Homofobia: por um conceito amplo ou restrito?

segunda-feira, 16 de abril de 2012 0 comentários

arco-íris
Autor(a): Míriam Martinho

Dizem os estudiosos que vivemos há pelo menos 5000 anos no sistema patriarcal, assentado na supremacia masculina, com os homens como figuras detentoras de autoridade e privilégios, na sociedade, em detrimento das mulheres. Esse sistema, por sua vez, assenta-se na família patriarcal e na heterossexualidade obrigatória, tida como única forma "normal" de relacionamento erótico e afetivo entre as pessoas. Embora ligeiramente abalado do último século para cá, com a mudança no estatuto das mulheres e as reivindicações de grupos homossexuais por igualdade de direitos, este sistema continua vigente e permeia tudo que nos circunda, inclusive nós mesmos. Então, seríamos obrigados, ao fazer uma leitura radical desse contexto, a considerar tudo como sexista e heterossexista e consequentemente preconceituoso, o que é inviável.

Por isso, na minha opinião, o conceito de homofobia necessita de definição precisa, objetiva, com a qual a sociedade concorde, para ser passível de se tornar crime. Sem uma definição dessa natureza, ficamos à mercê das subjetividades, e cada um(a) vê e sente as coisas de uma forma, tanto que aquilo que me ofende não ofende igualmente a outra pessoa ou sequer a ofende. Obviamente, me refiro aos casos, tidos como preconceituosos, de anúncios comerciais, declarações de celebridades, entre outros mais light, e não a crimes de ódio, mesmo porque o estudo desses crimes estabelecerá sua motivação, possibilitando separar-se o joio do trigo. Assim, considero fundamental haver, na análise de qualquer situação de homofobia, pelo menos um sujeito homossexual presente e/ou referências (negativas) incontestáveis à homossexualidade. Fora dessas especificações, pondero que entramos no terreno das especulações subjetivas, um verdadeiro pântano, onde se atolar é muito fácil.

Sobretudo, vejo o patrulhamento ideológico das pequenas falas, realizado por muitos ativistas homossexuais hoje em dia, como profundamente contraproducente à luta pelos direitos LGBT, pois cria antagonismos desnecessários e passa uma imagem de fanatismo da militância. O objetivo a conquistar é o da igualdade de todos perante a lei, via a oficialização dos direitos civis das pessoas homossexuais e, no máximo, o do reconhecimento da homossexualidade, da bissexualidade, etc., como variantes da sexualidade humana, pois é o que são aliás.

Fora isso, me parece extrapolação da função do ativismo - e fonte da oposição ao alcunhado kit antihomofobia, por exemplo - sair-se pregando contra a heteronormatividade, entendida pela maioria como heterossexualidade simplesmente. A maior parte das pessoas acha que combater a norma heterossexual - pelo seu caráter de obrigatoriedade - é o mesmo que combater a heterossexualidade. Daí não precisa um grande salto intelectual para imaginar que se quer fazer propaganda da homossexualidade, em programas de educação sexual, em vez de simplesmente combater o preconceito contra a mesma. Há formas e formas de se dizer e fazer as coisas. Impor conceitos e jargões do ativismo à sociedade só gera confusões.

Parodiando Martin Luther King, prefiro pensar que um mundo justo será simplesmente aquele onde as pessoas não serão julgadas por detalhes insignificantes como a cor da pele, o sexo ou a orientação sexual e sim pelo conteúdo de seu caráter. Não quero substituir uma norma por outra, preconceituosos heterossexuais por preconceituosos homossexuais. Melhor construir pontes do que levantar muros.

Nota: Aproveito para convidá-los a ler dois textos sobre direitos homo de uma perspectiva liberal, com a qual me identifico em boa parte:União homoafetiva: uma pequena vitória para a liberdade:http://bit.ly/iCpBV0 União estável, homofobia e igualdade de direitos:http://bit.ly/k9ZzAz

Publicado originalmente em Contra o Coro dos Contentes (14/06/11)  

American Airlines: Viagens para gays e lésbicas

sexta-feira, 13 de abril de 2012 0 comentários

dCasal de mulheres e criança
 Casal de mulheres e criança no site da American Airlines

Durante a abertura da convenção anual de 29ª International Gay & Lesbian Travel Association (www.iglta.org), em Florianópolis, hoje, 13/04, a diretora da American Airlines de Mercados de Diversidade, Cynthia Barnes, anunciou que o site da empresa, para o público LGBT, agora também está acessível em Português e Espanhol. 

Nele, os interessados poderão ler que a American Airlines se orgulha de ter o primeiro programa de fidelidade de companhias aéreas que convida você a marcar LGBT no seu perfil do passageiro. Informa também que promoções e serviços são personalizados levando em consideração as suas necessidades.

Para mais informações a respeito das propostas da companhia, as pessoas podem assinar o Boletim Informativo Rainbow, enviado por e-mail, ou ainda acessar a página da AA no Facebook ou segui-la pelo Twitter. A AA tem inclusive equipe de recursos humanos dedicada ao público LGBT, a GLEAM.

Clipping: Londres proíbe anúncio que oferece 'cura para gays'

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Anúncio de entidade de defesa dos
direitos gays... (Foto: Stonewall)
As autoridades de transporte de Londres proibiram um anúncio veiculado nos ônibus da cidade que sugeria que gays poderiam ser curados.

A campanha, uma paródia de uma iniciativa do grupo pró-gay Stonewall ('Algumas pessoas são gays. Aceite isso'), afirma que terapias poderiam mudar a orientação sexual.

Com o enunciado 'Não gay! Pós-gay, ex-gay e orgulhoso. Aceite isso!', a campanha seria veiculada nos ônibus na próxima semana.

... e sua paródia (Foto: Core Issues Trust)
e sua paródia (Foto: Core Issues Trust)




Mas a autoridade de transporte londrina, Transport for London (TfL), baniu o anúncio após reclamações.

'Tolerante e inclusiva'

A Core Issues Trust, grupo cristão que está por trás da campanha banida, afirmou que a decisão constitui censura. O TFL, no entanto, argumentou que os anúncios não refletiam uma Londres 'tolerante e inclusiva'.

'Os anúncios não estão nem estarão em qualquer dos ônibus da cidade', disse um porta-voz da autoridade.

Desde abril, 1.000 ônibus londrinos exibem os anúncios promovendo o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a campanha 'Algumas pessoas são gays. Aceite isso'.

Já os pôsteres bancados pela entidade cristã Anglican Mainstream e contratados junto às empresas de ônibus pelo grupo cristão Core Issues seriam veiculados em cinco rotas centrais de ônibus, incluindo destinos altamente turísticos e centrais como a Catedral de St Paul, Oxford Street, Trafalgar Square e Piccadilly Circus.

'Canais corretos'

O porta-voz da Stonewall, Andy Wasley, ressaltou que 'não há anúncios promovendo vudu para curar gays em Londres', em uma crítica às entidades cristãs.

O prefeito Boris Johnson afirmou: 'É claramente ofensivo sugerir que ser gay é uma doença da qual as pessoas se recuperam e não estou disposto a ver isso circulando nos ônibus da cidade'.

Já o co-diretor da Core Issues Mike Davidson afirmou não ter se dado conta de que a censura estava em vigor na capital. 'Usamos todos os canais corretos e fomos aconselhados pelas empresas de ônibus a seguir seus procedimentos. Eles nos deram OK e, agora, vetaram'.

Fonte: G1

Atriz Guta Stresser participa da Campanha Nacional de Apoio Casamento Civil Igualitário

quinta-feira, 12 de abril de 2012 0 comentários

casamento igualitário
Guta Stresser (atriz)
Guta Stresser é uma das artistas, entre vários outros artistas, que gravou depoimento para a campanha pelo casamento civil igualitário que se inicia agora. Vejam que ótima a fala da artista.

O projeto do casamento civil para pessoas de mesmo sexo é de autoria do deputado Jean Wyllys (PSOL).


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