Marina Silva revisa plano de governo para não apoiar demandas LGBT

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Marina declara que não apoiará direitos LGBT

A morte prematura do presidenciável Eduardo Campos do PSB, em acidente de avião, não se configurou como tragédia apenas por si mesma mas também porque abriu espaço para que a vice do candidato, Marina Silva, assumisse seu lugar. Na esteira da comoção que se seguiu à morte de Campos e por representar, na cabeça dos incautos, algo de "novo" na política brasileira, Marina abriu uma extraordinária vantagem sobre os demais concorrentes, ameaçando até derrotar Dilma Roussef no primeiro turno. 

No entanto, de "nova" Marina Silva não tem nada. Esta há três décadas na política brasileira, tendo integrado o Partido Revolucionário Comunista (sic), o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Verde, a Rede Sustentabilidade e, para participar das eleições deste ano, o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Pelo PT, foi vereadora, senadora e Ministra do Meio-Ambiente (até 2008). Saiu-se candidata à presidência da República pelo PV, em 2010, e, agora, por força do destino, pelo PSB.

Sua matriz ideológica é similar à de Dilma Roussef, misturada, contudo, com conservadorismo religioso (da teologia da libertação ao evangelismo foi um pulo) e ecologismo, este iniciado nos tempos dos seringuais com Chico Mendes no Acre. Em suma, Marina Silva é um bicho de sete cabeças: conservadora, socialista, ecologista e mística, tudo isso misturado num resultado imprevisível. Talvez, por isso mesmo, costume falar coisas incompreensíveis que os crentes néscios interpretam como expressão de alguma sabedoria tão superior que sua pobre capacidade de entendimento não alcança.

Não há nada de novo também em sua política nem em termos de ética ou de qualquer outra coisa. Esteve no PT ainda durante bons anos depois do escândalo do mensalão. Seu marido, Fábio Vaz, desligou-se de cargo no governo do Acre agorinha, governo de Tião Viana do PT, com quem mantém relações bem próximas. Do ponto de vista da moral e dos costumes, já se posicionou favorável ao ensino do criacionismo em escolas, contra pesquisas com células-tronco, contra a descriminalização do aborto e o casamento LGBT.

E, chegando ao tema desta página, devido ao programa do PSB, havia se posicionado mais favorável aos direitos LGBT numa primeira hora. Rapidamente, porém, mudou de ideia, seguramente por pressão de evangélicos a qual será ainda mais suscetível do que Dilma Roussef, já que comunga com eles da mesma visão de mundo.

Resumidamente, Marina Silva, se eleita presidente do país, tem tudo para ser um desastre em vários campos. Nada indica que saiba o que fazer com o caos econômico herdado dos longos anos de petismo (sem falar com o estado aparelhado). Tudo indica que representará um retrocesso no concernente às liberdades individuais, como o artigo abaixo exemplifica. Embora ache difícil reverter o processo de ascensão da candidata, acredito que precisamos tentar impedi-la de ser eleita. Na situação atual, ficamos sem opção, pois a diferença entre Dilma e Marina é bem próxima da que separa o seis do meia dúzia.

Míriam Martinho

São Paulo, 30/08/2014

Marina agora exclui casamento gay e criminalização da homofobia de plano

Comitê da candidata do PSB à Presidência afirma ter havido ‘falha processual na editoração’ do programa lançado e divulga ‘errata’

Decorridas menos de 24 horas do lançamento oficial de seu programa de governo, a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, emitiu nota oficial para retificar o que havia prometido em relação à defesa dos direitos da população homossexual.

Alegando "falha processual na editoração do texto" divulgado, ela recuou em relação aos pontos mais polêmicos e rejeitados pelos pastores de denominações evangélicas, onde se abriga parte considerável de seu eleitorado.

Ontem, após a divulgação do programa, ao mesmo tempo que as redes sociais registravam manifestações de apoio da comunidade LGBT, pastores e políticos da bancada evangélica disparavam críticas, insinuando que Marina perderia o apoio do eleitorado de suas igrejas.

Um dos pontos que mais deixam evidente o recuo da candidata, que pertence à igreja Assembleia de Deus, é a supressão da promessa de "articular no Legislativo a votação da PLC 122". O objetivo desse projeto de lei, que tramita desde 2006, é equiparar o crime de homofobia ao racismo, com a aplicação das mesmas penas previstas em lei.

Desde que surgiu, ele tem sido combatido pela bancada evangélica, com o argumento de que pastores que atacarem a homofobia em seus programas de rádio e TV também poderão criminalizados, o que seria uma restrição do ponto de vista da liberdade religiosa.

Outro recuo dos mais notáveis se refere à união entre pessoas do mesmo sexo. Na versão original, Marina prometeu "apoiar propostas em defesa do casamento civil e igualitária com vistas à aprovação dos projetos de lei e da emenda constitucional em tramitação, que garantem o direito ao casamento igualitário na Constituição e no Código Civil". Na proposta modificada, ela diz que vai "garantir os direitos oriundos da união civil entre pessoas do mesmo sexo".

Em outras palavras, ela vai se limitar a cumprir determinações legais já existentes, que surgiram do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que reconhecem a união civil entre pessoas do mesmo sexo e obriga os cartórios a registrar essas uniões. A promessa, portanto, apenas informa que a determinação do Supremo será cumprida. O que os gays reivindicam é uma lei que garanta o direito à união na Constituição. Isso os deixaria livres de mudanças nas interpretações do STF e do CNJ. Em outras palavras, teriam mais segurança.

Kit escolar. Marina se igualou à atual presidente Dilma Rousseff ao suprimir do programa a promessa de "desenvolver material didático destinado a conscientizar sobre a diversidade de orientação sexual e as novas formas de família".

Em 2011, pressionada pela bancada evangélica no Congresso, Dilma interrompeu a distribuição de material didático que se destinava justamente a combater a intolerância nas escolas, afirmando que seu governo não faria divulgação de nenhum tipo de orientação sexual. De la cá para cá, Dilma tem sido duramente criticada pela comunidade LGBT por essa decisão. Na sexta-feira, com a divulgação de seu programa, Marina ganhou elogios de quase toda a comunidade, que voltou a se lembrar da atitude de Dilma.

O terceiro ponto mais notável é o que trata da aprovação do Projeto de Lei da Identidade de Gênero Brasileira, mais conhecida como Lei João Nery. Seu objetivo é regulamentar o direito à troca de nomes de transexuais e travestis, dispensando a enorme burocracia que são obrigados a enfrentar hoje. Marina havia prometido mobilizar a bancada de governo no apoio à lei. No texto divulgado ontem, ela suprimiu a intenção de trabalhar pela aprovação.
Fonte: O Estado de São Paulo, Roldão Arruda, 30/08/2014

Marina diz que texto sobre política LGBT não era o acordado

De acordo com a candidata, o plano de governo divulgado nessa sexta trazia o texto original dos movimentos sociais e não o revisado

RIO - Em uma tumultuada caminhada de cerca de 30 minutos na favela da Rocinha, a maior da zona sul do Rio, a candidata do PSB à presidência, Marina Silva, negou ter havido uma "revisão" no programa de governo em relação às mudanças publicadas hoje na política LGBT.

A candidata disse que houve um "engano" da coordenação de campanha no momento da revisão do texto. Segundo Marina, o conteúdo que havia sido publicado nessa sexta-feira "foi o texto tal como foi apresentado pela demanda dos movimentos sociais", e que "o que foi feito foi apenas retomar o texto da mediação, porque havia sido cometido um engano, da mesma forma como aconteceu em relação à energia nuclear".

Fonte: O Estado de São Paulo, Tiago Rogero, 30/08/2014

Ver também Marina Silva assume ser contra casamento LGBT e perde secretário nacional do comitê LGBT pessebista | Um Outro Olhar

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