Os "dois minutos de ódio" do pastor Feliciano contra os homossexuais

sexta-feira, 21 de setembro de 2012 2 comentários

Feliciano quer legislar
o país com base na Bíblia
Por Míriam Martinho 

Fosse o caso de fazer um ranking dos pastores evangélicos mais charlatães e obscurantistas em voga hoje no país, o deputado federal Marco Feliciano, pelo Partido Social-Cristão (PSC-SP), estaria seguramente entre os finalistas. 

No vídeo abaixo que andou circulando pelas redes sociais, Feliciano, com voz lamuriosa mas gritante, faz um show de charlatanismo digno de nota. E como não podia deixar de ser, tem as pessoas homossexuais como seu bode-expiatório.

Logo de cara lamenta não ter conseguido assinaturas para levantar um plebiscito sobre o casamento LGBT  (01:30), ataca o ativismo gay como coisa de Satanás (03:12) e afirma que a AIDS é uma doença gay. "A AIDS é uma doença que veio desse povo" (04:40). Por fim, desanda a choramingar a morte de criancinhas inocentes em decorrência da cada vez maior liberação do aborto (como se fetos e criancinhas fossem a mesma coisa). E a apoteose do show charlatão é a conclamação a todos os evangélicos para que se unam a fim de um dia eleger um presidente evangélico no Brasil (em tradução livre).

Após o vídeo da performance obscurantista do pastor-deputado Feliciano, segue um trecho do filme 1984, intitulado "dois minutos de ódio", baseado no famoso romance homônimo de George Orwell.  Num regime totalitário, o povo robotizado é induzido a expressar seu ódio por um bode-expiatório, no caso, Goldstein, o grande inimigo da pátria. Crítica sombria contra todos os regimes autoritários (nazifascismo, comunismo) mostra como a maioria das pessoas é facilmente manipulável por fanáticos de vários tipos. Notem a semelhança do povo no filme com o show do pastor e as reações de sua plateia. Pode-se observar o mesmo tipo de comportamento também em estudantes ditos de esquerda, nas universidades brasileiras, quando às voltas com quem deles discorda. Ficam histéricos, gritam e xingam sem parar. São os ditos "dois minutos de ódio".

Orwell concluiu, ao fim da vida, que a "divisão real não é entre conservadores e revolucionários, mas entre autoritários e libertários". Perfeito. Os autoritários são todos farinhas do mesmo saco. Só o conteúdo da reza muda, mas a forma de rezar é a mesma. E todos são muito perigosos. É preciso combatê-los!

 

Evangélico Magno Malta quer derrubar projeto contra a homofobia

quinta-feira, 20 de setembro de 2012 0 comentários

Magno Malta quer ser relator do PLC 122 para derrubá-lo

O senador evangélico Magno Malta (PR-ES) enviou ontem ofício ao presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Paulo Paim (PT-RS), solicitando tornar-se relator do chamado projeto de lei complementar 122 que criminaliza a homofobia.
A relatora era a senadora Marta Suplicy (PT-SP), que acaba de assumir o comando do Ministério da Cultura.
Malta é contrário ao texto, que Marta defende com unhas e dentes. Ao Poder Online, o senador explica porque reivindica a relatoria:
– Primeiro, porque acho que ela caberia ao suplente da Marta, o vereador paulistano Antônio Carlos Rodrigues, que é do PR e evangélico como eu, mas não irá assumir no Senado. Depois, porque o Paulo Paim é pai e sogro de pastores evangélicos e tem o compromisso conosco de não favorecer a aprovação deste projeto.

Fonte: Poder Online

ONU lança relatório para proteção de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012 0 comentários


O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDHlançou na sexta-feira (14) um relatório com as principais obrigações legais que Estados devem aplicar para a proteção de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT). O documento, intituladoNascido Livre e Igual (em inglês Born Free And Equal), busca explicar para gestores públicos, ativistas e defensores dos direitos humanos as responsabilidades do Estado com essa minoria e os passos necessários para alcançá-las.
“O objetivo de estender para pessoas LGBT as condições de todos os outros não é nem radical e nem complicado. Basea-se em dois princípios fundamentais que sustentam a lei internacional dos direitos humanos: igualdade e não discriminação”, disse a Alta Comissária para os Direitos Humanos, Navi Pillay, no prefácio do relatório.
O documento foca em cinco obrigações nas quais a ação nacional é mais necessária: proteção contra a violência homofóbica, prevenção da tortura, a descriminalização da homossexualidade, a proibição da discriminação e o respeito com a liberdade de expressão e com a reunião de todas as pessoas LGBT.
Por quase duas décadas, os órgãos de direitos humanos e relatores especiais têm documentado violações generalizadas em relação à população LGBT, nas quais estão incluídas atos de assassinatos, estupros e ataques físicos. Nascido Livre e Igual apresenta alguns exemplos dessas violações, como o caso de um casal lésbico que relata ter sido espancado em uma delegacia no Brasil e forçado a praticar sexo oral.
Clique aqui para acessar o relatório.
Confira aqui a página do ACNUDH sobre o combate à discriminação baseada em orientação sexual e identidade de gênero.

Lesbiana assumida, Chris Regiane comemora vitória no Mundial de Luta de Braço

terça-feira, 18 de setembro de 2012 3 comentários

Aos 50 anos, Chris Regiane, cheia
de vitórias, apesar do preconceito
Aos 12 anos, Chris Regiane Teodoro de Souza era uma garota hiperativa. De origem muito pobre em Campo Grande (MS), tinha aulas de violão e teclado para distraí-la e mostrava talento em qualquer esporte que se envolvesse no colégio. Até mesmo em duelos de “braço de ferro” com os colegas. E foi nesta modalidade, mais de três décadas depois, que ela acabaria achando seu caminho. De jeito “doidão”, como ela mesmo se define, a atleta mais vencedora do Mundial de luta de braço se destaca pela garra em suas lutas e também pelo jeito sincero de falar de sua vida.

A lutadora de 50 anos é homossexual. Casada com uma companheira de seleção brasileira, admite que sofreu muito preconceito e que, diferentemente do que esperava, teve de romper muito mais barreiras no esporte do que em seu trabalho principal, como professora de geografia no Mato Grosso do Sul. Mas chegou a São Vicente com respeito conquistado e foi a atleta com maior número de ouros: quatro - nas categorias masters e deficiente, já que é surda de um ouvido - e uma prata no adulto

“Meu objetivo nesse campeonato era ter cinco medalhas de ouro”, disse Chris, que ficou perto da meta. A lutadora é famosa pelas caras e bocas, e vibra como um gol cada vitória. Para explicar esse jeito, também brada: “Eu me incorporo ali em cima. Você não pode entrar como um perdedor. Você tem que entrar como ganhador, é isso que faz a diferença. Não tenho medo, não importa o tamanho que for minha rival.”

Os obstáculos superados em sua vida forjaram a personalidade forte. A homossexualidade foi revelada após muitos anos de dedicação à Congregação Cristã, onde era organista. Ela se assumiu gay e abandonou a igreja, mesmo tendo um filho, hoje de 27 anos, e causou desespero em sua mãe. “Ela disse que preferia me ver num caixão a ouvir aquilo”, conta Chris, que tem seis irmãs.

Chris Regiane admite que a entrada no esporte foi ainda mais complicada do que sua carreira como professora, mesmo com sua sexualidade, seu estilo e seus cabelos coloridos – do rosa ao verde, conta ela, que gosta de variar o visual.Hoje, ela é casada com uma atleta também da luta de braço. Sônia Carvalho competia no levantamento de peso e morava no Rio Grande do Sul. As duas se conheceram através do esporte e, pela companheira, Sônia se mudou para o “braço de ferro” e para Mato Grosso do Sul.

“Quando cheguei para competir, há dez anos, achei que ia ser tranquilo. Afinal, passei por tantos processos de discriminação na escola... Se lá, que é educação, me respeitam, eu tentei mostrar aqui com minha qualidade que podia vencer como mulher e homossexual. Sofri, mas conquistei meu espaço. Me pediram para me colocar no meu lugar, e eu me coloquei, como melhor do mundo”, conta ela, que passou a vencer favoritas brasileiras e, mesmo com olhares tortos, ganhou seu respeito.

O início no esporte ocorreu aos 40 anos, quando conheceu um cadeirante que treinava seriamente para as lutas de braço. Como já era uma paixão de Chris desde criança, ela resolveu apostar nisso. Ao perder para uma mulher depois de bater tantos homens, percebeu que tinha de aprender as técnicas da modalidade e conseguiu uma viagem para a Rússia. Lá, teve aulas e chegou ao seu primeiro título mundial. Daí, decolou para se tornar uma das atletas mais dominantes de seu peso, até 55 kg.

Chris conta que foi criada num ambiente simples. A mãe era servente e não tinha como dar boas condições aos filhos, que dormiam numa casinha de madeira, em colchões de palha. Ainda assim, as crianças foram para a escola e, por meio dos estudos, conseguiram se sobressair e hoje são médicos, engenheiros e professores, como ela.Controlando a adrenalina

A sul-mato-grossense superou a hiperatividade e escolheu ser professora, lecionando geografia há 20 anos na rede pública de Campo Grande. É também formada em direito e dirige um projeto social que ensina a luta de braço para crianças pobres na capital do seu estado.

Sua hiperatividade tem reflexos até hoje no esporte. Chris conta que teve de aprender a se controlar, para não gastar energia fora de hora e se poupar para o momento da competição.

“Agora, eu fico quietinha esperando. Antes não era assim, mas passei a entender que preciso controlar meu emocional. Não posso perder para mim mesma. Eu entrava doidona desde o início, mas minha mulher (Sônia) me explicou que, com meus 50 anos, preciso conhecer meus limites. Depois de vencer, aí sim posso extravasar”, explica ela, que em 2013 buscará adicionar novas medalhas mundiais, junto aos seus 13 títulos de masters, três ouros no adulto e dois no para deficientes.

Companheira não dá mole e dá bronca em treinamentos

Chris admite que precisa levar umas boas broncas para entregar o seu máximo no treino. E quem a cobra é sua companheira, Sônia. “A Chris sabe que no Brasil ninguém pode com ela, então é um pouco preguiçosa para treinar”, conta ela, que ganha a vida com uma banca de revistas em Campo Grande (MS).

Se Chris reclama do preconceito, Sônia vê um momento melhor para elas, que são casadas no cartório. “Nós somos mais velhas, não somos adolescentes, temos uma personalidade firme. Então, o pessoal aceita normalmente. E já estamos no século 21. O importante é ter um bom caráter”, defende a lutadora, que está há apenas dois anos no esporte.

Fonte: Gay, professora 'doidona' de 50 anos vence barreiras e lidera Brasil no braço de ferro (Maurício Dehò Do UOL, em São Vicente (SP))

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