Polícia trabalha com hipótese de homofobia no caso de jovem assassinado em Goiás

sexta-feira, 12 de setembro de 2014


Jovem é assassinado em Goiás e polícia trabalha com hipótese de homofobia

O corpo de João Antônio Donati, de 18 anos, foi encontrado na última quarta-feira, em um terreno baldio da cidade de Inhumas, na Região Metropolitana de Goiás. O jovem tinha saído de casa na noite de terça-feira para ir a um bar com amigos e desapareceu. De acordo com o delegado Humberto Teófilo, titular da Delegacia de Inhumas, a hipótese de homofobia não está descartada.

— Ele era homossexual declarado. Não vamos descartar nada. É possível que tenha sido motivado por homofobia sim. Conversei brevemente com amigos e familiares.

De acordo com o laudo da necropsia, João foi morto por asfixia. Segundo o delegado, a boca do jovem foi tapada com sacos plásticos de lixo e papel de picolé. Próximo ao corpo, foi encontrado um preservativo. O delegado ressaltou que a informação divulgada por amigos, de que um bilhete, com mensagem homofóbica, teria sido deixado no local do crime, não procede.

João tinha marcas de agressão em todo o rosto. Não foi revelado se houve relação sexual no local. Ao contrário do que tem sido veinculado por amigos nas redes sociais, o pescoço e as pernas do jovem não foram quebrados. Ainda não há pistas sobre o assasino.

— Ainda estamos no começo da investigação. Estou esperando passar este momento, o velório, para falar com os familiares e amigos. Neste momento surgem muitas especulações.

Raiany Maggiore, amiga de João, soube da morte do rapaz através da internet. Morando na Europa, ela conta que conheceu o rapaz há três anos.

- Era um menino de ouro, um amor. Espero que a polícia pegue o monstro que fez isso.

De acordo com Raiany, João sempre contou com o apoio da família, mas relatava ser alvo de insultos homóficos na cidade. Assim como muitos jovens, ele queria achar um grande amor.

- Ele ouvia na rua "viadinho", "vira homem". Mas nunca relatou casos de agressão. Ele era muito alegre. E sonhava muito, muito. Sempre falava que um dia iria morar em um lugar aonde não teria preconceito, aonde poderia achar um namorado igual dos conto de fadas.

Nas redes sociais, a morte causou comoção entre os amigos de João. No Facebook do rapaz, várias fotos demonstram um jovem alegre e vaidoso. Nas legendas, João sempre escolhia frases relatando fé em Deus para lidar com os problemas e mensagens de incentivo.


Em outra, cita um dois diálogos do filme “Querido John”, baseado no livro do autor americano Nicholas Sparks. “Vamos namorar escondidos. Vamos nos amar em segredo. Vamos dizer 'não' quando perguntarem e 'sim' para o outro. Vamos fingir sermos eu e você para o mundo e ainda seremos nós”.

A mãe de João, Ismênia, compartilhou uma foto ao lado do filho no Facebook. Ela usa uma imagem de luto no perfil. Mensagens de todo o país mandam condolências à família.

João era popular e querido. Ele tinha 1.381 seguidores na rede social. Após a noticia de sua morte, muitos amigos e pessoas que não o conheciam lamentaram o crime. O Facebook de João também tem recebido várias mensagens de apoio aos parentes e contra a homofobia.

Dois atos de protesto foram marcados para o próximo sábado. Um deles na cidade de João, e outro em São Paulo. Uma montagem com a foto do rapaz morto também está sendo usada para manifestações contra o assassinato da população LGBT.

“Que crueldade meu deus, muito triste ver isso, mataram ele com essa crueldade simplesmente porque o rapaz sentia atração por homens. Homofobia tem que virar crime, infelizmente isso não tá perto de #mudar porque os políticos só pensam em roubar e não preocupam mais com os brasileiros de bem .#meussentimentosafamilia”, escreveu um usuário que não conhecia João.

“Queria eu poder deixar um texto lindo como os dos outros, mas estou muito chocado para pensar em algo para confortar o coração dos familiares; embora eu não o conhecia fiquei muito triste pelo fato. Meus pêsames aos familiares”, escreveu outro jovem.

“Você sabe o que significa homofobia? Homofobia é o preconceito contra aqueles que amam pessoas do mesmo sexo. É o preconceito contra pessoas que têm sentimentos, anseios, necessidades e esperança como qualquer outro humano. E o que há de errado nisso? Nada. Não devem existir regras para o amor, ele deve seguir apenas o respeito e a liberdade. Descança em paz”, desabafou uma adolescente.

De acordo com o delegado, a cidade não registrava um caso de homício há meses.

Fonte: Extra, 11/09/2014

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