Casal de mulheres sofre discriminação em padaria de São Paulo

terça-feira, 26 de dezembro de 2017 0 comentários

Em padaria de SP | Casal de lésbicas sofre ataque e desabafa
Tatit Brandão e Laura M Baruffaldi durante o café da manhã na padaria onde sofreram discriminação

Em padaria de SP | Casal de lésbicas sofre ataque e desabafa

Por meio das redes sociais, a jornalista e atriz Tatit Brandão expôs o ataque homofóbico que ela e sua companheira, a psicóloga Laura M Baruffaldi sofreram na padaria Delícia de Perdizes, localizada no bairro da Pompeia, na zona oeste de São Paulo.

De acordo com a jovem, elas estavam comendo pão na chapa, tomando café e suco de laranja enquanto conversavam, se beijavam, se abraçavam e compartilhavam momentos felizes comuns aos casais, quando foram abordadas por uma das funcionárias do local. 
Olha, dois clientes já foram reclamar com o gerente o incômodo que vocês estão causando. Um deles, um senhor que estava com o filho e foi questionar que tipo de ambiente a padaria, que deveria ser um 'ambiente familiar', nesse momento está proporcionando. Então, eu peço a delicadeza de vocês serem discretas. Não é preconceito por vocês serem assim, nem nada, me desculpa, não é por mal, também sou gay e faz tempo, desde os meus 11 anos. Tem alguns lugares que eu me sinto bem à vontade... no Vermont, na República, no Arouche, mas é que lugares como aqui é bem complicado... Sabe? Meninas, me desculpem mesmo, a padaria quer receber e agradar todo mundo, o gerente pediu para eu vir aqui falar com vocês porque ele sabe que eu sou gay e aqui nunca sofri nenhum preconceito em relação a isso, eles me aceitam normal”, disse a funcionária, segundo o relato da jovem.
Tatit quis entender a situação e questionou a trabalhadora sobre o que ela estava pedindo ao casal. “A moça tentou falar, continuou se embananando mais ainda, se emocionou, pediu desculpas e saiu da nossa frente chorando em direção ao banheiro. Essa cena se repetiu mais duas vezes. Ficamos, claro, paralisadas e incrédulas com o tamanho do horror a que nós três estávamos sendo submetidas.”

Assédio moral e homofobia

A jornalista disse ainda que se viu inserida duplamente em situações desagradáveis, mas infelizmente, ainda rotineiras na atualidade.
Sofrer homofobia já é um horror sem fim. Sofrer homofobia e ao mesmo tempo presenciar um assédio moral descarado entre chefe e empregada, sendo que a empregada sofre o mesmo tipo de opressão que você, é um horror elevado à enésima potência. A funcionária recebendo uma ordem do chefe não está em posição de argumentar, nem discutir, nem se negar a nada, ainda que a ordem seja oprimir pessoas iguais a ela, e a si mesma.”
Ao questionarmos sobre o posicionamento da padaria e perguntamos por que achava que a padaria não estava tendo uma postura homofóbica, se pediram para nos solicitar um disfarce de quem somos, para satisfazer aqueles homens que não nos toleram, ao invés de anunciar aos mesmos que aquele era um lugar que acolhia a diversidade. A moça desmontou novamente, entre o que percebia que estava fazendo conosco (e consigo mesma) e o medo de não cumprir a função de forma satisfatória e correr risco de perder o emprego. Uma atrocidade”, definiu Tatit.
Por fim, a funcionária ofereceu um panetone como presente para o casal, que disse não ter aceitado. 
Saímos dali duas horas depois, paralisadas pelos infinitos minutos de violência. Em direção ao caixa, a passos lentos de um momento amargado, no chão de lama da nada Delícia das Perdizes, com os olhos atentos a todos que nos olhavam e o coração entristecido. Um verdadeiro assalto ao sabor do amor”, finalizou a jornalista.
Ao UOL, o casal explicou que não teve dúvida em expor publicamente o ocorrido. 
Estamos em 2017 e não podemos mais continuar sofrendo esse tipo de preconceito, nem ser vítimas da intolerância alheia. Vamos continuar ocupando os espaços sendo quem somos, nos amando e demonstrando afeto. Essa é a nossa maior resistência.”
Elas ainda garantiram que vão continuar usando as ferramentas de comunicação para divulgarem casos como este. 
No intuito de fomentar o combate aos preconceitos, seja a homofobia, o classismo, o etarismo, o machismo ou qualquer outra ignorância. E que isso também sirva para encorajar outras pessoas a fazer denúncia sempre que forem vítimas desses horrores. Não podemos mais sofrer caladas, enquanto houver horror, continuaremos mostrando abertamente e em detalhes o horror que sofremos ao mundo. Laura e eu temos isso, na nossa vida, como função e responsabilidade social.”
O outro lado

Por conta da repercussão do post no Facebook, a padaria se retratou em sua página com a seguinte mensagem:
Queremos nos retratar publicamente com o casal Tatit Brandão e Laura M Baruffaldi. Por elas terem passado pela degradante situação de se sentirem erradas, quando não fizeram nada mais que demonstrar o sentimento que sentem uma pela outra. A culpa não é da funcionária que as abordou. Não é também só de pessoas que se sentiram incomodadas. A culpa é da Delícia de Perdizes.”
Fonte: 24 Brasil, 25/12/2017

Supermercado Hirota distribui cartilha com conteúdo homofóbico

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017 0 comentários


Supermercado dá cartilha a clientes com discurso homofóbico

Hirota Food distribui cartilha a clientes onde defende valores familiares e chama casamento gay de "paixão infame"

São Paulo – O
Hirota Food, que tem supermercados espalhados por São Paulo e também é famoso pelo modelo de negócio Hirota Food Express, está distribuindo cartilhas aos clientes com “valores familiares” e discursos que estão chamando a atenção de alguns clientes.

No texto, a marca estaria dizendo que o casamento homossexual é “um erro, uma paixão infame, uma distorção da criação”. Conforme diz a cartilha em imagens postadas no Facebook, ela foi produzida pela “Comissão Gente de Valor”, criada dentro da própria empresa.

Um post no Facebook da cliente Vanessa Camargo, publicado no último dia 10, começou a viralizar nos últimos dias (quase 600 compartilhamentos). Na mensagem, Vanessa conta que, após comprar em uma das lojas da marca, recebeu do atendente a cartilha.
Ontem à noite, eu, minha irmã e minha noiva estivemos no Hirota Food Supermercados e após pagarmos a conta recebemos do rapaz que estava no caixa uma Cartilha com os Valores Familiares”, conta Vanessa.
Duas fotos postadas por Vanessa mostram a cartilha: a contracapa (com o logo do Hirota Food) e uma das páginas, onde há o tópico “Os Pilares do Casamento”.
Vanessa Camargo
há ± 2 semanas
Ontem a noite, eu, minha irmã e minha noiva estivemos no Hirota Food Supermercados e após pagarmos a conta recebemos do rapaz que estava no caixa uma Cartilha com os Valores Familiares.

Nesta cartilha esta escrito: "o casamento e heterossexual. O casamento é a união entre um homem e uma mulher, entre um macho e uma fêmea." E diz mais:

"O CASAMENTO HOMOAFETIVO ESTÁ NA CONTRAMÃO DO PROPÓSITO DIVINO. (...) A RELAÇÃO CONHUGAL ENTRE HOMEM E HOMEM E MULHER E MULHER É ANTINATURAL, É UM ERRO, UMA PAIXÃO INFAME, UMA DISTORÇÃO DA CRIAÇÃO."
Honestamente, eu tenho muito a dizer diante desse tipo de postura que fere e desrespeita milhares de seres humanos e milhares de famílias que existem.
Mas mais que isso eu quero compartilhar com vocês, meus amigos, para que reflitam sobre os valores que estamos compartilhando e, também, refletirmos onde colocamos nosso dinheiro e que tipo de pensamento financiamos.
O Hirota perdeu muito mais que uma cliente. Perdeu uma enorme oportunidade de trazer a verdadeira mensagem cristica de fé e amor. Pois Ele é a verdade e a vida. Ele é o caminho. Ele é o amor. E ninguem vai ao Pai por outro caminho. Ninguém!
E é isso que a minha fé me ensina: que Deus é amor!
E onde há desrespeito não há amor.
Eu não volto mais aquele lugar. Eu nao financio homofobia. Nao financio transfobia. Nao financio bifobia. Nao financio desrespeito.
A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas sorrindo
Nenhum texto alternativo automático disponível.

Ao final, Vanessa desabafou: 
E é isso que a minha fé me ensina: que Deus é amor! E onde há desrespeito não há amor. Eu não volto mais aquele lugar. Eu não financio homofobia. Não financio transfobia. Não financio bifobia. Não financio desrespeito”.
Outros usuários também se indignaram com o conteúdo da cartilha que a marca estaria distribuindo: 
Péssimo! E ainda acham que estão transmitindo valores!” e “Nossa eu comia lá direto. Nunca mais.” foram algumas das respostas.
A marca postou uma resposta no Facebook, dizendo lamentar “qualquer transtorno” e dizendo que “em nossos valores não há nenhum tipo de preconceito em relação a gênero, religião ou raça”. Mas não respondeu sobre o conteúdo da cartilha. A marca enviou o mesmo comunicado oficial ao site Exame.


Em cinco anos, cresce 170% o número de casais homoafetivos morando juntos no Brasil

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017 0 comentários

Número de casais homoafetivos morando juntos no Brasil cresce 170% em cinco anos

Consumo gay

O número de casais homoafetivos que moram juntos no Brasil cresceu 170% em cinco anos. Hoje, segundo levantamento da FGV social, são 304 mil pessoas. Embora agora haja a mesma quantidade de casais masculinos e femininos morando juntos, o crescimento deles foi maior: 226% em cinco anos.

Aliás...

A renda média de indivíduos que compõem casais homoafetivos é 65% maior do que a dos chefes de família heterossexuais, que, por sua vez, têm três vezes mais filhos morando com eles. Uma combinação, segundo o economista Marcelo Nery, que potencializa o chamado “consumo gay”.

Em tempo...

A conclusão é baseada numa amostra de cerca de 35 milhões de entrevistas coletadas em seis anos pelo IBGE.

Fonte: Blog do Ancelmo Gois (O Globo), 10/12/2017 

Casamento igualitário legalizado na Austrália

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017 0 comentários



Austrália legaliza casamento gay

A Austrália legalizou nesta sexta-feira o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, depois de uma consulta nacional que recebeu um grande apoio da população.

O governador-geral, Peter Cosgrove, representante na Austrália da rainha Elizabeth II da Inglaterra, firmou a lei, aprovada na véspera pelo Parlamento e que entrará em vigor no sábado.
O texto já é  lei”, declarou Cosgrove em cerimônia em Canberra.
Que dia para o amor, para a igualdade, para o respeito! A Austrália conseguiu”, celebrou o primeiro-ministro Malcolm Turnbull após a aprovação no Legislativo.
A partir de sábado, os casais do mesmo sexo poderão apresentar os pedidos oficiais de matrimônio. Os primeiros casamentos poderão acontecer dentro de um mês.
Cada australiano teve sua voz, e a maioria afirmou que é justo”, completou Turnbull, um político de centro-direita.
Com a oposição da ala conservadora de seu movimento político à reforma, Turnbull optou por organizar nos últimos meses uma controversa e incomum consulta popular por correio, cujos resultados não eram vinculantes.

Quase 80% dos eleitores do país participaram da consulta, que durou dois meses. A apuração revelou em novembro que quase 62% dos 12,7 milhões de eleitores se pronunciaram a favor do casamento gay.

Após a divulgação dos resultados, o primeiro-ministro optou por agir rápido e apresentou ao Parlamento uma lei sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O líder da oposição trabalhista, Bill Shorten, celebrou a aprovação do texto e pediu aos australianos que superem as divisões evidenciadas pelos debates das últimas semanas.
É hora de fechar as feridas”, disse Shorten.
Os defensores da igualdade entre os sexos se reuniram diante do Parlamento em Canberra para este dia histórico, que deve incluir a Austrália entre o grupo de países que autorizam as uniões entre pessoas do mesmo sexo.
Agradecemos a todos os australianos por seu apoio ao sim”, declarou Alex Greenwich, um dos líderes da Campanha pela Igualdade. Agradecemos a todos os que lutam há muitos anos, em alguns casos há mais de 10 anos, pela justiça e a igualdade”, completou.
Os críticos do texto tentaram apresentar emendas, para permitir exceções religiosas, mas foi em vão.

A lei foi aprovada na última sessão do ano, após uma semana de debates entre os deputados.

Mais de 25 países no mundo reconhecem os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

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