Daniela Mercury se declara para a mulher e diz: 'Minha esposa, minha família"

quarta-feira, 3 de abril de 2013 2 comentários

Artista se separou de empresário italiano no ano passado. Em foto postada no Instagram, Daniela se declarou pra mulher

Agora é oficial! A cantora Daniela Mercury postou uma foto com seu novo amor, a jornalista Malu Verçosa, na quarta-feira (3). A artista, que está separada do empresário italiano Marco Scabia desde o ano passado, fez uma declaração de amor na foto com sua mulher, ao escrever: "Malu agora é minha esposa, minha família,minha inspiração pra cantar."

Para quem não acompanhou, Daniela Mercury deu um basta em seu casamento com o publicitário Marco Scabia em meados de fevereiro. Os dois, que estavam juntos há três anos, continuam amigos. "Não houve brigas, foi um desgaste natural. Eles mantêm uma boa relação", afirmou a fonte para a revista 'Contigo'.

Com a separação, Daniela voltou a ter residência fixa em Salvador. As filhas adotivas da cantora também voltaram com ela para a capital baiana: Ana Isabel, de 2 anos, Ana Alice, de 10 anos, e Márcia, de 13 anos.

Para quem não sabe, os dois se conheceram durante uma apresentação de Daniela em São Paulo, em 2008. Alguns meses depois, eles decidiram assumiu de vez o romance.

Após um ano, a artista e o publicitário resolveram se casar em segredo na Itália e optaram por uma cerimônia íntima, com a presença de poucas pessoas. Na época, eles teriam escolhido Roma por ser a cidade natal do noivo.

Fonte: CORREIO e iBahia

Senado uruguaio aprova casamento gay

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Projeto de lei voltará para Câmara dos Deputados para que modificações no texto sejam analisadas

Medida ainda deve levar de dois a três meses para ser promulgada


MONTEVIDÉU - Com 23 votos a favor e 8 contrários, o Senado uruguaio aprovou na tarde desta terça-feira a Lei de Matrimônio Igualitário, que legaliza o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O projeto voltará agora para a Câmara baixa, por onde já passou, para que as modificações no texto sejam analisadas.

Na Câmara, os deputados deverão se manifestar contra ou a favor das alterações. Só então o projeto de lei deverá seguir para o Executivo para ser promulgado - o que não deve acontecer antes de dois ou três meses, de acordo com estimativas da imprensa uruguaia.

Para a aprovação, a esquerda já tinha votos suficientes. Mesmo assim, vários integrantes dos partidos Colorado e Nacional votaram a favor, apesar da oposição da Igreja Católica, que durante a Semana Santa pediu durante as missas que os senadores votassem com as suas consciências.

O debate começou às 9h30m e só terminou no final da tarde. A Frente Ampla votou pela aprovação do projeto, enquanto os partidos Nacional e Colorado liberaram seus integrantes para votarem como achassem melhor.

O senador Rafael Michelini, da Frente Ampla, classificou a aprovação como “uma modificação profunda para a sociedade”.

- É claro que não posso comparar com a abolição da escravatura, porque foram lutas que levaram centenas de anos. Mas para uma pessoa que adquire direitos, de certa forma não é uma libertação? - perguntou Michelini, indagando até que ponto o Estado pode se meter na vida privada do cidadão. - Não deveria haver proibição de raça, idade ou sexo.

Fonte: O Globo

Petições contra a PEC 99 que ameaça o Estado laico no Brasil e mais um show de truculência do deputado Boçalnaro

terça-feira, 2 de abril de 2013 1 comentários


Conservadores andam a todo vapor no Brasil, animadíssimos com a permanência, ao menos por enquanto, do cristofascista (como estão sendo chamados os evangélicos fundamentalistas nas redes sociais) deputado-pastor Marcos Feliciano na Comissão de Direitos Humanos. Animadíssimos também com a PEC99 do também cristofascista deputado João Campos que quer acabar com o Estado Laico no Brasil. Abaixo segue editorial do Estado de São Paulo, de 31 de março, que resume o perigo que enfrenta a democracia brasileira com esse tipo de ação contra um dos pilares de todas as democracias ocidentais modernas. Leiam o texto com atenção e depois assinem os dois abaixo-assinados contra esse descalabro:


Após o texto sobre a PEC 99, segue vídeo com mais um show de truculência do deputado Boçalnaro, em apoio a Marco Feliciano, onde, entre outros absurdos já conhecidos, também chama Eleonora Menicucci de Oliveira, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, de sapatona, por esta haver dito, ao ser entrevistada pelo jornal Correio Braziliense, que se relacionova com homens e mulheres e tinha orgulho da filha lésbica.

Segue ainda vídeo do conhecido vlogueiro Pirulla25 que aborda de forma bem acessível o perigo dessa PEC 99 que ninguém pensava que pudesse passar em  lugar algum e agora já se encaminha para votação em plenário. Acordemos!

Pior que o caso do pastor


O Estado de S.Paulo

Com o noticiário do Congresso concentrado no escândalo Feliciano - a entrega da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara ao deputado evangélico Marco Feliciano, do Partido Social Cristão (PSC), que deu motivos para ser considerado racista e homofóbico, e que insiste em permanecer no cargo, apesar dos incessantes protestos de que é alvo - a imprensa deu escasso destaque a uma aberração ainda maior. Na mesma quarta-feira em que o mau pastor mandou prender um manifestante, retirar os demais do plenário da comissão para, enfim, justificar a truculência com a alegação de que "democracia é isso", a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa aprovou uma proposta que agride um dos princípios basilares da República brasileira: o caráter laico do Estado.

De autoria do tucano João Campos, de Goiás, membro da suprapartidária bancada evangélica, o projeto estende às organizações religiosas a prerrogativa de contestar a constitucionalidade das leis no Supremo Tribunal Federal (STF). Pela Constituição, podem propor ações dessa natureza o presidente da República, as Mesas do Senado, Câmara e Assembleias Legislativas, governadores, o procurador-geral da República, a OAB, partidos com representação no Congresso, confederações sindicais e entidades de classe de âmbito nacional. O leque de agentes públicos e privados aptos a entrar no STF com as chamadas Ações Diretas de Constitucionalidade (Adin) é, portanto, suficientemente amplo para representar legitimamente as múltiplas correntes da população insatisfeitas com essa ou aquela norma legal - preservada a separação entre Estado e igreja.

Exemplo disso foi a liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias no bojo da Lei de Biossegurança aprovada pelo Congresso depois de intensos debates e plena participação da sociedade e sancionada pelo então presidente Lula em março de 2005. A Igreja Católica, por intermédio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que se bateu com veemência contra a medida, assim como fizeram outras denominações religiosas, contornou o impedimento constitucional de bater, ela própria, às portas do Supremo Tribunal. Não lhe foi difícil encontrar a alternativa na pessoa do procurador-geral da República, à época, o católico praticante Cláudio Fonteles. Admitida a Adin, a CNBB teve todas as oportunidades de sustentar os seus pontos de vista no curso do histórico julgamento - que concluiu pela constitucionalidade da lei.

Argumenta Campos, o autor do projeto acolhido pela CCJ, que as associações religiosas deveriam ter o direito de pedir à Justiça que invalide dispositivos legais que, no seu entender, poderiam interferir na liberdade religiosa e de culto, assegurada na Carta. Seria o caso de eventual legislação que torne crime a homofobia. Em alguns cultos evangélicos, como se sabe, o homossexualismo é verberado como uma das mais repulsivas ofensas às leis divinas. Nem sempre são nítidos os limites entre essa pregação e o incitamento do ódio aos gays. O pastor Feliciano, por exemplo, escreveu certa vez que "a podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam (sic) ao ódio, ao crime, à rejeição". O problema, de toda forma, é a barreira infranqueável que impede o contágio do Estado pelas religiões organizadas e vice-versa.

Do mesmo modo que não se pode aceitar com naturalidade que um parlamentar com as opiniões de Feliciano conduza um órgão destinado a proteger, entre outras, as vítimas da discriminação e do preconceito, é inconcebível que se considere natural que entidades confessionais possam ser incluídas entre aquelas apropriadamente credenciadas para questionar no STF a adequação das leis à Constituição. Delas, convém lembrar, fazem parte as legendas com assento no Congresso - como o PSC de Feliciano. Felizmente, o projeto de emenda constitucional aprovado na CCJ tem ainda um longo percurso pela frente. Será submetido à Comissão Especial da Câmara e, eventualmente, ao plenário da Casa, em duas votações com quórum qualificado. Passando, enfrentará o mesmo rito no Senado. Tempo bastante e instâncias suficientes de decisão para que tenha o merecido destino - o arquivamento.

Crônica sobre o casamento homossexual nos EUA: Não ao casamento desnatado!

segunda-feira, 1 de abril de 2013 0 comentários

Lúcia Guimarães
Ótimo texto da Lúcia Guimarães sobre o debate, na Suprema Corte Americana, a respeito do casamento LGBT.

Destaque: Uma mulher de 82 anos, Edie Windsor, viúva de outra mulher, derreteu o coração de uma boa parte do país, pedindo à Suprema Corte que não prolongasse a exclusão social que ela enfrentou durante 40 anos com sua companheira Thea, morta em 2007.

Uma juíza franzina de 80 anos, sobrevivente de duas batalhas contra o câncer, cunhou com seu característico senso de humor o neologismo "casamento desnatado". A juíza Ruth Bader Ginsburg expôs ao ridículo o arrazoado do advogado que defendia a perpetuação do sofrimento de gente como Edie, perguntando porque ele rebaixava a instituição do casamento tentando impor duas castas: a da união integral, disponível para héteros e um casamento diluído para gays. Milhões comemoraram o gol de placa de Ruth, cuja voz trêmula nos argumentos gravados foi ouvida em escala viral.


Moral e cívica

Lúcia Guimarães 

Nova York - Quando abri a mochila no começo do ano letivo e meu pai viu o título do livro da disciplina que não existia no seu tempo, sacudiu a cabeça, pesaroso. Sabia que Moral e Cívica era um artifício imoral da ditadura militar que desprezava a civilidade. Se, na minha infância, a noção de civismo foi associada à cor verde-oliva, na semana passada a expressão ganhou para mim um polimento como o oferecido pelos melhores engraxates da Rua São José, no centro carioca.

Uma mulher de 82 anos, Edie Windsor, viúva de outra mulher, derreteu o coração de uma boa parte do país, pedindo à Suprema Corte que não prolongasse a exclusão social que ela enfrentou durante 40 anos com sua companheira Thea, morta em 2007.

Uma juíza franzina de 80 anos, sobrevivente de duas batalhas contra o câncer, cunhou com seu característico senso de humor o neologismo "casamento desnatado". A juíza Ruth Bader Ginsburg expôs ao ridículo o arrazoado do advogado que defendia a perpetuação do sofrimento de gente como Edie, perguntando porque ele rebaixava a instituição do casamento tentando impor duas castas: a da união integral, disponível para héteros e um casamento diluído para gays. Milhões comemoraram o gol de placa de Ruth, cuja voz trêmula nos argumentos gravados foi ouvida em escala viral.

Quando o público passa dias na chuva e no frio da capital, sem desordem, esperando conseguir uma das poucas vagas disponíveis para espectadores nas sessões da Suprema Corte, a memória de uniformes verde-oliva se torna ainda mais distante.

O casamento entre pessoas do mesmo sexo, como o Gênio que escapou da lâmpada, não será mais aprisionado na garrafa da contracultura. A cara do movimento é Edie. Ou um universitário da Califórnia, um dos 40 mil filhos de casais homossexuais que cresceu sem compreender a pecha de ilegitimidade que o governo federal lhe impingiu com o lamentável Ato de Defesa do Casamento. O ato conhecido pela abreviação Doma que Bill Clinton assinou sozinho, numa madrugada em campanha de reeleição, em 1996, está em julgamento na Suprema Corte. O cálculo eleitoral do ex-presidente que ajudou a reeleger, em novembro passado, o primeiro presidente a defender o casamento gay, lhe custou amizades e parte da reputação. Clinton tem feito o possível para se penitenciar, num reconhecimento extraordinário de que seu oportunismo pode ter atropelado a Constituição.

Mas a discriminação, é bom lembrar, não afeta apenas minorias, sejam elas raciais ou sexuais. A mulher que quer se tornar a primeira prefeita lésbica de Nova York, a mulher cujo casamento com outra mulher foi um dos acontecimentos sociais do ano em 2012, fez outro cálculo eleitoral para discriminar contra a maioria. Falo da maioria, de brancos, mulatos, negros e índios, heterossexuais e gays, jovens mães e homens idosos que não conseguem se aposentar, todos os grupos de empregados da cidade. Christine Quinn, líder da Câmara dos Vereadores e candidata declarada à sucessão de Michael Bloomberg em novembro, passou três anos obstruindo a votação de uma lei municipal que permitiria 5 dias de licença médica remunerada por ano a empregados de empresas com mais de 15 funcionários. Segure seu queixo, caro leitor: se uma pessoa trabalhando em tempo integral numa empresa em Nova York tiver 40 graus de febre e um caso extremamente contagioso de influenza, vai ser mandada para casa com seus germes, é claro, e pode ter seu salário descontado pela falta.

Cristine Quinn, a candidata democrata que tanto lutou contra a própria discriminação, parece achar que ficar doente é uma fraqueza moral ou uma afronta cívica ao lucro de um empregador. Graças em parte a uma denúncia da lendária feminista Gloria Steinem, que ameaçou retirar seu apoio a Quinn, a gritaria foi o bastante para a candidata refazer seu cálculo aritmético eleitoral mas não sem antes diluir o projeto de lei. Que o bilionário Bloomberg promete vetar.

A frase mais sensata sobre a compaixão seletiva de gente como Christine Quinn foi pronunciada pelo primeiro político eleito para o Congresso a sair do armário, em 1987. Barney Frank, recém-aposentado aos 73 anos, disse que sua atração sexual por homens é hoje mais tolerada do que sua atração pelo papel do governo na vida dos americanos.

Fonte: O Estado de S.Paulo, 01/04/2013

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