Casamento civil entre pessoas do mesmo sexo: os mesmos direitos com os mesmos nomes

quinta-feira, 26 de abril de 2012 0 comentários

Divulgando abaixo o texto do portal Casamento Civil Igualitário, uma campanha que vale a pena encampar. Direitos iguais, sem mais nem menos. Vai ser uma batalha dura, mas uma caminhada precisa mesmo de um primeiro passo, e ele foi dado. Vamos caminhar juntos. Ao fim do texto, o link para o abaixo-assinado em apoio à PEC do Jean Wyllys. Esta postagem ficará em destaque de agora em diante.

Nós, brasileiras e brasileiros de todas as idades e de todas as cores, de todas as religiões e crenças ou de nenhuma delas, de todas as orientações sexuais e identidades de gênero, falantes de diferentes sotaques e das mais diversas gramáticas do português brasileiro — e de outras línguas, trabalhadores/as das mais diversas profissões e moradores/as de todas as regiões, do centro e da periferia, do morro e do asfalto, queremos expressar nosso apoio incondicional ao projeto de emenda constitucional apresentado pelo deputado federal Jean Wyllys para garantir o direito ao casamento civil aos casais do mesmo sexo.

Porque acreditamos que “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, como diz a Declaração Universal dos Direitos Humanos, e que “Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual proteção da lei”, como diz a Constituição brasileira.

Porque a proibição do casamento civil aos homossexuais é uma violação aos direitos humanos, inadmissível numa sociedade democrática, que não só exclui os casais do mesmos sexo e suas famílias do acesso a dezenas de direitos reconhecidos na lei aos casados, como também os humilha e desrespeita, privando-os do reconhecimento simbólico que a instituição do casamento civil representa na nossa cultura e tratando-os como se eles e suas famílias fossem menos valiosos do que o resto das pessoas.

Porque o Judiciário já tem avançado no reconhecimento do direito ao casamento civil dos/as homossexuais, e o Legislativo não pode continuar se omitindo, obrigando as pessoas a entrarem com ações na justiça para exercer um direito fundamental, reconhecido em todos os tratados internacionais, como é o direito a se casar com a pessoa que amam.

Por isso tudo, reclamamos ao Congresso a urgente aprovação da emenda constitucional do casamento igualitário e dizemos, com os LGBT, que queremos, para todos e todas, os mesmos direitos com os mesmos nomes.

Jean Wyllys: "Não existe Estado de direito enquanto o casamento for negado aos homossexuais"  

Pe. Marcelo Rossi: "Casamento entre homossexuais não é de Deus"

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Pe. Marcelo Rossi
O Brasil tem problemas seríssimos a encarar: saúde e educação sucateadas, infraestrutura idem, desindustrialização, corrupção pandêmica, e por aí vai. Apesar de tanta coisa sobre o que pensar e sobretudo tanta coisa para se mudar, os únicos motivos para polêmica, no país, parecem ser os temas relativos a moral e aos costumes, protagonizados principalmente por duas turmas em permanente conflito: ativistas LGBT e conservadores religiosos. Mal acaba uma polêmica e já se instaura outra em função de excessos de ambos os lados.

A mais nova se relaciona com as declarações do  padre Marcelo Rossi  sobre casamento homossexual. Em entrevista à revista Quem desta semana, o padre afirmou que respeita o casamento entre homossexuais, apesar de a palavra de Deus ser clara que o homem e a mulher foram criados para unirem e dar frutos. “Respeitamos, não quero fazer polêmica, mas todo cristão que crê na palavra de Deus sabe que existe os dois. Fora isso, não é de Deus”, argumentou.

Diante da obstinada oposição desses religiosos aos direitos civis de um segmento da população brasileira, em nome de Deus, só nos resta pedir para conversar com este senhor, sem intermediários, e confirmar as razões que ele tem para se opor aos direitos humanos. E se ele não aparecer para o debate, dá-se o assunto por encerrado, pois não?

Falando nisso, vamos assinar a PEC em favor do casamento igualitário. 

Em Israel, corrente conservadora passa a aceitar a ordenação de rabinos LGBT

segunda-feira, 23 de abril de 2012 0 comentários

Na última sexta-feira, a corrente conservadora do judaísmo, chamado Movimento Conservador, decidiu admitir a presença de gays e lésbicas como candidatos ao rabinato em Israel, à semelhança do que já ocorre nos Estados Unidos há alguns anos. 

A decisão foi tomada, por quase unanimidade (apenas um rabino dos 18 votantes se absteve de votar), pelo conceituado seminário rabínico Schechter, em Jerusalém, com base numa espécie de isonomia religiosa, ou seja, todos são iguais não apenas perante a lei mas também aos olhos de Deus, já que todos são feitos à sua imagem. Os estudantes gays e lésbicas começam a poder participar para o curso de ordenação que dura dois anos já no próximo ano letivo. 

Agora, das  três principais correntes do judaísmo — reformista, conservadora e ortodoxa — apenas a ortodoxa segue mantendo-se contrária à ordenação de gays e lésbicas bem como de quaisquer mulheres como líderes religiosas. E como é esta corrente que monopoliza os serviços públicos ligados à religião, como casamentos (não existe união civil no país) e funerais, os futuros rabinos homossexuais ainda terão bastante trabalho pelo frente para obter plena aceitação.

Fonte: Com informações de O Globo

Procura-se mulher feminina. Para quê?

sábado, 21 de abril de 2012 4 comentários

amizade entre lésbicas
Autora: Míriam Martinho

De vez em quando aceito um daqueles convites tipo “Fulana de Tal quer ser sua amiga no ...”, ou “beltrana convidou você para participar da comunidade ou grupo X no ....” ou ainda eu mesma ponho um anúncio nos sites que tem classificados a fim de fazer amizade e trocar umas palavras. Nessas, no pouco tempo que tenho para tais coisas, até consegui bater uns bons e divertidos papos furados com algumas mulheres dos 4 cantos desse nosso Brasil cor de anil.

No geral, contudo, a experiência é meio frustrante porque a maioria das lésbicas vive em estado permanente de caça, caça para ficar, caça para casar, e amizade simplesmente - que é bom – nada. Aliás, a palavra amizade, para a maioria das lésbicas, parece ser uma espécie de código que significa na verdade que você está em temporada... de caça.

Se não, me digam, por que haveria alguém que está apenas em busca de amizade querer saber se você é feminina, masculina ou andrógina? Nas primeiras tecladas com uma dessas caçadoiras enrustidas, pois dizia que estava em busca de amizade, um bom tempo da conversa girou em torno de saber a minha aparência física, não se eu era gorda ou magra, alta ou baixa, mas sim se eu pintava os cabelos e as unhas, fazia a sobrancelha, usava batom, saia e sapato de salto porque ela fazia tudo isso e assim é que apreciava uma outra mulher.

Convenhamos que, quando nossa busca é por uma parceira sexual ou amorosa, para ficar ou casar, até que requisitos como os citados acima podem fazer uma boa diferença. Eu mesma não tenho tesão pelo masculino seja em homens seja em mulheres. O masculino me evoca várias coisas, a maioria delas positivas, mas não me atrai sexualmente. Meu lugar do desejo é mesmo o feminino naturalmente nas mulheres mas até em homens (certa vez me peguei impressionada por uma travesti super-feminina...rsss). Não falo do feminino tipo perua, pois não me agrada muito a estética over, mas o feminino light, discreto e charmoso.

Agora, quando o assunto é amizade, o que me interessa é se a mulher em questão é boa pessoa, se tenho afinidades com ela, de gostos, de humor. Nesse sentido, tanto faz sua aparência, se a figura é feminina, masculina, andrógina, se é negra, branca, oriental, alta, baixa, destra ou ambidestra, subaquática....

Na verdade, essa busca de mulheres femininas, até para simples amizade, tem muito a ver com o preconceito contra a visibilidade das mulheres masculinizadas, visibilidade lésbica, que fique claro, e também com a necessidade de se encaixar num papel mais palatável aos olhos heterossexuais. Para as enrustidas, que ainda há aos montes, uma butch é uma saída do armário a ser evitada. Para as normalizadoras, uma butch incomoda porque não se encaixa no modelito feminista da igualdade entre os pares que, transportado do terreno da cidadania para o da sexualidade, resulta simplesmente desastroso, pois preconiza que as parceiras têm que ser iguais na cama e no visual, em outras palavras, ambas femininas.

Tive uma colega butchezinha que tinha uma namorada bem femme e que, na cama, adorava os papéis assim bem divididos, mas que, no social, morria de vergonha do caso. Daí que na rua elas fingiam que não se conheciam, pois a moça não queria ser vista com aquela bandeira ambulante que era sua amante butch. O mais tristemente engraçado é que essa minha colega butch aceitava essa situação humilhante. Tá certo que a menina era uma gatinha, mas gatinhas existem muitas e com uma cabeça bem melhor.

Então, tanto nos discriminaram e não aprendemos nada com isso? Na hora do vamos ver, também discriminamos? Que maus! Deixemos disso e retomemos o aprendizado do respeito a todas as identidades lésbicas existentes, das sapatilhas às sapatonas, das entendidas às lésbicas politizadas, lembrando que, como diz o ditado, principalmente quando o assunto é amizade, quem vê cara não vê coração.

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