Católicos LGBT questionam papa que não abençoa casamento homossexual

segunda-feira, 22 de março de 2021 1 comentários

Cris Serra, 44, presidente da Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT -
Anna Virginia Balloussier/Folhapress

Francisco deu aval a diretriz que proíbe padres de abençoarem união entre pessoas do mesmo sexo.

Em 2013, seu primeiro ano à frente da Igreja Católica, o papa Francisco se declarou inapto a rejeitar homossexuais que buscassem o conforto de Deus. "Quem sou eu para julgar?" A fala encheu católicos LGBT com a esperança de, enfim, serem acolhidos sem ressalvas no seio da instituição.

Oito anos depois, quem é ele para abençoar? O mesmo Francisco deu sinal verde para o Vaticano divulgar, na segunda (15), a diretriz para que clérigos não dêem sua bênção a uniões entre pessoas do mesmo sexo. Afinal, "Deus não pode abençoar o pecado", diz o documento da Congregação para a Doutrina da Fé, órgão responsável por formular normas para os fiéis da maior vertente cristã do mundo.

Poucos sacerdotes ousaram bater de frente com a orientação da Santa Sé avalizada pelo papa, ao menos abertamente. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) é exemplo de cautela. Ainda que no reservado haja críticas ao posicionamento, ninguém quer falar publicamente.

Pelo mundo, houve reações que tomaram cuidado para não avançar sinais, mas foram encaradas como um aceno aos LGBT. Uma delas partiu do arcebispo de Chicago. Blase Cupich reconheceu que a "reação compreensível de muitos será de decepção" e pede que a contrapartida seja "redobrar nossos esforços para sermos criativos e resilientes para acolher todas as pessoas LGBT em nossa família de fé".

Autor de "Building a Bridge" (construindo uma ponte), o padre James Martin foi nomeado em 2017 por Francisco como consultor da Santa Sé. Jesuíta como o papa, ele disse que "a jornada é longa, e Cristo está conosco —pessoas LGBT, famílias, amigos e aliados— e nunca nos deixará".
Somos uma igreja peregrina, aprendendo, mudando e crescendo, mesmo em meio ao que pode parecer para muitas pessoas decepções e até mesmo tristezas", disse James, que sacou o salmo 34 para consolar os desapontados: “Perto está o Senhor dos quebrantados”.
Reverendo gay e professor de teologia da Universidade Fordham, fundada pela Diocese Católica Romana de Nova York, Bryan Massingale afirmou que os padres dispostos a se engajar em ações pastorais para a diversidade “continuarão a fazê-lo, exceto que será ainda mais por baixo dos panos do que era antes".

Na Áustria, um coletivo de padres dissidentes que desafia a igreja em tabus como o celibato clerical afirmou que não seguirá a determinação do Vaticano. "Não negaremos a nenhum casal que se ame a bênção de Deus, que eles já experimentam todos os dias, também em um momento de adoração", disse o padre Helmut Schueller. ​

A decisão, porém, não é fácil de ser tomada. Sacerdotes que forem contra a decisão do alto clero podem sofrer sanções que vão desde uma advertência até o afastamento de suas funções clericais. Aconteceu em 2019 com o padre Vicente Paula Gomes, suspenso de suas funções da Diocese de Assis (a 433 km de São Paulo) após abençoar o casamento de dois homens.

Um preceito penal (espécie de sentença eclesiástica) estabeleceu que Gomes poderia voltar à paróquia no fim de 2020, mas ficou obrigado a passar um ano sem celebrar uniões e precisou fazer um curso sobre "a perspectiva teológica, jurídica e pastoral" do matrimônio.

O texto diz que o padre se mostrou arrependido da decisão "inconsequente", um "escândalo iminente". Ele também foi proibido de falar à imprensa por três anos.

A Congregação para a Doutrina da Fé tomou a decisão após ser provocada por algumas paróquias que expressaram o desejo de abençoar casais como boas-vindas aos LGBT católicos. O órgão afirmou que a posição "não se destina a ser uma forma de injusta discriminação, mas um lembrete da verdade do rito litúrgico".

O texto reitera o que está expresso no catecismo: é preciso respeitar as pessoas LGBT —sigla que engloba orientações sexuais e identidades de gênero múltiplas que a igreja, aliás, reúne sob o guarda-chuva “homossexuais”. O problema é que "há uma incoerência fundamental entre essa ressalva e a violência da afirmação 'Deus não pode abençoar o pecado'", diz Cris Serra, coordenadora da Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT.

Cris cresceu ouvindo padres lhe dizerem que "mulher com mulher é pecado". Católica praticante, do tipo que faz questão de comungar (receber a hóstia), conta que só no final da adolescência entendeu que o "sofrimento inexplicável" pela "melhor amiga" tinha nome: estava apaixonada.


Para Cris, que desde 2018 se identifica como uma pessoa não binária (que não quer ser vista num gênero exclusivo, masculino ou feminino), tachar de pecado a orientação sexual perpetua a ideia de que "a família e a igreja, que deveriam ser lugares seguros, são os primeiros lugares de violência para LGBTs".

Só não acha que a recusa do Vaticano em abençoar casais fora do conceito de "família tradicional" vá alterar o que já vemos acontecer.
Dificilmente os sacerdotes que, de maneira mais ou menos clandestina, por discernimento das suas consciências, já celebravam essas uniões deixarão de fazê-lo."
Cris propõe um outro olhar para este capítulo da igreja.
É muito significativo que a Congregação tenha tido de responder a essa pergunta. Talvez a pergunta em si fale tanto ou mais do que a resposta."
Sinal de que as paróquias querem se abrir a mais pluralidade.
Vai ficando cada vez mais difícil sustentar uma posição doutrinária segundo a qual as vidas e os relacionamentos dessas pessoas são 'intrinsecamente desordenados', como diz a doutrina. O documento é, como costuma acontecer na história da igreja, uma reação aos ventos da mudança. Ou, para colocar em termos cristãos, ao sopro do Espírito."
Também conta pontos a "linguagem mais polida", diz Felipe Marcelino, coordenador do grupo mineiro Diversidade Católica.
"Há um avanço aos pouquinhos ali. Documentos mais antigos diziam que é coisa perversa, ou má inclinação. Não se usa mais esses termos."
Outro lado positivo, segundo Edelson Soler, da Comissão Regional para o Diálogo com a Diversidade, integrada à Arquidiocese de São Paulo:
Toca no tema da bênção para casais homossexuais pela primeira vez, mostrando que a presença dos gays na igreja não pode mais ser desprezada, simplesmente condenando os atos homossexuais como pecados".
O documento é o mais recente sinal cruzado de uma fileira de posicionamentos ambíguos de Francisco sobre a participação de homossexuais, transgêneros e outras dessas minorias.

No documentário "Francesco" , de 2020, ele diz que homossexuais "são filhos de Deus e têm direito a uma família". Mas vale lembrar que, quando era arcebispo de Buenos Aires, disse que a ideia do matrimônio homoafetivo colocava "em jogo a identidade e a sobrevivência da família: pai, mãe e filhos".

Também já disse a um gay que sofreu abuso por parte de clérigos quando jovem que Deus o fez daquela forma, ama-o assim e que sua sexualidade "não importa". E que Jesus nunca mandaria embora uma pessoa só porque ela gosta de alguém do mesmo sexo. Um contraste e tanto com os antecessores João Paulo 2º e Bento 16.

Aliado da causa, portanto? Calma lá: em 2019, o pontífice apoiou a educação sexual nas escolas, por ver o sexo como "um dom de Deus, e não um monstro". Mas só se essas aulas fossem livres de "colonização ideológica". Caso contrário, "você destrói a pessoa", pregou.
"A gente deveria se perguntar qual seria a práxis de Jesus. Ele foi uma pessoa que incluía. Se você for olhar, o que há de intrinsecamente perverso numa relação amorosa? Até na concepção bíblica isso gera vida. Não é preciso gerar uma criança para gerar vida. Uma relação amorosa gera vida para as duas pessoas que estão nela", afirma Felipe Marcelino.
Outro aspecto a ser considerado, segundo ele, é a "LGBTfobia do individuo consigo mesmo, e na maioria das vezes o que está por trás disso é o discurso religioso".

Exemplos não faltam.
Já ouvi muitos relatos de gente que diz que achava que era 'um erro de Deus', olha que frase terrível", diz. "E já chorei muito, mesmo sempre tendo sido religioso, sempre me perguntando 'Deus é bom, Deus é pai, mas então Deus não é o meu pai? Sou do demônio então?'."
Clipping Católicos LGBT questionam o papa que 'não julgava' e agora 'não abençoa' casamento gay por Anna Virginia Balloussier e Angela Boldrini, 21/03/2021, Folha de SP

Com aval do Papa, Vaticano proíbe bênção a uniões homossexuais

quarta-feira, 17 de março de 2021 0 comentários

Papa só apoia união civil para casais homossexuais


Papa Francisco concordou com a decisão que proíbe padres de abençoar uniões do mesmo sexo, disse órgão do Vaticano responsável pela deliberação. Em alguns países, padres “abençoam” união, em lugar do casamento.

O Vaticano revelou nesta segunda-feira que os padres e outros responsáveis da Igreja Católica não podem aprovar uniões de casais do mesmo sexo, e que essas “bênçãos” não são permitidas. Esta deliberação surge como resposta às práticas em alguns países — tais como os Estados Unidos e a Alemanha — onde paróquias e padres começaram a “abençoar” estas uniões entre casais do mesmo sexo como uma alternativa ao casamento, bem como a pedidos feitos a bispos para institucionalizar estas práticas.

Em resposta às questões formais colocadas por um conjunto de dioceses, que se interrogavam sobre a legitimidade destas “bênçãos”, o escritório doutrinal do Vaticano, a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), emitiu o juízo: “Negativo.”

O Papa Francisco aprovou esta resposta, adiantou a CDF, acrescentando que esta decisão não tem como objetivo “ser uma forma injusta de discriminação, mas uma lembrança da verdade no ritual litúrgico”.

Este órgão avança que estas bênçãos não são permitidas, apesar de serem “motivadas por um desejo sincero de receber e acompanhar as pessoas homossexuais” e ajudá-las a crescer na fé. O documento da CDF afirma que, pelo facto de o casamento entre homem e mulher ser um sacramento e as bênçãos estarem relacionadas com o sacramento do casamento, não podiam ser alargadas a casais do mesmo sexo
Por esta razão, não é lícito transmitir uma bênção nos relacionamentos, ou uniões de fato, mesmo que estáveis, que envolvam atividade sexual fora do casamento (por exemplo, fora da união indissolúvel e aberta à transmissão de vida entre homem e mulher), como é o caso da união de pessoas do mesmo sexo”, podia ler-se na nota.
Em outubro do ano passado, o Papa Francisco defendeu a regulação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, considerando que os “homossexuais têm direito a fazer parte de uma família”. As declarações do Sumo Pontífice foram vistas como um distanciamento mais forte face ao posicionamento tradicional do Vaticano sobre esta matéria, bem como uma manifestação de apoio aos direitos da comunidade LGBT.

A Igreja Católica romana tem 1,3 mil milhões de fiéis.

Clipping Vaticano proíbe padres de abençoar uniões do mesmo sexo, Reuters e Público, 15 de Março de 2021

No Altas Horas, Ludmilla e a mulher Brunna contaram sobre aceitação familiar de seu relacionamento

segunda-feira, 15 de março de 2021 0 comentários

Ludmilla e Bruna Gonçalves

'Nós fomos sortudas', diz Ludmilla sobre família aceitar relacionamento com Brunna

Cantora comentou que a família dela já desconfiava, mas foi decisivo contar: 'foi uma coisa que não estava dando mais para disfarçar'

Ludmilla e a mulher Brunna Gonçalves falaram sobre como as famílias delas reagiram ao relacionamento de ambas durante participação no Altas Horas deste sábado, 6. O casal assumiu o namoro em junho de 2019 e se casaram em dezembro daquele ano. Ver o vídeo para o programa ao fim do texto.
Foi um processo. A minha família, desde o início, já sabia, mas fingia que não sabia. Eu também fingia que eu não sabia que eles sabiam e assim foi até eu me apaixonar, que foi pela Brunna", lembrou a cantora ao responder a pergunta de um telespectador do programa.
Quando a gente se apaixona por alguém, isso fica muito nítido no nosso olhar, no nosso jeito e foi uma coisa que não estava dando mais para disfarçar", ela acrescentou.
Ludmilla comentou que a mãe, o padrasto e a avó já sabiam, mas só foi oficializado quando ela mesma contou.
E foi de boa porque minha família é muito legal comigo, eles sempre me apoiam em tudo o que eu vou fazer, eles estão sempre comigo, então foi super tranquilo lá em casa."
Brunna também teve uma conversa tranquila com a própria família.
A minha família foi super de boa. Minha mãe, meu pai, quando eu contei para eles, eles falaram assim: 'você está feliz? Se você está feliz, eu estou feliz. E bola para frente, não liga para o que os outros vão falar da sua vida, o que importa são seu pai e sua mãe'. Foi super tranquilo, eu não tive problema nenhum, graças a Deus, com minha família", relatou a bailarina. "Nós fomos sortudas", completou Ludmilla.
As duas já trabalhavam juntas, porque Brunna faz parte do corpo de balé da cantora, quando a funkeira olhou de forma diferente para a futura mulher durante um ensaio.
Ela foi brincar comigo depois: 'e aí, vai me dar um beijo, não?'", relembrou Brunna.
Ludmilla explicou que essa atitude veio após algumas conversas entre as mulheres do grupo sobre beijar e ficar com outra mulher. A partir daí, a dançarina também passou a olhar a cantora com mais interesse.

Elas assumiram o relacionamento em junho de 2019 e Ludmilla contou que a música Espelho foi dedicada à companheira. No fim daquele ano, elas se casaram em uma festa surpresa organizada pela cantora.

Ver vídeo do programa aqui.

Clipping 'Nós fomos sortudas', diz Ludmilla sobre família aceitar relacionamento com Brunna, ESP, 07/03/2021

Depois do divórcio, mães e parceiras para criar a filha do casal

sexta-feira, 12 de março de 2021 0 comentários

Parceria pós-divórcio: Laura (à esq.) e Camila com Lavínia Rogério Pallatta/Veja SP 


“Encontrei Camila em um app de relacionamento entre mulheres chamado Brenda (hoje Wapa) em 2013. Ela foi a primeira pessoa que eu conheci na plataforma, e vice-versa. Marcamos de nos ver pessoalmente depois de uma semana, em uma balada underground chamada Milo Garage, e fomos comer em uma lanchonete após a festa. Ficamos juntas da meia-noite até as 9 horas do dia seguinte.

Em quatro meses, eu a pedi em namoro. Brinco que no ‘mundo sapatão’ isso é muito tempo. Agíamos como namoradas, mas não tinha feito um pedido oficial.

Camila, hoje com 29 anos, tinha vontade de ter um bebê aos 24, porque é a idade que a mãe dela engravidou. Eu tinha 22 e me sentia nova demais, mas também queria ter filhos. A maternidade era algo certo para nós, porém não conseguia me ver como mãe. Mudei de ideia quando vi no shopping um casal jovem descolado, cheio de tatuagens, com um bebê. Eles pareciam superfelizes. Era o tipo de gente que eu encontraria na roda de amigos. Eu me vi neles e uma chavinha virou na minha cabeça. Acho que é essa coisa da representatividade. No dia seguinte, marcamos uma consulta no ginecologista. Aos três anos de namoro, engravidamos. Decidimos pela inseminação artificial e que Camila é quem iria gerar.

Minha mãe fez uma única pergunta: ‘Eu vou ser avó?’. Por não ter sido meu óvulo, surgem essas dúvidas. Afirmei que sim. Era o sonho dela. Dos três filhos dela, eu, a mais nova e lésbica, foi quem teve filho primeiro.

Prontas para a maternidade: Camila grávida de sete meses Larissa Dare/Divulgação

Um ano antes de ter a Lavínia, hoje com 3 anos, decidimos morar juntas. Não romantizávamos a gravidez como aqueles casais de novela que ficam falando com a barriga. Éramos realistas. Criamos um canal no YouTube, Mãe no Plural, para mostrar a experiência. Há diversos vídeos sobre mulheres lésbicas que contam como se descobriram e saíram do armário — e são temas importantes —, mas não havia conteúdo sobre o que acontece depois de se assumir, ser aceita pela família e formar um casal. Como é ter um filho em um relacionamento entre duas mulheres? Precisávamos falar sobre isso.

Todo casal homossexual tem problemas para registrar o filho. Meu nome está na filiação designada ao “pai”. Eles não sabem o que fazer.

Por mais que eu não tenha gerado nossa filha, parece que nós duas entramos no puerpério (fase pós-parto em que a mulher tem modificações físicas e psíquicas). Tínhamos um apego enorme pela Lavínia, parecíamos uma família de macaquinhos. Quando a Camila se levantava para amamentar, eu ia junto. Aproveitamos essa fase porque somos autônomas e trabalhávamos em casa.

Com o tempo, começamos a ficar saturadas. Houve várias pequenas brigas. Estar o tempo todo uma com a outra era o inferno e o paraíso no mesmo lugar. Depois que a Lavínia completou 1 ano, acabamos perdendo a essência de um casal. Não estava mais fazendo bem nem para mim nem para ela.

Sou uma pessoa que demora para tomar decisões. Penso bem antes de falar ou fazer algo. Mas, quando faço, é porque tenho certeza. A princípio, eu pedi o divórcio. Com o tempo, ela percebeu que era a decisão certa.

Não quis me separar porque a odiava, mas por querer estar com ela de uma forma boa. Era o início da pandemia. Decidimos continuar morando juntas por um tempo e ir desapegando gradualmente. Foi menos abrupto para nossa filha. Explicamos a ela que teria duas casas e que nunca perderia ambas as mães. Alternamos os dias de ficar com nossa filha, e uma vez por semana passamos um tempo nós três.

Já me perguntaram quando eu pego a Lavínia ou se pago pensão alimentícia. Somos duas mães com guarda compartilhada. Nunca precisamos explicar isso para a Lavínia, mas sim que há famílias com pais também. Toda criança deveria saber sobre diversidade familiar.

Eu quero que minha filha cresça entendendo como o amor deve ser e como as pessoas devem se relacionar. Hoje, após o divórcio, eu vejo que eu e Camila damos um exemplo melhor de relacionamento do que daríamos se continuássemos juntas. Nosso carinho foi ressignificado.”

Clipping “Continuamos  depois do divórcio”, Laura Gama conta sobre sua relação com Camila Lucoveis e a parceria para criar a filha do casal, por Laura Renat a Gama de Medeiros, 27 anos, em depoimento a Fernanda Campos Almeida, Veja SP, 05/03/2021

Estudo holandês afirma que filhos de casais homossexuais têm desempenho escolar acima da média

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021 0 comentários


Um novo estudo da Holanda descobriu que crianças criadas por pais homossexuais se saem melhor na escola do que crianças criadas por pais heterossexuais.

Estudos anteriores sobre resultados acadêmicos para crianças criadas por pais gays basearam-se principalmente em amostras pequenas. Mas este novo estudo, publicado na revista American Sociological Review, inclui dados sobre 2.971 crianças com pais do mesmo sexo (2.786 casais lésbicos e 185 casais homossexuais masculinos) e cerca de 1,2 milhão de crianças com pais de sexos diferentes (ou seja, heterossexuais).

A vantagem de mães e pais homossexuais continua no ensino médio

O estudo incluiu dados sobre todas as crianças nascidas e criadas na Holanda entre 1998 e 2007. Seus desempenhos educacionais foram monitorados até 2019.

Os resultados mostram que crianças criadas por gays e lésbicas desde o nascimento superaram significativamente as crianças com pais de sexos diferentes em um importante teste padronizado. O teste em questão é o “teste CITO”, que cobre habilidades de leitura e compreensão, matemática e muito mais. É considerado um teste de alto risco, pois determina parcialmente que tipo de escola a criança irá frequentar.

As pontuações das crianças que cresceram com mães lésbicas e pais gays foram 0,14 desvio padrão mais elevado do que as das crianças criadas por pais heterossexuais.

Essa vantagem também continuou no ensino médio. Crianças criadas por pais do mesmo sexo desde o nascimento têm 4,8 % mais probabilidade de se formar do que crianças com pais de sexos diferentes. Esses resultados não parecem ser moderados pelo sexo, etnia ou estrutura familiar da criança.

Os resultados colocam teorias populares em questão

Os autores são rápidos em apontar que esses resultados dizem respeito à Holanda, não a outros países ou contextos. Afinal, a Holanda foi o primeiro país a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo (em 2001). Também oferece um contexto cultural e jurídico mais favorável para pais do mesmo sexo que a maioria dos outros países. E cerca de 96% dos holandeses concordam que os gays devem ter os mesmos direitos que os heterossexuais.

As descobertas do presente estudo parecem diminuir a sustentação de  algumas teorias populares sobre a criação de filhos. Uma, por exemplo, é a “teoria da especialização”, que sugere que os filhos precisam de pais de cada sexo porque os pais diferem em seus estilos de criação e ensinam habilidades diferentes.

Outra, a “teoria da seleção de parentesco”, sugere que, como os pais incorrem em vários custos para criar os filhos, eles investirão mais em seus filhos biológicos. E como pelo menos um dos pais em um casal gay ou lésbico não é o pai ou mãe biológicos da criança, segundo a teoria, o investimento parental seria menor para pais do mesmo sexo do que para pais de sexos diferentes.

Pais gays e status socioeconômico mais elevado

Em vez disso, escrevem os autores, esses resultados sustentam a ideia de que pais do mesmo sexo geralmente têm status socioeconômico mais alto do que pais heterossexuais. Isso se deve aos procedimentos demorados e caros necessários para que casais do mesmo sexo tenham filhos. Os custos de adoção na Holanda, por exemplo, variam normalmente entre 15.000 e 40.000 euros. E os custos da fertilização in vitro são de cerca de 1.500 euros por tratamento.

Esse status socioeconômico mais elevado, por sua vez, resulta em melhores resultados escolares.
“De fato” , escrevem os autores, “uma vez que controlamos as variáveis ​​socioeconômicas, a associação positiva entre morar com pais do mesmo sexo e as avaliações dos testes caiu significativamente”.
Da mesma forma, casais do mesmo sexo podem ter tido maior motivação para se tornarem mães e pais, e a motivação dos pais está altamente relacionada à educação.

Uma dose dupla de maternidade

Ainda outro fator é que crianças com pais lésbicas podem receber uma “dose dupla de maternidade”.

Estudos anteriores descobriram que as mães passam mais tempo com seus filhos, o que é benéfico para o desenvolvimento infantil. “Como resultado”, escrevem os autores, “famílias compostas por duas mães podem apresentar um maior esforço no cuidado, comunicação e intimidade com seus filhos”.

Clipping  Na Holanda, filhos de pais homossexuais se saem melhor na escola, por Julio Batista, 20/02/2021, Universo Racionalista


Pedidos de casamentos lésbicos super-românticos

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021 1 comentários


Mariana Setti, de 28 anos, e Mariana Tozzi, de 27 anos, em seu casamento, em junho de 2018  Imagem: Arquivo pessoal


Isabela mandou projetar o pedido de casamento da
namorada em um prédio do RJ. Img: Arquivo pessoal.
Amor pela janela

As cariocas Isabela Araújo, de 25 anos, e a namorada, Priscila Nóbrega, iriam fazer três anos de namoro quando Isabela resolveu que queria fazer um pedido em grande estilo. Em outubro de 2020, a pandemia já estava acontecendo e manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro estavam rolando nas janelas.
Havia uma menina fazendo umas projeções com mensagens sobre política em prédios no meu bairro e eu vi no Facebook. Pensei que seria muito legal pedir a Priscila em casamento assim, com um pedido projetado em um prédio. Falei com a menina e ela se ofereceu para fazer para mim gratuitamente", conta Isabela.
O problema é que do prédio em que as duas moravam não dava para ver a projeção. "E por causa da pandemia, a gente não estava saindo para nada.
Então, no dia do nosso aniversário de três anos, 8 de outubro, eu e minha mãe bolamos um plano e eu disse que minha mãe queria muito que a gente fosse ver um apartamento que ela queria alugar, em um prédio que tinha vista para onde o pedido seria projetado", conta Isabela.
Detalhe: Priscila não anda de elevador e subiu os 9 andares do prédio até o tal apartamento. Chegando lá, na janela do suposto apartamento da sogra, dava para ver o pedido de casamento gigante:
Priscila, quer casar comigo?".
A Priscila, super distraída, demorou a ver meu pedido projetado no prédio. Eu tive que apontar e abri a caixinha com as alianças, enquanto minha mãe filmava. Eu estava muito nervosa.

Nas janelas dos prédios vizinhos, muita gente comemorou o pedido. Agora, as duas esperam a vacina para realizar a cerimônia.

Nossa história dava um livro

A história do casal Mariana Setti, de 28 anos, e Mariana Tozzi, de 27 anos, é bilíngue: Mariana Setti é professora de inglês e conheceu a mulher, Mariana Tozzi, quando ela era sua aluna.
A gente meio que se reconheceu na sala de aula, nos parecemos um pouco, temos nomes e traços parecidos", diz a Mariana professora.
Eu me apaixonei por ela no primeiro dia, na nossa primeira aula, em março de 2017. Como sempre gostei de escrever, escrevi alguns poemas e alguns textos sobre ela.
Mari Tozzi conta que, em uma dessas aulas, a namorada pediu para escrever um texto com um personagem fictício. Foi a forma que ela encontrou de falar para a professora o que estava sentindo. As duas ficaram em junho daquele ano e Tozzi seguiu escrevendo. Alguns textos mandou para a amada outros guardou. Antes do fim do ano, sentiu que estava na hora de pedir a namorada em casamento. E fez isso em grande estilo.
Eu sou designer e criei uma pequena agência para produzir o livro com a ajuda de amigos, elaborei a parte de design e diagramação e uma outra amiga publicitária fez a revisão dos textos. Usei todos os textos que eu escrevi para ela desde que eu a conheci e o último texto do livro é meu pedido de casamento", conta ela, que fez a proposta em inglês para conquistar a professora de vez, no dia 1º de Janeiro de 2018. As duas se casaram em junho daquele ano.
Cristina fez por um ano, em segredo, um vídeo por dia
pedindo a namorada, Michelli, em casamento.
 Imagem: arquivo pessoal

Um ano de 'Quer casar comigo?'

A publicitária Cristina Camargo, de 31 anos, e Michelli Camargo, de 29, da cidade de Americana em SP, estavam juntas há 10 anos quando Cristina achou que estava na hora de fazer o pedido. E, depois de uma década de relacionamento, esse não poderia ser um pedido qualquer. "Eu queria fazer no civil e fazer festa, e achava que tinha que dar um jeito de mostrar para ela que, mesmo após 10 anos, eu ainda a amava todo dia do mesmo jeito", diz ela. Cristina resolveu, então, se gravar todos os dias, durante um ano, pedindo a amada em casamento.
A gente mora juntas e o desafio era gravar sem que ela soubesse. Comecei a escrever todo dia papéis escritos 'casa comigo?' e declarações de amor. Achei uma câmera digital antiga e andava com ela para cima e para baixo", conta Cristina. E assim foi feito um registro de 365 dias de amor.
Foi entre 2017 e 2018, então teve Rock in Rio, Copa do Mundo, o dia da morte do avô dela, e até dias que a gente estava brigadas"
Em uma viagem para Caraguatatuba, cidade de praia, Cristina fez uma mesa de café de manhã para a amada, de frente para o mar, com balões de coração e, em um computador, mostrou o vídeo. "Ela amou, ficou emocionada, porque no vídeo tinham registros de pessoas e lugares que são importantes para a gente", conta Cris. O "sim", é claro, veio. As duas se casaram em novembro de 2018.

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