Conservadores fazem protesto contra família LGBT em Rondônia

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Cartaz diz que diversidade é destruição da família constituída por Deus (Foto: Ana Claudia Ferreira/G1)

Protesto contra famílias gays reúne cerca de 500 pessoas em Rondônia
Ato foi feito em Ariquemes após uma decisão de prefeitura municipal. Poder executivo quer suprimir páginas didáticas com casais homoafetivos.

Cerca de 500 pessoas fizeram um protesto, neste sábado (4), contra a formação de famílias homoafetivas e diversidade de família, em Ariquemes (RO). Com cartazes e faixas dizendo que família é formada apenas por homem e mulher, os manifestantes do "1° ato em prol da família" iniciaram a passeata na Praça da Vitória e seguiram até o Ministério Público de Rondônia (MP-RO).

Na ocasião, os integrantes de grupos religiosos pediram que a prefeitura mantenha a decisão, anunciada no dia 23 de janeiro, em suprimir as páginas de livros escolares que tenham diversidade familiar, como a adoção de crianças por casais gays. O protesto teve mais de três horas de duração.

Para o ato, os manifestantes produziram vários cartazes e faixas. "Diversidade de família e ideologia de gênero é destruição da família constituída por Deus", dizia uma mensagem. "Homem e mulher constituem uma família", apontava uma faixa.

A dona de casa Tatiane de Souza, mãe de dois filhos, foi à manifestação acompanhada do filho Marcos Antônio, de 10 anos. Ela apoia a retirada das páginas dos livros que tratam de diversidade familiar.
Eu e meu marido decidimos que esse tipo de informação nós é quem vamos ensinar aos nossos filhos, consideramos esse conteúdo inadequado para a idade dos nossos filhos", disse.
Após percorrer cerca de dois quilômetros por duas avenidas da cidade, os participantes do "1° ato em prol da família" fizeram um momento de discursos dos lideres religiosos.

O encerramento do ato aconteceu em frente à Promotoria de Justiça de Ariquemes. Os participantes também são contra a recomendação do MP para que a prefeitura não faça a supressão do conteúdo de união dos atuais livros didáticos.

Cartaz diz que família é formada por homem e mulher (Foto: Ana Claudia Ferreira/G1)

Organização

O pastor presidente da igreja Assembleia de Deus, Nels dos Santos, integra o grupo dos religiosos organizadores da passeata. Ele afirma que o ato não é favor do preconceito, apenas defende a família tradicional constituída por Deus, somente com homem e mulher.
Respeitamos quem tem orientação sexual diferente. Não somos contra pessoa, eles são bem-vindos na igreja, mas não aprovamos as práticas dessas pessoas", explica.
Segundo os organizadores, cerca de 500 pessoas participaram do ato. Eles querem que a opinião deles seja respeitada, onde os pais eduquem os filhos sobre famílias diferentes, formadas por casais homossexuais.
Nossa intenção é ser ouvidos, exigimos que os órgãos que defendem o uso desses livros, entendam que nós pais não queremos isso para os nossos filhos", afirmou o professor Geidson Moreira, um dos organizadores do ato.
Educador

O professor André Ribeiro acompanhou o protesto e discordou do manifesto, considerando a caminhada preconceituosa e hipócrita.
Isso é um circo. Precisamos de mais conhecimento e não de censura. Que preguemos o amor fraterno e não o ódio contra as minorias” criticou.
A Polícia Militar (PM) e Guarda Municipal prestaram apoio a passeata, mas não divulgaram a quantidade de público.

Caso dos livros didáticos

No início do mês de janeiro, oito dos treze vereadores protocolaram um ofício para solicitar a suspensão e o recolhimento dos livros didáticos disponibilizados pelo Ministério da Educação (MEC) que serão distribuídos neste ano, a fim de evitar a discussão sobre ideologia de gênero nas escolas do município.

Em agosto de 2016, os livros com o conteúdo foram entregues às escolas, mas foram retirados dos alunos pelo município.

De acordo com um dos vereadores responsáveis pelo ofício, Amalec da Costa (PSDB), existe uma lei municipal em vigência a qual não permite a exposição de conteúdos com ideologia de gêneros aos alunos do ensino fundamental.

No dia 23 de janeiro, o prefeito de Ariquemes, Thiago Flores (PMDB), realizou uma reunião com 12 vereadores para debater sobre o assunto. Na ocasião eles decidiram retirar os trechos com ideologia de gênero e diversidade familiar dos livros.

O G1 teve acesso aos conteúdos presentes nos livros didáticos e constatou a presença de questões relacionadas à diversidade sexual nas formações de famílias. Em um livro de geografia do 3º ano, o texto apresenta que as famílias podem ter diversas composições e apresenta uma foto com duas mães e as filhas.

Em um livro de história do 2º ano, uma imagem conta a história de Theodora. "Theodora e seus pais, Vasco e Dourival – o primeiro casal de união homoafetiva a adotar uma criança no Brasil, em 2006".

Em um livro de geografia do 3° ano, o material indica a leitura ao aluno sobre um texto de um casal homossexual que adotou uma criança com necessidades especiais.
Livro mostra composição por diferenters famílias (Foto: Ana Claudia Ferreira/ G1)

Já em um livro do 1º ano, um exercício leva aos alunos completar as legendas das fotografias escrevendo o número de pessoas de cada família. Entre as imagens, está a de uma família formada por dois pais e uma criança.

Para o Ministério da Educação (MEC), a atitude de suprimir as páginas de livros escolares é ilegal. Segundo o MEC, a supressão dos livros distribuídos no âmbito do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) afronta à legislação dos materiais didáticos, pois as escolas possuem o dever de zelar dos livros.

Fonte: G1, por Ana Claudia Ferreira, 04/02/2017

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