Casal de mulheres abre oficina de pintura automotiva no Rio

quinta-feira, 15 de março de 2018 0 comentários


Casal de mulheres abre oficina de pintura automotiva em Marechal Hermes e conta como dribla o machismo
Não acreditam que somos as donas, acham que somos as faxineiras ou namoradas dos funcionários", diz uma das sócias. Whilla Castelhano e Tuani Brauns abriram o negócio em janeiro deste ano.
Foi a vontade de trabalhar em um ambiente diferente e "mais feliz" que fez o casal Whilla Castelhano, 26 anos, e Tuani Brauns, 31, abrir uma oficina comandada por elas duas. O negócio foi aberto em janeiro deste ano, em Marechel Hermes, Zona Norte do Rio, e elas garantem que é a oficina "mais limpa e organizada" de todo o bairro.

A tarefa árdua de colocar a mão na massa e ainda ter que enfrentar o machismo e julgamentos não tira o bom humor delas, que já se acostumaram com o sistema "opressor" de um ambiente dominado por homens.
É raríssimo acharmos mulheres que trabalham nessa área. Somos as únicas mulheres donas de oficina de pintura em toda a região. Obviamente por causa disso sofremos diariamente com o machismo na sua forma mais velada. Ignoram nossa presença dentro da nossa própria oficina, não acreditam que somos as donas, acham que somos as faxineiras ou namoradas dos funcionários", revela Whilla.
Quem pensa que o casal só dá as ordens, se engana. Whilla está tendo aulas de mecânica e Tuani faz curso de polimento.
A Tuani já é a melhor em isolamento de veículo da oficina. Todas as oficinas, independente da área, são machistas e opressoras com as mulheres. Por exemplo, a maioria das mulheres que dirigem e possuem seu próprio carro leva o pai ou o marido quando precisam ir na oficina. Elas têm medo do assédio ou de serem enganadas", conta Whilla.
Tuani conta que, algumas vezes, clientes questionam a capacidade delas.
Nos chamam de mandonas, irritadinhas, questionam nossa autoridade dentro e fora da oficina. O processo de desconstrução do machismo é diário em um ambiente dominado por homens, mas temos prazer em fazer isso."
O objetivo do casal é abrir um polo que englobe mecânica, lanternagem e pintura, e que mais de 50% do quadro de funcionários seja composto por mulheres. Atulamente, Whilla e Tuani têm quatro profissionais homens e pretendem expandir o quadro até o final de março.
Estamos procurando mulheres mas é muito difícil de achar. Queremos expandir fronteiras para outras meninas e essa luta vale a pena", justifica Whilla.
Dia da Mulher

No Dia da Mulher, comemorado nesta quinta-feira (8), elas reforçam que a data é apenas mais um dia normal em que precisam provar o potencial que têm.
Estamos em 2018, somos donas do nosso próprio negócio e somos questionadas todo dia. Eu já ouvi de um ex-funcionário que por eu ser mulher eu era burra e não entendia de nada técnico da área. Apenas por eu ser mulher", relembra Whilla.
Significa também que estamos aqui, não vamos desistir e vamos tomar nosso lugar à força", acrescenta Tuani.
Vaidade

A questão da vaidade é difícil mesmo. Pneu para um lado, tinta e graxa para outro. Não há um fio de cabelo que fique no lugar depois de tantas manobras que envolvem o trabalho dos profissionais de oficinas.
A gente passa o dia todo suja de massa, com cabelo preso e sujo. Assumo que sinto falta de andar arrumada, mas gostamos muito da liberdade que a oficina proporciona. E descobrimos outras formas de manter a vaidade que não é baseada em salto alto e maquiagem", garante Whilla.
Fonte: G1 Rio, por Patricia Teixeira, 08/03/2018

As noivas do Copa e seus planos de ter uma criança por inseminação artificial

quarta-feira, 14 de março de 2018 0 comentários

As noivas Roberta Gradel e Priscila Raab se beijam durante cerimônia (Foto: Marcos Ramos)

Copacabana Palace realiza o primeiro casamento entre mulheres em 95 anos de fundação
200 convidados presenciaram a festa, que seguiu tradição judaica. As noivas jogaram os buquês suspensas em cadeiras penduradas no teto

A farmacêutica Roberta Gradel e a economista Priscila Raab foram o primeiro casal de mulheres a se casar em 95 anos na história do Copacabana Palace. As noivas trocaram alianças frente a 200 convidados em uma festa de tradição judaica no último sábado (dia 10/03).

(Ricardo Stambowsky/Divulgação)

O bufê foi calculado em R$ 400 por pessoa, além de champanhe Perrier Jouet servido aos convidados. Como lembrança, os convidados levaram para casa velas perfumadas. O cerimonial foi organizado por Ricardo Stambowsky e a celebração foi de David Alhadeff. A decoração ficou por conta de Leonardo Araújo. 

 (Ricardo Stambowsky/Divulgação)

Pendurados no teto do Golden Room, dois balanços decorados com flores formaram um só palco. As mulheres jogaram os buquês suspensas nas poltronas, do alto da sala de ouro. Os vestidos das noivas foram assinados pela estilista Marie Lafayette. A abertura da pista de dança ficou sob a responsabilidade do coreógrafo Irídio Mendes.

Fonte: O Povo Online, 12/03/2018



Noivas do Copacabana Palace planejam ter um filho

O beijo entre a farmacêutica Roberta Gradel, 38 anos, e a administradora Priscila Raab, 42, que estampou a capa do GLOBO de ontem ganhou repercussão inversa à discrição da dupla. Hospedadas até o fim da tarde de ontem no Copacabana Palace, onde se casaram no sábado, as moças conversaram com a repórter Marluci Martins,sobre o espanto o com a repercussão da festa, o amor que as uniu e os planos para o futuro.

Como vocês se conheceram?

Roberta: Eu tinha 7 anos, e a Priscila, 12. Nossos pais eram amigos. A gente convivia, principalmente, nas férias.

Há quanto tempo estão juntas?

Priscila: Completamos cinco anos de namoro no sábado, dia do nosso casamento.

Antes, namoraram homens?

R: Priscila já tinha namorado menino e menina. Eu não. Fui casada com um homem, há seis anos. Não importa por quanto tempo... O importante é o presente e o futuro. Ela foi minha primeira namorada.

O que acharam da repercussão da união?

R: A gente não imaginava. O casamento era um sonho nosso. Principalmente, a cerimônia judaica. Sou judia. E o Copacabana Palace é um lugar mágico. É o sonho de toda mulher. Mas a gente não tinha noção da proporção que isso alcançaria.

P: Senti nas redes sociais muita gente me adicionando. E a capa do GLOBO foi um “boom”, um susto. Uma das madrinhas me mandou foto do jornal por Whasapp, hoje cedo.

Já foram vítimas de preconceito?

R: Não temos medo. Enfrentamos, botamos a cara à tapa. Estamos amando, não estamos fazendo nada errado. As pessoas deveriam ter menos ódio e preconceito. Somos uma família, sim. Somos um casal com muito amor.

P: Nosso país é machista. Cada um tem que ficar no seu quadrado e respeitar a sexualidade do outro. As pessoas seriam felizes se focassem mais no amor e na igualdade.

Por falar em preconceito, a comunidade judaica aceita o fato de a cerimônia não ter sido celebrada por um rabino?

Foi um chazan (cantor que também celebra casamentos). Eles aceitam, mas a Priscila não é judia.

Acham que a repercussão é um importante passo à frente na causa gay?

P: A gente entende que foi histórico. Foi uma coisa de quebrar barreiras mesmo. Havia casais homossexuais no nosso casamento que nunca tinham se sentido tão à vontade para dar um beijo ao vivo. E as pessoas se beijaram, felizes na festa. E, poxa vida, no Copacabana Palace, um hotel histórico, o mais tradicional do Rio. Você sabe, foi o primeiro casamento entre mulheres neste hotel...

Pensam em filhos?

R: A gente tem uma filha de 6 anos. Prefiro não mencionar o nome dela, por proteção. Ela diz que é minha filha de sangue. E diz que é filha da Priscila de coração. Chama as duas de mãe, leva tudo numa boa. Agora, estamos pensando na inseminação. Quero engravidar de novo com os óvulos da Priscila, que já estão congelados. Mas não definimos quando será.

Vão viajar em lua de mel?

R: Não, por causa do trabalho. Temos a vida inteira. Vai ser uma lua de mel para sempre.

Vocês casaram no civil?

R: Sim. E vale lembrar que, na cerimônia, não quisemos presentes. Recebemos doações para a reforma da pediatria do Inca.

Fonte: Marina Caruzo (O Globo), 13/03/2018

Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou proposta que criminaliza injúria por questões de gênero e de orientação sexual

terça-feira, 6 de março de 2018 0 comentários

Emenda da relatora, senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), inclui a orientação sexual ou a identidade de
gênero  na lista de agravantes do crime de injuria

CCJ aprova proposta que criminaliza injúria por questões de gênero e orientação sexual

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou, na quarta-feira (28/02), proposta que torna crime a injúria praticada por questões de gênero e de orientação sexual. O projeto (PLS 291/2015) é da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e seguirá para a Câmara dos Deputados se não houver recurso para que seja votado pelo Plenário do Senado.

Atualmente, o Código Penal pune o ato de injuriar alguém, com ofensas à dignidade ou ao decoro da vítima, com detenção de um a seis meses ou multa. O PLS 291/2015 altera o dispositivo que estabelece como agravante desse crime o uso de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou condição de pessoa idosa ou com deficiência, acrescentando a questão de gênero entre esses agravantes. Emenda da relatora, senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), inclui ainda a orientação sexual ou a identidade de gênero. Em todos esses casos, a pena é de um a três anos de reclusão mais multa.

Ao justificar a proposta, Gleisi explicou a necessidade de inserção da questão de gênero no rol de agravantes por ver como inadmissíveis atos que desqualifiquem ou desprezem um sexo em detrimento de outro. “Sobretudo porque o tratamento igualitário de homens e mulheres é uma das bases de qualquer Estado Democrático de Direito”, frisou.

Já a relatora defendeu a inclusão de orientação sexual e identidade de gênero graças ao incremento do discurso do ódio e das atitudes e ações contra pessoas que se identificam com o grupo LGBT verificados nos últimos anos no Brasil. Some-se a isso, destacou ainda, a demora do Congresso Nacional em aprovar legislação que reprima de forma contundente tal conduta a minorias que precisam ver seus direitos constitucionais assegurados.
“Espera-se desestimular a prática desse delito que gera grande indignação e se constitui numa verdadeira violência moral, que atinge em cheio sua autoestima e se constitui numa violência verbalizada, tão grave e lamentável, pois resulta na nulificação psicológica dos ofendidos e, muitas vezes, no prenúncio da violência física, com graves agressões, quando não a morte das vítimas”, disse Marta.
Fonte: Agência Senado, 28/02/2018

Vira filme história de lésbicas que enganaram a Igreja para poder se casar

quinta-feira, 1 de março de 2018 0 comentários

Marcela Gracia Ibeas e Elisa Sánchez Loriga, em foto de casamento | Foto: José Sellier

A história das lésbicas que enganaram a Igreja para se casar e que agora inspira filme

Em 1901, Marcela e Mário se casaram na Igreja Católica de São Jorge, na cidade de La Coruña, noroeste da Espanha. Mário tinha sido batizado no mesmo dia, dizendo que era filho de pais ingleses protestantes e que queria se converter ao catolicismo.

O detalhe incrível da história é que Mário, na verdade, era Elisa Sánchez Loriga, disfarçada com conhecimento de Marcela, para conseguirem se casar na Igreja. Até hoje, esse é o único casamento do mesmo sexo conhecido na história da Igreja Católica espanhola. É também um caso pioneiro de união homossexual no mundo.

Agora, a história do casal vai virar filme.
Quando eu penso sobre essas duas mulheres e a coragem de uma delas de se passar por homem, foram muito valentes", afirma Isabel Coixet, realizadora do filme.
Enredo elaborado

Elisa e Marcela Gracia Ibeas se conheceram em meados dos anos 1880 em La Coruña.
Marcela era aluna da escola de magistério. Elisa tinha estudado anteriormente para a mesma carreira e estava trabalhando na escola. Foi então que elas se apaixonaram", conta o escritor Narciso Gabriel, autor do livro Marcela e Elisa, muito além dos homens.
O casal enfrentou objeção da família de Marcela, que a enviou para Madri para que ficasse longe de Elisa. Mas, de acordo com Narciso Gabriel, as duas deram um jeito de continuar a se ver. Nessa época elas teriam planejado o casamento.

Primeiro, Elisa e Marcela simularam que brigaram e que não estavam mais juntas. Além disso, Marcela, estava grávida de um homem não identificado e anunciou que se casaria com um primo de Elisa, chamado Mário, que teria sido criado em Londres.

Então, com corte de cabelo curto e vestida de terno, Elisa se passou pelo rapaz.

Assédio da imprensa e da sociedade

Após o casamento, Elisa e Marcela tiveram pouco tempo de sossego. Uma foto do casal acabou na primeira página do jornal local, La Voz de Galicia, com os dizeres: "Um casamento sem um noivo".

A história se espalhou rápido.
O público mostrou um interesse enorme em saber os detalhes da história, a imprensa competiu para publicar a foto exclusiva. O caso teve uma grande repercussão não só na Galícia, mas também em Madri e na imprensa de outros países, como França, Bélgica e Argentina", contou Gabriel. A Justiça, por sua vez, decretou um mandado de prisão.
Diante do assédio da imprensa e da perseguição da Igreja e da polícia, o casal fugiu para a cidade do Porto, em Portugal.

Em terras portuguesas, Elisa passou a se chamar de Pepe. Sob o disfarce de um casal heterossexual, as duas viveram por dois meses. Nesse período, nasceu a filha de Marcela. Porém, em agosto de 1901, a pedido da polícia espanhola, foram detidas e levadas para a prisão em Portugal.

Segundo Gabriel, o caso começou a ganhar "uma cobertura em Portugal tão espetacular como a que aconteceu na Espanha". Mas, ao contrário das notícias espanholas, a imprensa portuguesa foi favorável ao casal. "A imprensa tomou partido da causa de Marcela e Elisa, assim como parte da sociedade portuguesa e alguns residentes espanhóis do Porto", conta ele.

Apesar de toda essa comoção, Portugal aceitou a extradição do casal, solicitada pela Espanha. Porém, antes de serem enviadas de volta, Elisa foi inocentada da acusação de adulteração de documento e Marcela, de tentar encobrir o crime.

Antes da extradição, no entanto, Marcela e Elisa escaparam. Desta vez, rumo à Argentina, onde, novamente, mudaram suas identidades. Em Buenos Aires, Marcela passou a se chamar Carmen; Elisa assumiu o nome de Maria.

Nova vida na Argentina

Elisa desembarcou na Argentina em 1903, dois anos após o casamento. Pouco tempo depois, chegou Marcela, acompanhada da sua filha.

A vida das jovens em Buenos Aires, a princípio, não parecia ser muito diferente da de milhares de imigrantes galegos que viviam na cidade.

Alguns meses depois, no entanto, a história sofreu uma nova reviravolta. Elisa - que na Argentina tinha o nome Maria - se casou com um homem de origem dinamarquesa. 
"O casamento não foi feliz e termina mal, entre outras coisas, porque Elisa se recusa a ter relações sexuais com o marido", conta Gabriel. O homem acabou denunciando Maria, dizendo que suas intenções ao se casar com ele eram fraudulentas.
O que aconteceu depois? Elisa continuou vivendo com seu marido dinamarquês? Para onde foram Marcela e sua filha? O desfecho desta história é desconhecido. As pistas das vidas das protagonistas se perderam nesta época, afirma Gabriel. Há apenas um relato de um jornal mexicano, de 1909, dizendo que Elisa havia se suicidado no país.

Apesar de o casamento civil entre homossexuais ser legal na Espanha há mais de uma década, ativistas LGBT no país dizem que ainda hoje há ecos da luta de Elisa e Marcela.
Uma lei não provoca uma mudança automática na sociedade. Ainda hoje há pessoas que mantêm sua sexualidade em segredo. Outras ainda se casam mas não tiram a licença a que têm direito após o casamento, devido a vergonha ou medo de ser demitidas", fala a socióloga e ativista Inmaculada Mujika Flores.
Mais de cem anos depois, o "casamento sem homem" de Elisa e Marcela continua causando admiração.

Fonte: BBC, 20/02/2018

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