Na novela Império, Enrico (Joaquim Lopes) manifesta repulsa e raiva pelo pai, ao saber que ele é gay

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Mãe deixa filho transtornado ao dizer que “sempre soube” que
o marido mantinha relações extraconjugais com outro homem

Tratado com timidez na eleição, combate à homofobia é destaque em “Império”

Depois de um período em banho-maria, no qual nada de importante acontecia, “Império” voltou a mostrar qualidades. Exibida nos capítulos de sábado (20) e segunda-feira (22), a grande festa oferecida pela família Medeiros para lançar uma nova coleção de jóias serviu de pretexto para que a trama, finalmente, avançasse em várias direções.

Com habilidade, Aguinaldo Silva fez com que dois temas importantes, tratados até então de forma paralela na história, se cruzassem em cena.

Téo Pereira (Paulo Betti) publicou em seu blog, enquanto ocorria a festa, fotos de Claudio Bolgari (José Mayer) beijando Leonardo (Klebber Toledo). A revelação de que o cerimonialista, casado e pai de dois filhos, é gay detonou uma série de acontecimentos dramáticos.

Claudio foi vítima, ao mesmo tempo, de invasão de privacidade e de homofobia. Primeiro, viu-se objeto de fofocas, piadas e comentários maldosos por parte dos participantes da própria festa que organizou. Na sequência, no momento mais forte do capítulo de segunda-feira, Enrico (Joaquim Lopes) manifestou repulsa e raiva pelo pai, ao ter a confirmação de que ele é gay.

Numa longa cena, de seis minutos, o autor retratou de forma dramática o embate de Enrico com o pai e a mãe, Beatriz (Suzy Rego). Coube a ela explicitar como os dois assuntos – invasão de privacidade e homofobia – se encontravam. “Confessa, você ficou chocada”, disse Enrico à mãe. “Fiquei chocada”, respondeu. “Não pela foto e sim pela maldade do Téo Pereira”.

Beatriz deixa Enrico ainda mais transtornado ao dizer que “sempre soube” que o marido mantinha relações extraconjugais com outro homem. “Isso é nojento”, diz o filho, levando o pai a entrar na discussão.

“Sou homem bastante para enfrentar qualquer um que pensa como o Enrico”, diz Claudio. “Só existe farsa quando se engana os outros. A relação afetiva entre eu e sua mãe só diz respeito a nós dois. Onde é que está a farsa? Quem é que pode dizer que está errado? Só por que não está de acordo com os padrões?”

O discurso do personagem é longo e didático. “Já passou o tempo em que se condenava o que não estava de acordo com o que alguns consideravam o certo”. Claudio procurar fazer um paralelo com outras situações, como o preconceito a respeito de casamentos inter-raciais ou entre pessoas de diferentes classes sociais. “Isso é jogo de poder”, diz o personagem.

A cena se conclui com Enrico questionando a mãe se é mesmo filho dos dois. Beatriz dá um tapa na cara dele e o filho diz: “Vocês dois se merecem”. E sai dizendo que nunca mais voltará àquela casa.

Tema tratado com excesso de cuidados pelos principais candidatos à Presidência, que têm medo de contrariar os eleitores mais conservadores, o combate à homofobia ganhou os holofotes no horário nobre da Globo. Aguinaldo Silva merece todos os créditos por discutir de forma tão clara este assunto importante em “Império”.

Fonte: UOL, por Mauricio Stycer, 23/09/2014

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