O aparelho de dentes

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012 0 comentários

Beija-lhe as partes todas e no seu regaço, banhado de prazer,
mergulha os dedos cúpidos, a língua voraz.

Por Stella Ferraz

A última visita despediu-se já noite alta, agradecendo uma vez mais o convite para o sarau. Ao retornar, a dona da casa passou pela sala recolhendo os derradeiros copos, os cinzeiros cheios, indagando aos gatos quem a haveria de ajudar. Na cozinha, empilhados os pratos à espera da água e do sabão.

Toca a campainha. Uma, duas vezes com urgência.

Quem seria? Se pergunta a dona. Uma esquecida decerto, que de tudo se esquecem em sua casa. Como aquele aparelho de dentes que a empregada, bissexta no arrastar dos móveis, achou sob o sofá. De quem seria?

“Já vai”, diz a dona da casa, falando de dentro. Entre o tocar a campainha e o abrir o portão vai toda a distância de um quintal comprido, alumiado por tochas e transbordante de plantas. “Já vai”, avisa a dona. Não com um grito, mas num sussurro escancarado, porque é noite alta e a vizinhança dorme. Lá no céu daquela sexta-feira, 13 nos dias do mês e segunda nas feiras de sexta, impera alta e cheia a lua.

Aberto o portão, atrás da folhagem densa e vasta que encobre a entrada, uma figura jovem, elegante e muito branca se apresenta.

“Vim buscar meu aparelho de dente”, demanda sem aspereza, numa voz que é mais um pedido de doce exigência.

A dona da casa que aqui dispensa o nome, porque é sabidamente a dona, por termo passado e lavrado em cartório, olha incrédula a figura atraente que tem por diante. Não se recorda de sarau que a jovem houvesse frequentado, poema que houvesse lido, música que tocasse ou palmas que batesse emocionada.

“Meu aparelho de dente”, insta a jovem de olhos súplices postos na dona da casa, que vencida pelo rogo, se esquece de inquirir o básico, qual seja: quem seja que lhe bate à porta. Começa por lhe abrir o portão, depois leva-la à porta, introduz à sala, encaminha pelo corredor e com ela adentra o quarto onde jaz sobre o criado mudo calado e aguardante o aparelho de dente.

A jovem se lança sobre o objeto com a sofreguidão de quem há muito o procura.

“Preciso dele para que meus dentes fiquem direitos” confessa num sorriso tímido a mostrar magnífica a dentadura sem falhas, os dentes, os de cima e os de baixo, alvos, circundados pelos caninos, domados dentro da branca fileira.

Com cuidado a jovem envolve o aparelho num guardanapo que solícita lhe oferece a dona da casa. E guardado o objeto, à dona da casa volve sua atenção. Os olhos antes tímidos transmudam-se em sedução e brilho como se só agora pudessem notar a dona em cuja casa estava. E a anotar cada traço de sua tez, os olhos doces, a pele pálida, jamais tanto quanto a sua, as mãos pequenas, as covinhas graciosas no rosto.

Num gesto delicado, passa-lhe a mão pela face, desce-a pelo pescoço, acaricia-lhe a nuca, que essa dona de casa é especial, não somente por lhe entregar seu aparelho, mas por guardá-lo com apreço longe da poeira.

O gesto delicado, falou-se em delicado?, delicado fora, pois agora se reveste de um calor intenso que seduz imperioso a dona da casa, lhe inunda a fronte, umedece as mãos, desce por entre os seios, tropeça no umbigo e se instala fremente e pulsante entre as pernas. A dona da casa sente arder em si o desejo de que algo aconteça e em acontecendo se faça sempre e mais e fundo.

A jovem a toma nos braços, nos seus roça os lábios, beija-lhe os cabelos, suspira resignada junto ao pescoço, tenro e saboroso, por onde vê pulsar quente e desavisada uma veia. Freme o desejo de si e de seus dentes que um dia ainda hão de ser magníficos e contundentes, por obra e graça do aparelho.
Despe-lhe à dona da casa o suéter e com dedos vorazes e língua cúpida ganha seu colo, diverte-se em saborear os mamilos escuros e doces, tesos de querer mais. Com eles brinca os dedos, confere sua leveza e seu ardor e desce, desce sempre, gozando das delícias da forma, do veludo da pele, do latejar da carne, desnudando, retirando à dona da casa o pouco que lhe resta até restar à dona tão nua e ardente apenas o seu muito querer.

Beija-lhe as partes todas e no seu regaço, banhado de prazer, mergulha os dedos cúpidos, a língua voraz. E beija e mordisca, e lambe e abraça, arredonda nos lábios o que de mais caro há para a dona da casa que em tremores de gozo se abre por inteira. E geme e chora e pede sempre mais, até saciar-se num cansaço prazeroso.

E aí e então entra por uma fresta o primeiro raio de sol. O abraço caloroso se esvaece e se transforma abrupto num ruído de asas a bater-se contra a janela até achar um canto por onde fugir dos gatos que se aproximam ameaçadores. Mas a dona da casa nada vê, pois, saciada e quieta, dorme o sono de quem sabe cuidar dos objetos dos outros.

Stella C. Ferraz é autora dos romances lésbicos Preciso te ver, A Vilas das Meninas e Pássaro Rebelde, publicados pela ed. Brasiliense.  Originalmente publicado no site Um Outro Olhar e 25/10/05.                  

Papa hipócrita prega a paz enquanto promove o ódio discriminatório

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012 0 comentários



Destaque: Papa reitera que o casamento é entre homem e mulher e pede a católicos que defendam a instituição contra as intenções de equipará-la com formas radicalmente opostas de união que, na realidade, prejudicam-na e contribuem para sua desestabilização. (fonte: site Terra, Sociedade).

Papa diz que aborto, eutanásia e casamento gay afetam a paz mundial


Afirmações estão em discurso pela Jornada Mundial da Paz. 'Quem quer a paz não pode tolerar atentados e delitos contra a vida', disse.

O Papa Bento XVI atacou o aborto, o casamento gay e a eutanásia, que segundo o pontífice colocam em perigo a paz, na mensagem que será lida no primeiro dia do ano por ocasião da Jornada Mundial da Paz, divulgada com antecedência pelo Vaticano.

"Os que trabalham pela paz são os que amam, defendem e promovem a vida em sua integridade", escreveu o papa na mensagem que será lida em todas as paróquias no dia 1º de janeiro de 2013.

"Aqueles que não apreciam suficientemente o valor da vida humana e, em consequência, defendem por exemplo a liberação do aborto, talvez não percebam que, deste modo, propõem a busca de uma paz ilusória. (...) A morte de um ser inerme e inocente nunca poderá trazer felicidade ou paz", afirma o Papa.

"Quem quer a paz não pode tolerar atentados e delitos contra a vida", completou.

"Qualquer agressão à vida, em especial em sua origem, provoca inevitavelmente danos irreparáveis ao desenvolvimento, à paz e ao meio ambiente", diz o pontífice.

"Como é possível pretender conseguir a paz, o desenvolvimento integral dos povos ou a própria salvaguarda do ambiente, sem que seja tutelado o direito à vida dos mais frágeis, começando pelos que ainda não nasceram?", questiona o chefe da Igreja Católica.

"Tampouco é justo codificar de maneira sub-reptícia falsos direitos ou liberdades, que, baseados em uma visão reducionista e relativista do ser humano, e por meio do uso hábil de expressões ambíguas encaminhadas a favorecer um suposto direito ao aborto e à eutanásia, ameaçam o direito fundamental à vida", adverte.

Na mensagem, o Papa elogia os "artesãos da paz" e pede a construção da paz "por meio de um novo modelo de desenvolvimento e de economia".

Bento XVI afirma que "para sair da atual crise financeira e econômica, que tem como efeito um aumento das desigualdades, são necessárias pessoas, grupos e instituições que promovam a vida, favorecendo a criatividade humana para aproveitar inclusive a crise como uma oportunidade de discernimento e um novo modelo econômico".

Ele convida os católicos a "atender à crise alimentar, muito mais grave que a financeira" e a apoiar os agricultores para que desenvolvam sua atividade "de modo digno e sustentável".

O Papa reitera na mensagem que "a paz não é um sonho, não é uma utopia: é possível".

Fonte: G1

Relator favorável a projeto de cura gay quer debater assunto na Internet por vídeochat

terça-feira, 18 de dezembro de 2012 1 comentários

Roberto de Lucena
Arquivo/ Saulo Cruz - Roberto de Lucena, relator da proposta,
vai participar de debate com os internautas.

Destaque: A Coordenação de Participação Popular da Câmara vai promover um videochat pela internet na próxima quinta-feira (20), às 16 horas, para que os cidadãos possam debater o projeto sobre a possibilidade de atendimento psicológico aos homossexuais insatisfeitos com sua opção sexual. Para participar do videochat, acesse o banner no portal Câmara Notícias. O link estará disponível apenas no horário do bate-papo.

No mesmo dia, às 20 horas, Lucena estará na bancada do jornal Câmara Hoje, na TV Câmara, para fazer um balanço da discussão com os internautas.

Câmara promove bate-papo na internet sobre psicologia e orientação sexual


A Coordenação de Participação Popular da Câmara vai promover um videochat pela internet na próxima quinta-feira (20), às 16 horas, para que os cidadãos possam debater o projeto sobre a possibilidade de atendimento psicológico aos homossexuais insatisfeitos com sua opção sexual. O debate será feito com o relator da proposta na Comissão de Seguridade Social e Família, deputado Roberto de Lucena (PV-SP). No mesmo dia, às 20 horas, Lucena estará na bancada do jornal Câmara Hoje, na TV Câmara, para fazer um balanço da discussão com os internautas.

Como o projeto ainda não foi votado pela comissão, este é o momento em que o relator pode ouvir a sociedade e acatar sugestões de mudanças no texto. Para participar do videochat, acesse o banner no portal Câmara Notícias. O link estará disponível apenas no horário do bate-papo.

Restrição ao atendimento psicológico
O Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 234/11, do deputado João Campos (PSDB-GO), susta a aplicação de dois dispositivos da Resolução 1/99 do Conselho Federal de Psicologia que orientam os profissionais da área: o primeiro deles diz que os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura da homossexualidade. O segundo determina que os psicólogos não se pronunciarão publicamente de modo a reforçar os preconceitos em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.

Para João Campos, ao proibir os psicólogos de colaborar com serviços que proponham o tratamento da homossexualidade, o conselho está restringindo o direito de o paciente homossexual insatisfeito com sua condição receber atendimento psicológico, quando o solicitar. Campos também avalia que a resolução ofende o princípio constitucional da liberdade de expressão, ao impedir o psicólogo de se pronunciar publicamente.

O projeto mantém o artigo da resolução que determina que “os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados”.

Relator é favorável
O relator, deputado Roberto de Lucena, é favorável à proposta. Ele argumenta que ela se originou de queixas de profissionais que têm sido levados a julgamento no Conselho de Ética de seu órgão de classe quando atendem pessoas egodistônicas – cuja sexualidade não está em conformidade com sua personalidade.

“Não tem cabimento uma lei proibir as pessoas de fazerem as mudanças que elas mesmas desejam em suas vidas, independentemente de serem na área sexual ou não. Também não há cabimento para a proibição de profissionais atenderem a essa demanda”, afirma Lucena. “Se determinado cidadão de orientação heterossexual, em conflito com a sua heterossexualidade, desejar ajuda por definir-se pela homossexualidade, o psicólogo poderá livremente atendê-lo em sua solicitação. No entanto, o sentido contrário não é permitido”, argumenta.

Para Roberto de Lucena, a resolução do conselho também é ilegal, pois a Constituição garante o livre exercício profissional, desde que atendidas as qualificações impostas por lei. “Logo, as restrições ao exercício profissional devem ser impostas única e exclusivamente por lei, e não por resolução de conselho”, explica. A Lei 4.119/62 garante ao psicólogo o direito de “utilizar métodos e técnicas psicológicas para solucionar problemas de ajustamento.” “Assim, nesse caso há um conflito de normas, e a norma superior deve prevalecer sobre a inferior”, observa o deputado.

Tramitação
O projeto será examinado pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania (inclusive no mérito) e votado pelo Plenário.

Íntegra da proposta:
Reportagem – Patricia Roedel 
Edição – João Pitella Junior

Fonte: Agência Câmara Notícias

Bela crônica sobre o casamento LGBT: Cartas de Seattle: Fazendo história ao dizer 'sim'

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012 0 comentários

Recém-casadas - Foto: Matt Stopera/ BuzzFeed

Por Melissa de Andrade

Domingo passado foi um dia histórico em Seattle. Centenas de casais puderam se olhar nos olhos e dizer “sim”. Sim, eu aceito me casar com a pessoa que eu amo.

Eles vão poder contar que se casaram no primeiro dia em que o casamento igualitário foi permitido no estado de Washington, onde fica Seattle. A prefeitura ficou lotada de gente que está junto há 50 anos, 42 anos, 35 anos, 28 anos, 13 anos... e só pôde se casar agora. Felicidade transbordando no ar.

Muitos curiosos foram prestar o seu apoio e ofereceram mimos, flores, aplausos e parabéns. O prefeito Mike McGinn engrossou o coro: "Ei, resto do país: juntem-se a nós. Não há nada além de amor e felicidade acontecendo por aqui”.

A celebração tomou conta da cidade, com casais comemorando nas ruas e aproveitando descontos oferecidos por restaurantes a quem mostrasse a Certidão de Casamento novinha em folha.

Num dos teatros imponentes da cidade, o Paramount, teve festa de casamento conjunta de graça com direito a valsa e bolo. Nome do evento, bem apropriado: O Amor Triunfa – Recepção de Casamento para todos.

Terry Gilbert, à esquerda, e Paul Beppler depois do casamento 
Tá bom, admito, é um pouco brega, embora soe melhor em inglês. Mas amor tem dessas coisas.

O dia oficial foi domingo, mas a festa se iniciou na frente da Prefeitura no fim da tarde da quarta-feira, quando uma fila começou a ser formada. É que na quinta, dia 6, entrou em vigor a lei que permite que casais do mesmo sexo possam se casar. E as licenças começaram a ser emitidas à 0h da quinta.

Por que a pressa? “Esses casais já esperaram demais por este momento”, disse o representante do Condado de King, de que Seattle faz parte, Dow Constantine. Quando o expediente se encerrou, às 18h, mais de 800 casais tinham em mãos a tão esperada autorização para se casar.

As licenças foram emitidas na quinta, mas como o estado exige o prazo de três dias a partir da emissão, os casamentos mesmo só aconteceram no domingo. Mais horário especial, voluntários para atender tanta gente, sorrisos de sobra, lágrimas e muitos aplausos.

Para os que aceitam tudo menos o casamento entre casais homossexuais, houve uma abundância de depoimentos sobre como este dia foi significativo e como eles se sentem mais cidadãos agora (e não cidadãos de segunda classe, como definiu um deles). Esse reconhecimento atraiu até casais do estado vizinho do Oregon.

Poder dizer “sim” pode fazer de um dia um dos mais felizes da sua vida.

Melissa de Andrade é jornalista com mestrado em Negócios Digitais no Reino Unido. Ama teatro, gérberas cor de laranja e seus três gatinhos.

Atua como estrategista de Conteúdo e de Mídias Sociais em Seattle, de onde mantém o blog Preview e, às sextas, escreve para o Blog do Noblat.

Fonte: Blog do Noblat

Corregedoria do TJ regulamenta casamento gay no Piauí

sábado, 15 de dezembro de 2012 0 comentários

Desembargador entrega documento para Marinalva Santana  - Foto: Corregedoria TJ/PI

Destaque: Com a decisão, o Piauí se insere na lista de Estados que já possuem regulamentação para o casamento de pessoas do mesmo sexo, como a Bahia, São Paulo e Alagoas.

A norma do TJ-PI possui efeito vinculante. Desta forma, todos os pedidos que chegam aos cartórios piauienses deixam de depender do entendimento individual de cada juiz e passam a obedecer aos critérios estabelecidos pelo provimento.

Corregedoria do TJ regulamenta casamento gay no Piauí

Desembargador Francisco Antônio Paes Landim Filho assinou provimento com regras para o casamento gay

O dia 5 de maio de 2011 foi de grande relevância para a comunidade GLBT brasileira. Naquela data, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, em decisão unânime, a equiparação da união homossexual à união heterossexual.

A histórica sessão no STF, marcada por aproximadamente cinco horas de acalorados debates, foi concluída com o voto do então presidente da Corte Superior, ministro Cezar Peluso.

Mais de um ano depois, uma nova decisão judicial é comemorada pelo segmento gay no Piauí. Nesta sexta-feira, o desembargador Francisco Antônio Paes Landim Filho, corregedor geral de Justiça do Piauí, assinou o provimento que traz as normas de como os casais homoafetivos devem proceder quando desejarem converter a união estável em casamento ou se habilitarem diretamente para o matrimônio.

O provimento é uma resposta à solicitação feita em junho deste ano pelo Grupo Matizes, entidade piauiense que defende o direito da população LGBT.

Com a decisão, o Piauí se insere na lista de Estados que já possuem regulamentação para o casamento de pessoas do mesmo sexo, como a Bahia, São Paulo e Alagoas.

A norma do TJ-PI possui efeito vinculante. Desta forma, todos os pedidos que chegam aos cartórios piauienses deixam de depender do entendimento individual de cada juiz e passam a obedecer aos critérios estabelecidos pelo provimento.

Após a assinatura, o desembargador Francisco Antonio Paes Landim Filho entregou solenemente a cópia do ato administrativo à coordenadora de imprensa do Matizes, Marinalva Santana. Para ela, a resposta do órgão foi "rápida, acertada e inteligente".

Na ocasião, Marinalva formulou convite para que o magistrado fosse o padrinho dos casais de gays e lésbicas que celebrarão suas uniões em uma solenidade pública programada para o início de 2013. "Faremos uma festa bonita e vamos aplaudi-lo com entusiasmo por essa decisão. Atos assim contribuem enormemente para combater a discriminação e igualar as pessoas", ressaltou Marinalva.

O provimento que regulamenta o casamento gay no Piauí deve ser publicado na próxima edição do Diário da Justiça, com a numeração 24/2012.

Fonte: Portal O Dia.com

Deputados aprovam casamento gay no Uruguai

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012 1 comentários

Lei segue para o Senado, onde também deve passar, e entrar em vigor em 2013
Ativista faz manifestação a favor do casamento entre homossexuais em Montevidéu
Ativista faz manifestação a favor do casamento entre homossexuais em Montevidéu (Pablo Porciuncula/AFP)
A Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou nesta terça-feira por uma grande maioria o projeto de lei do casamento igualitário, que autoriza e equipara em nome, direitos e obrigações as uniões de casais homossexuais às celebradas entre heterossexuais. A lei foi aceita com 81 dos 87 votos possíveis depois que o projeto da Frente Ampla, que tem maioria na câmera baixa, alcançou o apoio de vários legisladores dos partidos opositores Nacional e Colorado.
A norma aprovada minutos após a meia-noite deverá ser ratificada pelo Senado, onde o governo também tem maioria, e depois promulgada pelo Executivo, o que pode acontecer no início de 2013. O projeto, que consta de 29 artigos, assinala expressamente que o Código Civil considerará como casamento "a união permanente entre duas pessoas do mesmo ou de diferente sexo", pelo que aos casais formados por dois homens ou duas mulheres serão aplicadas as mesmas normas que aos integrados por um homem e uma mulher.
"Esta lei alcança uma verdadeira igualdade entre todos os cidadãos e afirma essa igualdade, já que todos somos diversos e todos somos iguais diante dela", indicou o deputado da Frente Ampla Julio Bango, encarregado de apresentar o projeto.
O aspecto mais chamativo da nova norma será a regulamentação sobre a ordem dos sobrenomes dos filhos, o que afetará também os casais heterossexuais. Em vez de o sobrenome paterno ser colocado em primeiro lugar, a lei prevê a possibilidade de os casais heterossexuais optarem por qualquer ordem, assim como farão os homossexuais.
Críticas – Entre os críticos da iniciativa está a Igreja Católica uruguaia, segundo a qual a palavra "casamento" só pode referir-se à "união estável entre homem e mulher, capazes de ato conjugal com transmissão da vida e baseado no contrato de mútua pertinência", como indicou a igreja nos últimos dias.
Recentemente, o Uruguai aprovou outro projeto liberal, o que discriminaliza o aborto. Aprovada em outubro, a lei que premite a uruguaias interromper a gravidez entrou em vigorna semana passada.
(Com agência EFE)

Fonte: Veja (site)

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