Estudantes fazem manifestação pelo retorno de professor afastado de escola por falar de direitos LGBT

quinta-feira, 24 de março de 2016

Durante o desfile de 7 de setembro de 2015, Pelegrin usou uma saia   (Foto: Arquivo Pessoal)

Alunos fazem protesto e pedem volta de professor afastado em Campinas
Docente diz que foi afastado após levar questões de gênero para desfile. Diretor informou que não pode revelar o motivo do afastamento do professor.

Estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Caic Zeferino Vaz, na Vila União, em Campinas (SP), fizeram uma manifestação, nesta segunda-feira (21), para pedir a volta de um professor que foi afastado por 60 dias pela Prefeitura. Vitor Pelegrin, 30 anos, docente de Geografia, acusa a administração municipal de homofobia e perseguição. Segundo ele, o afastamento ocorreu após os debates sobre os direitos dos homossexuais e a igualdade de gêneros terem sido levados para o desfile de 7 de setembro do ano passado. O professor ainda é alvo de um processo administrativo, que pode resultar em sua exoneração.

Juliano Pereira de Mello, diretor pedagógico da Secretaria de Educação de Campinas, revelou que não pode informar o motivo pelo qual Pelegrin está afastado porque o processo tem "caráter sigiloso para garantir a imagem do servidor". Ele ressaltou ainda que o docente tem "garantida a "ampla defesa e o contraditório".

Embora não especifique o que levou o professor a ser afastado, Mello explicou que pais foram até a escola para falar sobre o desfile de 7 de setembro. " [pais] eles procuraram a escola questionando a forma como aconteceu, por conta dos cartazes e determinadas vestes. Os pais não sabiam que o desfile seria assim", conta.
Manifestação
Inconformados, os alunos do Caic fizeram uma manifestação para questionar a administração municipal e a direção da escola. Após o período de aula, os estudantes exibiram cartazes com mensagens de apoio a Pelegrin, como 'Onde está o Vitor?' e 'Volta Vitor'. Eles recorreram ainda às redes sociais para divulgar um texto no qual questionam o afastamento.(veja um trecho abaixo) 
Eu me senti muito orgulhosa por ter participado do desfile [...] eu como muitos outros alunos não achamos que o Vitor merece uma punição, muito pelo contrário! Eu sou totalmente a favor de um professor chegar na sala discutindo gêneros e religiões, principalmente nas aulas do Vitor que acontecem diversos debates e discussões, para mim todos temos direitos de expressar nossas opiniões, assim como o professor Vitor expressou a dele", relata uma das estudantes.
Desfile  de 7 de setembro
No evento em 2015, que também abordou outros temas, Pelegrin desfilou de saia e era um dos participantes que exibiam mensagens de 'Não a Homofobia', 'Respeito' e 'Igualdade de Gêneros'. 
Tinham vários cartazes com frases que para nós são inofensivas, mas parece que aos olhos da prefeitura é diferente, como 'menina também joga bola', 'não violência contra a mulher'", revela o professor.
Ainda segundo Pelegrin, o evento, organizado pelos professores, contou com o apoio e participação da direção da escola, além de cerca de 100 alunos.
Ao final do desfile todo mundo se congratulou e foi um evento muito bonito. Após as férias e, ao saber do processo, a gente queria fazer uma avaliação de como tudo ocorreu no ano anterior, mas isso foi proibido pela escola", critica.
Para o professor, a direção do Caic foi pressionada pela Secretaria de Educação durante as férias.
Ao invés de explicar como é o funcionamento da escola, qual foi a ideia do desfile, ela [direção] fez um texto tirando o corpo da reta. A direção disse que não sabia do desfile, o que é mentira já que participou, e coloca toda a culpa na professora de artes, que organizou", explica.
Segundo Pelegrin, os professores da unidade escolar queriam debater o assunto na reunião de planejamento dos docentes sobre o próximo ano letivo.
Se existe uma discussão dessa, que se faz coletivamente, qual é o sentido de afastar um professor se não para calar o debate da questão de gênero?", questiona.
Reclamações dos pais
O diretor pedagógico da Secretaria de Educação revelou que a direção da escola informou que não tinha conhecimento de que ação contra a homofobia seria realizada pelo professor com participação de outra docente. Segundo Mello, a escola relatou ainda que nada foi combinado previamente com autorização dos pais. Oficialmente, o Caic informou o pais apenas sobre a fanfarra de 7 de setembro.
Isso [fanfarra] sim foi planejado com todos e acordado com a equipe gestora e com a ciência dos pais. Aquele outro ato de manifestação, segundo relatos da escola, não tinha sido planejado com a gestão do Caic", explica o diretor.
Em relação ao protesto desta segunda (21), Mello destaca que a manifestação é "legítima e democrática" e demonstra a opinião dos alunos. O diretor esclarece, no entanto, que os estudantes não estão sem as aulas de Geografia e há a "substituição e adiantamento dos conteúdos". Ainda de acordo com o ele, na próxima semana um professor substituto deve assumir as aulas, temporariamente, até que o processo administrativo contra Pelegrin seja encerrado.

Fonte: G1, 21/03/06

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