Ellen DeGeneres rouba a cena estreando comercial no Oscar

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012 1 comentários

Ellen de toga na Roma Antiga
Um dos pontos altos da noite do Oscar foi a série de comerciais da JCPenney, gigante americana de venda a varejo (loja de departamentos), estrelados por Ellen DeGeneres, sua nova garota propaganda. Os comerciais apresentam Ellen em várias fases da História, tais como o velho oeste americano, a Roma Antiga e a Inglaterra Vitoriana.

Já no início do mês, Ellen havia anunciando que seria a garota propaganda da JCPenney, o que levou o grupo anti-lgbt de defesa dos valores tradicionais One Million Moms (um milhão de mães) a ameaçar boicotar a empresa se Ellen não fosse demitida. 

Em resposta a One Million Moms, a conhecida organização pró-LGBT GLAAD lançou uma campanhda de apoio a Ellen, e a JCPenney apoiou sua nova contratada, que estreou os comerciais da empresa em pleno Oscar, no que muitos consideraram a parte mais interessante da conhecida cerimônia. Vejam abaixo os vídeos que retratam um pouco da história da venda a varejo através dos tempos:

Ellen tem dificuldade em devolver uma roupa no tempo presente por falta de recibo. Aí se pergunta se sempre foi assim e retorna à Roma Antiga. O mote da JCPenney é "Você pode devolver qualquer item, a qualquer momento (sem recibo). Isso é justo e certo (sem enrolação)".



Ellen se pergunta porque o preço de tudo é na base do X,99 e se sempre foi assim. Então retorna à Inglaterra Vitoriana. O mote da JCPenney aqui é "Sem truques, apenas os melhores preços. Isso é justo e certo (sem enrolação)".


Ellen se pergunta porque tantos cupons e se sempre foi assim. Então retorna ao Velho Oeste americano. O mote da JCPenney aqui é "Sem cupons, apenas os melhores preços. Isso é justo e certo (sem enrolação)".



E neste a JCP manda um recado para o pessoal dos valores tradicionais. Num provador, uma mulher vitoriana entra a caráter e sai de roupa toda moderna. Idem para um romano de toga. E o melhor, Ellen entra com a roupa de cowgirl, do anúncio do faroeste, e sai de terninho. E mote do anúncio é Fique ligado para ver como estamos mudando. 



Com informações do site SheWired

Casal de mulheres briga por guarda de filho

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012 1 comentários

Com os óvulos de uma, fecundados com esperma de doador anônimo, e implantados no útero da outra, um casal de mulheres de São Paulo teve um menino, após três anos de relacionamento. Ambas enfermeiras, com respectivamente 46 e 42 anos, passaram, contudo, a se desentender já durante o período de gravidez, pois a doadora dos óvulos queria que o garoto também tivesse seu nome no registro de nascimento, demanda com a qual a grávida não concordou, alegando que o garoto sofreria discriminação.

Em 2008, o casal se separou, a gestante ficou com a guarda do garoto, e virou evangélica, passando a negar a própria homossexualidade, o que a tornou mais intransigente quanto à ex-companheira. Desde então a doadora dos óvulos briga na Justiça para ver o filho, tendo requisitado a guarda compartilhada da criança e a possibilidade de visitá-la regularmente. Obteve a última demanda, mas a guardiã da criança tem criado empecilhos para as visitas, inclusive escondendo o filho.

No último capítulo dessa lamentável novela que veio a público, a advogada da enfermeira, que briga na Justiça pela guarda do seu filho biológico, entrou inclusive com pedido de reversão de guarda, alegando que a ex-parceira que têm a guarda da criança a negligencia. Uma juíza que avaliou o pedido, contudo, alegou que a enfermeira não tem parentesco com o garoto (!?), o que levou sua advogada a recorrer da decisão. 

Como o caso corre em segredo de Justiça, não se sabe os nomes das envolvidas neste triste episódio que só serve para demonstrar que a única diferença entre casais hetero e homossexuais é mesmo o preconceito que afeta os últimos. Sendo a separação não amistosa, as brigas por posses e filhos são idênticas porque os seres humanos são todos iguais.

Além da intransigência da guardiã da criança, provavelmente influenciada por ideias evangélicas, o mais incompreensível no caso é a afirmação da tal juíza de que a mãe biológica do menino não seria sua (dele) parente. Ela não ouviu falar de exame de DNA?

Clipping: Projeto de bancada evangélica propõe legalizar 'cura gay'

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012 0 comentários

O paciente deita no divã e pede: não quer mais ser gay. O psicólogo deve ajudá-lo a reverter a orientação sexual? Parlamentares evangélicos dizem que sim e tentam reverter uma resolução do Conselho Federal de Psicologia.

Um projeto de decreto legislativo quer sustar dois artigos instituídos em 1999 pelo órgão. Eles proíbem emitir opiniões públicas ou tratar a homossexualidade como um transtorno.

Segundo o projeto do deputado João Campos (PSDB-GO), líder da Frente Parlamentar Evangélica, o conselho "extrapolou seu poder regulamentar" ao "restringir o trabalho dos profissionais e o direito da pessoa de receber orientação profissional".

O conselho de psicologia questiona se o projeto pode interferir na sua autonomia. Para o presidente do órgão, Humberto Verona, estão lá normas éticas para combater "uma intolerância histórica".

Deve-se curar a "síndrome de patinho feio", e não "a homossexualidade em si", diz Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Para ele, é o preconceito que leva um gay a procurar tratamento.

"[Ninguém diz] 'cansei de ser hétero, vim aqui me transformar'", completa Verona.

FREUD EXPLICA?

O estudante de direito e homossexual Fábio Henrique Andrade, 18, foi mandado para o psicólogo pela primeira vez com dez anos. O filho deveria "tomar jeito" antes que virasse gay, na opinião de sua família adotiva.

A voz fina tirava o pai do sério. "Falava que era de veado." E também o fato de ele só brincar com as meninas.

Para o pastor e deputado Roberto de Lucena (PV-SP), cruel é deixar "um homem em conflito" ao léu psicológico. Ele é relator do projeto de Campos, hoje sob análise da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara.

A princípio, Lucena crê que os pais têm o direito de mandar seus filhos para redirecionamento sexual. Mas reconhece que o tema deve ser discutido em audiência pública, prevista para as próximas semanas em Brasília.

Fonte: UOL

2ª Marcha pelo Estado Laico

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012 2 comentários

No afã de manter-se no poder a qualquer preço, a candidatura petista de Dilma Roussef fez alianças com Deus e todo o mundo, inclusive afirmando compromisso por escrito com evangélicos no sentido de não implementar apoio a questões LGBT, referentes ao aborto ou descriminação das drogas. 

E os partidários de Deus (em sua versão vermelha e chifruda) vêm patrulhando qualquer menção do governo sobre esses temas. Como o governo vem, por sua vez, cedendo às pressões desses medievais, eles seguem avançando contra um dos pilares básicos do Estado de Direito que é a separação entre a Igreja e o Estado, alegando, entre outras coisas, que o Estado não pode ser ateu. De fato não pode, como não pode ser tampouco teísta, ou seja, não pode negar nem afirmar a existência de Deus, pois tal questão é de âmbito religioso, não estatal. O Estado deve ser impessoal também no trato de temas religiosos, ou seja, laico, pois representa a sociedade brasileira que é diversa inclusive em termos de crenças e não-crenças. 

Como, em nosso país, o respeito ao Estado de Direito é mínimo, e a maioria trata o Estado como a casa da mãe joana (sobretudo o PT), o imbróglio está formado, colocando a população no meio de um fla-flu de autoritários de esquerda e de direita, onde o jogo vem se dando sobretudo no campo da moral e dos costumes. E quem perde são os direitos homossexuais, das mulheres, e os direitos de escolha.

Por isso, vale apoiar e divulgar a 2ª Marcha pelo Estado Laico, agendada, em São Paulo, para o dia 14 de Abril de 2012, às 12:00, no vão do MASP  (A.v Paulista, 1578). Na página da Marcha, no Facebook, lê-se o texto que segue abaixo bem como links para páginas da Marcha em outras cidades.

Para todos que estão cansados de leis e sentenças judiciais baseadas em livros sagrados, da influência desproporcional de grupos religiosos sobre o Executivo, opressão de mulheres e LGBTs, ataques a religiões indígenas e afrobrasileiras, privilégios como horário em rádios e TVs e isenção tributária para igrejas, símbolos religosos em prédios públicos e até no nosso dinheiro, vamos lutar pelo pelo fim da influência religiosa no Estado!! Afinal, este é um ESTADO LAICO e não uma teocracia, mas, se não fizermos nada o quanto antes, vai ficar parecendo cada vez mais com uma.

Marcha começa no vão do MASP e seguirá sentido Anhangabaú.

Observação para os manifestantes: 

Não vá para a marcha na intenção de destruir o patrimônio público, queremos ser ouvidos, não presos.

Fantasias de padres, pastores e afins, são bem-vindas desde que tenha relação com o protesto. Sendo assim providencie tais fantasias quanto antes, visando que a data provavelmente não mudará novamente.

Use sua criatividade nas placas e cartazes que levar, evite erros ortográficos, evite palavrões, seja direto nas mensagens. Novamente lembrando que queremos ser ouvidos e não sermos tachados de analfabetos ou antiéticos.

A marcha não é "anti-religiosa", lembre-se disso. Estamos lutando apenas pelo estado laico ou estado emancipado, sendo assim direcione suas críticas á religião cristã, que é a religião apoiada pelo governo com maior ênfase atualmente.

Se a polícia militar ou CET aparecer na marcha, não se preocupe, faz parte. Não parta para cima das viaturas ou dos PM, eles estão lá para garantir nossa segurança e não para nos omprimir.

Se a mídia aparecer na marcha, não se acanhe, faça-se ser ouvido, fale, mostre a sua cara, é essa a intenção da marcha.

Lembrando sempre que uma marcha sem brigas, sem tumultos, sem drogas, sem armas e com muita paz e harmonia é simplesmente essencial.

Obrigado pela atenção, vejo vocês lá.

Links para Marchas em outras cidades:

Rio de Janeiro Belo Horizonte Curitiba Recife

Outras referências: MPE acusa prefeito de favorecer com verba Marcha para Jesus.
fevereiro de 2012

Perdas, Danos e Afins

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 3 comentários

Autor(a): Diedra Roriz

Era um lindo fim de tarde ensolarado, ou só parecia? Michelle não sabia. Talvez, comparado aquela sensação de vazio - como se um vácuo a separasse do resto do mundo, como se o peito estivesse repleto de uma presença amputada, sufocada, com gosto escuro, sombrio - fosse realmente um lindo fim de dia.
          Estacionou o carro, soltou e ajeitou os cabelos, se olhando no retrovisor. Era uma mulher bonita, acostumada a chamar atenção. Em dias que não fossem aquele, onde um leve tremor nas mãos e pequenos e incontroláveis calafrios subiam por sua espinha.
          Ficou sentada dentro do carro, esperando. A espera... Era uma coisa que a irritava, enervava mesmo... Mas, em dois anos de casamento e uma semana de separação, já se tornara um hábito esperar por ela...
          Abriu a agenda. Tentou fazer algumas anotações. Impossível. As mãos pareciam incapazes de responder ao simples comando do cérebro. Tinha passado a semana inteira queimando nessa ansiedade febril, incapaz de qualquer coisa produtiva.
           De vez em quando olhava o relógio, tentando disfarçar a inquietude evidente. Viu quando Amanda apareceu. Ela se aproximou calmamente do carro, abriu a porta do carona e se sentou no banco ao lado de Michelle.
 - Oi. – disse simplesmente.
 - Oi. – respondeu Michelle, a voz um pouco falha, evitando se perder nos olhos dela.
 - Tudo bem?
 - Tudo. - falou quase num sussurro, numa última tentativa de não olhar para ela.
 - Eu... queria... eu... Me desculpa, Mi...
          A mão de Amanda pousou suavemente na perna de Michelle, e os lábios se aproximaram perigosamente da orelha dela, trazendo recordações que a fizeram ter um pequeno arrepio. Exatamente o tipo de reação que Michelle esperava conter.
          A última coisa que Amanda queria era ferir Michelle. A amava. Realmente. Se importava, se preocupava com ela. Mas... não tinha jeito. Estava feito. Impossível voltar atrás. E também era impossível prometer que não faria novamente, porque... era algo incontrolável, mais forte do que ela. Algo do qual ela precisava para viver.
          Uma dor enorme a atingiu. Impressa na voz de Michelle, na forma como ela se afastou bruscamente e perguntou:
 - Desculpas? Pelo que?
          Michelle queria ser firme. Precisava esquecer que a boca da outra podia fazer com que ela perdesse a respiração, que até o mais simples contato de pele provocava nela um ardor estranhamente fascinante. Não podia olhar para Amanda. Precisava manter os olhos longe dos dela, ou então.... Seria novamente sugada para o irresistível e incontrolável redemoinho de paixão...
          Amanda abaixou os olhos. Sem conseguir fitar a mulher na frente dela. Arrependida por ter sido pega, mas não pelo que tinha feito. Por quê? Por que não se arrependia? Não sabia... Apenas parecia que para ela era impossível se conter, se negar aos apelos  passageiros da auto-afirmação que encontrava na sedução e no prazer... O efeito estava na frente dela, nos olhos da mulher que amava, e que estavam... enevoados, nublados, esmaecidos...
 - Você sabe.
          Sim, Michelle sabia. Da forma mais dolorosa, humilhante e deprimente possível. Sentiu o rosto ser erguido delicadamente até os olhos encontrarem os de Amanda. Não ofereceu resistência. Na verdade, não conseguiu. Reação inerente à presença inebriante, sedutora, magnetizante da ruiva. Hipnotizada, enfeitiçada pelos olhos profundamente sedutores, que mergulharam, vasculharam, dominaram os dela com uma facilidade inquietante.
          Foi Amanda quem desviou os olhos. Michelle jamais conseguiria.
 - Eu sei que você já sabe, Mi... Mas, eu queria... Te dar uma explicação...
 - Não quero falar sobre isso.
          Amanda suspirou profundamente. No fundo, bastante aliviada. Não tinha realmente o que dizer. Nem como se justificar. Como explicar que com Michelle, se sentia fraca, sufocada, impotente? Tudo era muito sério, pesado, cheio de responsabilidades, expectativas, cobranças, que a faziam se sentir prisioneira. Enquanto que com as outras era tudo fácil, leve, inconseqüente... E por isso mesmo gerava uma satisfação irresponsável que precisava renovar sempre...
          Passou a mão nos cabelos, jogando-os para trás. Da forma que Michelle amava. O charme de Amanda era tão natural quanto respirar. E causava em Michelle arrepios impossíveis de evitar. 
          Percebendo o efeito que uma simples jogada de cabelos causava, Amanda sorriu.  Com a doçura suave, carinhosa e apaixonada que só Michelle conseguia despertar. Mordeu o lábio inferior quando estranhamente, ela não sorriu de volta. Pelo contrário, os olhos de Michelle se tornaram... cubos de gelo. Amanda reparou bem nisso, e teve medo de perguntar:
 - Mi... O que você quer?
 - Quero me separar de você.
          O sorriso de Amanda se distorceu, virando uma espécie de careta que deixava entrever dolorosamente os dentes.
          Dentes ou presas? Amanda já era uma predadora voraz quando a tinha conhecido. Nenhuma dúvida com relação a isso. Mas Michelle inocentemente pensava que ela poderia mudar, poderia... amadurecer?
          Como julgar, como saber quem na verdade era infantil? Amanda, com suas escapadas furtivas? Ou Michelle, que voluntariamente escolhera fingir que nada via? Até o momento em que o odor putrefato das não verdades tinha se tornado insuportável  - como qualquer corpo em decomposição seria. Impossível continuar fingindo que não existia.
          Principalmente depois do telefonema que tinha recebido na véspera. A menina – pela voz, parecia ser muito novinha – tinha ligado para confirmar o que Michelle já sabia. As infidelidades que Amanda – com o apoio tácito de Michelle – escondia.
          Michelle tinha escutado calada. Cada palavra. Cada suspiro. Se afogando. Puxada pelo redemoinho, o buraco negro que se formava e que a fazia perder até a noção de quem era. Precisava de ar. Precisava voltar à tona. A menina parecia apaixonada. Michelle não a culpava. Pelo contrário. Sentia por ela uma óbvia empatia. Amanda, como sempre, fazendo vítimas sem sutilezas nem remorsos,  com maestria.
           Foi Amanda quem finalmente falou. Devagar, cada uma das palavras machucando, doendo, um enorme esforço, porque... estava mentindo. Na tentativa desesperada de evitar o fim:
 - Mi, me perdoa... Foi só uma vez... Tô arrependida... Acredita em mim... Eu errei, eu sei que... É imperdoável... Mas dois anos de casamento pra você não valem nada? Mi, eu  amo você... Como nunca amei ninguém... Você é a mulher da minha vida... Sou sua, só sua, de corpo e alma... Só que nos últimos meses, você ficou tão fria... tão... inalcançável... Sei que não justifica... Mas eu sou humana... Me sentia carente, magoada, sozinha...
          Michelle riu. Uma gargalhada estrondosa, raivosa, agressiva. Jogando a cabeça para trás e fechando os olhos. E foi com os olhos ainda fechados que disse:
 - A culpa é minha então?
          De repente as duas estavam tão próximas que podiam quase sentir os lábios se tocando. Michelle fechou os olhos, querendo que Amanda a beijasse, que as bocas se colassem numa incoerente mistura de salivas, hálitos e almas. Mas o beijo não veio. Amanda não teve coragem. Michelle tinha fechado a alma para ela, parecia inatingível, distante, inalcançável...
          Michelle voltou a abrir os olhos, tentando disfarçar o estranho desapontamento que sentia.
          Impulsionada por um simples e terrível desespero, Amanda deu sua última cartada. Com um sorriso absurdamente sedutor, falou a frase que tinha conquistado Michelle anos atrás:
 - Eu desisto, se você disser que não sente nada por mim...
 Exatamente como da primeira vez. No aniversário de uma amiga em comum. Amanda tinha se aproximado, iniciando uma conversa que na verdade, não passava de um flerte nem um pouco velado. Michelle já conhecia a fama de Amanda, por isso, e só por isso – desde o primeiro momento tinha ficado de quatro – ficou evitando, resistindo ao máximo, apenas para – depois da frase irresistível, bombástica - ceder, derreter, e... se entregar. Completa e absolutamente.
 Lembranças em flash pipocaram vertiginosamente. Uma montanha russa,  um looping de emoções a atingindo como um soco no estômago só de lembrar da doçura dos beijos, das mãos, dos suspiros e gemidos, da forma intoxicante de Amanda fazer amor.
           Recordações que fizeram a resposta de Michelle sair fraca, trêmula. Nem um pouco convincente:
 - Não sinto mais.
          Propositalmente, Amanda ajeitou uma mecha dos cabelos de Michelle, prendendo-a atrás da orelha. Uma pontinha de esperança surgiu quando Michelle estremeceu com o leve toque. Amanda a olhou bem nos olhos ao dizer:
 - Acho que você tá chateada, mas... Ainda me ama, Mi... Não adianta fingir.
          Amarrada numa camisa de força como o grande Houdini. Poderia, como ele, se libertar? Mas Michelle não era a mestra das ilusões, era a paciente sem alta do manicômio mais cruel do mundo: o amor...
           Juntou todas as forças que tinha para gaguejar:
 - Eu... eu não quero mais.
          Os olhos de Amanda cintilaram. Farejando, vislumbrando, intuindo o que Michelle estava sentindo. A voz soou visceral, ardente, intensa, quando olhou Michelle profundamente nos olhos, e disse:
 - Mentira. Você me ama. Me adora. É louca por mim. E eu por você, Mi...
          Vendada e sozinha com um pé levantado na beira de um precipício. Apenas um passo a separava da queda. Um passo, ou o desequilíbrio. Fosse o que fosse, Michelle gostaria de poder se entregar deliberadamente ao abismo. Mas não podia.
 - Eu quero apagar você da minha vida, Amanda... Esquecer que você existe.
          Michelle nunca tinha visto os olhos de Amanda daquele jeito. Absolutamente secos, como se a dor fosse tão grande quanto muralhas que represassem toda e qualquer forma de lágrima.
 - Não fala assim... Por causa de um erro, de um único erro...
          Michelle nunca conseguiria se lembrar do nome de todas as garotas com quem sabia que Amanda tinha saído. Milhares, um monte delas, mesmo sendo casada com ela. E o tempo todo Michelle fingia que nada estava acontecendo... Sofria em silêncio. Sem nada transparecer. No fundo talvez já soubesse o que tinha que fazer a muito tempo. Apenas protelava porque... tinha medo. De ficar sozinha? Não... De que Amanda mudasse, se arrependesse, deixasse de ser daquele jeito com alguém que não fosse ela...
           Michelle riu balançando negativamente a cabeça. Um riso amargo, sarcástico, doído, como Amanda nunca a tinha visto fazer. Um riso que pareceu abrir uma comporta de palavras, que  jorraram furiosamente:
 - Uma única vez? Uma única vez? Tem coragem de dizer que foi uma única vez? Há meses você tava de caso com aquela menina... Fora as outras, Amanda... Muitas, tantas que pra dizer todos os nomes levaria horas... A lista é imensa! Aliás, mais fácil dizer as pessoas com quem você não dormiu nesses dois anos... Essas, minha querida, dá pra contar nos dedos...
          Fechou os olhos, as lágrimas escorrendo dolorosamente. A lembrança que teve a atravessou como um punhal. Rasgou toda e qualquer razão que ainda pudesse ter...
         Uma noite no quarto delas, em que a pouca luz do abajur deitava nos cabelos ruivos de Amanda um efeito etéreo. Ela estava de olhos fechados, e quando Michelle sentou na cama, abriu os olhos e sorriu um sorriso manhoso, meio adormecido. Quando as bocas se tocaram, o efeito de sempre -  como se o mundo, a vida, o universo mudassem, passassem a ter sentido...
          Como se pudesse ler os pensamentos de Michelle, Amanda se aproximou lentamente. Os olhos fixos nos dela. Segurou o rosto de Michelle entre as mãos, e encostou os lábios nos dela apaixonadamente. Por um instante esqueceram de tudo e apenas se entregaram aquele beijo. Desejado, incendiário, intenso... Mas que durou pouco tempo.
           Fazendo um esforço enorme para se controlar, Michelle colocou as mãos nos ombros de Amanda e a afastou. Na mesma hora em que os lábios se separaram teve vontade de puxar Amanda de volta. Segurou o volante com força, como se tivesse medo que as mãos não a obedecessem. Evitou olhar para Amanda, sabendo que se os olhos voltassem a se encontrar, a beijaria novamente.
 - Amanda, eu não tô brincando, muito menos jogando com você.
 - Nem eu.
          Aquela era a terceira vez que Amanda se sentia daquele jeito, como se uma névoa lhe impedisse de enxergar direito. A primeira vez 11 anos atrás, no enterro da mãe. A segunda vez há apenas 4 anos, no enterro do pai. Ambos pareciam pertencer a uma vida passada. E realmente pertenciam, a uma vida antes de Michelle.
          Michelle tinha entrado na vida de Amanda com a fúria de um anjo salvador, afastando todos os demônios do passado. E criando novos demônios, perigosos e desconhecidos. Mais especificamente, a certeza de que nunca mais poderia dar um salto mortal, passar de um trapézio para outro sem nenhuma proteção.
          Mas aceitava, porque toda e qualquer noção de falta de controle parecia pertencer a uma vida passada. E realmente pertencia, a uma vida antes de casar com Michelle. A única válvula de escape que tinha, era sair com outras mulheres.
 - Michelle... Por favor, me perdoa... – a voz de Amanda era sempre daquele jeito insistente, firme, exigindo respostas imediatas. Não como uma britadeira. Mais como uma goteira, que de tanto bater acabava sempre amolecendo a vontade de Michelle.
          Só que naquele momento, o celular de Amanda tocou. Insistentemente. Michelle suspirou profundamente. Antes de dizer:
 - Não vai atender? Por quê?
          Os olhos duelaram, os de Michelle esperando uma resposta. Os de Amanda tentando negar o evidente. Tão absolutamente sem graça, que não precisou de palavras para Michelle saber:
 - Porque é uma das muitas com quem você me trai.
          Se estivesse no lugar de Amanda, Michelle ficaria sem ter o que dizer. Mas não era o caso:
 - Por favor, Mi... Eu amo tanto você... Eu vou mudar, prometo...
          Amanda usou toda a usual sedução que dela emanava. Verdadeiro campo magnético, que sempre dava a Michelle a impressão de que Terra, Sol, Lua, e estrelas giravam única e exclusivamente em torno de Amanda...
 - Tarde demais... Não quero mais você.
          O olhar dela... Quase fez Michelle voltar atrás... Como um animal ferido, perdido, abandonado... E talvez fosse, na verdade. Mas Michelle não agüentava mais.
          Amanda percebeu, mas não conseguia aceitar. Ainda tentou perguntar mais uma vez:
 - É sua decisão final?
          A resposta de Michelle foi assentir com a cabeça. Sem forças para mais nada. Um sentimento de ausência, de morte, de vácuo, a corroendo por dentro.
          Viu quando Amanda abriu a porta e saiu do carro, batendo a porta com força. Viu quando Amanda se afastou em direção à praia, e ficou ali parada observando o sol que aos poucos descia no horizonte. Mas não a chamou de volta, contrariando o desejo mais verdadeiro e profundo que sentia.
          Correr com o vento se deitando na boca, a respiração intensa. O coração martelando acordes, as mãos bailando músicas inteiras. Desejos rasgados da alma arrancados com o fórceps da desilusão, traição, ressentimento...
          Perdas... Amanda as colecionava... Assim como as culpas... E medos... Eram como morcegos que a rodeavam. A arranhando no rosto, a puxando pelos cabelos... Precisava se livrar, espantar todos eles... Pisou na areia sem tirar os sapatos, caminhou até o mar num transe entorpecente. As ondas molharam os sapatos. Atirou a bolsa na areia, entrou na água até os joelhos. O sol foi sumindo, a escuridão tomando conta dela enquanto Amanda avançava, entrando mar adentro.
          Michelle ligou o carro, pisando no acelerador como se pisasse em si mesma. Ainda olhou para trás, tentando vislumbrar Amanda entre as árvores. Mas só conseguiu enxergar a total ausência de luz. Anoitecera. Uma longa noite sem estrelas.

O conto acima ganhou o segundo lugar no Concurso Nacional de Contos Lésbicos em 2008 realizado pelo Centro de Documentação e Informação Coisa de Mulher

Outros contos: O Dia Seguinte  Aquários 

Lei na Rússia pode tornar crime ler, escrever, falar ou discutir qualquer assunto relacionado a LGBT

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012 0 comentários

A organização All Out informa que, em São Petersburgo, na Rússia, dentro de uma semana, poderá ser aprovada uma lei inacreditável (de 11 Novembro 2011) que tornará crime ler, escrever, falar ou discutir qualquer assunto relacionado a LGBT.

A organização informa ter feito uma mobilização inicial contra a lei, com o apoio de 270 mil pessoas que, entre outras coisas, telefonaram para autoridades estrangeiras pressionando os governos ao redor do mundo a condenar o projeto discriminatório.

Dando continuidade à mobilização, a All Out agora está promovendo um abaixo-assinado internacional contra a lei que consiste em declarar que, se a lei for aprovada, o/a signatário(a) não irá mais visitar São Petersburgo!

O protesto visa "ameaçar" o turismo da cidade, pressionando o executivo local a vetar a lei a fim de não ver a imagem de sua cidade cosmopolita manchada pela nódoa discriminatória. O texto do abaixo-assinado diz resumidamente o seguinte:

Ao Governador  Poltavchenko, de São Petersburgo, Federação Russa

Solicitamos à Vossa Excelência, governador  da cidade de Tchaikovsky e janela russa para o ocidente, que vete este projeto de lei draconiano que poderá calar as vozes de todos os russos. A Rússia é um país forte e independente, mas nós todos vivemos num mundo globalizado. Se este projeto de lei for aprovado, não mais visitarei São Petersburgo e recomendarei a todos meus amigos e conhecidos que façam o mesmo. Governor Poltavchenko - Não ratifique esta lei. 

Para participar do abaixo-assinado, clique aqui.

Cores unidas do amor: propaganda da Benetton para o dia dos namorados lá fora

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012 1 comentários

Nos EUA e alguns países europeus, o dia dos namorados é comemorado em 14 de fevereiro como referência ao festival romano de Lupercalia, em honra do deus Lupercus que protegia as colheitas e defendia o rebanho contra os lobos, e do santo cristão Valentino. Por causa do santo inclusive, esse dia dos namorados é conhecido como Valentine's Day, dia de Valentino.

Então, para comemorar o dia do amor e do afeto, a Benetton fez um anúncio que celebra a diversidade das expressões amorosas, incluindo um casal de mulheres. Os casais parecem deitados sobre o que parecem ser pétalas de rosas vermelhas a la Beleza Americana, o famoso filme de Sam Mendes (veja a foto). Delicado e bonito. Aprecie sem moderação.

Vampirismo lésbico: loucas por sangue menstrual

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012 2 comentários

O texto abaixo foi publicado na revista Um Outro Olhar em 2002 quando a vampiromania estava se iniciando. Dez anos depois,  os adolescentes fizeram da saga Crepúsculo um dos maiores sucessos de bilheteria do cinema enquanto os adultos se amarraram no sangue e no sexo dos luxuriosos vampiros da série True Blood.   Em Vampirismo lésbico: loucas por sangue menstrual, a autora faz um resgate da ligação entre o vampirismo e a lesbianidade, com destaque para a história de Fome de Viver (The Hunger), onde a vampira Míriam seduz a geneticista Sarah. Acompanha dois vídeos com a cena de sedução e link para baixar o filmaço (NE). 

Autor(a):
Paola Patassini

"Vamos ceder enfim à tentação das nossas bocas cruas e mergulhar no poço escuro de nósduas vamos viver agonizando uma paixão vadia, maravilhosa e transbordante feito uma hemorragia/'... ("Bárbara" de Chico Buarque de Holanda e Rui Guerra)

Vampiro continua mais do que nunca na moda. Assunto de revistas, filmes, Livros, de seriados como Buffy, a caça-vampiros, de sites, de Halloweens... e, recentemente, até de uma novela da Rede Globo. Mas o que costuma prevalecer em grande parte da literatura que cerca o tema é uma ótica unilateral heterossexual. Sabemos que sempre existe um outro olhar... No contexto homoerótico do vampirismo feminino, esse olhar é aquele da vampira predadora sobre sua "presa", feita objeto de seu desejo, em um clima denso e sexual que evoca muito do estilo de vida sadomasoquista, misturando dor e prazer na mesma receita sensual de entrega e posse...

Falar do vampirismo lésbico significa também falar do papel do sangue na afetividade entre as mulheres. Fundamentalmente do sangue como alimento e desejo. O desejo de se alimentar da mesma, do manancial fluido da fonte feminina: a seiva da flor e suas metáforas. A alimentação vampiresca é cíclica e sanguínea, afinada com as simbologias do ciclo menstrual, principalmente porque ocorre sempre à noite no domínio lunar, lembrando que a palavra menstruação significa "mudança de lua".

Cenas famosas de vampirismo no cinema, inspiradas em romances, onde o vampiro ou a vampira penetra um belo pescoço de mulher com suas pontiagudas presas, fazendo-o sangrar numa densa hemorragia, são reconhecidas por seu forte apelo erótico, remontando à equação vulva-garganta/menstruação-sangue... Sangue e garganta evocam claramente simbologias sanguíneo-uterinas. A garganta corresponde simbolicamente ora à vulva ora à vagina ou ao útero em inúmeras culturas e na própria história da psicanálise e da medicina na relação com a histeria.

A fome da vampira, que se sacia sor­vendo voluptuosamente o sangue de outra mulher, talvez oculte outra fome comandada pelo ritmo lunar e os ci­clos menstruais do universo feminino. O apetite erótico ou o desejo da mulher pela mulher consiste no núcleo do "vampirismo lésbico" que carrega uma fome gulosa da mulher: seu sexo, ová­rios, útero e sangue, inclusive menstrual, como uma metáfora da potencialização do feminino na soma dos duplos do mesmo sexo, multiplicando a mulher para a mulher, pela via simbó­lica do sangue.

Bram Stoker teria se inspirado, para a criação literária do seu Drácula, na vampira Carmilla, que o fascinou, de um conto de seu conterrâneo e contemporâneo Sheridan Lê Fanu, publicado em 1872 na antologia In a Glass Darkly. Uma história clássica de vampirismo com conotações lesbianas. Na literatura, que contextualiza o vampirismo lésbico, encontramos esse jogo dos duplos femininos potencializados no intramundo mítico da (homo)sexualidade feminina. Outro exemplo é o clássico poema Crístabell, de Coleridge, em que a vampira Geraldine seduz e se apossa da jovem Cristabell.

Por sua vez, atraente para homens e mulheres, Vampirella, personagem de histórias em quadrinho criada por Forrest J. Ackerman, em 1969, é uma versão vampiresca de Barbarella, na qual o autor se inspirou. Teve seu auge nos anos 70 e voltou a ser redescoberta nos anos 90, inclusive no Brasil e na Internet, espaço de Vampirellas virtuais que aparecem com esse nome em e-mails e chats. As histórias de Vampirella com parcerias femininas foram as que mais venderam nas décadas de 80 e 90, segundo inúmeros endereços na Web com páginas sobre a sexy predadora. Alguns exemplos:  Vampirella.com  Omelete

Uma das mais importantes versões do vampirismo lésbico pode ser anali­sada em Fome de Viver (The Hunger, 1983), de Tony Scott, baseado no romance homônimo de Whitley Strieber. Trata-se de um dos mais belos filmes de vampiro já feitos, locado no cenário punk nova-iorquino dos anos oiten­ta e interpretado por Catherine Deneuve, como a vampira bissexual Míriam Blaylock, David Bowie, como seu marido John Blaylock, e Susan Sarandon como a médica geneticista Sarah Roberts. O filme e o livro original de certa forma reforçam o imaginário da lésbica como extirpadora da vida, geradora de antifetos.

Míriam seduz Sarah, tocando uma música ao piano que fala de duas mulheres: uma princesa indiana, Lakmé, e sua escrava Mallika. Princesa e escrava cantam num jardim mágico, seguindo o curso de um rio de águas brilhantes. Trata-se de uma cena da ópera Lakmé, de Léo Delibes (1836-1891). Sarah percebe a conotação amorosa e sensual da imagem traduzida por Míriam e se deixa seduzir pelas águas fluidas e poéticas da bela e elegante vampira. Encanta-se com a fluidez aquática que é invocada de suas profundezas míticas e cíclicas enquanto Míriam a seduz como uma sereia, imperando sob o Eros de sua feminilidade. O desejo se traduz na umidade líquida feminina, na qual as águas são espelhos lunares que se projetam nas marés, em ondas de prazer. Míriam oferece a Sarah uma bebida vermelha: um cherry brand que mancha a blusa branca de sua seduzida, na altura de um dos seios... O vermelho e o branco, a inocência e o desejo...

Quando se relaciona sexualmente com Sarah, leva-a a sorver seu sangue e se apossa dela inteiramente, escravizando-a, tornando-a dependente de um alimento incomum. Elas passam a se pertencer, numa simbiose sanguínea. Eroticamente, somam seus femininos rios vermelhos. Trata-se do rio menstrual-lunar que as irmana numa mesma corrente sanguínea, em que trafegam representando a rainha egípcia e sua escrava Mallika. Afinal, que sangue é esse, sob o ponto de vista simbólico, que circula em comum, no corpo das duas mulheres, alternando seus ciclos alimentares e gerando tanta fome de vida? Qual o significado do sangue em comum entre as mulheres, capaz de conferir-lhes a proximidade com a morte e com a perpetuação da espécie, que não o mens­trual? Míriam brinda a iniciação de Sarah, quando esta faz sua primeira vítima para se alimentar de seu sangue, mais uma vez com uma bebida vermelha, provavelmente o cherry brand. Promete amor eterno e as duas se acariciam. O amuleto que Míriam usa, pendurado no pescoço, é fálico e, enquanto elas se abraçam e se beijam, Sarah o finca na própria garganta, gerando uma hemorragia que transborda em suas bocas... Conforme já se observou, a garganta, a "goela" onde Sarah finca o amuleto, tem afinidades simbólicas com a vulva.

No vampirismo lésbico, encontramos uma comunhão menstrual entre as mulheres, energizada pela paixão, mais um dos significados do sangue. Tal comunhão é uma aliança circular, útero-ovariana, em que a mulher se reconhece pela mesma. No domínio da sexualidade, a simbologia do vampirismo lésbico adquire outras significações quando deparamos com a Grande Mãe - enquanto manancial fluido feminino - como fonte inesgotável de alimento e de vida, cercada pelas filhas de Lesbos em seus rituais de amores sáficos. E a mulher de vivência lesbiana, na linguagem simbólica da literatura sobre o vampirismo lésbico, parece buscar na própria mulher o encontro energizante da vida, ainda que carregue em sua forma de amar os estigmas da diferença, dos seres malditos e postos à margem da vida por um sistema dominante, alheio às suas necessidades afetivas.

Para saber mais:

Dark Angels, Lesbian Vampire Stories, de Pam Keesey (dá para encomendar pela www.amazon.com)
Fome de Viver, nas locadoras.Também foi publicado no Brasil o romance que deu origem ao livro.
Também ainda dá para fazer download do filme no FileServe. Acesse aqui.
Carmilla, Sheridan Lê Fanu. Consultar nas livrarias, pois a primeira edição brasileira é bem antiga.

Fonte: Revista Um Outro Olhar, Edição 38, 2002, p. 26. Edição para o UOO online, 17/04/2008

Abaixo a cena do filme The Hunger (Fome de Viver) com Catherine Deneuve e Susan Sarandon em que as duas personagens que interpretam fazem amor. O filme é um clássico do gênero e a cena entre as protagonistas, antológica. Vale (re)ver.

Caetano Veloso gravará depoimento a favor do casamento LGBT

sábado, 18 de fevereiro de 2012 1 comentários

Caetano Veloso a favor
 do casamento LGBT
A partir do próximo mês, nas redes sociais, serão veiculados vídeos, com depoimentos de celebridades, a favor da proposta de emenda constitucional que permite o casamento civil de homossexuais, elaborada pelo deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ). Por enquanto, Chico Buarque, Sandra de Sá, Zélia Duncan e a atriz Arlete Sales já gravaram suas falas.

Agora, segundo Leonel Rocha, da coluna Felipe Paturi (Época), Caetano Veloso também se comprometeu a dar seu depoimento pró-LGBT. O projeto precisa de mais 70 assinaturas de parlamentares para começar a tramitar nas comissões técnicas da Câmara.

 Do jeito que os conservadores religiosos andam ensandecidos e o governo cedendo às pressões dos mesmos, não vai ser nada fácil. Mas é muito gratificante saber que medalhões de nossa música, como o mano Caetano, apoiam as tentativas de trazer um pouco de modernidade ao Brasil.

Fonte: Felipe Patury

Clipping: Corregedoria do Piauí barra casamento entre pessoas do mesmo sexo

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012 0 comentários

Apesar dos esforços do grupo Matizes para que a Justiça do Piauí reconhecesse o casamento entre casais homossexuais, a Corregedoria Geral de Justiça do Piauí publicou nesta quarta-feira (15) o Provimento nº 04/2012, que disciplina apenas a escrituração de união estável homoafetiva. O documento, assinado pela Desembargadora Eulália Maria Pinheiro, foi produzido após a negativa do pedido feito pelo Grupo Matizes para regulamentar a conversão de união estável entre pessoas do mesmo sexo em casamento, bem como a habilitação direta para o casamento entre gays e lésbicas.

Para Marinalva Santana, militante do Matizes, o Provimento da Corregedoria apenas regulamenta algo que já é feito na prática pelos Cartórios no Piauí. "Aqui, em Teresina, os tabelionatos já fazem escritura pública para registro de uniões entre pessoas do mesmo sexo há algum tempo. No Cartório do 3º Ofício, por exemplo, já foram lavradas, aproximadamente, 25 escrituras públicas, de maio de 2011 até agora", pontua Marinalva.

Em vários estados do Brasil já existem decisões judiciais autorizando o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Por isso, o Matizes está orientando casais de gays e lésbicas a baterem às portas do Judiciário para conseguirem esse direito. Em Alagoas, por exemplo, a Corregedoria já baixou, inclusive, um provimento regulamentando essa questão.

"Nossa expectativa era que a Corregedoria de Justiça do Piauí também disciplinasse o procedimento a ser adotado nos pedidos de habilitação para o casamento homoafetivo, mas, infelizmente, isso não aconteceu. Por isso, disponibilizaremos apoio jurídico para casais interessados em requerer esse direito", finaliza a militante do Matizes.

Fonte: 180graus 

A ética do outing: Quando é válido assumir os outros!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012 1 comentários

Autora: Míriam Martinho

Coming out of the closet é a expressão em inglês que, na tradução para o português, virou o célebre "sair do armário". "Sair do armário" é quando uma pessoa decide assumir sua homossexualidade ou qualquer outra preferência sexual não-ortodoxa publicamente.

Outing, por sua vez, é a expressão também em inglês que designa o ato de tirar alguém do armário à revelia. Ação política controversa, pois implica expor a privacidade alheia, ela divide opiniões em sua aplicação, mas vem sendo utilizada cada vez mais em todo o mundo.

Para alguns ativistas LGBT, o outing deveria ser feito com tod@s @s enrustid@s, pois eles contribuem pouco ou nada para o avanço dos direitos humanos LGBT, embora se beneficiem imensamente dos ganhos conquistados pelos que tiveram a coragem de se assumir.

O argumento é consistente, mas esbarra no fato de que as pessoas dependem de empregos para sobreviver, e a homossexualidade, ou qualquer outra atividade sexual diferente da heteronormalidade tradicional, pode ainda ser motivo de demissão no trabalho, pode criar problemas na relação da pessoa com a família e mesmo em seu círculo pessoal de socialização.

Por essa razão, o outing indiscriminado, mesmo de celebridades, não costuma ser bem aceito. Prefere-se incentivar as pessoas a que se assumam espontaneamente no seu ritmo de auto-aceitação para que o sair do armário se dê com o mínimo de problemas em relação ao entorno de cada um(a).

Entretanto, há uma variante do outing que tem ganho cada vez mais adeptos: o outing de pessoas que, embora pertencentes a minorias sexuais, atuam contra os direitos dessas minorias ou contra membros dessas minorias, por razões pessoais egoístas, como ascender na carreira, ou para prejudicar um desafeto.

Nesses casos, o outing é não só moralmente justificável como necessário. Ao não fazê-lo, principalmente contra gente influente, permite-se que essas pessoas continuem agindo em prejuízo da comunidade ou dos indivíduos aos quais atingem diretamente. O silêncio e a inação da comunidade em relação a essas pessoas torna a todos cúmplices de suas atitudes hipócritas e deploráveis. Pelo contrário, ao assumi-las, encoraja-se pelo menos algumas delas a pensar duas vezes antes de repetir as mesmas ações no futuro.

Concordo inteiramente com essa última perspectiva. Pior do que os que lutam contra nossos direitos, não sendo da comunidade, só mesmo os que, sendo do meio, atuam contra os interesses coletivos ou contra membros da comunidade por razões mesquinhas.

Obviamente, não se fala aqui de pessoas que são discretas simplesmente, reservadas, e não ficam levantando bandeira a toda hora e em todo o lugar. Essas pessoas agem naturalmente, não escondem que são LGBT mas também não ostentam, não podendo, portanto, ser classificadas como “no armário” muito menos como traidoras da causa.

Fala-se aqui de enrustidos que chegam ao ponto de difamar e perseguir outros membros da comunidade enquanto secretamente continuam mantendo relações não-heterotradicionais. Estes devem ser assumidos para expor sua hipocrisia e destruir sua má influência.

O outing às vezes é mal-visto porque utilizado também por pessoas sem princípios que invadem a privacidade alheia para faturar com matérias sensacionalistas ou para simplesmente prejudicar alguém. Principalmente celebridades costumam sofrer com a imprensa marrom que não mede esforços para divulgar detalhes picantes da vida íntima de artistas, políticos e gente influente em geral.

Nesse quesito, não só a homossexualidade de alguns mas também o fetichismo de outros são um prato cheio para os escândalos. Em março de 2008, o então presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), Max Mosley, foi vítima desse tipo de ação anti-ética. Um vídeo, em que ele aparece, com algumas mulheres, em cenas sadomasoquistas de temática nazi,  foi divulgado na Internet, pelo tablóide inglês News of The World, e virou um escândalo total.

Mosley foi várias vezes ameaçado de demissão e afirmou que a revelação devastou sua família. De qualquer forma, conseguiu dar a volta por cima, assumiu suas preferências e até conseguiu processar o jornal por invasão de privacidade. Segundo o ex-presidente da FIA à epoca, a divulgação das imagens foi obra de alguém da área das corridas a fim de desestabilizá-lo.

Naturalmente, o outing político nada tem a ver com esse tipo de ação mercantilista e de má-fé. Ele é estritamente destinado aos hipócritas que, embora membros de uma comunidade estigmatizada, usam dos estigmas que a afetam para atacar indivíduos dessa mesma comunidade ou para, ao combater a luta pelos direitos dessa comunidade, usufruir de benesses pessoais. O outing dessas pessoas é, nessas circunstâncias, como afirma o ativista Peter Tatchell, da aguerrida organização inglesa OutRAge, a quem devo muitas das idéias desse artigo, uma potente técnica de auto-defesa queer.

Publicado originalmente em Um Outro Olhar em janeiro de 2009

Nota atualizada: Exemplo de possível homossexual que inclusive falava publicamente contra os direitos homossexuais foi o americano J. Edgar Hoover, nada menos que o fundador do Federal Bureau of Investigation, o FBI. Embora não exista prova indiscutível de sua homossexualidade, Hoover tinha uma amizade com seu principal assistente, Clyde Tolson, que levantou a suspeita de que fosse gay, já que eram inseparáveis, viveram juntos por 50 anos e nunca tiveram família ou namoradas.

O filme J. Edgar, de Clint Eastwood, com Leonardo di Caprio no papel principal, gira em torno da vida desse controverso e poderoso personagem e está em cartaz nos cinemas brasileiros. Veja abaixo o trailer legendado.

Carnaval sem Preconceito

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012 1 comentários

A Prefeitura do  Rio de Janeiro, através da Coordenadoria Especial da Diversidade Social (CEDS), sob coordenação do estilista Carlos Tufvesson, lançou ontem, terça-feira, dia 14, a campanha Rio Carnaval Sem Preconceito. Versão 2012 da mesma bem-sucedida campanha do ano passado, a Rio Carnaval Sem Preconceito distribuirá, em blocos, praias, bailes, aeroportos e na rodoviária Novo Rio, panfletos informativos sobre doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), preservativos e lubrificantes provenientes da parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil, e cartões com informações sobre o carnaval carioca. Veiculará também, em rádio, televisão (na TV Globo durante a programação de Carnaval), bailes, o inspirado samba-enredo, composto pelos bambas Arlindo Cruz e Luana Carvalho, Rio Carnaval Sem Preconceito. Ver abaixo.

Participam do clipe grandes nomes  das escolas de samba cariocas como Noca da Portela, Delegado, Tia Suluca, Lucinha Nobre e Rogério Dorneles (porta-bandeira e mestre-sala da Portela); musas de diversas agremiações como Juliana Alves, Quitéria Chagas, Flávia Piana, Milena Nogueira e Ana Paula Evangelista; as atrizes Suzana Pires, Antonia Fontenelle, Cinara Leal e Michelle Martins; as cantoras Beth Carvalho, Angela Ro Ro e Teresa Cristina e figuras conhecidas do público, como a repórter especial Fernanda Honorato, Talytha Pugliesi, Lucinha Araújo, Diana Balsini, Aloísio de Abreu, Liliane Reis, Thiago Chagas, Clarisse Miranda e Nicole Nandes.

Mais informações: Coordenadoria Especial da Diversidade Social (CEDS-RJ) 

Rio Carnaval Sem Preconceito
(Arlindo Cruz / Luana Carvalho)

É VERÃO, A CIDADE ESTÁ EM FESTA
É O REINADO DA ALEGRIA
TRAGA AS SUAS FANTASIAS
MANDE EMBORA O DESAMOR

DE PÉ NO CHÃO NÃO EXISTE DIFERENÇA
NEM DE COR E NEM DE CRENÇA
VALE TUDO EM NOME DO AMOR
SAMBA É TRADIÇÃO NO MEU RIO DE JANEIRO
UM REDENTOR PRA ABRAÇAR O MUNDO INTEIRO

VEM SER MAIS UM
UM SER DE PAZ NA MULTIDÃO
DEIXAR FALAR SEU CORAÇÃO
SER CARIOCA NO PRAZER DE SONHAR

FOLIÃO, TER LIBERDADE É NÃO TER MEDO
SACODE A POEIRA E BATE NO PEITO
O RIO É CARNAVAL SEM PRECONCEITO

TOLERÂNCIA ZERO COM A DISCRIMINAÇÃO
VOCÊ QUER, EU QUERO
MAIS RESPEITO E INCLUSÃO
FELICIDADE É O NOSSO DIREITO
VAMOS LÁ, MEU RIO CARNAVAL SEM PRECONCEITO

Maternidade Lésbica: mulheres que gostam de mulheres  e são mães!

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Venturas e desventuras da maternidade nas palavras de nossas entrevistadas de Brasília (DF), Lusilene, digitadora, 39, que tem uma menina de 6 anos, e Recife (PE) Amanda, 33, produtora, que tem um menino de 1 ano e 8 meses.

UOO: Primeiro, falem um pouco de suas vidas. Vocês se identificam como lésbicas ou bissexuais?

Amanda: Agora como lésbica, mas já tive experiências com homens.
Lusilene: Olha, eu me identifico mais como lésbica do que bi, pois, apesar de já ter namorado homens, quando era mais nova, prefiro as mulheres porque a gente se entende melhor. Moro sozinha com minha filha. Viemos para Brasília em 2005. É uma cidade onde me identifico muito porque foi aqui onde tudo começou.

UOO:  Vocês tiveram filhos numa produção independente ou num casamento formal?

Amanda: Produção independente...
Lusilene:  A minha filha veio por acaso, foi um descuido. No começo foi difícil admitir que estava grávida.

UOO:
  Se casaram, casaram por pressão social ou familiar ou por amor simplesmente?

Amanda: Não casei. o pai do meu filho é um amigo.
Lusilene:  Nunca me casei nem pretendo me casar com homens.

UOO:  Vocês sempre quiseram ser mães ou acabaram sendo para atender as convenções sociais que afirmam que todas as mulheres devem ser mães?

Amanda:  Não planejei, mas tinha vontade sim.
Lusilene:  Nunca pensei em ser mãe, não me imaginava como mãe, mas agora afirmo que ser mãe é muito bom.

UOO:  Vocês têm quantas crianças? Meninas e meninos? E quantos anos ela(s), ele(s) têm?

Amanda:  Tenho 1 menino de 8 anos..Lindo de morrer e muito amado.
Lusilene:  Só tenho uma filha de 6 anos.

UOO:  Sempre se interessaram também por mulheres? E sempre vivenciaram esse interesse ou só após a separação?

Amanda:  Tive minha primeira namorada aos 14 anos. Sempre soube do meu interesse por mulheres.
Lusilene:  Sempre me interessei por mulheres, e isso já vem desde a minha adolescência; só que tinha medo de me assumir totalmente.

UOO:  E como tem sido o relacionamento de sua(s) namorada(s) com seus filhos?

Amanda:  Estou com o que considero meu primeiro relacionamento sério e longo, por isso, o contato maior com o assunto foi mesmo com ela, e eles se adoram (meu filho e minha namorada). Ele já sabe de tudo porque acho que um exemplo que posso deixar pra ele é de que se deve ir atrás do que se ama, e ser quem se é, sempre.
Lusilene:  Não tenho namorada atualmente, mas quando tive o relacionamento foi péssimo: ela não gostava da minha filha e queria que eu desse mas atenção a ela do que pra minha filha. Só que eu sabia dividir as coisas, e ela não entendia. Por isso terminamos.

UOO:  Vocês acham que as mães lésbicas sofrem mais preconceito da sociedade do que as lésbicas que não têm filhos?

Amanda:  Acho que sim porque temos que conviver com mães, professoras, e, infelizmente, as pessoas do meu convívio que não aceitam a minha condição, usam isso pra me atingir mais fundo. Só que eu me faço respeitar e sem fazer nada, apenas sendo quem sou. Quem tem o que fazer são eles, aprendendo a lidar com a diferença.
Lusilene:  Acho que sim, mas ainda não sofri esse tipo de preconceito, porque não gosto de falar da minha vida pessoal com as pessoas no trabalho, e tenho amigas que tem filhos e não sofreram nenhum preconceito. De qualquer forma, acho que as pessoas têm que respeitar a opção de cada uma.

UOO: A família de vocês sabe que se relacionam com mulheres? Se sim, como eles encaram? E os pais de suas crianças?

Amanda:  Minha família sabe, e tenho a sorte de ter uma mãe que me apóia. Alguns irmãos não apóiam (são 5, sou a sexta, caçula, imagine...), mas, como disse, só vão até onde eu deixo. E o pai do meu filho nunca se meteu nessa área da minha vida.
Lusilene:  A minha família não se mete muito na minha vida, mas, se eu arrumar alguma namorada, com certeza já saberei a opinião deles porque eles não admitem que eu namorei uma mulher e falam que é uma doença e etc. O pai da minha filha não sabe que ela existe; a gente só ficou uma vez, e ai aconteceu.

UOO:  Quais os problemas que vocês enfrentam como mães lésbicas: com a família, com amigos, no trabalho, na escola?
Amanda:  Coisas do tipo ver meu filho chateado por causa de crianças que não vieram na festinha dele, e eu sabendo pelo que foi ...Pessoas da família dizendo que eu não posso expor ele a esse tipo de coisa, ou até olhares tortos, na escola.. e coisas do gênero.. Mas também tenho grandes pessoas comigo e com ele, que me ajudam muito. Não faço disso um drama porque não é nem quero que ele ache que seja. Tiramos de letra e somos felizes.
Lusilene:  Vários. É difícil a gente se encontrar. Os meus amigos gays se afastaram de mim, quase não falo com eles.. No trabalho, ninguém sabe que sou lésbica. Na escola, minha filha fica sendo motivo de piadas....mas estou dando um jeito nisso.

UOO: : E da própria população lésbica? Vocês acham que as lésbicas preferem as mulheres sem filhos?

Amanda:  Acho que varia, como numa relação heterossexual: tem gente que prefere sem, que prefere com, e para quem não faz diferença.
Lusilene:  Lógico que elas preferem as mulheres sem filhos, por isso que ainda estou sozinha.

UOO:  Por fim, que mensagem gostariam de deixar para as leitoras e leitores da UOO?
Amanda:  Nunca deixem de fazer e ficar com quem amam, todos os tipos de amor, e preconceito é coisa de gente limitada, não se limite a elas..bjs.
Lusilene: Que lutemos pelos nossos direitos e que sejamos mais unidas porque precisamos vencer todos os preconceitos que existem.

Originalmente publicada em 09/05/07 no site Um Outro Olhar

Jô Soares arrasa o homofóbico Marcelo Crivella!

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O vídeo abaixo foi postado em agosto de 2011, mas tão divertido que vale o registro atual para a gente desopilar um pouco o fígado. Trata-se de trecho de uma entrevista que o senador evangélico Marcelo Crivella concedeu ao Jô Soares no programa do Jô. 

Entre outras pérolas, Crivella afirma - como de praxe - que o PLC 122 quer calar a boca de quem critica o homossexualismo. E o Jô retruca: "- O homossexualismo é passível de crítica? Isso é que eu não entendo. É como dizer assim...vamos criticar agora o gordo. O gordo é um pecador porque é contra a natureza. É antinatural. Logo é pecado..."

Outra do gordo, quando Crivella declara que ele (Jô) pressupõe que as pessoas nascem homossexuais: "- ...Ou nascem ou não nascem... que seja uma opção. Sujeito chega aos 50 anos e diz assim 'vou virar viado'. O que é que a Igreja tem a ver com isso? Por que o sujeito é mais pecador por causa de uma opção sua? Eu não vejo qual é o pecado já que não interfere na sua salvação. Eu não vejo ninguém no céu barrando a entrada de uma pessoa - você é viado, vai pro inferno... Eu não consigo ver isso..."

Tão exaltado o Jô fica sobre o assunto que mal deixa o Crivella falar, tanto que o próprio até reclama disso. Para quem dizia que o Jô Soares era até homofóbico, por conta de suas piadinhas sobre gays, pode ir reavaliando seus conceitos. O boneco do ventríloquo 666 teve que se esforçar para não mostrar quem realmente fala quando ele abre a boca.

 O Dia Seguinte

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012 3 comentários

O Dia Seguinte
autor(a): Diedra Roriz


Acordou suada e esbaforida. O coração acelerado, dando pulos dentro do peito.

Passou a mão nos cabelos, tentando inutilmente retirar a lembrança que ainda parecia pregada às retinas.

Um pênis enorme, vindo em direção a ela, duro e erguido.

O mais horrível pesadelo que já havia tido.

Pior... E mais inquietante por que... Sequer despertava uma sensação inteiramente ruim.

Mas deveria.

Era preciso!

Ergueu as cobertas, descobrindo que estava completamente nua. E sem saber como havia se despido ou sido despida.

Seria possível?

Forçou a mente, apertando as têmporas com os dedos...

Nada.

Nem um mísero resquício.

Como se a memória houvesse sido apagada, qual filme de ficção científica.

Pegou o travesseiro para esmagá-lo entre as duas mãos - numa tentativa infantil, mas bastante eficaz de extravasar a frustração que sentia – e deu um grito.

Debaixo dele a prova concreta: uma cueca. Supostamente esquecida.

Pulou para fora da cama com as mãos cobrindo a boca, a surpresa mantendo os olhos ampliados e a respiração desesperada e arredia.

Vestiu uma camiseta, um short e uma calcinha.

Colocou a cabeça para fora da porta do quarto, tentando descobrir se Bia - a amiga com quem dividia o apê - estava ou havia saído.

Um alívio incomensurável ao perceber que se encontrava sozinha.

Precisava agir rápido. Eliminar a prova do crime.

Correu descalça, tropeçando até a cozinha.

Vasculhou as gavetas até finalmente encontrar o que queria.

Brandindo o garfo imenso de churrasco nas mãos, como um tridente de Netuno enfurecido, caminhou resolutamente até a cama, repetindo para si mesma:

- Calma... Respira... Devagar... … só uma cue...

Parou por aí.

Para conter a muito custo a ânsia de vômito que subia.

Precisou de uma concentração incrível para conseguir pescar a peça de roupa na pontinha do garfo - a repulsa mantendo o braço esticado para manter a maior distância possível – e jogá-la na privada pensando:

- Preciso me livrar disso!

Deu a descarga.

A peça infame desceu, mas a água subiu, regurgitada pelo cano entupido.

Imaginou o encanador tirando a causa do entupimento dali, com um sorriso lascivo... Bia ao lado dele com um esgar de decepção no rosto, recriminando:

- Nunca esperaria isso de você. Tudo, menos isso.

Enquanto ela própria dizia:

- Juro que não sei o que aconteceu... Não sei o que houve! Eu nunca faria isso!

Quando deu por si, estava ajoelhada no chão frio do banheiro, as mãos unidas em súplica:

- Me perdoa! Não sei o que fiz!

Levou alguns minutos para entender que estava sozinha.

Correu de volta para o quarto, pegou o celular na mesinha de cabeceira e fez a única coisa que poderia: ligou para a analista. Com uma ansiedade extrema, esperou o toque cessar na secretária eletrônica.

Venceu sem esforço a repulsa que sentia da frieza da maquininha. A urgência era muito maior do que qualquer tipo de pudor ideológico, ou como a irmã definia:

- Frescura, Maurinha!

Deixou um recado sucinto:

- Alô? Ana Cecília? … Maura. Preciso que você me atenda hoje. … um caso de vida ou morte. Estou surtando aqui.

Desligou ainda incessantemente intranquila.

Ficou andando de um lado para o outro na cozinha.

Implorou mentalmente, numa prece que se repetia:

- Que ninguém fique sabendo! Que ninguém tenha visto!

Caso contrário, o que diria? Como explicaria?

Não havia desculpa para aquilo.

Seria execrada, afastada, banida.

Para sempre taxada, apontada como:

- Aquela que dormiu com um carinha!

Estava assim, imaginando as caras de reprovação, as amigas lhes dando as costas, toda uma vida perdida, quando viu a porta abrir para dar passagem a Bia.

Jogou-se aos pés da amiga. Agarrada às pernas dela, aos prantos, gritou numa mea culpa arrependida:

- Perdão! Eu juro que não queria! Não sei o que deu em mim!

Bia ficou parada, absolutamente fria.

Olhou para Maura exatamente como esta havia imaginado: decepcionadíssima.

E disse:

- Tudo bem. Mas da próxima vez que você chegar bêbada em casa, como uma gata no cio, não conte comigo, nem com a minha cueca, muito menos com o meu brinquedinho.

Heterrorismo: chegamos ao limite

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Mães pela Igualdade (Curitiba, PR)
Apesar das controvérsias sobre o aumento de crimes contra LGBT (não se sabe se de fato os crimes aumentaram ou se apenas se tornaram mais visíveis porque agora as pessoas têm possibilidades de denunciar a violência), o fato é que a homofobia, principalmente em sua vertente heterrorista de espancamentos e assassinatos, existe sim e é necessário combatê-la e acabar com a impunidade dos criminosos. 

Segue abaixo depoimento de uma senhora que perdeu seu filho para a homofobia e há 10 anos espera justiça. O grupo ALLOUT está desenvolvendo uma campanha que visa pressionar o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a tomar providências governamentais no combate a esses crimes. Veja o vídeo e participe da campanha. Acesse também a página do Mães pela Igualdade, grupo de mães que luta contra o preconceito e a discriminação aos LGBT.

Fórum de ONGs Aids do Estado de São Paulo protesta contra veto a filme gay

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012 1 comentários


O governo Dilma entrará para a História como um dos maiores equívocos de nossa política, em geral já  tão equivocada. Fora outros aspectos éticos, econômicos e administrativos que fogem aos temas do site, Dilma também vem representando um retrocesso em termos de moral e costumes.

Para elegê-la, foram feitas alianças tão heterogêneas que vão desde partidos comunistas (que nem deveriam ser legais) até conservadores religiosos como, em particular, a turma dos evangélicos. Estes últimos parecem ter as rédeas do governo: qualquer menção a temas que contrariem os dogmas conservadores, como aborto, direitos homossexuais, descriminação das drogas, leva Dilma às cordas.

Agora novamente outro vídeo de prevenção a DST/AIDS, entre homens gays, foi parcialmente vetado, com desculpas esfarrapadas, e a recém-empossada ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, enquadrada publicamente por ter dito que apóia a legalização do aborto. 

Quanto ao veto ao vídeo, o tradicional Fórum de ONG-AIDS do Estado de SP promete até apelar para a justiça internacional no sentido de tê-lo de volta circulando amplamente. Leia abaixo a nota de repúdio da instituição, ao veto contra o filme de prevenção em AIDS dirigido aos homossexuais, e - novamente - sua reprodução em vídeo.
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NOTA DE REPÚDIO CONTRA O VETO DO GOVERNO FEDERAL AO FILME DE PREVENÇÃO EM AIDS DIRIGIDO AOS HOMOSSEXUAIS

O Fórum de ONGs Aids do Estado de São Paulo, que congrega 92 entidades filiadas, reunido em 10 de fevereiro de 2012, vem a público REPUDIAR o veto do Governo Federal que impediu a veiculação, em TV aberta e canais de grande circulação, do filme dirigido aos jovens homossexuais, como parte integrante da campanha nacional de prevenção em aids do carnaval.

Contestamos a versão divulgada pelo Ministério da Saúde de que o filme censurado não seria veiculado em TV, mas apenas em ambientes fechados freqüentados por homossexuais. São evidências do veto do governo: 1) O filme foi apresentado durante o lançamento das peças da campanha dia 2/02, no Rio de Janeiro; 2) A descrição do filme, como sendo para TV, consta de texto amplamente divulgado pelo Ministério da Saúde; 3) O filme foi retirado sem explicações do site oficial do Departamento de DST-Aids; 4) As características técnicas do filme apresentam o padrão comercial da televisão brasileira , como o formato de 30 segundos, a linguagem para grande público , estética e narrativa igualmente características dessa tradicional mensagem publicitária de TV.

Denunciamos que a censura interna imposta pelo Governo ao vídeo é clara demonstração de discriminação e de violação aos direitos dos homossexuais, população altamente vulnerável à infecção pelo HIV e que demanda, portanto, campanha de saúde pública de grande alcance.
Neste sentido, decidimos pela denúncia formal contra o Governo brasileiro, em instâncias nacionais e internacionais de Direitos Humanos. 

Ao mesmo tempo daremos entrada à Representação junto ao Ministério Público Federal, para que seja apurada a conduta discriminatória do Governo Federal, bem como o desperdício de recursos públicos com a produção de uma campanha sem a devida veiculação em canais adequados.

Por fim, apelamos ao Ministro da Saúde, Alexandre Padilha e à Presidenta da República, Dilma Roussef, que derrubem o veto ao filme e autorizem a sua veiculação em veículos de comunicação de massa antes do carnaval de 2012.
Fórum de ONGs/Aids do Estado de São Paulo

Ver também: Guerra nada santa entre autoritários: explica os vetos de Dilma aos direitos homossexuais
PEC 99/2011: Uma proposta indecente

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