Clipping: Comissão do Senado aprova união estável entre homossexuais

quinta-feira, 24 de maio de 2012 0 comentários

A Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou nesta quinta-feira projeto de lei que inclui no Código Civil a união estável entre homossexuais e sua futura conversão em casamento. A proposta transforma em lei uma decisão já tomada por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em maio de 2011, quando reconheceu a união estável de homossexuais como unidade familiar.

A proposta, da senadora Marta Suplicy (PT-SP), ainda terá que passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ir a plenário e também terá que ser votada pela Câmara dos Deputados, onde deverá enfrentar muito mais resistência do que no Senado, especialmente por parte da chamada bancada evangélica.

Em seu relatório sobre o PL, a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) defendeu a proposta lembrando que o Congresso está atrasado não apenas em relação ao STF, quanto em relação à Receita Federal e ao INSS, que já reconhecem casais do mesmo sexo em suas normas. A senadora lembra, no entanto, que a conversão de união estável em casamento não tem qualquer relação com o casamento religioso.

"O projeto dispõe somente sobre a união estável e o casamento civil, sem qualquer impacto sobre o casamento religioso. Dessa forma, não fere de modo algum a liberdade de organização religiosa nem a de crença de qualquer pessoa, embora garanta, por outro lado, que a fé de uns não se sobreponha à liberdade pessoal de outros", apontou em seu relatório.

Apesar da decisão do STF, que serve de jurisprudência para as demais esferas judiciais, casais homossexuais têm tido dificuldade em obter na Justiça a conversão, mesmo em cidades grandes como São Paulo e Rio de Janeiro. Vários juízes alegam, apesar da decisão do órgão superior, que não há legislação a respeito.

Durante a votação do STF, o então presidente do Tribunal, ministro Cezar Peluso, cobrou do Congresso que "assumisse a tarefa que até agora não se sentiu propensa a fazer" e transformasse a conversão em lei.

Fonte: Zero Hora 

Agora assumiram: Pastor da Carolina do Norte quer mandar LGBT para campos de concentração

quarta-feira, 23 de maio de 2012 1 comentários

Pastor Charles L. Worley pregando
 a solução final  para gays, lésbicas e queers
Não é apenas no Brasil que os evangélicos resolveram pegar os LGBT para Cristo. Comparação apropriada para essa gente que gosta de crucificar pessoas, embora falem em nome do crucificado-mór. 

No estado americano da Carolina do Norte, somente no mês de maio, além dos eleitores locais terem banido o casamento entre pessoas do mesmo sexo, por meio de uma emenda que pode ainda barrar as uniões civis (no caso também as hétero), um pastor declarou que os pais deveriam bater em garotos que apresentassem sinais de afeminação (a la Boçalnaro), para evitar que se tornassem gays, e outro, que lésbicas e queers deveriam ser mandados para campos de concentração (sic):    

Disse o Himmler de Deus, um tal de pastor Charles L. Worley da Igreja Batista de Providence Road, em sermão dominical:

"Imaginei uma forma de nos livrarmos de todas as lésbicas e queers, mas acho que ela não passaria pelo Congresso. Fechar um lugar com uma grande cerca - com  50 ou 100 milhas de extensão - e colocar todas as lésbicas lá. Sobrevoar o local e jogar alguma comida para elas. Fazer o mesmo com queers e homossexuais, e eletrificar a cerca para eles não poderem sair... E quer saber, em poucos anos, todos estariam mortos. Sabe porquê? Eles não podem se reproduzir."

Abaixo o discurso da peça em pessoa, com um sotaque dos cafundós dos EUA (lá também tem cafundós) só não tão ruim quanto o conteúdo do "sermão", e aqui um gráfico interessante sobre os direitos gays nos EUA. Também vale ler o texto Quando Deus pauta a política, de Glauco Faria, que resgata as origens das igrejas pentecostais e neopentecostais, no Brasil, e das razões porque elas atingiram a preocupante dimensão que tem hoje.

Clipping: Pai da psiquiatria moderna pede desculpas por estudo sobre "cura" de LGBT

terça-feira, 22 de maio de 2012 1 comentários

Robert L. Spitzer
O fato foi simplesmente que ele fez tudo errado, e ao final de uma longa e revolucionária carreira, não importava com quanta frequência estivesse certo, o quão poderoso tinha sido ou o que isso significaria para seu legado.

O dr. Robert L. Spitzer, considerado por alguns como o pai da psiquiatria moderna, que completa 80 anos nesta semana, acordou recentemente às 4 horas da madrugada ciente de que tinha que fazer algo que não é natural para ele.

Ele se esforçou e andou cambaleando no escuro. Sua mesa parecia impossivelmente distante; Spitzer sofre de mal de Parkinson e tem dificuldade para caminhar, se sentar e até mesmo manter sua cabeça ereta.

A palavra que ele às vezes usa para descrever essas limitações –patéticas– é a mesma que empregou por décadas como um machado, para atacar ideias tolas, teorias vazias e estudos sem valor.

Agora, ali estava ele diante de seu computador, pronto para se retratar de um estudo que realizou, uma investigação mal concebida de 2003 que apoiava o uso da chamada terapia reparativa para “cura” da homossexualidade, voltada para pessoas fortemente motivadas a mudar.

O que dizer? A questão do casamento gay estava sacudindo novamente a política nacional. O Legislativo da Califórnia estava debatendo um projeto de lei proibindo a terapia como sendo perigosa. Um jornalista de revista que se submeteu à terapia na adolescência, o visitou recentemente em sua casa, para explicar quão miseravelmente desorientadora foi a experiência.

E ele soube posteriormente que um relatório da Organização Mundial de Saúde, divulgado na quinta-feira (17), considera a terapia “uma séria ameaça à saúde e bem-estar –até mesmo à vida– das pessoas afetadas”.

Os dedos de Spitzer tremiam sobre as teclas, não confiáveis, como se sufocassem com as palavras. E então estava feito: uma breve carta a ser publicada neste mês, na mesma revista onde o estudo original apareceu.

“Eu acredito que devo desculpas à comunidade gay”, conclui o texto.

Perturbador da paz
A ideia de estudar a terapia reparadora foi toda de Spitzer, dizem aqueles que o conhecem, um esforço de uma ortodoxia que ele mesmo ajudou a estabelecer.

No final dos anos 90 como hoje, o establishment psiquiátrico considerava a terapia sem valor. Poucos terapeutas consideravam a homossexualidade uma desordem.

Nem sempre foi assim. Até os anos 70, o manual de diagnóstico do campo classificava a homossexualidade como uma doença, a chamando de “transtorno de personalidade sociopática”. Muitos terapeutas ofereciam tratamento, incluindo os analistas freudianos que dominavam o campo na época.

Os defensores dos gays fizeram objeção furiosamente e, em 1970, um ano após os protestos de Stonewall para impedir as batidas policiais em um bar de Nova York, um grupo de manifestantes dos direitos dos gays confrontou um encontro de terapeutas comportamentais em Nova York para discutir o assunto. O encontro foi encerrado, mas não antes de um jovem professor da Universidade de Columbia sentar-se com os manifestantes para ouvir seus argumentos.

“Eu sempre fui atraído por controvérsia e o que eu ouvi fazia sentido”, disse Spitzer, em uma entrevista em sua casa na semana passada. “E eu comecei a pensar, bem, se é uma desordem mental, então o que a faz assim?”

Ele comparou a homossexualidade com outras condições definidas como transtornos, tais como depressão e dependência de álcool, e viu imediatamente que as últimas causavam angústia acentuada e dano, enquanto a homossexualidade frequentemente não.

Ele também viu uma oportunidade de fazer algo a respeito. Spitzer era na época membro de um comitê da Associação Americana de Psiquiatria, que estava ajudando a atualizar o manual de diagnóstico da área, e organizou prontamente um simpósio para discutir o lugar da homossexualidade.

A iniciativa provocou uma série de debates amargos, colocando Spitzer contra dois importantes psiquiatras influentes que não cediam. No final, a associação psiquiátrica ficou ao lado de Spitzer em 1973, decidindo remover a homossexualidade de seu manual e substituí-la pela alternativa dele, “transtorno de orientação sexual”, para identificar as pessoas cuja orientação sexual, gay ou hétero, lhes causava angústia.

Apesar da linguagem arcana, a homossexualidade não era mais um “transtorno”. Spitzer conseguiu um avanço nos direitos civis em tempo recorde.

“Eu não diria que Robert Spitzer se tornou um nome popular entre o movimento gay mais amplo, mas a retirada da homossexualidade foi amplamente celebrada como uma vitória”, disse Ronald Bayer, do Centro para História e Ética da Saúde Pública, em Columbia. “‘Não Mais Doente’ foi a manchete em alguns jornais gays.”

Em parte como resultado, Spitzer se encarregou da tarefa de atualizar o manual de diagnóstico. Juntamente com uma colega, a dra. Janet Williams, atualmente sua esposa, ele deu início ao trabalho. A um ponto ainda não amplamente apreciado, seu pensamento sobre essa única questão –a homossexualidade– provocou uma reconsideração mais ampla sobre o que é doença mental, sobre onde traçar a linha entre normal e não.

O novo manual, um calhamaço de 567 páginas lançado em 1980, se transformou em um best seller improvável, tanto nos Estados Unidos quanto no exterior. Ele estabeleceu instantaneamente o padrão para futuros manuais psiquiátricos e elevou seu principal arquiteto, então próximo dos 50 anos, ao pináculo de seu campo.

Ele era o protetor do livro, parte diretor, parte embaixador e parte clérigo intratável, rosnando ao telefone para cientistas, jornalistas e autores de políticas que considerava equivocados. Ele assumiu o papel como se tivesse nascido para ele, disseram colegas, ajudando a trazer ordem para um canto historicamente caótico da ciência.

Mas o poder tem seu próprio tipo de confinamento. Spitzer ainda podia perturbar a paz, mas não mais pelos flancos, como um rebelde. Agora ele era o establishment. E no final dos anos 90, disseram amigos, ele permanecia tão inquieto como sempre, ávido em contestar as suposições comuns.

Foi quando se deparou com outro grupo de manifestantes, no encontro anual da associação psiquiátrica em 1999: os autodescritos ex-gays. Como os manifestantes homossexuais em 1973, eles também se sentiam ultrajados por a psiquiatria estar negando a experiência deles –e qualquer terapia que pudesse ajudar.

A terapia reparativa
A terapia reparativa, às vezes chamada de terapia de “conversão” ou “reorientação sexual”, é enraizada na ideia de Freud de que as pessoas nascem bissexuais e podem se mover ao longo de um contínuo de um extremo ao outro. Alguns terapeutas nunca abandonaram a teoria e um dos principais rivais de Spitzer no debate de 1973, o dr. Charles W. Socarides, fundou uma organização chamada Associação Nacional para Pesquisa e Terapia da Homossexualidade (Narth, na sigla em inglês), no sul da Califórnia, para promovê-la.

Em 1998, a Narth formou alianças com grupos de defesa socialmente conservadores e juntos eles iniciaram uma campanha agressiva, publicando anúncios de página inteira em grandes jornais para divulgar histórias de sucesso.

“Pessoas com uma visão de mundo compartilhada basicamente se uniram e criaram seu próprio grupo de especialistas, para oferecer visões alternativas de políticas”, disse o dr. Jack Drescher, psiquiatra em Nova York e coeditor de “Ex-Gay Research: Analyzing the Spitzer Study and Its Relation to Science, Religion, Politics, and Culture”.

Para Spitzer, a pergunta científica no mínimo valia a pena ser feita: qual era o efeito da terapia, se é que havia algum? Estudos anteriores tinham sido tendenciosos e inconclusivos.

“As pessoas me diziam na época: ‘Bob, você vai arruinar sua carreira, não faça isso’”, disse Spitzer. “Mas eu não me sentia vulnerável.”

Ele recrutou 200 homens e mulheres, dos centros que realizavam a terapia, incluindo o Exodus International, com sede na Flórida, e da Narth. Ele entrevistou cada um profundamente por telefone, perguntando sobre seus impulsos sexuais, sentimentos, comportamentos antes e depois da terapia, classificando as respostas em uma escala.

Spitzer então comparou os resultados de seu questionário, antes e depois da terapia. “A maioria dos participantes relatou mudança de uma orientação predominante ou exclusivamente homossexual antes da terapia, para uma orientação predominante ou exclusivamente heterossexual no ano passado”, concluiu seu estudo.

O estudo –apresentado em um encontro de psiquiatria em 2001, antes da publicação– tornou-se imediatamente uma sensação e grupos de ex-gays o apontaram como evidência sólida de seu caso. Afinal aquele era Spitzer, o homem que sozinho removeu a homossexualidade do manual de transtornos mentais. Ninguém poderia acusá-lo de tendencioso.

Mas líderes gays o acusaram de traição e tinham suas razões.

O estudo apresentava problemas sérios. Ele se baseava no que as pessoas se lembravam de sentir anos antes –uma lembrança às vezes vaga. Ele incluía alguns defensores ex-gays, que eram politicamente ativos. E não testava uma terapia em particular; apenas metade dos participantes se tratou com terapeutas, enquanto outros trabalharam com conselheiros pastorais ou em grupos independentes de estudos da Bíblia.

Vários colegas tentaram impedir o estudo e pediram para que ele não o publicasse, disse Spitzer.

Mas altamente empenhado após todo o trabalho, ele recorreu a um amigo e ex-colaborador, o dr. Kenneth J. Zucker, psicólogo-chefe do Centro para Vício e Saúde Mental, em Toronto, e editor do “Archives of Sexual Behavior”, outra revista influente.

“Eu conhecia o Bob e a qualidade do seu trabalho, e concordei em publicá-lo”, disse Zucker em uma entrevista na semana passada.

O artigo não passou pelo habitual processo de revisão por pares, no qual especialistas anônimos avaliam o artigo antes da publicação.

“Mas eu lhe disse que o faria apenas se também publicasse os comentários” de resposta de outros cientistas para acompanhar o estudo, disse Zucker.

Esses comentários, com poucas exceções, foram impiedosos. Um citou o Código de Nuremberg de ética para condenar o estudo não apenas como falho, mas também moralmente errado.

“Nós tememos as repercussões desse estudo, incluindo o aumento do sofrimento, do preconceito e da discriminação”, concluiu um grupo de 15 pesquisadores do Instituto Psiquiátrico do Estado de Nova York, do qual Spitzer era afiliado.

Spitzer não deixou implícito no estudo que ser gay era uma opção, ou que era possível para qualquer um que quisesse mudar fazê-lo com terapia. Mas isso não impediu grupos socialmente conservadores de citarem o estudo em apoio a esses pontos, segundo Wayne Besen, diretor executivo da Truth Wins Out, uma organização sem fins lucrativos que combate o preconceito contra os gays.

Em uma ocasião, um político da Finlândia apresentou o estudo no Parlamento para argumentar contra as uniões civis, segundo Drescher.

“Precisa ser dito que quando este estudo foi mal utilizado para fins políticos, para dizer que os gays deviam ser curados –como ocorreu muitas vezes. Bob respondia imediatamente, para corrigir as percepções equivocadas”, disse Drescher, que é gay.

Mas Spitzer não conseguiu controlar a forma como seu estudo era interpretado por cada um e não conseguiu apagar o maior erro científico de todos, claramente atacado em muitos dos comentários: simplesmente perguntar para as pessoas se elas mudaram não é evidência de mudança real. As pessoas mentem, para si mesmas e para os outros. Elas mudam continuamente suas histórias, para atender suas necessidades e humores.

Resumindo, segundo quase qualquer medição, o estudo fracassou no teste do rigor científico que o próprio Spitzer foi tão importante em exigir por muitos anos.

Reconhecimento
Foram necessários 11 anos para ele reconhecer publicamente.

Inicialmente ele se agarrou à ideia de que o estudo era exploratório, uma tentativa de levar os cientistas a pensarem duas vezes antes de descartar uma terapia de cara. Então ele se refugiou na posição de que o estudo se concentrava menos na eficácia da terapia e mais em como as pessoas tratadas com ele descreviam mudanças na orientação sexual.

“Não é um pergunta muito interessante”, ele disse. “Mas por muito tempo eu pensei que talvez não tivesse que enfrentar o problema maior, sobre a medição da mudança.”

Após se aposentar em 2003, ele permaneceu ativo em muitas frentes, mas o estudo da terapia reparativa permaneceu um elemento importante das guerras culturais e um arrependimento pessoal que não o deixava em paz. Os sintomas de Parkinson pioraram no ano passado, o esgotando física e mentalmente, tornando ainda mais difícil para ele lutar contra as dores do remorso.

E, em um dia em março, Spitzer recebeu um visitante. Gabriel Arana, um jornalista da revista “The American Prospect”, entrevistou Spitzer sobre o estudo sobre terapia reparativa. Aquela não era uma entrevista qualquer; Arana se submeteu à terapia reparativa na adolescência e o terapeuta dele recrutou o jovem para o estudo de Spitzer (Arana não participou).

“Eu perguntei a ele sobre todos os seus críticos e ele disse: ‘Eu acho que eles estão certos’”, disse Arana, que escreveu sobre suas próprias experiências no mês passado. Arana disse que a terapia reparativa acabou adiando sua autoaceitação e lhe induziu a pensamentos de suicídio. “Mas na época que fui recrutado para o estudo de Spitzer, eu era considerado uma história de sucesso. Eu teria dito que estava fazendo progressos.”

Aquilo foi o que faltava. O estudo que na época parecia uma mera nota de rodapé em uma grande vida estava se transformando em um capítulo. E precisava de um final apropriado –uma forte correção, diretamente por seu autor, não por um jornalista ou colega.

Um esboço da carta já vazou online e foi divulgado.

“Você sabe, é o único arrependimento que tenho; o único profissional”, disse Spitzer sobre o estudo, perto do final de uma longa entrevista. “E eu acho que, na história da psiquiatria, eu não creio que tenha visto um cientista escrever uma carta dizendo que os dados estavam lá, mas foram interpretados erroneamente. Que tenha admitido isso e pedido desculpas aos seus leitores.”

Ele desviou o olhar e então voltou de novo, com seus olhos grandes cheios de emoção. “Isso é alguma coisa, você não acha?”

Tradutor: George El Khouri Andolfato

Fonte: Famoso psiquiatra pede desculpas por estudo sobre "cura" para gays

Tá na cara: lésbicas mais fáceis de reconhecer do que gays!?

segunda-feira, 21 de maio de 2012 1 comentários

Tá na cara: lésbicas identificadas num piscar de olhos

Especialistas do departamento de Psicologia da Universidade de Washington e da Universidade de Cornwell (em Nova Iorque, EUA) publicaram artigo (dia 16 último), na revista científica PLos One,  sobre estudo que afirma ser possível para muita gente olhar para o rosto de alguém e reconhecer se se trata de uma pessoa homossexual ou não, sendo os rostos das lésbicas mais facilmente identificáveis do que os dos gays. 

O estudo, com a participação de 129 estudantes universitários, envolveu uma série de experiências com 96 imagens de rostos de pessoas heterossexuais e homossexuais. Ao vê-las, os participantes deveriam dizer se o rosto, exibido durante menos tempo do que levamos para piscar os olhos, era de alguém homossexual ou heterossexual. 

Exibidas num computador em flashes muito rápidos, para frente e para trás e até de pernas para o ar, as imagens mostravam apenas o rosto das pessoas, sem o corte de cabelo e sem qualquer adereço ou maquiagem. Os participantes registaram 65% de respostas certas na identificação dos rostos das lésbicas e 57% na identificação dos rostos dos gays. 

Joshua Tabak, o principal autor do estudo, afirmou que o impressionante grau de acerto dos estudantes se deve ao crescente contato com pessoas assumidamente homossexuais nas universidades. Segundo, o pesquisador, pessoas mais velhas ou de outras culturas, que tiveram pouco contato com lésbicas e gays, não têm a mesma habilidade. 

Resta saber se as lésbicas acham interessante que os hétero também tenham gaydar e as identifiquem com tanta precisão. 

Fonte: Com dados do site Science Codex

Cate Blanchett e Mia Wasikowska vivem romance em Carol

sexta-feira, 18 de maio de 2012 2 comentários

Mia Wasikowska e  Cate Blanchett viverão romance nas telas

Adaptado, por Phyllis Nagy (Mr. Harris), do best-seller O Preço do Sal (The Price of Salt), da célebre escritora lesbiana Patricia Highsmith, e dirigido por John Crowley (Intermission, Boy A), o filme Carol  trará Cate Blanchett e Mia Wasikowska como duas mulheres bem diferentes que se apaixonam na Nova York dos anos 50.

Uma delas é uma garota (Wasikowska-Therese), na casa dos 20 anos, que trabalha em uma loja de departamentos e sonha com uma vida melhor; a outra (Blanchett-Carol), uma esposa em processo de separação de um casamento sem amor e lutando por manter a ligação com a filha. As duas se encontram na loja de departamentos, quando Carol vai comprar um presente de Natal para a filha, e iniciam um romance improvável mas que acaba em final relativamente feliz. Relativamente porque o marido de Carol, ao descobrir o relacionamento sáfico da ex-esposa, vai à Justiça a fim de tirar-lhe a custódia da garota. 

Patricia Highsmith
Patricia Highsmith 
Patricia Highsmith se celebrizou por seus contos de mistério, violência e assassinatos, alguns levados às telas por mestres do suspense como Alfred Hitchcock, entre outros diretores. (Lembram, a propósito, de O Talentoso Mr. Ripley, do diretor Anthony Minghella?). Em O Preço do Sal, contudo, decide abordar o o tema dos relacionamentos entre mulheres de uma perspectiva positiva. O livro, escrito por Highsmith, em 1952, sob pseudônimo de  Claire Morgan, causou escândalo à época, porque, além do tema, ao contrário do usual, não condenou as amantes ao desprezo da sociedade e à tragédia, embora tenha imposto um custo elevado para Carol. Foi naturalmente um hit entre as sapatas americanas do período.

Co-produzido pelas empresas Number 9 Films e a Film4, Carol começa a ser rodado  a partir de fevereiro de 2013 em Londres e Nova York. Tem tudo para voltar a ser hit da sapataria agora globalizada e dar o que falar como o seu original escrito. No MediaFire é possível baixar uma tradução do livro para Word.

Segredo dos Lírios: sensível depoimento de mães sobre suas filhas lesbianas

quarta-feira, 16 de maio de 2012 0 comentários

Mães pela Igualdade
Autor(a): Míriam Martinho

O preconceito contra a homossexualidade não fere apenas as pessoas homossexuais mas também seus familiares. Afinal somos todos criados por essa mesma sociedade onde a heterossexualidade não é somente uma sexualidade, entre outras, mas sim a única considerada normal. E normal com base na visão judaico-cristã que atribui à sexualidade humana uma mácula a ser purificada através do sagrado laço do matrimônio, entre homem e mulher, para fins reprodutivos com vistas à formação da família. A propósito, vale aqui lembrar a origem da palavra família: família vem do latim famulus, criado ou servidor, que, em seu desenvolvimento, passou a designar um grupo de pessoas unidas por laços de sangue, vivendo sob o mesmo teto e submetido à autoridade comum de um chefe.

Na família, as pessoas são adestradas a se conformarem aos papéis que se espera de homens e mulheres através de uma educação diferenciada. Os meninos são adestrados para se tornarem masculinos e heterossexuais. As meninas, para se tornarem femininas e heterossexuais. Não faz muito tempo, também fazia parte, dessas camisas-de-força, o papel do homem como único provedor do lar e o da mulher como somente dona de casa, esposa e mãe. E muitos conservadores ainda sonham com esse modelito antiquado até hoje.

Mães pela Igualdade 
Para completar a conformidade de meninas e meninos aos seus papéis "certos", a sociedade estabeleceu inúmeras sanções sociais e até legais. Não é preciso ser muito genial, diante dessa realidade de coerção e de punição dos que se desviam da heteronorma, para constatar que a visão da heterossexualidade como a única "normal", "natural" é uma das grandes mentiras de todos os tempos. Se fosse a única normal e natural, não haveria necessidade de ser ensinada, muito menos garantida na base de todo o tipo de repressão. Tanto a heterossexualidade é ensinada como a única sexualidade certa que os pais de homossexuais, quando os aceitam, sempre se perguntam: "- Onde é que eu errei!?"

Não errou em coisa alguma. Acontece que a sexualidade humana não é realmente restrita à heterossexual e, apesar de todo o adestramento para a conformidade às normas, o desejo, aquele tentador que não tem receita nem nunca terá, leva algumas pessoas a rompê-las. Essa ruptura tem um custo, às vezes bem elevado, mas cada vez menor nos tempos de hoje. Por mais que conservadores, sobretudo religiosos, esbravejem suas velhas cantilenas excludentes, mais e mais homossexuais vêm assumindo suas preferências erótico-afetivas sem medo. E agora seus familiares também, antes imersos em desnecessárias culpa e vergonha, mostram a cara e falam de como o amor verdadeiro sempre supera o preconceito.

É nessa linha que segue o sensível documentário O Segredo dos Lírios onde três mães, Estela, Christiane e Vera, de três garotas lesbianas, falam do processo de aceitação de suas filhas.  Abaixo do vídeo, a ficha técnica do documentário e o contato da produção.



Estela, Christiane e Vera: três mães cujo amor supera o incomum.

Direção: Brunna Kirsch e Cris Aldreyn
Dir. de Fotografia: Roberto Valduga Junior
Montagem: Eduarda Nedel
Produção: Fran Pothin
Som: Willian Soares

Contato: clube7prod@gmail.com | (51) 9212-7418

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