Um Outro Olhar
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
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A organização All Out informa que, em São Petersburgo, na Rússia, dentro de uma semana, poderá ser aprovada uma lei inacreditável (de 11 Novembro 2011)que tornará crime ler, escrever, falar ou discutir qualquer assunto relacionado a LGBT.
A organização informa ter feito uma mobilização inicial contra a lei, com o apoio de 270 mil pessoas que, entre outras coisas, telefonaram para autoridades estrangeiras pressionando os governos ao redor do mundo a condenar o projeto discriminatório.
Dando continuidade à mobilização, a All Out agora está promovendo um abaixo-assinado internacional contra a lei que consiste em declarar que, se a lei for aprovada, o/a signatário(a) não irá mais visitar São Petersburgo!
O protesto visa "ameaçar" o turismo da cidade, pressionando o executivo local a vetar a lei a fim de não ver a imagem de sua cidade cosmopolita manchada pela nódoa discriminatória. O texto do abaixo-assinado diz resumidamente o seguinte:
Ao Governador Poltavchenko, de São Petersburgo, Federação Russa
Solicitamos à Vossa Excelência, governador da cidade de Tchaikovsky e janela russa para o ocidente, que vete este projeto de lei draconiano que poderá calar as vozes de todos os russos. A Rússia é um país forte e independente, mas nós todos vivemos num mundo globalizado. Se este projeto de lei for aprovado, não mais visitarei São Petersburgo e recomendarei a todos meus amigos e conhecidos que façam o mesmo. Governor Poltavchenko - Não ratifique esta lei.
Um Outro Olhar
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
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Nos EUA e alguns países europeus, o dia dos namorados é comemorado em 14 de fevereiro como referência ao festival romano de Lupercalia, em honra do deus Lupercus que protegia as colheitas e defendia o rebanho contra os lobos, e do santo cristão Valentino. Por causa do santo inclusive, esse dia dos namorados é conhecido como Valentine's Day, dia de Valentino.
Então, para comemorar o dia do amor e do afeto, a Benetton fez um anúncio que celebra a diversidade das expressões amorosas, incluindo um casal de mulheres. Os casais parecem deitados sobre o que parecem ser pétalas de rosas vermelhas a la Beleza Americana, o famoso filme de Sam Mendes (veja a foto). Delicado e bonito. Aprecie sem moderação.
Um Outro Olhar
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
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O texto abaixo foi publicado na revista Um Outro Olhar em 2002 quando a vampiromania estava se iniciando. Dez anos depois, os adolescentes fizeram da saga Crepúsculo um dos maiores sucessos de bilheteria do cinema enquanto os adultos se amarraram no sangue e no sexo dos luxuriosos vampiros da série True Blood.Em Vampirismo lésbico: loucas por sangue menstrual, a autora faz um resgate da ligação entre o vampirismo e a lesbianidade, com destaque para a história de Fome de Viver (The Hunger), onde a vampira Míriam seduz a geneticista Sarah. Acompanha dois vídeos com a cena de sedução e link para baixar o filmaço (NE).
Autor(a):Paola Patassini
"Vamos ceder enfim à tentação das nossas bocas cruas e mergulhar no poço escuro de nósduas vamos viver agonizando uma paixão vadia, maravilhosa e transbordante feito uma hemorragia/'... ("Bárbara" de Chico Buarque de Holanda e Rui Guerra)
Vampiro continua mais do que nunca na moda. Assunto de revistas, filmes, Livros, de seriados como Buffy, a caça-vampiros, de sites, de Halloweens... e, recentemente, até de uma novela da Rede Globo. Mas o que costuma prevalecer em grande parte da literatura que cerca o tema é uma ótica unilateral heterossexual. Sabemos que sempre existe um outro olhar... No contexto homoerótico do vampirismo feminino, esse olhar é aquele da vampira predadora sobre sua "presa", feita objeto de seu desejo, em um clima denso e sexual que evoca muito do estilo de vida sadomasoquista, misturando dor e prazer na mesma receita sensual de entrega e posse...
Falar do vampirismo lésbico significa também falar do papel do sangue na afetividade entre as mulheres. Fundamentalmente do sangue como alimento e desejo. O desejo de se alimentar da mesma, do manancial fluido da fonte feminina: a seiva da flor e suas metáforas. A alimentação vampiresca é cíclica e sanguínea, afinada com as simbologias do ciclo menstrual, principalmente porque ocorre sempre à noite no domínio lunar, lembrando que a palavra menstruação significa "mudança de lua".
Cenas famosas de vampirismo no cinema, inspiradas em romances, onde o vampiro ou a vampira penetra um belo pescoço de mulher com suas pontiagudas presas, fazendo-o sangrar numa densa hemorragia, são reconhecidas por seu forte apelo erótico, remontando à equação vulva-garganta/menstruação-sangue... Sangue e garganta evocam claramente simbologias sanguíneo-uterinas. A garganta corresponde simbolicamente ora à vulva ora à vagina ou ao útero em inúmeras culturas e na própria história da psicanálise e da medicina na relação com a histeria.
A fome da vampira, que se sacia sorvendo voluptuosamente o sangue de outra mulher, talvez oculte outra fome comandada pelo ritmo lunar e os ciclos menstruais do universo feminino. O apetite erótico ou o desejo da mulher pela mulher consiste no núcleo do "vampirismo lésbico" que carrega uma fome gulosa da mulher: seu sexo, ovários, útero e sangue, inclusive menstrual, como uma metáfora da potencialização do feminino na soma dos duplos do mesmo sexo, multiplicando a mulher para a mulher, pela via simbólica do sangue.
Bram Stoker teria se inspirado, para a criação literária do seu Drácula, na vampira Carmilla, que o fascinou, de um conto de seu conterrâneo e contemporâneo Sheridan Lê Fanu, publicado em 1872 na antologia In a Glass Darkly. Uma história clássica de vampirismo com conotações lesbianas. Na literatura, que contextualiza o vampirismo lésbico, encontramos esse jogo dos duplos femininos potencializados no intramundo mítico da (homo)sexualidade feminina. Outro exemplo é o clássico poema Crístabell, de Coleridge, em que a vampira Geraldine seduz e se apossa da jovem Cristabell.
Por sua vez, atraente para homens e mulheres, Vampirella, personagem de histórias em quadrinho criada por Forrest J. Ackerman, em 1969, é uma versão vampiresca de Barbarella, na qual o autor se inspirou. Teve seu auge nos anos 70 e voltou a ser redescoberta nos anos 90, inclusive no Brasil e na Internet, espaço de Vampirellas virtuais que aparecem com esse nome em e-mails e chats. As histórias de Vampirella com parcerias femininas foram as que mais venderam nas décadas de 80 e 90, segundo inúmeros endereços na Web com páginas sobre a sexy predadora. Alguns exemplos: Vampirella.comOmelete
Uma das mais importantes versões do vampirismo lésbico pode ser analisada em Fome de Viver (The Hunger, 1983), de Tony Scott, baseado no romance homônimo de Whitley Strieber. Trata-se de um dos mais belos filmes de vampiro já feitos, locado no cenário punk nova-iorquino dos anos oitenta e interpretado por Catherine Deneuve, como a vampira bissexual Míriam Blaylock, David Bowie, como seu marido John Blaylock, e Susan Sarandon como a médica geneticista Sarah Roberts. O filme e o livro original de certa forma reforçam o imaginário da lésbica como extirpadora da vida, geradora de antifetos.
Míriam seduz Sarah, tocando uma música ao piano que fala de duas mulheres: uma princesa indiana, Lakmé, e sua escrava Mallika. Princesa e escrava cantam num jardim mágico, seguindo o curso de um rio de águas brilhantes. Trata-se de uma cena da ópera Lakmé, de Léo Delibes (1836-1891). Sarah percebe a conotação amorosa e sensual da imagem traduzida por Míriam e se deixa seduzir pelas águas fluidas e poéticas da bela e elegante vampira. Encanta-se com a fluidez aquática que é invocada de suas profundezas míticas e cíclicas enquanto Míriam a seduz como uma sereia, imperando sob o Eros de sua feminilidade. O desejo se traduz na umidade líquida feminina, na qual as águas são espelhos lunares que se projetam nas marés, em ondas de prazer. Míriam oferece a Sarah uma bebida vermelha: um cherry brand que mancha a blusa branca de sua seduzida, na altura de um dos seios... O vermelho e o branco, a inocência e o desejo...
Quando se relaciona sexualmente com Sarah, leva-a a sorver seu sangue e se apossa dela inteiramente, escravizando-a, tornando-a dependente de um alimento incomum. Elas passam a se pertencer, numa simbiose sanguínea. Eroticamente, somam seus femininos rios vermelhos. Trata-se do rio menstrual-lunar que as irmana numa mesma corrente sanguínea, em que trafegam representando a rainha egípcia e sua escrava Mallika. Afinal, que sangue é esse, sob o ponto de vista simbólico, que circula em comum, no corpo das duas mulheres, alternando seus ciclos alimentares e gerando tanta fome de vida? Qual o significado do sangue em comum entre as mulheres, capaz de conferir-lhes a proximidade com a morte e com a perpetuação da espécie, que não o menstrual? Míriam brinda a iniciação de Sarah, quando esta faz sua primeira vítima para se alimentar de seu sangue, mais uma vez com uma bebida vermelha, provavelmente o cherry brand. Promete amor eterno e as duas se acariciam. O amuleto que Míriam usa, pendurado no pescoço, é fálico e, enquanto elas se abraçam e se beijam, Sarah o finca na própria garganta, gerando uma hemorragia que transborda em suas bocas... Conforme já se observou, a garganta, a "goela" onde Sarah finca o amuleto, tem afinidades simbólicas com a vulva.
No vampirismo lésbico, encontramos uma comunhão menstrual entre as mulheres, energizada pela paixão, mais um dos significados do sangue. Tal comunhão é uma aliança circular, útero-ovariana, em que a mulher se reconhece pela mesma. No domínio da sexualidade, a simbologia do vampirismo lésbico adquire outras significações quando deparamos com a Grande Mãe - enquanto manancial fluido feminino - como fonte inesgotável de alimento e de vida, cercada pelas filhas de Lesbos em seus rituais de amores sáficos. E a mulher de vivência lesbiana, na linguagem simbólica da literatura sobre o vampirismo lésbico, parece buscar na própria mulher o encontro energizante da vida, ainda que carregue em sua forma de amar os estigmas da diferença, dos seres malditos e postos à margem da vida por um sistema dominante, alheio às suas necessidades afetivas.
Para saber mais:
Dark Angels, Lesbian Vampire Stories, de Pam Keesey (dá para encomendar pela www.amazon.com)
Fome de Viver, nas locadoras.Também foi publicado no Brasil o romance que deu origem ao livro. Também ainda dá para fazer download do filme no FileServe. Acesse aqui.
Carmilla, Sheridan Lê Fanu. Consultar nas livrarias, pois a primeira edição brasileira é bem antiga.
Fonte: Revista Um Outro Olhar, Edição 38, 2002, p. 26. Edição para o UOO online, 17/04/2008
Abaixo a cena do filme The Hunger (Fome de Viver) com Catherine Deneuve e Susan Sarandon em que as duas personagens que interpretam fazem amor. O filme é um clássico do gênero e a cena entre as protagonistas, antológica. Vale (re)ver.
Um Outro Olhar
sábado, 18 de fevereiro de 2012
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Caetano Veloso a favor
do casamento LGBT
A partir do próximo mês, nas redes sociais, serão veiculados vídeos, com depoimentos de celebridades, a favor da proposta de emenda constitucional que permite o casamento civil de homossexuais, elaborada pelo deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ). Por enquanto, Chico Buarque, Sandra de Sá, Zélia Duncan e a atriz Arlete Sales já gravaram suas falas.
Agora, segundo Leonel Rocha, da coluna Felipe Paturi (Época), Caetano Veloso também se comprometeu a dar seu depoimento pró-LGBT. O projeto precisa de mais 70 assinaturas de parlamentares para começar a tramitar nas comissões técnicas da Câmara.
Do jeito que os conservadores religiosos andam ensandecidos e o governo cedendo às pressões dos mesmos, não vai ser nada fácil. Mas é muito gratificante saber que medalhões de nossa música, como o mano Caetano, apoiam as tentativas de trazer um pouco de modernidade ao Brasil.
Um Outro Olhar
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
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Apesar dos esforços do grupo Matizes para que a Justiça do Piauí reconhecesse o casamento entre casais homossexuais, a Corregedoria Geral de Justiça do Piauí publicou nesta quarta-feira (15) o Provimento nº 04/2012, que disciplina apenas a escrituração de união estável homoafetiva. O documento, assinado pela Desembargadora Eulália Maria Pinheiro, foi produzido após a negativa do pedido feito pelo Grupo Matizes para regulamentar a conversão de união estável entre pessoas do mesmo sexo em casamento, bem como a habilitação direta para o casamento entre gays e lésbicas.
Para Marinalva Santana, militante do Matizes, o Provimento da Corregedoria apenas regulamenta algo que já é feito na prática pelos Cartórios no Piauí. "Aqui, em Teresina, os tabelionatos já fazem escritura pública para registro de uniões entre pessoas do mesmo sexo há algum tempo. No Cartório do 3º Ofício, por exemplo, já foram lavradas, aproximadamente, 25 escrituras públicas, de maio de 2011 até agora", pontua Marinalva.
Em vários estados do Brasil já existem decisões judiciais autorizando o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Por isso, o Matizes está orientando casais de gays e lésbicas a baterem às portas do Judiciário para conseguirem esse direito. Em Alagoas, por exemplo, a Corregedoria já baixou, inclusive, um provimento regulamentando essa questão.
"Nossa expectativa era que a Corregedoria de Justiça do Piauí também disciplinasse o procedimento a ser adotado nos pedidos de habilitação para o casamento homoafetivo, mas, infelizmente, isso não aconteceu. Por isso, disponibilizaremos apoio jurídico para casais interessados em requerer esse direito", finaliza a militante do Matizes.
Um Outro Olhar
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
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Autora: Míriam Martinho
Coming outof the closet é a expressão em inglês que, na tradução para o português, virou o célebre "sair do armário". "Sair do armário" é quando uma pessoa decide assumir sua homossexualidade ou qualquer outra preferência sexual não-ortodoxa publicamente.
Outing, por sua vez, é a expressão também em inglês que designa o ato de tirar alguém do armário à revelia. Ação política controversa, pois implica expor a privacidade alheia, ela divide opiniões em sua aplicação, mas vem sendo utilizada cada vez mais em todo o mundo.
Para alguns ativistas LGBT, o outing deveria ser feito com tod@s @s enrustid@s, pois eles contribuem pouco ou nada para o avanço dos direitos humanos LGBT, embora se beneficiem imensamente dos ganhos conquistados pelos que tiveram a coragem de se assumir.
O argumento é consistente, mas esbarra no fato de que as pessoas dependem de empregos para sobreviver, e a homossexualidade, ou qualquer outra atividade sexual diferente da heteronormalidade tradicional, pode ainda ser motivo de demissão no trabalho, pode criar problemas na relação da pessoa com a família e mesmo em seu círculo pessoal de socialização.
Por essa razão, o outing indiscriminado, mesmo de celebridades, não costuma ser bem aceito. Prefere-se incentivar as pessoas a que se assumam espontaneamente no seu ritmo de auto-aceitação para que o sair do armário se dê com o mínimo de problemas em relação ao entorno de cada um(a).
Entretanto, há uma variante do outing que tem ganho cada vez mais adeptos: o outing de pessoas que, embora pertencentes a minorias sexuais, atuam contra os direitos dessas minorias ou contra membros dessas minorias, por razões pessoais egoístas, como ascender na carreira, ou para prejudicar um desafeto.
Nesses casos, o outing é não só moralmente justificável como necessário. Ao não fazê-lo, principalmente contra gente influente, permite-se que essas pessoas continuem agindo em prejuízo da comunidade ou dos indivíduos aos quais atingem diretamente. O silêncio e a inação da comunidade em relação a essas pessoas torna a todos cúmplices de suas atitudes hipócritas e deploráveis. Pelo contrário, ao assumi-las, encoraja-se pelo menos algumas delas a pensar duas vezes antes de repetir as mesmas ações no futuro.
Concordo inteiramente com essa última perspectiva. Pior do que os que lutam contra nossos direitos, não sendo da comunidade, só mesmo os que, sendo do meio, atuam contra os interesses coletivos ou contra membros da comunidade por razões mesquinhas.
Obviamente, não se fala aqui de pessoas que são discretas simplesmente, reservadas, e não ficam levantando bandeira a toda hora e em todo o lugar. Essas pessoas agem naturalmente, não escondem que são LGBT mas também não ostentam, não podendo, portanto, ser classificadas como “no armário” muito menos como traidoras da causa.
Fala-se aqui de enrustidos que chegam ao ponto de difamar e perseguir outros membros da comunidade enquanto secretamente continuam mantendo relações não-heterotradicionais. Estes devem ser assumidos para expor sua hipocrisia e destruir sua má influência.
O outing às vezes é mal-visto porque utilizado também por pessoas sem princípios que invadem a privacidade alheia para faturar com matérias sensacionalistas ou para simplesmente prejudicar alguém. Principalmente celebridades costumam sofrer com a imprensa marrom que não mede esforços para divulgar detalhes picantes da vida íntima de artistas, políticos e gente influente em geral.
Nesse quesito, não só a homossexualidade de alguns mas também o fetichismo de outros são um prato cheio para os escândalos. Em março de 2008, o então presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), Max Mosley, foi vítima desse tipo de ação anti-ética. Um vídeo, em que ele aparece, com algumas mulheres, em cenas sadomasoquistas de temática nazi, foi divulgado na Internet, pelo tablóide inglês News of The World, e virou um escândalo total.
Mosley foi várias vezes ameaçado de demissão e afirmou que a revelação devastou sua família. De qualquer forma, conseguiu dar a volta por cima, assumiu suas preferências e até conseguiu processar o jornal por invasão de privacidade. Segundo o ex-presidente da FIA à epoca, a divulgação das imagens foi obra de alguém da área das corridas a fim de desestabilizá-lo.
Naturalmente, o outing político nada tem a ver com esse tipo de ação mercantilista e de má-fé. Ele é estritamente destinado aos hipócritas que, embora membros de uma comunidade estigmatizada, usam dos estigmas que a afetam para atacar indivíduos dessa mesma comunidade ou para, ao combater a luta pelos direitos dessa comunidade, usufruir de benesses pessoais. O outing dessas pessoas é, nessas circunstâncias, como afirma o ativista Peter Tatchell, da aguerrida organização inglesa OutRAge, a quem devo muitas das idéias desse artigo, uma potente técnica de auto-defesa queer.
Publicado originalmente em Um Outro Olhar em janeiro de 2009
Nota atualizada: Exemplo de possível homossexual que inclusive falava publicamente contra os direitos homossexuais foi o americano J. Edgar Hoover, nada menos que o fundador do Federal Bureau of Investigation, oFBI. Embora não exista prova indiscutível de sua homossexualidade, Hoover tinha uma amizade com seu principal assistente, Clyde Tolson,que levantou a suspeita de que fosse gay, já que eram inseparáveis, viveram juntos por 50 anos e nunca tiveram família ou namoradas.
O filme J. Edgar, de Clint Eastwood, com Leonardo di Caprio no papel principal, gira em torno da vida desse controverso e poderoso personagem e está em cartaz nos cinemas brasileiros. Veja abaixo o trailer legendado.