L, o Musical: espetáculo teatral que aborda vivências lésbicas

sexta-feira, 25 de agosto de 2017 0 comentários


Crítica: L, o musical fala de estupro e lesbofobia sem perder o humor
Espetáculo fica em cartaz na capital até o dia 1° de setembro
Como falar de preconceito e de crimes como o chamado 'estupro corretivo', que é cometido contra mulheres lésbicas, numa comédia musical? A ideia do diretor Sérgio Maggio era interessantíssima desde o começo: realizar uma montagem que tivesse como personagens 'mulheres que amam mulheres' e cuja dramaturgia dialogasse com o repertório da MPB.

Sem cair num tom panfletário, L, O Musical é um espetáculo que brinda a vida e exalta a liberdade, o desejo e os afetos femininos, e está lotando o teatro do Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília (CCBB) com total entusiasmo e engajamento do público. Na capital federal, fica até 1º de setembro; depois segue outubro, novembro e dezembro no Rio de Janeiro, janeiro e fevereiro em São Paulo, março e abril em Belo Horizonte.

Despretensioso, o texto é bem construído e conectado com o conteúdo de canções de compositoras brasileiras, muitas delas lésbicas assumidas, como Angela Ro Ro, Zélia Duncan e Adriana Calcanhotto. A agulha e a linha – conduzidas por Maggio e pelo diretor musical Luis Filipe de Lima, com o diretor-assistente Jones de Abreu – alinhavam bem uma narrativa às outras.

O público é apresentado a um momento da história de Ester Rios (a histriônica novelista interpretada por Elisa Lucina); sua ex-amante, a atriz Ruth D’Almeida (Ellen Oléria); a coautora de novelas Anne, (Renata Celidônio), que é casada com um homem mas se descobre apaixonada por Ester; e a namorada de Ruth, a militante LGBT Simone (Gabriela Correa). No elenco ainda estão Tainá Baldez (Elle, filha de Ruth) e Luiza Guimarães (Xena/Léa/Pietra/Felipa).

Com cenário simples assinado por Maria Carmen de Souza – basicamente um tablado redondo, manequins de vitrine, uma cortina diáfana branca, almofadas e, em posição privilegiada, a maravilhosa banda composta por mulheres – a montagem utiliza de rápidos movimentos de palco das coxias para o proscênio (centro do palco), ou do fundo do teatro para a frente.

São destaques o desenho de luz de Aurélio de Simoni e o trabalho de movimento e coreografia realizado pela experiente bailarina, atriz e diretora Ana Paula Bouzas, que permitiu mesclar os tempos e locais diversos das cenas que movimentam a trama em espaço tão exíguo. Sara Mariano fez um ótimo trabalho de preparo vocal com as atrizes, que são acompanhadas pelas tarimbadas musicistas Carolina Setubal (baixo), Marlene Lima (guitarra), Nathália Reinehr (bateria) e Janá Sabino (teclado).

Criado pelo coletivo Criaturas Alaranjadas Núcleo de Criação Continuada, o musical se opõe à intolerância e à lesbofobia, e mostra as peripécias de Ester, Ruth, Anne, Simone, Elle, Filipa, Léa e Xena sob a perspectiva de mulheres que amam mulheres. No texto, palavras jocosas são ditas com naturalidade e cumplicidade humorada do público, e as piadas envolvem o “universo sapatão”.

Há diversas citações e referências, como por exemplo a menção à peça e filme As lágrimas amargas de Petra von Kant, do alemão Rainer Fassbinder, que tem protagonistas lésbicas e, no Brasil, teve uma premiadíssima montagem com Fernanda Montenegro e Renata Sorrah nos papéis principais na década de 80.

No meio do musical, há um exercício de metateatro com uma cena original mesclada a uma de 'As lágrimas'. O nome da personagem Filipa, por sua vez, é, provavelmente, uma referência a Filipa de Sousa, portuguesa acusada de “práticas nefandas”, leia-se acusada de ser lésbica, pelo Santo Ofício na Bahia, no século XVI.

O fato de o diretor ser um homem não mudou nada a proposta de se falar desse universo feminino tão específico. É visível que, no processo criativo, as intérpretes puderam brincar com o texto. As intervenções de Ellen Oléria e Elisa Lucinda são muito orgânicas, assim por dizer, e revelam uma total cumplicidade e um elo afetivo que se estende às outras atrizes. Renata Celidônio também se destaca pelo desempenho vocal, agilidade e timing de humor.

Responsável por muitos dos momentos mais engraçados da peça, Luiza Guimarães interpreta Xena Charme, a produtora que recebe o público; a youtuber Léa Secret (que aparece em hilárias inserções durante a montagem); Filipa e Petra. É também uma das atrizes atuantes em Brasília (junto com Gabriela Correa e Tainá Baldez) que a montagem levará como grata revelação ao público e imprensa cariocas.

Em sua segunda direção de musicais (o primeiro foi Eu vou tirar você deste lugar – As canções de Odair José), Sergio Maggio obteve um resultado muito mais consistente e conseguiu a proeza de um espetáculo leve, engraçado, e ao mesmo tempo engajado, em que o público se envolve, bate palmas em cena aberta e parece absorver com prazer as mensagens cidadãs embaladas como biscoito fino.

Serviço
L, o musical
Centro Cultural Banco do Brasil (SCES, Tc 2). Até 1º de setembro, de quarta a domingo, às 20h. Nos dias 13/8 e 19/8, sessão extra, às 16h30. Não recomendado para menores de 16 anos.

Lésbicas relatam preconceito em atendimento ginecológico

quinta-feira, 24 de agosto de 2017 0 comentários

Para saber mais sobre saúde lésbica

Então você é virgem?": lésbicas relatam preconceito no atendimento médico
Era a primeira vez que eu ia naquele ginecologista e logo que entrei na sala, ele começou a fazer as perguntas de praxe: idade da primeira relação sexual, da primeira menstruação, quando havia sido a última... Até que perguntou se eu tinha namorado. Como imaginei que era importante, respondi: 'Não, tenho namorada'. Ele parou, levantou a cabeça, estirou o braço em direção à porta e disse: 'Então sai do meu consultório'".
Quem passou por isso foi a jornalista Camila Souza, 28, há três anos. Ela ficou sem reação ao ouvir as palavras do médico, que acabou decidindo deixar que ela ficasse e continuou a consulta. 
Daí para frente, foi um festival de todos os preconceitos contra lésbicas que você pode imaginar. Ele perguntou se eu já tinha tido relação heterossexual. Como achei que fosse uma informação relevante para a consulta, respondi que sim. A resposta dele foi: 'Poxa, mas foi tão ruim assim?'", lembra.
Até hoje me sinto muito culpada por não ter reagido à altura. Cheguei a fazer uma denúncia administrativa desse médico para a Defensoria Pública do Estado, mas confesso que não fui atrás de ver no que deu", lamenta.
Histórias como a de Camila são comuns entre mulheres lésbicas e bissexuais, que contam encontrar no consultório com frequência preconceito e desinformação.

"Lésbica? Não parece!"
Todas as vezes em que fui a uma consulta, sempre fui tratada como se fosse hétero. E quando falo que sou lésbica, as médicas ficam muito surpresas, pois aí entra a questão da minha aparência não ser o que elas esperam de uma 'sapatão'", diz a publicitária Lorena Costa, 28, que passou por quatro profissionais nos últimos seis anos, em busca de um atendimento mais acolhedor -- que ainda não encontrou.
Outra faceta desse preconceito está na fetichização do sexo entre mulheres. 
Quando você fala que é lésbica, o médico homem muda a forma como te olha e trata", diz a empresária Renata Coor, 39
Alguns médicos deram risada na minha cara, outros ficaram roxos de vergonha, como se fosse um absurdo. Já ouvi comentários preconceituosos como 'Tem certeza?' ou 'Lésbica? Não parece!', e recebi até olhares provocativos de um médico homem que me fez sentir assediada e com muito medo", conta a doula e ativista lésbica Gabriela Torrezani, 25.
Situações do tipo fazem com que as mulheres não fiquem confortáveis para falar de todas as questões de que precisam com os médicos. Além disso, presumir que elas são hétero pode levar a indicação errada de métodos anticoncepcionais. 
Muitas pacientes relatam que, mesmo falando que são lésbicas, foram orientadas a tomar pílula", conta a médica da família Luiza Cadioli, do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde.
"Sexo entre mulheres não é sexo"
Eu estava lá, de perna aberta para o exame, quando a médica me perguntou se eu tinha relação sexual regularmente. Eu disse que sim, com minha namorada. Ela então me falou para descer da maca porque não podia me examinar, já que eu era virgem", conta a professora Tamyris Rodrigues, 29.
A visão de que o sexo entre mulheres não é sexo, e sim preliminares, é outra questão que atrapalha as consultas ginecológicas das lésbicas, com o pressuposto de que não há necessidade de lidar com doenças sexualmente transmissíveis. Mas não é bem assim.

Deixar de pedir exames pode significar o não diagnóstico de uma doença em estágio inicial.
Apesar de existir menor incidência de algumas doenças entre lésbicas, toda mulher tem chance de desenvolver câncer de colo de útero, por exemplo. Ficar sem fazer o papanicolau pode favorecer o desenvolvimento do câncer, pois aumentam as chances de não encontrar as alterações no início", explica Luiza Cadioli.
O médico deve perguntar, não pressupor

Segundo Guilherme Almeida, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e coordenador técnico do curso Política de Saúde LGBT da UNA-SUS, apesar de existirem poucos estudos sobre o tema, há um consenso de que há um problema:
Há falha no acolhimento das mulheres lésbicas e bis. Mas é preciso mudar isso, pois tem implicações que vão além das doenças. Sexualidade é uma dimensão importante do bem-estar dos indivíduos".
Basicamente, o atendimento deve ser feito de modo a respeitar a diferença, mas sem preconceito. 
A abordagem do profissional deve ter escuta, acolher, perguntar e não pressupor", explica Guilherme Almeida. Caso haja constrangimento, a mulher deve "educar" o médico. "É difícil, mas ela deve deixar claro que conhece seus direitos e reivindicar isso, dizer que não é virgem, e que quer fazer o papanicolau", diz Luiza.
Além das orientações sobre prevenção de doenças e pedidos de exames, os profissionais também devem estar preparados para aconselhar mulheres lésbicas em relação a práticas sexuais. Outro ponto importante: caso nunca tenha havido penetração, a coleta do papanicolau pode ser feita com equipamento específico, que não rompe o hímen.

Lésbicas podem pegar DST, inclusive a Aids

Lésbicas também podem pegar DSTs por meio do contato entre genitais, do sexo oral, do uso de acessórios sexuais, bem como na penetração com mãos, próteses, vibradores e outros brinquedos eróticos.
Apesar da menor incidência, há relatos de infecção por HIV pelo compartilhamento de acessórios. Outras DSTs, como hepatite, podem ser transmitidas", diz Guilherme Almeida.
É importante lembrar que a minoria usa algum método para se prevenir de doenças, achando que é desnecessário", ressalta Desireé Encinas, ginecologista da clínica Casita.
A médica ressalta algumas estratégias que podem ser usadas:
1.Preservativo masculino em acessórios eróticos de penetração, que deve ser trocado sempre que for compartilhar;
2.Usar camisinhas ou luvas em dedos, principalmente se houver lesão na pele;
3.Usar filme plástico ou camisinha feminina para o sexo oral e o contato entre as vulvas.
Ver mais formas de prevenção clicando aqui

Fonte: UOL, por Helena Bertho, 23/08/2017

Prefeitura de São Paulo realiza casamento coletivo igualitário em novembro

quarta-feira, 23 de agosto de 2017 0 comentários



Para atender a uma necessidade da comunidade LGBT, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania irá realizar o “Casamento Igualitário Coletivo”. A ação tem como objetivo afirmar para a sociedade o direito ao instituto do casamento para todos. As pessoas interessadas podem fazer inscrição nos Centros de Cidadania LGBT de 18/08 a 11/10.
O casamento igualitário é um direito já reconhecido e, neste sentido, o poder público tem papel fundamental para democratizar o acesso, dar visibilidade e dialogar com a população”, explica a Secretária de Direitos Humanos e Cidadania, Eloisa Arruda.
A iniciativa da Secretaria é parte da campanha “São Paulo Com ReSPeito”, que busca resgatar a dignidade das pessoas LGBT e dialogar sobre inclusão e respeito.

A ação recebe apoio da OAB Jabaquara, Pinheiro Neto Advogados, Castro Burger, Machado Meyer Advogados, Defensoria Pública e do Club Homs, onde será feita a celebração do “Casamento Coletivo Igualitário” em 26/11.

Serviço:


Centro de Cidadania LGBT Arouche
Rua do Arouche, 23, 4º andar, República
Segunda a sexta-feira, das 9h às 19h
Telefone: (11) 3106-8780
centrodecidadanialgbt@prefeitura.sp.gov.br

Centro de Cidadania LGBT Laura Vermont (Zona Leste)
Avenida Nordestina, 496 – São Miguel Paulista
Segunda a sexta-feira, das 9h às 19h
Telefone: (11) 2033-1156 I 2031-1784
centrolgbtleste@prefeitura.sp.gov.br

Centro de Cidadania LGBT Luana Barbosa dos Reis (Zona Norte)

Rua Plínio Pasqui, 186, Parada Inglesa
Segunda a sexta-feira, das 9h às 19h
Telefone: (11) 2924-5225 | 2894-2957
centrolgbtnorte@prefeitura.sp.gov.br

Centro de Cidadania LGBT Sul
Rua São Benedito, 408 – Santo Amaro – São Paulo-SP
Segunda a sexta-feira, das 9h às 19h
Telefone: (11) 5523-0413 | 5523-2772
centrolgbtsul@prefeitura.sp.gov.br

Casamento igualitário à vista no Chile

terça-feira, 22 de agosto de 2017 0 comentários


Governo chileno apresentará projeto de casamento igualitário

ROMA, 21 AGO (ANSA) – A presidente do Chile, Michelle Bachelet, apresentará nesta segunda-feira (28) um projeto de lei para casamento igualitário, que incluirá também a filiação e a adoção por homossexuais. 

A organização que defende e promove os direitos da diversidade sexual no Chile, Movimento de Integração e Liberdade Homossexual (Movilh), comentou em um comunicado que a data de apresentação do projeto ao Parlamento chileno foi acordada junto com o Executivo do país. 

Essa medida também firma uma relação “amistosa” entre o Estado e a organização, que processou o coletivo diante da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). 

No meio desta polêmica, a presidente Bachelet anunciou no dia 1 de junho o envio da lei de casamento igualitário para o segundo semestre deste ano, dando cumprimento a uma de suas promessas de campanha eleitoral em 2013. 
Os convites ao ato de apresentação do projeto de lei no Palácio de La Moneda já foram enviadas à CIDH e, a partir da próxima semana, serão entregues a mais pessoas”, confirmou o dirigente do movimento Movilh, Rolando Jiménez. 
Jiménez também anunciou que, na próxima semana, irá conversar com o governo para analisar os conteúdos do projeto de lei.(ANSA)

Fonte: IstoÉ (via ANSA), 21/08/2017

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