Maioria de americanos apoia casamento gay, apontam pesquisas

sábado, 23 de março de 2013 0 comentários

O casamento gay na Califórnia e a questão dos direitos federais para os casais homossexuais casados legalmente serão debatidos terça e quarta-feira na Suprema Corte

A maioria dos americanos apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a igualdade de direitos para todos os casais, segundo as pesquisas publicadas nesta sexta-feira, quatro dias antes que a Suprema Corte dos Estados Unidos examine o tema.

O casamento gay na Califórnia e a questão dos direitos federais para os casais homossexuais casados legalmente serão debatidos na próximas terça e quarta-feira na Suprema Corte.

Segundo a pesquisa do Instituto Público de Pesquisa de Religião (Public Religion Research Institute, PRRI), 52% dos entrevistados disseram ser a favor do casamento gay e 42% afirmaram ser contrários. Na Califórnia, o apoio atinge 57%.

Por outro lado, um a cada dois americanos quer que o estado federal reconheça o casamento homossexual, que está legalizado em nove estados, além de Washington DC.

O estudo do PRRI aponta grandes diferenças em função da idade, religião e posição política.

Dessa forma, sete jovens (entre 18 e 29 anos) a cada dez são a favor do casamento gay, dos quais 58% afirmam ser republicanos. Em troca, entre os idosos acima de 65 anos, apenas 36% aprovam, dos quais 14% afirmam ser republicanos.

"Estamos em um ponto de inflexão no tema do casamento gay, impulsionado principalmente por um enorme apoio entre os jovens, mas também de maneira mais geral por uma mudança de opinião", disse em um comunicado Robert P. Jones, presidente de PRRI.

No plano religioso, o casamento gay é apoiado principalmente pelos judeus (81%), pelos que não têm afiliação religiosa (76%), pelos católicos hispânicos (59%), pelos católicos brancos (58%) e pelos protestantes (55%). Se opõem os brancos evangélicos (71%), os protestantes hispânicos (65%) e os protestantes negros (57%).

Em uma pesquisa do Instituto Gallup, 54% dos americanos afirmam, no entanto, que votariam a favor de uma lei que conceda aos casais do mesmo sexo benefícios iguais que casais heterossexuais.

Esta pesquisa, como muitas outras nas últimas semanas, mostra uma tendência crescente da opinião pública americana a favor da união gay.

Fonte: Exame via APF

Associação de Pediatria nos EUA apoia o casamento gay

sexta-feira, 22 de março de 2013 0 comentários


NOVA YORK - A Associação Americana de Pediatria, órgão médico dos Estados Unidos, declarou se posicionou pela primeira vez a favor do casamento gay, ao afirmar que é do melhor interesse dos filhos que o casamento entre pessoas do mesmo sexo seja legalizado. A nova política da academia diz que a aprovação ajuda a garantir direitos, benefícios e segurança a longo prazo para as crianças, apesar de reconhecer que não garantem o acesso a benefícios federais. O apoio dos pediatras se soma agora ao já declarado pelos médicos de família, psiquiatras, psicólogos e enfermeiras.

A revisão da literatura científica da instituição começou há quatro anos. O resultado é um relatório de 10 páginas, com 60 citações - entre elas algumas pesquisas que mostram que o bem-estar de uma criança é muito mais afetado pela força das relações entre os membros da família e seus recursos sociais e econômicos do que pela orientação sexual dos pais.

"Há um consenso cada vez maior, com base na extensa revisão da literatura científica sobre o tema, que mostra que crianças que crescem em famílias chefiadas por gays ou lésbicas não estão em desvantagem em qualquer aspecto significativo em relação aos filhos de pais heterossexuais", disse a instituição em nota. "Se a criança tem dois pais ativos e capazes que escolheram criar um vínculo permanente com o casamento civil, é do melhor interesse da criança que as instituições legais e sociais apoiem eles(as), independentemente de sua orientação sexual".


Para os pediatras americanos, o casamento oferece maior segurança à criança, que passa a ter seus pais cobertos por diversas leis de proteção social, que vão de descontos de impostos à autorização de viagens, e também por motivos de saúde, como o direito à acompanhante e a tomada de decisões médicas em casos de emergência. Quando o casamento não é uma opção, segundo a instituição, as crianças não devem ser privadas de acolhimento ou adoção por pais solteiros ou casais, independentemente da sua orientação sexual.

- Se os estudos são diferentes em forma e amostragem, mas os resultados continuam a ser parecidos, isso dá aos cientistas mais fé no resultado - disse Ellen Perrin, coautor da nova política e professor de pediatria na Tufts University School of Medicine.

Outros cientistas, no entanto, disseram que o endosso da academia foi prematura. Loren Marks, professora de estudos da criança e família na Louisiana State University, em Baton Rouge, disse que não havia dados suficientes para apoiar a posição da instituição em relação ao casamento homossexual.

- A política nacional deve ser informada por dados nacionalmente representativos. Estamos caminhando na direção de dados de alta qualidade nacionais, mas o processo ainda é lento.

Um estudo realizado no Reino Unido comparou 39 famílias chefiadas por mães lésbicas, com 74 formadas por pais heterossexuais e 60 de mulheres solteiras heterossexuais. Não foi encontrada nenhuma diferença entre os grupos em relação a envolvimento emocional, comportamentos anormais relatados por pais ou professores ou transtornos psiquiátricos em si. Mas mães e professores relataram mais problemas de comportamento entre as crianças em famílias monoparentais do que em famílias formadas por casais, qualquer que seja sua orientação sexual.

- O casamento fortalece as famílias e gera mais benefícios ao desenvolvimento da criança. E sensação de de competência e segurança dos pais também aumenta quando eles são capazes de criar os filhos sem estigma - disse Nanette Gartrell, principal autor do estudo e pesquisador visitante na Faculdade de Direito da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

A pesquisa tem limitações, segundo alguns especialistas, incluindo o tamanho das amostras, relativamente pequenas, de pais gays ou lésbicas, mesmo em estudos de longo prazo. Muitos contam com avaliações dos próprios pais, e há relativamente poucos dados sobre o bem-estar de crianças criadas por gays comparado com os criados por lésbicas.

Ryan Timm-Young, um pai de 48 anos de idade, casado e pai de Zélia, 6, encontrou apoio da academia no casamento entre pessoas do mesmo sexo.

- Sempre que uma instituição formal confirma que uma família com pais gays é válida, e não há aspectos negativos que possam ser medidos ou discutidos, isso significa um grande negócio, francamente - disse.

Travis Kidner, um cirurgião de 36 anos de Los Angeles, e Hernan Lopez, um executivo de meia-idade, se casaram em 2008 e tiveram a adoção de Nicolau e Zoe aprovadas.

- É importante para as crianças saberem que estão em um lar estável e que seus pais são casados - disse o médico.

A associação de pediatras tem o histórico de se posicionar em assuntos polêmicos: desencorajou famílias com filhos a terem armas em casa e pediu aos pediatras que prescrevam, com antecedência, pílulas do dia seguinte para adolescentes.

Fonte: Agência O Globo

Eleição de Feliciano foi erro político, diz diretor de sucursal do Estadão

quinta-feira, 21 de março de 2013 0 comentários

João Bosco Rabello

Para João Bosco Rabello, diretor da sucursal do Estadão em Brasília, a situação do pastor Marco Feliciano(PSC-SP), frente à Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, fica cada vez mais insustentável.

De fato, é praticamente um consenso, entre as pessoas civilizadas do país, exceção feita ao jornalista de Veja, Reacionaldo Azevedo (num raciocínio distorcido, ele vê as manifestações democráticas contra o pastor como ataques a liberdade de expressão do mesmo) que o pastor, não por ser pastor, mas por pregar contra os direitos civis de homossexuais e outros, é incompatível com o cargo que ocupa. Diga-se de passagem, fora da comissão, ele continuará exercendo sua liberdade de expressão de disseminar a ignorância e o preconceito nos  inúmeros canais de comunicação de que dispõem os pastores evangélicos no Brasil. 

No vídeo abaixo, Bosco fala, com calma e clareza, das razões porque  Feliciano deve cair em breve (o PSC foi convocado a assumir uma posição sobre a saída do pastor até terça que vem). Aula de democracia do jornalista. Ouçam também o famigerado Feliciano dizendo que da comissão ele não sai, ninguém o tira. Veremos! 

Microsoft lança comercial com casamento de duas mulheres

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Campanha sobre renovações no Outlook expõe o assunto de forma normal


A Microsoft acaba de colocar no ar nos Estados Unidos uma campanha que expõe o casamento entre duas mulheres, de maneira simples, bem trabalhada e despretensiosa. A ação criada pela Deutsch, de Nova York, tem objetivo de chamar a atenção para o serviço de atualizações do Outlook.

A primeira cena do comercial mostra um homem que está em um caminhão que explode e em seguida ele atualiza o seu perfil no Outlook para profissão dublê. Uma amiga vê a cena do trabalho e o parabeniza, ao mesmo tempo ela vê duas amigas lésbicas se casando e também envia congratulações para o casal.

Quando uma marca trata de um assunto, muitas vezes delicado, dessa maneira significa que já está acontecendo uma grande mudança na sociedade. Recentemente a Amazon lançou um filme para o seu Kindle que também fazia menção ao casamento.

Com informações do Adweek via Meio e Mensagem

 

Consciências fragmentadas: direitos humanos x direitos dos manos

quarta-feira, 20 de março de 2013 1 comentários

Fla-flu esquerda x direita gera esquizofrenia política *


Por Míriam Martinho

Nas últimas semanas, muita gente foi às ruas e a sessões da Câmara Federal protestar contra a indicação do pastor Marco Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal. Obscurantista profissional, com falas absurdas contra negros e homossexuais, sua nomeação faz parte do festival de escárnios com que a classe política dos país nos brinda cotidianamente. Cumpre ressaltar, aliás, antes de seguir adiante, que essa nomeação é fruto da saída do PT (da comissão da qual sempre foi titular) e de outros partidos, em benefício do PSC, partido de Feliciano, como resultado das negociatas entre os integrantes da base aliada do governo Dilma

Mas voltando ao festival de escárnios, só para listar alguns dos últimos insultos ao povo brasileiro,  também foram nomeados para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara), os mensaleiros João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP), condenados, pelo STF, a anos de prisão por formação de quadrilha. 

Para a presidência da CMA (Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor, Fiscalização e Controle do Senado) foi indicado o ex-governador do Mato Grosso Blairo Maggi (PR-MT), tido como um devastador do meio-ambiente por muitos ecologistas. 

Para a Comissão de Finanças, o deputado João Magalhães (PMDB/MG) que responde a três inquéritos no Supremo Tribunal Federal – por peculato, tráfico de influência e crime contra o sistema financeiro, tendo por isso os bens bloqueados. 

E, na presidência do Senado, ficou Renan Calheiros (PMDB-AL), denunciado pelo procurador da república, Roberto Gurgel, ao Supremo Tribunal Federal (STF), por desvio de dinheiro público, falsidade ideológica e uso de documento falso. Segundo o Ibope, que ouviu mil pessoas entre os dias 3 e 4 de março, 74% dos brasileiros gostariam que o Senado exigisse a renúncia de Calheiros da presidência do órgão, mas até hoje isso ainda não resultou em qualquer ação concreta. 

Como se não bastasse, agora a Procuradoria da Câmara quer controlar a internet para tirar do ar vídeos e comentários que desagradam aos parlamentares, particularmente o conteúdo publicado no portal Blogger e no site de vídeos Youtube, duas das maiores marcas pertencentes ao Google. 

Em resumo, nossa democracia está muito ruim das pernas e protestar é mesmo preciso. Mas por que esses protestos são tão seletivos? Por que os que agora protestam contra a presidência de Feliciano também não protestam contra a participação dos mensaleiros na comissão de justiça e cidadania e, em geral, nunca participaram das marchas contra a corrupção? Por que os que nessas manifestações contra Feliciano levantaram cartazes com os dizeres "Eu tenho fé. Eu tenho fé nos direitos humanos" não estiverem presentes também na defesa da blogueira cubana Yoani Sánchez, quando em visita ao Brasil, impedida de falar em várias ocasiões por uma turba de brucutus autoritários? 

Yoani Sánchez defende os direitos humanos em seu país, às voltas com a mais antiga ditadura da América Latina. Pelo contrário, registrou-se inclusive a presença de ativistas LGBT, como uma tal de Yasmim Nóbrega (que afirmou pertencer à Liga Brasileira de Lésbicas), na manifestação da livraria Cultura, em SP, contra o direito da blogueira falar. Seguramente essa mesma ativista é contrária à presidência de Feliciano na comissão de direitos humanos da Câmara por este ser contra os direitos humanos (sic). Aliás, alguém viu “feministas” se manifestarem contra esses ataques fascistóides que atingiram uma mulher como elas? Alguém viu a Ministra da Justiça, Maria do Rosário, se pronunciar contra os ataques à blogueira? E a OAB e a ABI? Algum comentário? Nada. Silêncio gritante. 

Contra o acossamento a Yoani Sánchez se pronunciaram apenas a chamada direita liberal, alguns poucos da esquerda democrática, os simplesmente civilizados e os oportunistas. Alguns conservadores também encheram a boca para falar na vergonha alheia que sentiam pelo tratamento dado à ilustre visitante cubana, embora os mais extremistas não concordassem em apoiá-la por considerá-la agente de desinformação comunista (há mais estupidez entre a esquerda e a direita do que sonham as vãs filosofias). 

Por outro lado, agora diante da kafkiana nomeação de um paladino contra os direitos humanos para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, alguns dos que se horrorizaram com o tratamento dado a Yoani defendem as falas absurdas de Feliciano, negando, à revelia dos fatos, que sejam racistas ou homofóbicas, alegando que o pastor é vítima da esquerda, dos gays e dos politicamente corretos. O colunista do site da Veja, Reinaldo Azevedo, cada vez mais incoerente, chegou ao ponto de acusar de intolerantes os que foram às ruas protestar contra o descalabro de um discriminador numa comissão destinada a combater a discriminação contra minorias. Para ele, a verdade é que os manifestantes querem cassar a liberdade de expressão (sic) do pastor, tadinho.

É necessário reaglutinar os setores realmente democráticos da sociedade brasileira sob a bandeira do conceito de universalidade dos direitos humanos, aqueles direitos inerentes a quaisquer indivíduos, não importando sua doutrina ou ideologia, a que partido pertença, em que país viva, seu sexo, etnia, orientação sexual ou crença religiosa.

Vale salientar que o conceito de liberdade de expressão se transformou, na boca de muitos ditos conservadores, num termo bombril que, entre suas mil e uma utilidades, também se presta a passe livre para o incitamento ao ódio a segmentos da população mais vulneráveis, sobretudo os homossexuais. Incitamento ao ódio que conspira – diga-se de passagem - contra a harmonia social e resulta em ações contra os direitos civis de parte da população brasileira. Não custa lembrar que foi com discursos de ódio que os totalitários nazifascistas e comunistas pavimentaram o caminho rumo aos campos de concentração e às execuções em massa de populações por eles estigmatizadas. Palavras não são meras bolhas de sabão. Muitas funcionam como cimento na construção das barbáries várias que mancham a história da humanidade. Basta que elas cheguem ao poder de Estado para que se transformem de opiniões que devemos respeitar, por mais que as detestemos, em ações concretas contra  bodes-expiatórios de ocasião. Há que se refletir sobre isso. 

É certo que o clima para o debate civilizado sobre liberdade de expressão em nosso país está anuviado pelas permanentes ameaças contra a imprensa vindas do PT, de setores da esquerda autoritária e de seus movimentos sociais amestrados, com os tais “marcos regulatórios da mídia”, “democratização das comunicações”, toda essa novilíngua que tenta esconder a simples intenção de censura. Fora todo o contexto latino-americano de claro cerceamento à liberdade de opinião. Entretanto, também é certo que muitos obscurantistas estão se valendo desse mau tempo para sair desopilando seus fígados cirróticos às custas de segmentos da população a que se acostumaram a ver como Genis, contra os quais se pode jogar josta impunemente, sob a desculpa esfarrapada de que o autocontrole imprescindível à vida em sociedade é de fato um cerceamento à liberdade de expressão. Não, não é não. 

Em resumo, a sociedade brasileira engajada em política vive um quadro esquizofrênico. Os direitos humanos foram substituídos pelos direitos dos manos. Se uma causa ou a vítima de alguma violência é tida como de “esquerda”, protestam os que se identificam como de “esquerda”. Os de “direita” se omitem contra os abusos (sobre o caso Feliciano, ouvi de um mané :“essa briga é entre evangélicos e gays, não é minha”,) ou buscam banalizar a violência, ou até justificá-la, ou desmerecer a causa em questão. Se uma causa ou a vítima de alguma violência é tida como de “direita”, protestam os que se identificam como de “direita”. Os de “esquerda” se omitem ou buscam banalizar a violência, ou até justificá-la, ou desmerecer a causa em pauta (“essa Yoani Sánchez é porta-voz da mídia de direita, agente da CIA, mercenária, por isso que se dane se a impedem de falar”). 

Enfim, de verdadeiros defensores dos direitos humanos esses opostos que quase se tocam não têm nada. São consciências fragmentadas atuando em curraizinhos doutrinários e ideológicos na defesa apenas de seus manos de “direita” ou de “esquerda”. Chama a atenção como criticam nos seus opostos o comportamento que é comum a ambos, buscando justificar sua parcialidade no trato da questão dos direitos humanos com base na igual parcialidade de seus inimigos políticos. Esse posicionamento pareceria simples birra de criança mimada não tivesse consequências nada pueris: “como você não é da minha turma, não pensa como eu, não vou defender nada do que você defende”. Se o que um lado ou outro defende tem fundamento não importa porque, como quadrúpedes, os defensores dos direitos dos manos levam viseira e só enxergam numa direção. 

Faz tempo que a consciência dessa esquizofrenia vem crescendo em minha mente e me deixando angustiada pela falta de alternativas a que ela leva o Brasil. Felizmente, parece que não estou sozinha nessa percepção. Nesta última sexta-feira, o jornalista Fernando Gabeira escreveu um artigo para o Estadão, intitulado É o fundo do poço, é o fim do caminho que vai na mesma direção da minha reflexão. Diz o jornalista sobre a nomeação de Feliciano (atentar para meus sublinhados): 

“Não foi um relâmpago em céu azul, mas resultado de um longo processo de degradação que transformou o Congresso desenhado por Niemeyer numa espécie de caverna sombria, com lógica oposta à da sociedade, que a mantém. Ao longo desses anos a comissão sempre foi dirigida pela esquerda. Partidos de outros matizes não se interessam por ela, associando, erradamente, direitos humanos à esquerda. A longa hegemonia de um setor acabou enfraquecendo o tema, uma vez que o viés ideológico tende a enxergar humanidade apenas no seu campo político.

Um grande mérito dos direitos humanos é sua universalidade. São direitos de um indivíduo, não importa a que partido pertença, em que país tenha nascido ou viva. Quando Lula comparou os presos políticos de Cuba aos traficantes do PCC, o movimento não reclamou. Quando comparou os opositores em luta no Irã a torcidas de futebol, novo silêncio. Há pouca solidariedade com as populações que vivem sob o controle armado do tráfico. E uma tendência histórica é ver o policial apenas como um transgressor dos direitos humanos, ignorando até os que morrem em atos de bravura. 

Abandonada pelos grandes partidos, a comissão foi, finalmente, rejeitada pelo PT. A esquerda não compreendeu integralmente o conceito de universalidade e a direita, ao ignorar os direitos humanos, joga fora o bebê com a água de banho.

Não foram nossos erros no movimento de direitos humanos que trouxeram Feliciano ao centro da cena. Ele não chegou ao topo à frente de uma onda racista e anti-homossexual, apesar de suas declarações bombásticas. Ele triunfou porque é cafajeste, e essa condição hoje é indispensável para o ascender no Congresso. Expressa um longo processo de degradação impulsionado pelo PT. 

Exato. Repito e acrescento: a longa hegemonia da esquerda sobre a área dos direitos humanos acabou enfraquecendo o tema, uma vez que o viés ideológico tende a enxergar humanidade apenas no seu campo político. A esquerda não compreende integralmente o conceito de universalidade, e a direita, ao ignorar os direitos humanos, joga fora o bebê com a água suja da bacia. Toda essa situação expressa um longo processo de degradação impulsionado pelo PT, de fato o grande beneficário de toda essa fragmentação das consciências que leva à corrosão das estruturas democráticas.

Basta ver que, por trás das agressões à Yoani Sánchez, esteve o petismo em conluio com o embaixador cubano em nosso país, num atentado à soberania nacional. Basta ver também que foi, principalmente graças à vacância do PT da comissão de direitos humanos, da qual o partido sempre foi titular, em benefício do PSC de Feliciano, que o dito chegou à presidência dessa instância. Que petistas estejam agora participando de protestos contra a presença de Feliciano na comissão de direitos humanos não espanta. À parte seu proverbial cinismo, essas participações também funcionam como cortina de fumaça a escamotear as nomeações dos mensaleiros petistas Genoíno e Paulo Cunha, para a comissão de Justiça e Cidadania, e sobretudo como forma de não perder o controle sobre os movimentos sociais a quem encabrestraram faz tempo. (Nas fotos das manifestações contra Feliciano, viram-se também cartazes contra Renan e Baggi, mas nada sobre Genoíno e Paulo Cunha).

Gabeira termina seu texto desconsolado, dizendo desconhecer como reconstruir a ruína em que se transformou o Congresso Nacional e que estreita o horizonte do país. Concordo que a situação é desoladora, mas prefiro apontar para uma possível solução a mergulhar na desesperança: é necessário reaglutinar os setores realmente democráticos da sociedade brasileira sob a bandeira do conceito de universalidade dos direitos humanos, aqueles direitos inerentes a quaisquer indivíduos, não importando sua doutrina ou ideologia, a que partido pertença, em que país viva, seu sexo, etnia, orientação sexual ou crença religiosa. Salientando que o conceito de universalidade dos direitos humanos não é mero blá-blá-blá a fim de mascarar as desigualdades para eternizá-las e fomentar o conformismo entre os discriminados. Buscar igualdade de oportunidades para todos perante a vida e igualdade perante a lei são essenciais para a efetivação do ideal da universalidade dos direitos humanos.

É imprescindível, portanto, lançar uma ponte sobre as consciências fragmentadas dos participantes desse fla-flu de bregas de esquerda versus jecas de direita, pois estes apenas se retroalimentam dos próprios excessos, hipocrisia, ódio e discórdia às custas do futuro da sociedade brasileira. Não há outra saída.

* Fotomontagem a partir da capa do livro La mente dividida, La Epidemia de los trastornos psicosomáticos

Ex-secretária de Estado Hillary Clinton apoia casamento LGBT

terça-feira, 19 de março de 2013 1 comentários


Em 2008, quando era senadora e disputava a indicação do Partido Democrata às eleições presidenciais, ela havia manifestado posição diferente sobre o tema.

A ex-secretária de Estado americana Hillary Clinton, possível candidata presidencial em 2016, disse que apoia o direito de gays norte-americanos se casarem. Em um vídeo gravado para o grupo Human Rights Campaing de defesa dos direitos dos gays, Hillary disse que apoiava o casamento gay "pessoalmente e como uma questão de política e de lei".

Norte-americanos gays, lésbicas, bissexuais ou transexuais "são nossos colegas, nossos professores, nossos soldados, nossos amigos, nossos entes queridos, e são cidadãos iguais e plenos e merecem os direitos da cidadania. Isso inclui o casamento", disse Hillary.

As declarações apontam uma mudança de discurso, uma vez que em 2008 Hillary se opôs ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Naquele ano, quando disputou as primárias democratas, mas acabou não sendo indicada como candidata presidencial do partido, ela afirmou que apoiava as uniões civis para homossexuais, mas que as decisões sobre a legalidade do casamento deveriam ficar a cargo dos estados.

Até o ano passado, o presidente Barack Obama tinha posição semelhante. Em maio, no entanto, declarou publicamente seu apoio ao casamento gay, que é permitido em nove estados americanos e na capital Washington.

No início deste mês, o marido de Hillary, o ex-presidente Bill Clinton, também comentou a questão, dizendo que a lei que ele assinou em 1996 definindo o casamento como entre um homem e uma mulher era inconstitucional e deveria ser derrubada.

O Partido Republicano se opôs ao casamento gay em sua plataforma da convenção do ano passado, mas alguns republicanos famosos discordaram. Entre eles o senador por Ohio Rob Portman, que na sexta-feira tornou-se o parlamentar republicano mais proeminente a respaldar o casamento gay – segundo ele, porque seu filho é homossexual. Líderes republicanos, no entanto, foram rápidos em reiterar sua oposição ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Explicando como sua opinião tinha mudado, Hillary mencionou seu trabalho na área de direitos humanos durante seus quatro anos como a principal diplomata dos EUA e sua própria crença. Ela também citou a felicidade que ela e o marido sentiram quando a filha deles, Chelsea Clinton, se casou alguns anos atrás. "Desejo que todos os pais sintam aquela mesma alegria", disse.

Fonte: Veja Online e Human Rights Campaign

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