Últimas notícias sobre o caso de André Baliera, vítima de heterrorismo

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 0 comentários

Além do inquérito policial aberto contra Diego Mosca e Bruno Portieri, por tentativa de homicídio de André Baliera, estudante de Direito da Universidade de São Paulo (USP), os acusados também serão processados na esfera administrativa, pela Secretaria da Justiça e Cidadania de São Paulo, com base na lei paulista antihomofobia (10.948/2001), e poderão ser condenados a pagar multa que varia de 1.000 Ufesp´s (R$ 18 mil) a 3.000 Ufesp´s (R$ 54 mil).

Também Bruno Portieri perdeu o ponto de sua loja nas dependências da Peralta Fitness por conta de sua agressão contra André Baliera. A gerência da academia localizada na Chácara Flora afirmou, em sua página do Facebook, que, indignada com o ocorrido e por repudiar qualquer tipo de agressão, homofóbica ou de qualquer outro tipo, não mais queria o aluno dentro da empresa.  

Ainda, o próprio André gravou depoimento em vídeo onde clama por justiça e denúncia que seus agressores estão tentando culpá-lo pela violência que sofreu. Segue o vídeo abaixo:

Diante de uma tentativa de homicídio, diante das mentiras que tenho lido a meu respeito pelo advogado do outro lado, diante da solidariedade das pessoas que entraram em contato comigo e em um sincero pedido de desculpas pela ausência nesses dias horrorosos que tenho vivido fiz esse vídeo pra conseguir atingir o maior número de pessoas e pedir JUSTIÇA.
 
Com informações do UOL e do blog VIPADO

Como combater os injustos sem se parecer com eles em dois vídeos

sábado, 8 de dezembro de 2012 2 comentários

Transeunte rasga banner de manifestantes da TFP contra o casamento LGBT

Por Míriam Martinho

Uma das principais críticas aos movimentos sociais, principalmente por sua vertente politicamente correta, é de que seus membros se fazem de vítimas o tempo inteiro, colocando-se como ofendidos por qualquer coisa, da mais banal a mais séria. Parte dessa crítica é procedente. Há mesmo muito "ofendidismo" circulando nos diferentes tipos de ativismo, e, como diria Hegel, quem exagera no argumento prejudica a causa.

Entretanto, algumas das forças políticas que criticam esse ativismo "excessivamente sensível" por acaso agem de forma diferente? Não se fazem de vítimas aqueles que na verdade, com base em dogmas religiosos, vivem perseguindo, por exemplo, homossexuais, lutando contra a igualdade de direitos entre as pessoas em nome de bíblias, famílias e outras tantas? Saem pregando a discriminação e posam de vítimas!? Posam sim.

No vídeo abaixo, membros da Tradição Família e Propriedade dos EUA (TFP), em campanha contra o casamento LGBT em ruas e universidades americanas (por aqui eles também saem com seus estandartes mofados), foram alvo de vários tipos de reação negativa de transeuntes, das símbólicas às físicas, o que lhes deu aval para se colocarem como pobrezinhos.

Naturalmente, a hipocrisia dessa gente faz o sangue de qualquer um(a) ferver, mas ataques contra esses tipos, sobretudo físicos, só os beneficiam. Depois eles fazem uma compilação das reações agressivas das pessoas, indignadas contra sua lixeira religiosa, como no vídeo abaixo, e posam de vítimas, falando com voz calma e postura tranquila que - tadinhos - os LGBT é que são intolerantes e contrários à liberdade de expressão. E essa imagem cola!

Quem já praticou alguma arte marcial sabe muito bem que para vencer uma luta não basta técnica mas sobretudo precisa-se de controle emocional. Campeões mantêm a cabeça fria, o coração, ameno. Aliás, a raiva é a maior inimiga do bom senso em geral. O ativismo LGBT precisa fazer um pouco de psicodrama antes de enfrentar essa conservalha pelo visto tanto nos EUA quanto no Brasil.

Nos tempos do movimento pelos direitos civis dos negros americanos (1955-1968), os ativistas, influenciados pelo pacifismo de Gandhi, faziam manifestações não-violentas contra o racismo, como os célebres sit-ins. Entravam nos lugares só para brancos, sentavam-se e lá ficavam sem serem atendidos ou sem reagir às agressões e às prisões que acabaram ocorrendo. Eles treinavam para isso, e deram fim, no médio prazo, à infame segregação pela via dessas ações.  Por isso, deixo também um vídeo sobre os sit-ins daquela época à guisa de recordação de um bom tempo onde os oprimidos sabiam se distinguir claramente de seus opressores. Quem sabe a lembrança não sirva de inspiração para se repensar formas mais justas de agir contra os injustos nos dias de hoje. Na base do olho por olho, como diz um ditado, todo mundo acabará cego.

Assine petição para pressionar os deputados da Comissão de Seguridade Social e Família a votar contra projeto de "cura gay"

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012 0 comentários


Deputados querem revogar uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP) para permitir "terapias de reversão sexual". A prática clínica da "cura gay" tem sido criticada no mundo todo, por tratar a homossexualidade como doença (coisa que não é admitida nos meios acadêmicos, nem pela OMS) mas que mesmo assim ainda ocorrem, e em alguns casos, com graves denúncias de intervenções psicológicas visando à “reversão”, internação compulsória, agressão e até mesmo tortura. A população brasileira não precisa disso, não precisamos de práticas que incentivem a descriminação.

A resolução do CFP 01/99 visa alertar para os riscos e problemas das chamadas "terapias de reversão sexual"; na maioria das vezes, tais terapias são conduzidas e divulgadas por pessoas ligadas a grupos que não aceitam a homossexualidade, por vezes ligados a entidades religiosas, predominantemente influenciados por valores e crenças moralizadoras.

Não há nenhuma evidência científica – estudada pela Psicologia, Medicina ou por qualquer das disciplinas do campo da Saúde – que apoie a ideia defendida no projeto, portanto, qualquer tentativa de tratamento que vise à “cura da homossexualidade” estará embasada em pontos de vista unilaterais, enviesados e calcados na moralidade de quem defende a proposta, indo contra tudo o que tem sido defendido pelas principais entidades mundiais que estudam o tema: American Psychological Association (APA), American Psychiatric Association e a própria OMS.

Veja o que diz a resolução do Conselho Federal de Psicologia que os deputados querem revogar:

● "Os psicólogos deverão contribuir, com seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas.

● Os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.

● Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades".


Veja o Projeto de Decreto Legislativo 234/2011 na integra.

Para: 
Comissão de Seguridade Social e Família (Deputados) 
Dep. Amauri Teixeira PT/BA 
Dep. Angelo Vanhoni PT/PR 
Dep. Benedita da Silva PT/RJ 
Dep. Nazareno Fonteles PT/PI 
Dep. Rogério Carvalho PT/SE 
Dep. Darcí­sio Perondi PMDB/RS 
Dep. Geraldo Resende PMDB/MS 
Dep. Nilda Gondim PMDB/PB 
Dep. Osmar Terra PMDB/RS 
Dep. Saraiva Felipe PMDB/MG 
Dep. Teresa Surita PMDB/RR 
Dep. Eduardo Barbosa PSDB/MG 
Dep. Marcus Pestana PSDB/MG 
Dep. William Dib PSDB/SP 
Dep. Cida Borghetti PP/PR 
Dep. José Linhares PP/CE 
Dep. Fábio Souto DEM/BA 
Dep. Lael Varella DEM/MG 
Dep. Mandetta DEM/MS 
Dep. Maurício Trindade PR/BA 
Dep. Neilton Mulim PR/RJ 
Dep. Alexandre Roso PSB/RS 
Dep. Ribamar Alves PSB/MA 
Dep. Dr. Jorge Silva PDT/ES 
Dep. Sueli Vidigal PDT/ES 
Dep. Antonio Brito PTB/BA 
Dep. Celia Rocha PTB/AL 
Dep. Jandira Feghali PCdoB/RJ 
Dep. João Ananias PCdoB/CE 
Dep. Jhonatan de Jesus PRB/RR 
Dep. Dr. Paulo César PSD/RJ 
Dep. Eleuses Paiva PSD/SP 
Dep. Walter Tosta PSD/MG 
Dep. Rosinha da Adefal PTdoB/AL 

Pedimos que seja retirado de pauta e encerrado o PDL 234/2011, projeto para revogar a Resolução 01/99 do Conselho Federal de Psicologia contra tratamentos de "reversão sexual", também conhecido como "cura gay". O projeto desrespeita a autonomia do Conselho Federal de Psicologia, respeitado órgão profissional, entidade legitimada pelo poder público para regulamentar o exercício profissional. O Projeto desafia a sua autoridade do CFP sobre o tema, não apresenta qualquer embasamento teórico-técnico e posiciona-se a partir de uma perspectiva moral, e não ética. O projeto desconsidera as correntes científicas atuais, que são explicitamente contrárias a qualquer terapia de "cura" ou "tratamento" para a homossexualidade, já que esta não constitui doença. 

Solicitamos, portanto, que os senhores, em respeito aos direitos da população de se socializar em mundo que reconheça e valorize as diferenças, promovam mais uma ação de combate ao preconceito e à discriminação no Brasil, ao envidarem todos os esforços necessários para não permitir a aprovação do referido Projeto.

Atenciosamente, 
[Seu nome]

Casal de mães lésbicas poderá oficializar casamento nos EUA

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012 0 comentários

Rene Watkins, a filha Lillian e Lauren Debelius

Casal de mães lésbicas formam família 'como as outras' nos EUA

"Somos uma família como outra qualquer", dizem enquanto cozinham Rene e Lauren, duas jovens lésbicas, mães e recém-casadas, graças a um novo direito em Maryland (este), que esperam que seja aplicado em todo os Estados Unidos em um futuro próximo.

"É fantástico! Vamos nos casar logo", comemora em declarações à AFP Rene Watkins, de 28 anos, uma baixinha de cabelos castanhos, ao começar a preparar um bolo com sua filha, Lillian, de dois anos, que decide "mexer" a mistura.

Há dez anos René Watkins conheceu Lauren Debelius, de 30 anos, quando as duas eram estudantes, e agora moram com a filha, Lillian, em uma casinha nos subúrbios de Baltimore, em Maryland.

Este estado perto de Washington é um dos três, junto com o Maine (nordeste) e Washington (noroeste), a aprovar por meio de referendo, em 6 de novembro, a legislação que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

E a Suprema Corte, a mais alta instância jurídica americana, pode logo examinar o tema, o que desperta a esperança entre as associações de homossexuais de que o casamento entre pessoas do mesmo seja autorizado em nível nacional.

Rene, que trabalha em uma associação, e Lauren, corretora de seguros, tinham organizado em 2006 uma cerimônia de noivado, mas a partir do ano que vem serão oficialmente casadas, como permite a lei que começará a vigorar em 1º de janeiro de 2013.

Na América Latina, o casamento entre pessoas do mesmo sexo é autorizado na Argentina desde 2010 e na Cidade do México desde 2009, enquanto a Câmara de Deputados uruguaia prevê votar em 11 de dezembro um projeto de lei sobre o "casamento igualitário".

"É importante para nós e para nossa família", diz Rene, destacando que "o casamento permite que o casal esteja protegido. É uma vantagem enorme", assegura.

E será ainda mais para a família formada pelas duas mulheres com sua filha, concebida por inseminação artificial e que Rene levou no ventre: "Até Lillian nascer, Lauren não tinha nenhum direito legal sobre ela. Tivemos que iniciar um processo de adoção, contratar um advogado, redigir testamentos... E consultar um psicólogo!".Um quebra-cabeça

Quando o próximo filho vier, "Lauren não terá que adotá-lo": os "dois nomes aparecerão na certidão de nascimento", diz Rene, consciente também das vantagens fiscais para casadas e da reversão de um seguro de vida.

No entanto, "nossos direitos cessam quando sairmos de Maryland", disse Lauren, contando que "sua mãe vive no estado vizinho da Pensilvânia. Se Rene tiver que ser hospitalizada de emergência, perante a lei local não sou membro de sua família, portanto não posso visitá-la".

É o novo quebra-cabeça dos casais do mesmo sexo casados - cerca de 130.000 - nos estados em que o casamento homossexual é ou vai ser legal (Maryland, Maine, Washington, Connecticut, Iowa, Massachusetts, New Hampshire, Vermont, Nova York e Washington, capital federal).

"Maryland é progressista. Somos uma família como as outras", mas "temos amigos gays que moram no Wisconsin", onde "podem ser mal vistos e não têm as mesmas garantias", lamentou Rene.

Por esta razão, Rene e Lauren ficariam encantadas se a Suprema Corte estudar o tema. Segundo pesquisa da Universidade de Quinnipac, publicada esta quarta-feira, um número crescente de americanos (48%, quando em 2008 eram 38%) se declararam a favor do casamento gay, enquanto o percentual daqueles que se opõem a ele baixou (46% contra 55% em 2008).

Tabatha Kamman, heterossexual, casada e mãe de Cooper, de dois anos e meio, é uma das amigas do casal: "As pessoas dizem, em geral, 'Olha, Lillian tem duas mães'. Em seguida emendam: 'Que bom!'. E a conversa termina aí".

"Elas querem o mesmo que nós", avalia Mia Capen, mãe de Camilla: "Ter uma vida linda e cuidar da filha".

Fonte: AFP

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