Fifa rejeita pedido da Conmebol para reverter punições por homofobia

quinta-feira, 20 de outubro de 2016 0 comentários



Fifa rejeita pedido da Conmebol para frear punições por homofobia

A Fifa rejeitou nesta sexta-feira o argumento apresentado pela Conmebol de que os gritos de "bicha" entoados pela torcida brasileira ou sul-americana nos estádios fazem parte de um "comportamento cultural" e prometeu que vai continuar sancionando federações da região.

Nesta semana, os dirigentes da entidade de futebol da América do Sul levaram à Fifa uma queixa de que estavam sendo sancionados de forma exagerada por gritos de "bicha" por parte da torcida. Wilmar Valdez, presidente da Federação Uruguaia de Futebol, confirmou que reuniões foram mantidas para explicar que o uso de certas palavras para ofender o adversários não tinham o caráter de homofobia.

Questionada se o argumento "cultural" era válido, a nova secretária-geral da Fifa, Fatma Samoura, rebateu: "é uma questão de educação e não pode ser autorizada".
O que posso dizer é que precisamos que as pessoas sejam educadas, mesmo que esteja na sua história, na sua cultura, usar palavras não amigáveis contra o adversário. Isso tem de parar. Para a Fifa, a tolerância é zero em relação à homofobia, discriminação racial e discriminação de gênero", respondeu a delegada da Fifa, uma africana, negra, mulher e muçulmana. "Isso tem de parar. Para a Fifa, a tolerância é zero com relação à homofobia", disse.
Para mim, a mensagem aos presidentes de federações é de que temos de encontrar uma base comum, trazer educação. Precisamos sensibilizar os torcedores e que tenham uma maior participação na cultura da diversidade e aceitação", disse.
Fatma admite que a luta contra esse comportamento é "de longo prazo" e que, além de sanções, um diálogo precisa ser estabelecido com a torcida para convencer os grupos de que se deve falar em respeito. "Sanções não são o único caminho. Tendo experiência na ONU, sou a favor de diálogo. Se sanções fossem as soluções para todos os problemas do mundo, não estaríamos na situação que estamos hoje", disse.


No total, as seleções latino-americanas já foram punidas em treze ocasiões por conta de gritos com caráter de homofobia por parte de seus torcedores, o que resultou em multas de 550 mil francos suíços (cerca de R$ 1,8 milhão), aplicadas pela Fifa.

Na semana passada, foi a vez de a CBF pagar 20 mil francos suíços (R$ 66 mil) por conta de um incidente contra a Colômbia, em Manaus, no dia 6 de setembro. A CBF foi punida pela primeira vez, depois de gritos de "bicha" vindos do público ao goleiro adversário. Um advertência também foi lançada. Se a prática continuar, o Brasil pode ficar proibido de atuar em certos estádios do País ou mesmo jogar a portas fechadas.

Mas, em outros três partidas da seleção, foram os jogadores nacionais que foram alvos de cânticos de caráter homofóbico pelos adversários. Isso ocorreu contra a Argentina em novembro de 2015, contra o Chile, em outubro do ano passado, e contra o Paraguai, em março deste ano.

Pressionada diante da Copa do Mundo na Rússia em 2018, a Fifa quer demonstrar que está agindo contra o racismo e discriminação. Em Moscou, porém, leis aprovadas em 2013 foram duramente criticadas por ativistas, apontando que as normas visam censurar a expressão homossexual em locais com a presença de menores.

Vitaly Mutko, presidente do Comitê Organizador Local da Copa e ministro do Esporte, alegou que o Kremlin queria proteger as crianças de "drogas, alcoolismo e relações sexuais não-tradicionais".

A maior das penalidades foi imposta contra o Chile que, depois de já ter sido multado, voltou a cometer infrações e agora não poderá disputar o jogo do dia 28 de março contra a Venezuela no estádio Nacional Julio Martínez Prádanos, em Santiago. Os chilenos ainda terão de pagar mais 65 mil francos em multas.

Fonte: Diário do Grande ABC, via Estadão, 14/10/2016

Rapaz afirma ter sido vítima de homofobia em Araraquara (SP)

quarta-feira, 19 de outubro de 2016 0 comentários

Rapaz de 24 anos afirma que foi agredido por grupo por ser gay (Foto: Amanda Rocha/Tribuna)

Rapaz de Araraquara afirma ter sido agredido por ser gay: 'Covardia pura'
Wagner de Lima, de 24 anos, apanhou de grupo quando passava por praça. Estudante levou uma paulada na cabeça, fraturou o nariz e duas costelas.

Wagner Pietras Firmo de Lima, de 24 anos, não se lembra do que aconteceu depois que levou uma paulada na cabeça na Praça Pedro de Toledo, em Araraquara (SP), mas as marcas e os exames não deixam dúvidas de outras agressões. O nariz e duas costelas foram quebrados, o braço está com um corte e o rosto, inchado. "Covardia pura", diz o estudante, que acredita ter apanhado por ser homossexual, na última sexta-feira (7).

Ele fez o primeiro registro da agressão com a Polícia Militar e vai fazer o boletim de ocorrência na Polícia Civil nesta sexta-feira (14) para que o caso seja investigado. O gestor de Políticas para Diversidade Sexual da Prefeitura de Araraquara, Paulo Tetti, informou que está prestando apoio ao rapaz e tomando medidas para ajudar na localização dos agressores.

Agressão
Ele conta que chegou à praça por volta das 22h de sexta-feira (7) para esperar alguns amigos e, quando passou por um grupo que estava sentado na calçada, passou a ouvir ofensas. "Começaram a me xingar e, quando virei, começaram a me agredir".

Ex-boxeador da cidade e frequentador da praça ao lado do namorado, ele acredita que os rapazes já o conheciam e por isso optaram por usar um pedaço de pau para agredi-lo. Depois do golpe, ele desmaiou e não sabe quanto tempo permaneceu desacordado.
Comecei a me defender, fui para cima deles e tomei uma paulada na parte de trás da cabeça, aí apaguei", relatou.
Polícia
Lima afirma que ninguém o ajudou quando ele acordou, "ninguém fez nada", e ele foi sozinho até a viatura policial que estava estacionada na Rua 2.
Desci andando todo machucado. Falei com os policiais e eles me deram apoio".
Depois de contar o que havia acontecido, o estudante foi para casa em um mototáxi e, no dia seguinte, procurou um posto de saúde para receber atendimento. Agora, a intenção é continuar o registro do caso na Polícia Civil para que a agressão seja investigada. Ele também estuda promover um ato para a conscientização de moradores.
Infelizmente, a homofobia ainda não é um crime tipificado. Vai só por agressão. Mas tem que ser mostrado mesmo. O pessoal da cidade acha que não acontece aqui por ser cidade pequena".
Primeira vez

De volta à cidade há poucos meses para fazer o curso de bombeiro civil, Lima disse que é a primeira vez que é vítima de homofobia. "Em São Paulo é mais tranquilo", afirmou.
Já vi amigos, já ajudei amigos, mas nunca tinha passado por isso".
O episódio deixou o namorado do estudante com medo de sair de casa, mas ele prefere manter a rotina e expor o que aconteceu.
Tem tantas vítimas aí que a pessoa tem que se mostrar, ela não pode ter medo, acho que esse medo que acaba provocando. Acho que se a gente ficar se escondendo é pior. Quanto mais as pessoas veem, mais elas acham normal, eu acredito. O homossexual tende a se esconder tanto que, quando ele aparece, todo mundo se incomoda e acabam cometendo essas atrocidades", explicou.
Prefeitura
Gestor de Políticas para Diversidade Sexual de Araraquara, Paulo Tetti afirmou por e-mail que a equipe já entrou em contato com Lima para prestar apoio e está tomando as medidas cabíveis à pasta para que os agressores sejam encontrados.

Lembrou também que a cidade possui o "Disk Homofobia 24h" pelo telefone (16) 9-9751 3567, além de um formulário online para denúncias, que são mantidas em sigilo.

Fonte: G1, 13/10/2016

Vestidas de Bela e Cinderela, noivas fazem ensaio fotográfico para álbum de casamento

terça-feira, 18 de outubro de 2016 0 comentários

Bela e Cinderela felizes para sempre

O tão sonhado 'felizes para sempre' existe. E elas fizeram ele acontecer!
Yalonda e Kayla Solseng tornaram o seu conto de fadas em realidade. Elas fizeram um ensaio de fotos vestidas de princesa (Bela, de a Bela e a Fera e Cinderela) para o seu casamento. A ideia das noivas era unir o momento especial da cerimônia a uma paixão que elas tem em comum desde que começaram a namorar há dois anos: o programa de televisão Once Upon A Time.
Esse programa reescreve contos de fadas e este foi o nosso conto de fadas moderno", disse Kayla em entrevista ao Huffington Post.
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Depois de namorarem por nove meses, Yalonda pediu Kayla em casamento. A garota surpreendeu sua então namorada com um livro de princesas que ela tinha escrito e ilustrado com base na própria história de amor delas.
No final eu perguntei Kayla 'você será o meu felizes para sempre?'", disse Yalonda "É claro que ela disse sim e nós choramos muito."
No início de setembro elas tiveram a tão sonhada cerimônia de casamento. As fotos do ensaio de princesas tem conquistado a internet. As noivas não escondem o orgulho do que realizaram. Elas esperam que a historia delas possa inspirar outros casais LGBTs.
"O casamento gay foi legalizado nos Estados Unidos há mais de um ano e quase não temos personagens gays ou lésbicas em filmes infantis - e muito menos deles sendo personagens principais", disse Yalonda. "As crianças querem ser os personagens quando crescerem, mas o que fazer quando nenhum dos personagens te representa? Então você se sente sozinho. Quero que nossas fotos sejam vistas por crianças e famílias como uma maneira de dizer que está tudo bem em ser quem você é. Não há problema em estar com a pessoa que você ama."
Fonte: Huff Post Brasil, por Ana Beatriz Rosa, 29/09/2016  Mais fotos em Have a Gay Day

Na ONU, aprovada proposta brasileira de eleger inspetor para investigar homofobia

segunda-feira, 17 de outubro de 2016 0 comentários

Vitit Muntarbhorn era um dos membros da Comissão de Inquérito para os Crimes na Síria
e já atuou em investigações na Coreia do Norte

ONU aprova proposta brasileira e elege inspetor para investigar homofobia
O tailandês Vitit Muntarbhorn terá o trabalho de monitorar violações e denunciar a discriminação

GENEBRA - A Organização das Nações Unidas (ONU) escolhe pela primeira vez um relator para investigar violações contra homossexuais pelo mundo e políticas homofóbicas. A iniciativa havia sido um projeto brasileiro que, por anos, gerou uma troca de acusações entre governos. 

O escolhido para ocupar o cargo é o tailandês Vitit Muntarbhorn. Ele terá o trabalho de monitorar violações e denunciar a discriminação. O especialista era um dos membros da Comissão de Inquérito para os Crimes na Síria e já atuou em investigações na Coreia do Norte. 

Sua escolha e a criação do cargo foi comemorada por ativistas.
O estabelecimento desse mandato levará ao mundo a atenção que se necessita dar às violações contra lésbicas, gays, bissexuais e transexuais em todas as regiões", indicou John Fisher, diretor da entidade UN Watch, de Genebra. 
Mas diversos governos já indicaram que vão fazer de tudo para impedir o trabalho do relator. Durante a semana, Moscou acusou a iniciativa de ser um desperdício de dinheiro.
Isso se trata da vida privada das pessoas e não precisa de um sistema de proteção particular", disse o Kremlim.
A diplomacia de Vladimir Putin também deixou claro que não estava satisfeita com a maneira pela qual a ONU tem lidado com a questão de direitos humanos. 

Alexey Borodavkin, embaixador russo na ONU, disse esperar que investigações como a de Muntarbhorn "levem em conta a tradição e a religião" de um país. 

Há três meses, o debate na ONU para criar o posto durou quatro horas e chegou a sair da tradicional linha diplomática. Segundo o governo brasileiro, a iniciativa tem como meta "promover o diálogo para colocar fim à violência e discriminação com base na orientação sexual". Ao apelar para que governos votassem pela aprovação do texto, o Itamaraty insistiu na época que "ninguém deveria ser abandonado" na defesa de seus direitos.

O governo do México alertou que "milhares de pessoas" estavam expostas à violência em razão de sua orientação sexual.
Vamos lembrar Orlando e dar esperança para milhares de pessoas", disse naquele momento o embaixador mexicano, Jorge Lomónaco, sobre o massacre contra 49 pessoas em um local frequentado pela comunidade LGBT nos EUA.
Se a proposta foi amplamente apoiada por governos europeus e EUA, ela recebeu duras críticas da Rússia, africanos, muçulmanos e China. 

Falando em nome da Organização da Cooperação Islâmica, o Paquistão condenou a criação de um relator na ONU para investigar esses crimes. Segundo ele, a resolução "promove certas noções, conceitos e estilos de vida em que não existe consenso". 

A Nigéria acusou os governos que apresentaram a proposta de estarem "dividindo" a comunidade internacional e insistiu que não existe "definição do que é orientação sexual". 

O embaixador saudita, Faisal Trad, chegou a tentar evitar até mesmo que a votação ocorresse há três meses.
Isso é uma imposição de ideias e abrirá uma Caixa da Pandora", disse. "Não vamos aceitar leis feitas pelo homem contra as leis divinas", atacou. Para ele, ao aprovar tal texto, a ONU estaria "interferindo em estados soberanos".

Fonte: ESP, por Jamil Chade, 30/09/2016 

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