Protestos bem humorados dos LGBT e dos concorrentes contra o macarrão preconceituoso da Barilla

sábado, 28 de setembro de 2013 0 comentários

O amor é para os corajosos. Tudo o mais é massa Barilla.

Grupos defensores dos direitos dos gays na Itália propuseram nesta quinta-feira, 26, boicote à Barilla, maior fabricante de massas do mundo. O protesto é um ato de repúdio contra declarações do presidente da empresa, Guido Barilla.

O executivo, de 55 anos, afirmou à emissora italiana Radio 24, durante programa de grande audiência no país, que em hipótese alguma faria propagandas de TV em que seus produtos fossem consumidos por famílias formadas por casais homossexuais.
“Se os gays não gostarem, podem comer outra marca”, afirmou Guido. “O conceito de família sagrada continua sendo um dos nossos valores fundamentais.”
Guido Barilla não parou por aí. “Todo mundo tem o direito de fazer o que quer, mas sem perturbar as pessoas à sua volta.” E foi além: “Eu não tenho nenhum respeito pela adoção por famílias homossexuais porque isso diz respeito a uma pessoa que não é capaz de escolher”, disse, referindo-se aos filhos adotados por gays.
A reação às declarações foi imediata. Uma série de imagens ironizando o executivo e defendendo a liberdade de opção sexual espalhou-se pela internet. E gays de todo o mundo foram convocados a deixar de consumir produtos fabricados pela Barilla.

Buitoni: macarrão para todos.

O barulho do episódio alcançou o Parlamento da Itália. O deputado Alessandro Zan, ativista gay do partido de esquerda Sinistra Ecologia Libertà, ressaltou o tom homofóbico das palavras de Guido Barilla.
“Este é mais um exemplo da homofobia italiana”, falou Zan à imprensa na Itália. “Estou me juntando ao boicote à Barilla e espero que outros parlamentares façam o mesmo.”
Emenda ao soneto. A Barilla, fundada há 136 anos e presente hoje em mais de uma centena de países, tem uma linha de 20 produtos, entre massas e molhos. Domina metade do mercado italiano e pelo menos um quarto das vendas nos Estados Unidos. Mas, diante da repercussão negativa do caso, teme ter sua liderança abalada de alguma forma.

Garofalo: Para nós tanto faz com quem você faz
 (o macarrão), o que importa é que o faça al dente!  

Pensando nisso, seus publicitários agiram rapidamente. Já nesta quinta, 26, transmitiram novo programa comercial na TV, no horário do almoço, em que aparecia uma tradicional família composta por mãe, pais e filhos – como habitualmente. Mas, na sequência, telespectadores puderam acompanhar uma retratação de Guido Barilla.
“Peço desculpas se meus comentários criaram mal-entendido ou polêmica ou se eu ofendi alguém”, afirmou Guido Barilla na propaganda. “Somente queria (com as declarações dadas no rádio) sublinhar o papel central da mulher na família.”
Guido também tentou se desculpar pelo Twitter: “Peço muitas desculpas por ter ofendido a sensibilidade de tantos. Tenho o mais profundo respeito por todas as pessoas, sem distinção”.
Mas Guido parece não ter comovido os ativistas.
“É deprimente que um homem de negócios acostumado a trabalhar e viajar ao redor do mundo diga o que Guido Barilla disse. Certamente não comprarei mais os seus produtos”, disse Ivan Scalfarotto, deputado na Itália pelo Partido Democrático, de centro-esquerda.
Fonte: Radar Econômico, ESP, colaboração especial de Carlo Cauti

Só para lembrar que outras marcas de macarrão já chegaram ao século XXI, segue vídeo abaixo.

Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconhece igualdade de direitos para funcionários homossexuais

sexta-feira, 27 de setembro de 2013 0 comentários

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconheceu em acordo coletivo que funcionários com relações homoafetivas têm os mesmos direitos que qualquer cidadão. Por enquanto, a decisão só vale para uma categoria, mas ela poderá ser estendida a outras categorias.

Foi a primeira vez que o TST analisou uma cláusula dessas em um acordo coletivo. O recurso partiu do Sindicato dos Aeroviários do Rio Grande do Sul. O Tribunal Regional do Trabalho negou o pedido, mas os ministros do TST, que julgaram o recurso, derrubaram a decisão e incluíram o ponto no acordo da categoria.

“A decisão do TST reconhece que deve haver um modelo a ser garantido em termos de direitos dos parceiros dos trabalhadores que estão em uma determinada empresa”, afirma o ministro do TST, Ives Gandra Filho.

Um dos principais argumentos foi a decisão do Supremo Tribunal Federal, de 2011, que deu aos casais homossexuais as mesmas garantias da união estável entre homem e mulher, e outras decisões que já tinham reconhecido direitos previdenciários e à herança. 

Com a decisão do TST, todos os trabalhadores ligados ao sindicato, independentemente de terem uma relação hétero ou homoafetiva, passam a ter os mesmos direitos. Poderão incluir o companheiro ou companheira nos planos de saúde e odontológico e poderão tirar licença para tratar do companheiro em caso de problemas de saúde mais graves.

Fonte: Jornal Hoje, 26/09/2013

Tolerância zero para a homofobia no futebol, segundo a FIFA

quinta-feira, 26 de setembro de 2013 0 comentários

Campanha contra a homofobia no futebol errou de chamada: 'Atrás dos jogadores gays'

Entidade garante que no seu estatuto e no código de conduta têm regras que condenam todos tipos de discriminação.

São Paulo - A Federação Internacional de Futebol (Fifa) afirmou ter uma postura de tolerância zero diante das variadas formas de discriminação. A reação veio após a publicação de reportagem na edição de domingo do Estado, que mostrou o tabu sobre a homofobia no esporte.

A Fifa e o Comitê Olímpico Internacional (COI) não fizeram campanhas diretamente relacionadas ao combate à homofobia. Ambas, porém, possuem em seus estatutos e códigos de conduta regras que condenam a discriminação por gênero.

Em janeiro de 2012, a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros enviou um ofício à Fifa pedindo uma campanha contra a homofobia na Copa do Mundo que será realizada no Brasil. A entidade ainda espera uma resposta, segundo o presidente Carlos Magno Silva Fonseca. "Nossa ideia era de que houvesse uma campanha como as que já foram feitas contra o preconceito racial, mas não recebemos nenhuma resposta."

A escolha das sedes para as próximas Copas do Mundo e Jogos Olímpicos colocaram diante das entidades um desafio na discussão sobre a questão gay no esporte. Após a Copa no Brasil, em 2014, os Mundiais serão disputados na Rússia, em 2018, e no Catar, em 2022, países com histórico de violações nos direitos dos homossexuais. A Olimpíada de Inverno, no início de 2014, será em Sochi, também em território russo.

Em agosto, a Rússia aprovou a chamada "lei antigay", que proíbe manifestações públicas a favor dos gays - até 1993, a homossexualidade era crime no país, o que ainda está em vigor no Catar.

"Rússia e Catar se comprometeram a dar boas vindas a todos os torcedores, além de garantir a segurança deles. A Fifa acredita que (os países) vão cumprir a promessa", diz a entidade em nota. A Fifa ainda afirma ter pedido esclarecimentos aos russos sobre a "lei antigay", assim como fez o COI.

Beijaço no parlamento italiano contra a homofobia

quarta-feira, 25 de setembro de 2013 1 comentários

Parlamentares italianos de mesmo sexo se beijam contra a homofobia

ITÁLIA: Kiss-in na aprovação de fraca lei anti-homofobia e transfobia

Associações e grupos LGBT italianos estão insatisfeitos com um projeto de lei anti-homofobia e transfobia que passou na Câmara Inferior dos Deputados na noite passada, argumentando que as proteções à liberdade de expressão do projecto ainda permitem transgressões discriminatórias.

As associações e grupos LGBT Italianos afirmam que a proibição da homofobia e transfobia é "hipócrita".

As associações, grupos e seus aliados criticaram a legislação proposta, que pretende penalizar a homofobia e a transfobia, mas que ainda protege “opiniões expressas dentro de organizações políticas, culturais ou religiosas”, permitindo que estes grupos continuem a fazer comentários homofóbicos/transfóbicos.

Numa dramática demonstração, o partido “anti-establishment” Italiano Movimento Cinco Estrelas (Five Star Movement - M5S), atualmente o partido político mais poderoso da Itália, encenou um ‘kiss-in durante o debate para a votação, onde deputados do mesmo sexo colaram os lábios e seguraram cartazes com a frase "mais direitos". A página do facebook do partido revelava que o ‘kiss-in’ foi realizado ", porque um beijo e um abraço não devem ser assustadores e não temos medo". (vídeo no final da notícia).

O beijo entre pessoas do mesmo sexo tornou-se uma poderosa forma de protesto dentro das batalhas políticas e sociais para os direitos das pessoas LGBTI, enviando uma mensagem não-verbal directa e universalmente reconhecida. Por outro lado, o beijo entre pessoas do mesmo sexo como forma de protesto é muitas vezes confrontado com violência, como o mundo já viu em várias ocasiões na Rússia só este ano.

Segundo o jornal La Republica, o projeto de lei foi aprovado com 354 votos a favor e 79 contra.

Depois de passar pela Câmara dos Deputados, o projeto de lei anti-homofobia e transfobia deve agora passar no Senado italiano, antes de ser transformado em lei.

Grupos que se dizem "pró-família" e pessoas independentes opuseram-se fortemente ao projecto de lei, dizendo que a legislação vai limitar a sua liberdade de expressão e que vai ser usada como um cavalo de Tróia para introduzir o casamento igualitário no país. O projecto também tem a oposição de legisladores católicos que já forçaram centenas de alterações à legislação original.

Conforme o projeto de lei foi sendo aprovado em vários níveis do governo este ano, os LGBTs italianos têm-na rotulado como "a pior lei de sempre," dizendo que o projeto original foi comprometido para acalmar os temores dos partidos de direita. O primeiro esboço do projecto de lei foi aprovado em Outubro de 2012, apresentado ao Parlamento por Anna Paola Concia, uma deputada lésbica.

O jornalista italiano Tommaso Cerno disse em declarações ao Gay Star News: "A discriminação e o ódio não são opiniões que mereçam uma protecção. Os insultos não podem ser protegidos”.

Outro grupo italiano de direitos LGBTI apelidou o projecto de lei de "inútil" e "perigoso", dizendo que a lei é inadequada porque penaliza a 'homofobia' e a 'transfobia' mas não a discriminação com base na "orientação sexual" e "identidade de género".

O presidente da associação LGBT Arcigay, Franco Grillini, disse também ao Gay Star News: "Eu acho que esta lei é" acqua fresca ", como dizemos em Itália, quer dizer "água doce". Isso significa que não é uma lei real para proteger as pessoas LGBT, mas apenas para apaziguá-las.

A Itália continua a ser classificada como um dos países mais homofóbicos/transfóbicos da União Europeia.

Um recente relatório da Amnistia Internacional destacou o fracasso do país em implementar leis anti-discriminação com base na orientação sexual ou identidade de gênero. De acordo com o relatório, os ataques cometidos em razão da orientação sexual ou identidade de gênero não são considerados crimes de ódio.

No início deste ano, estudantes LGBT revelaram que as escolas na Itália são o pior lugar para se ser gay, com 40% dos alunos a recusarem ter amigos gays. Transexuais ou transgéneros então nem se fala.

Fonte: Portugal Gay PT, 21/09/2013

 

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