribunal Federal, que julgou procedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 4.277 e a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 132, somado à recente decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n. 1.183.378-RS, que afastou a exigência de diversidade de sexos e determinou o prosseguimento de processo de habilitação para casamento civil entre pessoas do mesmo sexo naquele Estado.

“Esta decisão mostra que a Corregedoria-Geral da Justiça encontra-se atenta aos desdobramentos das decisões jurisdicionais que tratam do tema. Com isso, Santa Catarina alinha-se ao decidido em diversos Estados e passa a permitir que cada vez mais pessoas tenham acesso à cidadania”, afirmou o desembargador Vanderlei Romer, corregedor-geral da Justiça.

Fonte: G1, 29/04/2013

Sociólogo francês coloca o arco-íris no centro da política

segunda-feira, 29 de abril de 2013 0 comentários

Éric Fassin: O arco-íris no centro da política

Surpreendeu a muitos as reações conservadoras na França contra o casamento entre pessoas de mesmo sexo e a adoção de crianças por casais LGBT pelo país ser considerado um dos berços da democracia, da intelectualidade moderna e da sofisticação. Por isso, as marchas conservadoras, contra a igualdade de direitos entre as pessoas (e o casamento LGBT não passa disso) e até atos de violência contra políticos e pessoas homossexuais, levaram naturalmente a especulações sobre o que pode haver a mais  por trás disso.

Na entrevista abaixo, sociólogo francês Éric Fassin afirma que "a adoção de crianças por casais gays incomoda por enterrar de vez "a ilusão de que a filiação é fundada biologicamente", o que põe em risco certa concepção arcaica de nação; e diz que rever as concepções "naturais" que temos sobre o casamento, a família e a filiação pode ajudar na necessária reinvenção de nossas sociedades."

Para sociólogo francês, a bandeira do ‘casamento igualitário’ - já hasteada em 14 países - transcendeu o universo das minorias e assumiu a vanguarda na transformação da sociedade


Ivan Marsiglia - O Estado de S.Paulo

Tão logo foi ratificado pelo Parlamento da França na terça-feira, o projeto que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adoção de crianças por casais homossexuais desencadeou protestos violentos. Em Paris, manifestantes atiraram garrafas, latas e pedaços de metal na polícia, que reagiu com bombas de gás lacrimogêneo e prendeu 12 pessoas. Os distúrbios foram ainda mais violentos em Lyon, no centro-oeste do pais, onde 44 foram detidos.

Promessa de campanha do presidente François Hollande, eleito pelo Partido Socialista em maio de 2012, o projeto enfrentou resistência da Igreja Católica francesa, da União pelo Movimento Popular, legenda do ex-presidente Nicolas Sarkozy, e da Frente Nacional, de extrema direita. A votação dividida na Assembleia Nacional - 331 votos à favor e 225 contra - já prenunciava a situação da causa do "casamento igualitário", como preferem seus defensores, não só na França, mas no mundo: um cenário de vitórias sucessivas, quase sempre apertadas. Já são 14 os países que adotaram legislação semelhante, na maioria democracias avançadas como Holanda, Noruega, Dinamarca, Suécia, Islândia, Canadá, Bélgica, Nova Zelândia, Portugal e Espanha, mas também Africa do Sul, Argentina e Uruguai. No Brasil, embora o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido, em maio de 2011, a união homoafetiva estável, a decisão não é equivalente a uma lei sobre o assunto.

Para o sociólogo francês Éric Fassin, a bandeira da igualdade de direitos para os homossexuais adquiriu centralidade única na política contemporânea: "Hoje, a principal divisão ideológica entre a direita e a esquerda na França se dá na questão do casamento igualitário". Professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Paris VIII, Fassin se dedica a pesquisar a interface política entre as questões sexuais e raciais e afirma que o mito de uma "democracia sexual" no Ocidente serviu muitas vezes para justificar a xenofobia - travestida de defesa dos ‘nossos’ valores contra os ‘deles’. Autor, entre outros livros não traduzidos no Brasil, de Liberdade, Igualdade, Sexualidade: Atualidade Política das Questões Sexuais (2004) e A Inversão da Questão Homossexual (2008), o professor afirma que a empedernida reação à extensão de direitos às minorias acabou por revelar "a cultura hétero que organiza toda nossa vida cotidiana e até as disciplinas que estudam a sociedade, como a sociologia da família ou a antropologia do parentesco".

Na entrevista a seguir, Éric Fassin explica por que os religiosos desta vez não foram os responsáveis pela polêmica, mas pegaram carona nela; afirma que a adoção de crianças por casais gays incomoda por enterrar de vez "a ilusão de que a filiação é fundada biologicamente", o que põe em risco certa concepção arcaica de nação; e diz que rever as concepções "naturais" que temos sobre o casamento, a família e a filiação pode ajudar na necessária reinvenção de nossas sociedades.

Por que mesmo na França, com sua longa tradição na defesa dos direitos humanos, o tema do casamento gay é tão sensível?

Antes de qualquer coisa, há por trás disso uma lógica política. A questão do casamento igualitário é, hoje, a principal diferença entre a direita e a esquerda na França. Todo o resto, de Nicolas Sarkozy a François Hollande, é continuidade: seja em se tratando de economia, nas proposições de austeridade e competitividade tributárias da mesma política neoliberal, seja no debate sobre a imigração - a expulsão de imigrantes não diminuiu no atual governo e a perseguição cotidiana aos ciganos inclusive se intensificou. Foi sobre o casamento, então, que se fixou a clivagem ideológica. Os protestos aos quais estamos assistindo se explicam pelo fato de que todas as forças se concentram, num ambiente no resto consensual, nessa única batalha. Veja que até mesmo em matéria de laicidade, já não há diferença entre os diversos partidos políticos: Hollande propõe hoje uma lei contra o uso do véu islâmico exatamente como o fizeram Sarkozy em 2010 e Jacques Chirac em 2004...

Mas os protestos ocorridos essa semana não aparentam ter origem exclusivamente religiosa, certo?

Na França, a religião não é o motor primeiro da hostilidade ao tema da igualdade de direitos. É algo que não entendemos bem 15 anos atrás, contra o PaCS (Pacto Civil de Solidariedade, votado em 1999 durante o governo Lionel Jospin, que previa uma parceria contratual entre duas pessoas maiores, independente do sexo, que inspirou o debate sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo no Brasil). A Igreja, na verdade, se aproveita dessa polêmica para existir politicamente. E Sarkozy soube preparar bem o terreno com sua política de identidade nacional, que repousava sobre duas heranças: a laica, contra "eles", os outros, estrangeiros, etc., e a cristã, por "nós", nossos valores. Era um ato de legitimação política da Igreja. Em retribuição, o lobby religioso dá hoje sua bênção à oposição.

O que incomoda mais, a questão reprodutiva, as relações homossexuais em si ou a adoção de crianças por casais do mesmo sexo?

Nos EUA, o casamento em si é que está no coração da controvérsia. Já na França, é a filiação, o acesso à adoção e à assistência médica para as crianças. Por que isso? Ocorre que na França a filiação define, por sua vez, a família e a nacionalidade. Estendê-la aos homossexuais significa desnaturalizá-la de vez, dissipando a ilusão de que a filiação é fundada biologicamente. Do lado inverso, naturalizar a filiação significa dar um fundamento biológico à ideia de nação. Ainda hoje fala-se muito na França de "franceses de estirpe" em oposição a "franceses de origem estrangeira". E naturalizar a filiação é atribuir a ela um caráter racista, que distingue dois tipos de cidadãos, os "naturais" e os de raízes estrangeiras.

Logo após a votação no Senado, o antigo primeiro ministro Jean-Pierre Raffarin acusou os defensores do casamento gay de provocar uma ‘crise social’ e promover ‘uma injustiça contra as crianças, que não conhecerão nem papai nem mamãe’. O que achou dessa declaração?

De um lado, ela joga com o medo, a retórica reacionária de que permitir a adoção por casais gays é entrar em "terreno escorregadio". Por outro lado, está aí a reivindicação de uma visão biologizante da filiação. "Nem papai, nem mamãe"? A única filiação então é a dos genitores? Como fica isso então em relação aos filhos adotivos? No caso da adoção, os genitores não têm papel na filiação, sejam os pais adotivos de sexos diferentes ou não. A frase de Raffarin é uma negação do direito. Não contente em fazer a defesa de "verdades naturais", biológicas, pretende que elas produzam verdades sociais. Vê-se aqui o quão atual é o debate sobre o casamento igualitário, e quanto a resistência a ele significa uma resistência à noção de igualdade e um retorno ao determinismo biológico.

Em um artigo de 2012, o sr. se perguntava se a oposição ao casamento gay seria, em si, uma forma de homofobia. Como responderia a essa questão hoje?

Os que se opõem ao casamento igualitário fazem uso da ideia de natureza, o que é contraditório, uma vez que tanto o casamento quanto a família são instituições sociais. Falar em "instituição natural" é uma contradição em termos. Portanto, julgar que a extensão do casamento aos homossexuais não seria natural é o mesmo que dizer que a homossexualidade vai contra a natureza. Na época dos primeiros debates sobre o PaCS era possível posicionar-se de maneira hostil ao casamento sem ser homofóbico - mas isso porque não havíamos refletido suficientemente sobre isso. Hoje, todo o mundo já debateu todos os argumentos. Recusar a igualdade de direitos é optar conscientemente pela homofobia política. Veja que interessante: tanto na França como nos EUA pouco menos da metade da população é contrária ao casamento igualitário. Entre os americanos, essa proporção é praticamente a mesma dos que se declaram homofóbicos. Na França, ao contrário, a se supor pelas pesquisas, pouquíssimos se dizem homofóbicos. É um dado revelador da hipocrisia francesa.

Por falar em pesquisas, no início dessa semana só 25% dos franceses se declaravam satisfeitos com o governo Hollande. A polêmica afetou sua popularidade?

O casamento igualitário não é a causa da impopularidade do presidente da república, até porque os eleitores de esquerda são majoritariamente favoráveis. Quanto aos de direita, hostis ao tema, de todo modo não apoiariam Hollande. O que explica sua rejeição é o fato de que a volta ao poder dos socialistas não significou uma verdadeira alternância. Lembremo-nos de que o slogan da campanha Hollande era le changement c’est maintenant (a mudança é agora). A defesa do casamento igualitário é, por isso, o único fator que limita sua impopularidade - porque aí, sim, houve mudança. Há quem diga, inclusive, que sua defesa da nova lei serve apenas para fazer os eleitores de esquerda esquecerem as renúncias que fez na volta ao poder. É um fato, mas prefiro que o governo distraia os franceses com a questão do casamento do que expulsando imigrantes ou perseguindo ciganos.

Além da França, outros 14 países aprovaram leis semelhantes, inclusive nossos vizinhos, a Argentina e o Uruguai. Parece haver uma movimentação internacional em torno do tema. Por que o casamento gay virou a principal bandeira de seus ativistas, mais importante até que as leis anti-homofobia?

No primeiro país, a Holanda, a legalização data de 2001 e, de lá para cá, a multiplicação tem sido bastante rápida. São oito países na Europa, mas também na América do Norte e do Sul, além da Oceania. Isso ocorreu porque os ativistas gays se apoiaram em princípios democráticos como a igualdade de direitos. É uma eficácia ainda mais impressionante quando se leva em conta a enormidade de lutas progressistas que fracassaram nos últimos anos. E mais: trata-se de um desafio enorme simbolicamente, daí a resistência feroz que enfrenta por toda a parte. Outro fator que contribui para sua implementação é o fato de ela não custar quase nada - de certa maneira, portanto, é uma reivindicação compatível com as políticas neoliberais. Ainda que o exemplo da direita francesa, partidária do neoliberalismo, tenha se aliado aos conservadores religiosos para combatê-la.

Em A Inversão da Questão Homossexual o sr. diz que os debates em torno da causa marcam uma ruptura histórica: após um século de estudos da psicanálise, da antropologia e da sociologia sobre a homossexualidade, atualmente é a política lésbica e gay que põe em questão essas disciplinas e a própria sociedade. Por quê?

Veja o exemplo francês: é a homofobia que se esconde hoje em dia, não a homossexualidade. Nos EUA, o humorista Steven Colbert chegou a dizer: "Na França, aquele pessoal com cartazes cor-de-rosa dançando ao som do grupo Abba são os manifestantes antigays!" A homofobia se travestiu: em vez de deixar sua violência sair do armário, percebeu que já tinha perdido a batalha. Dizendo de outra maneira, a questão hoje não é mais "como alguém pode ser homossexual?", mas "como alguém pode ser homofóbico?". As reivindicações gays revelaram o que ninguém percebia em nossa sociedade: é a cultura hétero que organiza toda nossa vida cotidiana, a família e até as disciplinas que estudam a sociedade, como a sociologia da família ou a antropologia do parentesco. O que não conseguíamos ser capazes de perceber, de pensar, passa rapidamente a ser visível, "pensável". Tudo isso que nos parecia "natural" revela-se como mera convenção, arbitrária e portanto modificável.

De que maneira tal mudança de parâmetros afeta questões como a imigração e a xenofobia, como o sr. chegou a dizer?

Durante os anos 2000, políticos xenófobos e racistas buscaram legitimar sua voz nas sociedades ocidentais pela instrumentalização do que chamo de "democracia sexual": dizendo que o sexismo e a homofobia eram mazelas ‘deles’ e não ‘nossas’, os espíritos libertos. Assim, falava-se o tempo todo na Europa sobre como o véu islâmico é um símbolo do patriarcado atrasado deles, assim como casamentos forçados ou a poligamia. Insistíamos o tempo todo que tais violências contra mulheres e homossexuais estavam restritas aos bairros de imigrantes ou estrangeiros. Ora, fazer esse discurso hoje em dia ficou mais difícil. Tanto que a heroína do movimento anticasamento igualitário, Frigide Barjot, foi ao congresso da União das Organizações Islâmicas da França buscar o apoio ‘deles’ para a causa! E já provoca inquietação em alguns imaginar qual será o resultado dessa mudança na retórica conservadora. Ou seja, como será reposta a oposição entre ‘nós’ e ‘eles’ sem o pretexto da democracia sexual.

Em um texto sobre a obra de Michel Foucault, o sr. afirma que não se trata de pensar a invenção de uma cultura gay em torno do casamento e da família, mas de ‘uma cultura inventiva a partir da atualização homossexual dessas instituições’. Tal transformação é possível? Qual seria o resultado dela?

Ela é a mais difícil, mas também a mais necessária, em minha opinião. Na França, como teria sido absurdo denunciar o casamento igualitário como um projeto de normalização da homossexualidade, o argumento que se usou contra, tanto à direita como à esquerda, foi o da defesa da "ordem simbólica". Mas uma vez vencida a batalha, é preciso enfrentar a questão. E aproveitar este momento para questionar de fato as noções de casal, de família, casamento e filiação. Se em vez de presumir que já sabemos do que estamos falando, como se fosse algo óbvio, tomarmos consciência de que cabe a nós dar-lhes sentido, abre-se um espaço. Se não um espaço de reinvenção radical, pelo menos de um pouco de bricolagem, de improvisação. Já vimos, em outras ocasiões, como o divórcio, a possibilidade de outros casamentos engendraram novas experiências sociais. Por que não poderia ocorrer novamente, a partir da abertura do casamento e da família aos casais do mesmo sexo?

Fonte: Estadão, 27 de abril de 2013

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