Desmascarada identidade do homofóbico Silvio Koerich

quinta-feira, 22 de março de 2012 33 comentários

Há tempos, a pedido de várias pessoas físicas (ativistas ou não), onde se inclui a editora do Um Outro Olhar, e organizações não-governamentais, como o CLAM (Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos), a ABGLT, a SaferNet, órgãos governamentais como a Secretaria de Políticas para Mulheres e a Secretaria de Direitos Humanos vinham tentando identificar e punir os autores do site Silvio Koerich por suas postagens criminosas contra mulheres, homossexuais, negros, etc.

Hoje, sob o título PF prende incitadores de Ódio na Internet, do site Paraná Online, lê-se matéria que informa sobre a identificação dos criminosos Emerson Eduardo Rodrigues (Sílvio Koerich) e Marcelo Valle Silveira Mello, moradores de Curitiba e Brasília, respectivamente, e a expedição de mandados de prisão preventiva contra eles pela Justiça Federal. Segue trecho e link para a matéria completa. Apesar da demora, algo a comemorar. Mais informações devem surgir em breve.

PF prende incitadores de Ódio na Internet 
Émerson (Sílvio Koerich)
A PF em Curitiba realiza nesta quinta-feira (22), a fase ostensiva da sua "Operação Intolerância" - por meio da qual identificou os responsáveis pelas postagens criminosas encontradas no site silviokoerich.org  - , para o cumprimento dos mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça Federal contra Emerson Eduardo Rodrigues e Marcelo Valle Silveira Mello, moradores de Curitiba e Brasília, respectivamente.

As investigações, conduzidas pelo Núcleo de Repressão aos Crimes Cibernéticos, uma Unidade Especializada da PF, permitiram a cabal identificação dos criminosos, que há meses vinham postando mensagens de apologia de crimes graves e da violência, sobretudo contra mulheres, negros, homossexuais,  nordestinos e judeus, além da incitação do abuso sexual de menores.


Émerson (Sílvio Koerich)
Também, nesta manhã, a PF dará cumprimento aos mandados de busca e apreensão expedidos pela JF, para examinar residências e locais de trabalho dos criminosos em busca de elementos materiais da responsabilidade criminal, já amplamente demonstrada ao longo da investigação e que, preliminarmente, permitiu identificar o cometimento dos crimes de incitação/indução à discriminação ou preconceito de raça, por meio de recursos de comunicação social (Lei 7716/89); incitação à prática de crime (art. 286 do Código Penal) e publicação de fotografia com cena pornográfica envolvendo criança ou adolescente (Lei 8069/90-ECA).

Consta da decisão judicial que decretou a prisão preventiva dos criminosos que "Elementos concretos colhidos na investigação demonstram que a manutenção dos investigados em liberdade é atentatória à ordem pública. A conduta atribuída aos investigados é grave, na medida em que estimula o ódio à minorias e à violência a grupos minoritários, através de meios de comunicação facilmente acessíveis a toda a comunidade. Ressalto que o conteúdo das ideias difundidas no site é extremamente violento. Não se trata de manifestação de desapreço ou de desprezo a determinadas categorias de pessoas (o que já não seria aceitável), mas de pregar a tortura e o extermínio de tais grupos, de forma cruel, o que se afigura absolutamente inaceitável."

Dentre os conteúdos publicados pelos criminosos e localizados pela PF, havia referência ao apoio prestado pelos criminosos ao atirador Wellington, que em 2011 atacou a tiros uma escola em Realengo, no Rio de Janeiro, matando diversas crianças, bem como à suposta incapacidade da Polícia Federal em o localizar e deter.

Fonte: Paraná Online, 22/03/12 

Luiz Mott, do GGB da Bahia, detona o governo Dilma Roussef

terça-feira, 20 de março de 2012 0 comentários

Luiz Mott
O tradicional e polêmico ativista dos direitos LGBT no Brasil, Luiz Mott, do GGB da Bahia, produz vídeo onde faz duras críticas ao governo de Dilma Roussef, promotor de retrocessos no país em vários aspectos, do econômico ao dos direitos humanos. Ver abaixo.

Na luta pela permanência no poder, a qualquer preço, o lulopetismo, do qual Dilma Roussef é um dos produtos mais lastimáveis, fez alianças literalmente da "esquerda" à "direita", incluindo relações das mais escusas com pastores evangélicos, onde o fisiologismo e o autoritarismo se destacam. Tornou-se assim refém da pauta fundamentalista dos mesmos que querem implantar uma espécie de estado religioso no Brasil, dando as costas a bandeiras que tradicionalmente seu partido sempre apoiou (considerações sobre o oportunismo desse apoio à parte).

Nesse imbróglio entre autoritários de diferentes tipos, quem perde são alguns grupos sociais, como os homossexuais, contra os quais os evangélicos vivem em guerra nada santa muito menos democrática.

É contra essa situação que se insurge a fala de Mott. Ouçam. 

Liga Brasileira de Lésbicas afirma que crucifixos não voltarão ao Judiciário gaúcho!

segunda-feira, 19 de março de 2012 0 comentários

Em resposta ao artigo Polêmica no Judiciário - pela volta dos crucifixos, publicado na versão impressa do jornal Zero Hora, de Porto Alegre (RS),  em 15 de março, a Liga Brasileira de Lésbicas redigiu a carta abaixo, a qual solicitam divulgação.

Destaca-se o trecho onde a entidade afirma que, de acordo com o regimento do Conselho da Magistratura do TJ-RS, que decidiu pela retirada dos crucifixos das salas do Judiciário gaúcho, não cabe novo recurso ou novo pedido de reconsideração sobre o tema. Como, no Brasil, respeito por normas e leis é coisa rara, melhor partir para a mobilização a fim de garantir essa vitória que, embora apenas simbólica, vem provocando uma discussão sobre a imprescindível separação religião e Estado no Brasil.
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Caro Editor, MARCELO ERNEL:

Primeiramente saldá-lo pelo destaque da cobertura a tema de tanto interesse e relevância para a população gaúcha, que trata, em última análise, da garantia dos direitos laicos, resguardados no art. 19 da CF.

Cabe-nos, no entanto, ressaltar, alguns equívocos da reportagem de hoje intitulada "Polêmica no Judiciário - pela volta dos crucifixos":

Primeiramente, ao contrário do que foi afirmado em três trechos da matéria, onde se lê que o pedido é "da Liga Brasileira de Lésbicas e outras entidades de defesa dos direitos dos homossexuais", gostaríamos de ressaltar que esta demanda está assinada, desde o princípio, por SEIS entidades, das quais três (LBL, SOMOS e NUANCES) são de defesa de LGBTs e três (MMM, Themis e Rede Feminista de Saúde e também a LBL, já que somos uma rede feminista) são de promoção de igualdade de gênero.

Este pode parecer um detalhe menor, mas de fato é de extrema relevância, sobretudo porque alguns discursos fundamentalistas religiosos têm tentado fazer crer que esta é uma demanda exclusiva dos e das homossexuais. Ou pior: uma demanda específica da Liga Brasileira de Lésbicas, satanizando nossas lutas e tratando-as como "uma ofensiva contra as religiões e a fé das pessoas". O que, de forma alguma, corresponde a realidade.

Em segundo, de que escolhemos, ao contrário do que aparece no trecho "entenda o caso", a via do PROCESSO ADMINISTRATIVO, desde o início, por questão estratégica.

Neste tipo de ação, em que o pedido é encaminhado diretamente à presidência do órgão, no caso do TJ-RS, o que ocorreu em dezembro do ano passado, a tramitação tem um caminho curto e célere, já que os prazos para respostas são prazos regimentais e as possibilidades de recursos são restritas e infinitamente menores do que nos processos judicias. Assim, em havendo uma recusa do pedido pelo PRESIDENTE do TJ-RS - o que efetivamente aconteceu no mês de Janeiro deste ano - usando das prerrogativas do Regimento Interno, recorremos ao COMAG - orgão que julga, em caráter DEFINITIVO, os recursos à decisão do Presidente, Vice-presidente e Corregedor do TJ.

Desta forma, assumimos o RISCO de, em sendo o feito negado, este o seria em curto espaço de tempo e de forma definitiva na via administrativa. O mesmo ocorre no caso concreto, em sendo o feito ACOLHIDO.

Aqui aparece o segundo equívoco da reportagem, que, ao nosso ver, cria uma espectativa de que a decisão administrativa possa ser revertida em função de haver pedidos de reconsideração protocolados no processo.

Hora, o Regimento do COMAG (Conselho da Magistratura do TJ-RS), diz, explicitamente, em seu artigo 47 que: "Do julgamento dos recursos das decisões do Presidente, dos Vice-Presidentes e do Corregedor-Geral da Justiça encaminhadas à apreciação do Conselho não caberá novo recurso ou novo pedido de reconsideração". Assim, por questão regimental, qualquer pedido de reconsideração a esta decisão administrativa é, no nosso entendimento, inapropriada, devendo ser indeferida.

Existe, sem sombra de dúvida, a via judicial, durante a qual, também sem sombra de dúvida, vale o decidido a nível administrativo.

Por fim, gostaríamos de salientar que, caso o recurso judicial seja protocolado, acompanharemos o pedido e zelaremos para que o princípio da laicidade do estado seja respeitado e aplicado em todas as esferas de poder do Estado do RS.

Para demonstrarmos, de forma cabal, que esta não é uma demanda exclusivamente dos homossexuais, mas que diz respeito a todos os movimentos sociais que acreditam na necessária separação entre o público e o privado, entre o Estado e a Religião - única forma de garantirmos o direito de exercício livre da fé pelos seus cidadãos e cidadãs - realizaremos, no dia 22-03, uma Assembléia dos Movimentos Sociais pelo Estado Laico, na assembléia Legislativa, onde diversos movimentos, de diversos segmentos sociais, assinarão a carta do RS pelos Direitos Laicos que juntaremos aos processos administrativos que ainda tramitam no Executivo Estadual, Assembléia Legislativa do Estado e Câmara de Vereadores.

Sem mais neste momento,
Nos despedimos com saudações solidárias, lésbicas e feministas

De dia Maria, de noite João...

sábado, 17 de março de 2012 8 comentários

Max, personagem da The LWord
Autor(a): Míriam Martinho
Tempos atrás falar das diferenças eróticas entre as lésbicas era coisa meio interdita. A influência do feminismo radical nos fazia acreditar que, entre quatro paredes, tinha que ser tudo também igualitário. Ambas tinham que ser “mulheres (femininas)”, e o que ela fazia com você, você também tinha que fazer com ela para que o casal não fosse acusado de reproduzir os papéis sexistas das relações heterossexuais baseadas na opressão da mulher pelo homem. Até hoje encontramos representantes dessa corrente um tanto xiita do feminismo que confunde alhos com bugalhos e que quis/quer tirar da sexualidade humana aquilo que melhor a define: o lúdico, a brincadeira, o teatro erótico.

Felizmente, sapatas valentes souberam contestar essa camisa-de-força, e sua coragem, expressa em textos que atravessaram o tempo e os continentes, nos libertaram desses equívocos ideológicos. Em termos de sexualidade, e não só, como diria a belíssima O que será? (A flor da Pele) que posto abaixo, as coisas são na base do “que não tem medida nem nunca terá; o que não tem remédio, nem nunca terá, porque não tem receita....; o que não tem vergonha nem nunca terá, o que não tem governo nem nunca terá porque não tem juízo.”

Carmen, personagem
da The LWord 
Daí que hoje se fala mais abertamente da sexualidade lésbica, de nossas fantasias eróticas, sem tantos pudores. Em mesas de bar, comunidades virtuais na Web, blogs lésbicos, o assunto retorna de forma recorrente seja pela via de manuais de primeiros passos, para adentrar na vida amorosa sem muitos percalços, seja pela discussão do que se espera de uma parceira, seja reivindicando menos moralismo no meio lésbico, enfim, o que não falta é papo sobre o assunto.

Entre os temas levantados, um dos mais divertidos é a história das moças que sinalizam pelo look e atitudes um determinado papel sexual mas que na hora do bem bom se revelam de outra natureza (rsss). Então, é aquela moça toda fino trato, emplumada, empetecada e maquiada que, na hora do amor, se revela um tremendo João ou, ao contrário, aquela moça de pisada firme, de ombros jogados, cheia de atitude e visual entre a Shane e o Max da The L Word que nos finalmentes aparece toda Maria, lânguida e faceira.

Como ainda não é muito costume se perguntar das preferências sexuais das potenciais parceiras, muita gente quebra a cara logo de cara. É a famosa roubada lésbica. Para tal problema, existem várias soluções, dependendo de cada uma. Depois do susto, você se recupera e segue no embalo, procurando aceitar a realidade como ela é e tirando máximo proveito da situação, pois você é versátil. Você não consegue rebobinar o DVD da sua fantasia tão acalentada com a moça e tenta levar a situação para onde você queria (com jeitinho claro). Você literalmente broxa e faz um meia boca, desmarcando qualquer outra possível interação futura.

Ou então, você faz o quê?

fotos: personagens Carmem e Max de The L Word
Música: O que será (A Flor da Pele)?
Na voz de Nana Caymmi



O Que Será? (À Flor da Pele)
 Chico Buarque

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
O que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
O que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

Publicado originalmente, no blog Contra o Coro dos Contentes, em 10/10/2008

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