Projeto de deputada Marta Costa (PSD-SP) quer proibir diversidade sexual em publicidade infantil

quarta-feira, 21 de abril de 2021 0 comentários

Publicidade sobre homossexualidade não afeta crianças negativamente

Um projeto que proíbe a diversidade sexual em publicidade infantil avança na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) e acende o alerta de entidades de defesa dos direitos de gays e lésbicas. De autoria da deputada Marta Costa (PSD), o texto pode ser votado nesta quinta-feira (22).

O projeto veda qualquer publicidade que contenha "alusão a preferências sexuais e movimentos sobre diversidade sexual relacionado a crianças" em território estadual. A justificativa considera que a comunicação "indiscriminada" sobre o tema gera "desconforto emocional a inúmeras famílias" e que crianças não têm capacidade de discernimento para lidarem com questões sexuais.
"É nossa intenção limitar a veiculação da publicidade que incentive o consumidor do nosso estado a práticas danosas", diz o texto, que determina que empresas ligadas a atividade publicitária se adaptem à norma 30 dias a partir da data da publicação da lei, caso seja aprovada.
Entidades como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade) se manifestaram contrárias ao texto, alegando inconstitucionalidade, discriminação e censura.

A Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB/SP considera o projeto inconstitucional porque somente a União tem competência para regular questões relacionadas à publicidade e propaganda e porque ele afeta direitos civis fundamentais, de acordo com parecer.
"É explicitamente discriminatório e carrega junto a lgbtfobia, uma tentativa de apagar vivências dessa comunidade, de fingir que não existem LGBTS, com disfarce de proteção às crianças", afirma Pedro Martinez, presidente da comissão.
Segundo ele, esse movimento vai contra o direito de desenvolvimento integral das crianças, que têm acesso na TV, na internet e na escola a conteúdos de diversidade sexual.
Existem crianças e adolescentes que sofrem por muito tempo em suas vidas achando que são erradas, sujas", diz.
A ONG Mães pela Diversidade, coletivo de pais e mães de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, divulgou uma nota de repúdio em que elenca os mesmos pontos de inconstitucionalidade e afirma que o projeto desumaniza seus filhos.
Crianças e adolescentes LGBTs existem!", diz o documento. Como fazer com que eles se sintam responsáveis pela vida do outro se a vida deles é vista como danosa e inadequada?", questiona a organização.
A Abap, que reúne grandes agências de publicidade do país, afirma que a União veda qualquer afronta à inviolabilidade do direito à liberdade, à igualdade e à censura de natureza ideológica e social. Para Mario D’Andrea, presidente da associação, o projeto penaliza as minorias.
"Além de comunicação e publicidade serem atividades de âmbito federal, o projeto abre precedente sério de censura. A publicidade é reflexo da sociedade em está inserida, reflete o que acontece nela."
A legalidade da publicidade infantil é objeto de embate há anos. Apesar de a Constituição não a vedar, a resolução 163 do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) determina critérios rígidos contra propagandas abusivas direcionada a crianças.

Além disso, parte do mercado publicitário migrou a canais pagos nos últimos anos, diminuindo a incidência de publicidade infantil na TV aberta.

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP), que defende a aprovação do projeto, apresentou uma emenda, citando os riscos da transição de gênero.
O intuito da colega é proteger as crianças de uma sensualização precoce e eu compreendo, pois, a cada dia, fala-se mais precocemente na transição de crianças e adolescentes, com todos os impactos deletérios à saúde", afirmou à reportagem.
A deputada cita os "males acarretados por hormônios bloqueadores da puberdade ou estimulantes das características do sexo biológico oposto" e diz que o projeto não é inconstitucional porque, apesar de a União ter competência para legislar sobre publicidade, a assembleia tem para legislar sobre crianças, adolescentes, juventude e saúde.

A Folha procurou a autora do projeto, deputada Marta Costa (PSD), mas ela não retornou a ligação. O relator Gilmaci Santos (Republicanos) votou a favor do projeto e a emenda de Janaina.

Clipping Projeto que proíbe diversidade sexual em publicidade infantil avança em São Paulo, por Paula Soprana, 20/04/2021

Submissão de depoimentos, poesias, textos de opinião sobre a vivência lésbica

terça-feira, 20 de abril de 2021 0 comentários


A pedidos, reabrimos espaço para leitoras e seguidoras da Um Outro Olhar que queiram enviar textos de opinião, depoimentos, contos e poesias sobre a vivência lésbica.

1. O tamanho do texto pode variar, mas, via de regra, recomendamos que fique numa média de 3 páginas do Word.

2. Disponibilizamos mini biografia da autora com contato (e-mail) e foto (se assim desejar).

3. De preferência, envie imagem para ilustrar seu texto.

4. Revisamos o texto e o título, se necessário.

Envie seu texto para uoo@umoutroolhar.com.br ou para a caixa de entrada aqui da página (texto do Word).

Sejam bem-vindas!

Promotor de Justiça acata queixa-crime de Prefeita de Piripiri (PI) contra opositora que a chamou de "Jovão"

segunda-feira, 19 de abril de 2021 0 comentários

A prefeita Jôve Oliveira Monteiro (PTB), da cidade de Piripiri, no Piauí
Imagem: Secom/Prefeitura de Piripiri (PI)

A prefeita Jôve Oliveira Monteiro (PTB), da cidade de Piripiri, no Piauí, fez uma queixa-crime contra uma ex-candidata a vereadora por conduta homofóbica. O Ministério Público Estadual acatou o pedido e denunciou à Justiça Jéssica Rodrigues Leite Andrade, por injúria com teor homofóbico.

Na ação, o promotor de justiça José Hamilton Bezerra Lima denuncia que Jéssica Andrade "ofendeu verbalmente a orientação sexual da vítima" na presença de várias pessoas durante uma live realizada no Facebook, chamando-a de "Jovão", no mês de fevereiro.
Percebe-se que o aumentativo utilizado no final do nome da vítima tem o intento masculinizá-la, injuriando-a pelo único motivo de sua orientação sexual", diz o promotor na ação.
A ação foi com base na decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que em 2019, enquadrou homofobia e transfobia como crimes de racismo.

Jéssica Rodrigues Leite Andrade foi denunciada pelo MP
Imagem: Reprodução

Na queixa-crime, a prefeita Jôve Oliveira diz que a ex-candidata vem reiteradas vezes atacando a vida pessoal e sua gestão de forma caluniosa e difamatória.

Em live, a prefeita disse que Jéssica Andrade chega a chama-la de "vagabunda", "caloteira" e que "ela (Jôve) comeu dos dois lados, comeu na gestão do Luiz (Menezes, ex-prefeito de Piripiri) e está comendo na do Jovão".

Na denúncia, a prefeita informou que em 16 de julho do ano passado conseguiu na justiça - na 1ª Vara da Comarca de Piripiri - a determinação de que Jéssica Andrade retirasse de suas redes sociais todas as publicações que versassem sobre a orientação sexual da autora.

Jôve Oliveira é radialista, primeira mulher prefeita de Piripiri e derrotou um grupo político que comandou a cidade por cerca de 30 anos.

Para o UOL, Jéssica Andrade atribuiu a denúncia da prefeita uma tentativa de calar suas críticas. A ex-candidata a vereadora disse que faz oposição declarada a atual gestão de Jôve Oliveira.
Estou tranquila, não cometi nenhum crime. Ela está tentando me calar como fez das outras vezes. Uma tentativa clara de intimidação. Chamei ela de Jovão devido as promessas midiáticas que fez durante a campanha e não cumpriu até gora. Não tem nada a ver com homofobia", disse.
Clipping MP denuncia ex-candidata por conduta homofóbica contra prefeita no Piauí, por Yala Sena, Colaboração para o UOL, em Teresina, 17/04/2021

Rússia proíbe casamento entre pessoas de mesmo sexo em nome do tradicionalismo

quarta-feira, 14 de abril de 2021 0 comentários

Foto: Olga Maltselva/AFP/Getty Image

Com uma emenda na Constituição, a Rússia proibiu o casamento entre pessoas do mesmo sexo. País quer manter-se como o "bastião do tradicionalismo" e afastar-se dos excessos do Ocidente.

A Rússia proibiu oficialmente o casamento entre pessoas do mesmo sexo numa emenda constitucional ratificada por Vladimir Putin, Presidente russo, esta segunda-feira. Com uma menção a Deus, o país estipula que o matrimônio deve realizar-se exclusivamente entre um homem e uma mulher.

Pyotr Tolstoy, deputado na Duma e um dos principais opositores ao casamento gay no país, assinala que a Rússia se deve manter como um “bastião do tradicionalismo”, afastando-se dos “erros do Ocidente”, em que “certas pessoas, como a comunidade LGBT ou determinados grupos raciais, recebem direitos especiais adicionais”.

A homossexualidade é legal na Rússia desde 1993, mas com Vladimir Putin o país tem-se aproximado da posição da igreja ortodoxa russa na defesa dos “valores tradicionais”, revela a revista Time. Segundo dados da Organização Rainbow, a Rússia é o quarto país da Europa que menos defende o movimento LGBT. Pior só mesmo a Turquia, a Arménia e o Azerbaijão.

O Presidente russo tem, no entanto, rejeitado as críticas sobre a falta de apoio ao movimento LGBT, argumentando que, contrariamente ao que acontecia na União Soviética, “não existem disposições de direito penal russo segundo as quais as pessoas de orientação sexual não tradicional possam ser perseguidas criminalmente”. “Não temos nada parecido com isso”, remata.

Esta não foi a única emenda à Constituição ratificada por Putin, estando também incluída aquela que permite ao Presidente russo permanecer no poder até 2036.

Clipping Rússia proíbe oficialmente casamento entre pessoas do mesmo sexo: "O país deve afastar-se dos erros do Ocidente"

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