Caso nem ata nem desata entre Clara e Marina exaspera fãs do casal que criam a campanha “Maneco, não desista de Clarina”

segunda-feira, 5 de maio de 2014

O caso nem ata nem desata das belas já está causando exasperação

A blogueira da Veja, Patrícia Villalba, em sua coluna Quanto Drama escreveu uma postagem consistente mas não convincente sobre o caso nem ata nem desata das personagens Clara e Marina na novela Em Família. Para a jornalista, a demora no desenlace do caso, seja em caráter temporário ou definitivo, tem a ver com a construção da personagem Clara e seus dilemas e não há razão para que elas necessariamente tenham que ficar juntas. Segundo Patrícia, novela não é braço dramatúrgico dos movimentos LGBT, e as belas não ficarem juntas, ao final da novela, pode ser bem verossímil.

Claro que o autor da novela não tem a obrigação de escrever seu roteiro pensando em levantar, no caso, a bandeira LGBT, mas deveria ter sim sensibilidade social para emplacar um meio e final feliz para as personagens de Clara e Marina. As relações homossexuais ainda não são representadas nas novelas com a recorrência e a naturalidade que rolam na vida real. Casos como o da Clara não são raridade no dia-a-dia. Na vida real, mulheres deixam casamentos heterossexuais para ir viver com outras mulheres. E não falo de Daniela Mercury que, diga-se de passagem, já se relacionava com mulheres antes de assumir seu caso com a Malu Versoça. Homens idem para ir viver com outros homens. A realidade não é de fato como aqueles casais héteros de comercial de margarina. Ela é bem mais variada. Felizmente.

Então, como os romances homossexuais ainda são tão subrepresentados nas novelas e ainda existe tanto preconceito contra eles, seria sim de bom tom que o casal Clarina ficasse junto. Tá difícil   engolir a versão de que os obstáculos, sendo interpostos ao amor das duas,  originam-se somente da necessidade de melhor construção das personagens, quando o autor apresenta o desenlace de relações heterossexuais quase incestuosas e potencialmente destrutivas, como as dos insossos Laerte e Luiza, com uma rapidez e desenvoltura impressionantes. Fora outras tantas relações bem questionáveis, do ponto de vista moral, entre os demais personagens heterossexuais da novela. Não por menos as clarináticas andam acusando preconceito na recente interrupção do elã entre as personagens. Exageros à parte, será realmente frustante se não tiver happy end para as duas na Em Família.

História de Clara e Marina é o caminho, não o fim

Logo que Em Família começou, não bastasse o que fora alardeado pela imprensa, ficou evidente que Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller) seriam um casal. Mas ainda que Marina parecesse determinada a conquistar a dona de casa – heterossexual, segundo consta –, não estava nos planos do autor Manoel Carlos juntar as duas em tempo recorde. “Clara tem muito a perder”, me alertou ele em março, quando comentamos sobre a aceitação das personagens nas redes sociais, ferramenta moderna que transforma a mínima polêmica na mais urgente das discussões.

Cuidadoso com a psique de suas criaturas, Maneco não quer transformar Clara em homossexual num passe de mágica. Se o fizesse de improviso, para surfar na popularidade do Clarina – Clara + Marina, como é chamado o casal na internet –, certamente seria criticado. É preciso que ela pense, fique em dúvida, passe pelas dificuldades do transplante do marido, Cadu (Reynaldo Gianecchini). O processo de escolha é, enfim, a história. Ficar com Marina, se assim for, é coisa para o final da novela, como aliás costuma acontecer com os amores tipicamente românticos.

Mas a espera, que passaria despercebida num romance entre heterossexuais, instalou um incômodo disse-que-disse nas redes sociais. A base é a ideia (errada) de que o romance ficou em suspenso, quiçá correndo risco de não ir adiante. Por causa dessa “ameaça”, há, acredite, quem esteja passando o dia todo tuitando, com o objetivo de pressionar o autor a jogar Clara de vez nos braços de Marina. Os ânimos andam tão exaltados que até as atitudes mais despretensiosas andam provocando debate. Se Marina não aparece num capítulo, por exemplo, lá vão os fãs – auto-intitulados “clarináticos” – puxar a orelha de Maneco. Não só as personagens, mas atrizes também têm os passos virtuais vigiados de perto. Há dois dias, Giovanna postou uma foto ao lado de Reynaldo Gianecchini (o marido de Clara, Cadu) e Vitor Figueiredo (o Ivan, filho dos dois), com a legenda “Família em Família!”. A imagem, que teve mais de 37 mil likes, provocou uma chuva de críticas, mal-criações e incertezas. “O que será que ela quis dizer com isso?”, perguntou uma, entre tantas que repetiram a hashtag #clarina nos comentários. “E daí que isso é chato? Também torço por Clarina, mas também sei separar o real da ficção”, ponderou outra.

Numa novela que repercute menos do que se esperava, o casal de lésbicas tem provocado as mais acaloradas discussões na internet. Mesmo após o tão aguardado e comentado beijo gay de Amor à Vida, muitos têm tentado transformar as personagens de Em Família em símbolos contra o preconceito ou musas da causa LGBT. Mas será que é o caso de dizer que o preconceito é que atrapalha o romance das duas?

Não, não é. Quando o beijo entre Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) foi levado ao ar, diante da tamanha torcida pelo casal, questionei se a novela conseguira mesmo acabar com o preconceito ou se, mais provável, o público fora levado a gostar especificamente daquele casal – o que já é muito, mas é importante considerar que são coisas bem diferentes. Neste sentido, a polêmica que cercava Félix tinha a ver apenas com a exibição ou não de um beijo que já estava presumido, e não de uma escolha drástica. Walcyr Carrasco construiu a trama de tal maneira a não deixar dúvidas sobre a verdade e importância do romance. Qualquer um que estivesse acompanhando a novela deveria supor que o melhor para o nosso malvado favorito era ficar com Niko “Carneirinho” – lembremos que Félix era casado com uma tremenda mau-caráter, Edith (Bárbara Paz). O amor foi a salvação, com o bônus de uma família digna de comercial de margarina.

O caso de Clara e Marina é outro, e pode ser visto como um passo além daquele de Walcyr. Desta vez, o amor não é de salvação, o que o que o tornaria mais fácil de ser aceito pelo público, mas de perdição, de transformação. O amor vem para chacoalhar uma vida pacata – e feliz! –, não para acalmar um temperamento ruim. Maneco poderia ter, simplesmente, criado um marido bronco para Clara, que a empurrasse para os braços de uma mulher – como foi com a Catarina (Lilia Cabral) deA Favorita (2008) –, mas não. Preferiu, de caso mais que pensado, instalar a dúvida na cabeça do telespectador, dando à personagem um parceiro educado, amoroso e, para completar, com grave doença. Palmas para o autor.

Com isso, Maneco ainda se distanciou da história da cantora Daniela Mercury que, segundo o próprio autor, foi sua inspiração. Daniela, como se sabe, assumiu publicamente o relacionamento com a jornalista Malu Versoça, em abril do ano passado. Na ocasião livre, desimpedida e mãe de filhos adultos, a cantora teve um caminho aparentemente tranquilo ao “sair do armário”. Clara, cuja trajetória na novela é bem diferente da estrela, vive situação dramaturgicamente mais interessante na sua vida mais que prosaica. Para falar a verdade, até o momento, nem deu para entender se ela é ou não lésbica, se ama mesmo Marina e, mais, se deixou de amar Cadu. A decisão será pavimentada aos poucos pelo autor, ainda que haja beijo e tudo o que “as duas têm direito”, como vêm pregando as moças no tuíter. Mas se, no fim, elas não ficarem juntas apesar de todo o encantamento que uma sente pela outra, não terá sido ruim – muito pelo contrário, seria bem verossímil. Ou será que caímos na armadilha de pensar que todo romance homossexual de novela tem obrigatoriamente que vingar agora?

Fonte: Quanto Drama, Patrícia Villalba, Veja, 30/04/2014

Casais gays são os novos mocinhos de novelas. Viva Clarina!



O casal gay, seja ele formado por homens ou por mulheres, é o novo casal maravilha de mocinhos das novelas. Foi-se o tempo em que o sonho era ver um casal “perfeitinho e careta” como Tarcísio Meira e Gloria Menezes juntos. Esses casais modelos despertavam torcida e alavancavam audiência.

Os telespectadores de novelas de hoje, os mesmos que se emocionaram com o final feliz entre Felix e Nico em “Amor à Vida” agora querem um final feliz para Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Muller) em "Em Família", o folhetim de Manoel Carlos.

Os telespectadores começaram hoje no Twitter a campanha: “Maneco, não desista de Clarina”. Sim, o casal já ganhou apelidinho. O autor criou uma trama rocambolesca e “mexicana” para afastar o casal. Clara é casada com Cadu (Reynaldo Gianecchini) e ele está doente, muito doente. Vai ter que fazer um transplante de coração! Seria a desculpa perfeita para afastar o casal de meninas e fazer o que “os brasileiros de bem desejam”: manter a família brasileira unida. Esses mesmos cidadãos, aqueles que marcharam com deus pela liberdade (e essa marcha realmente aconteceu em março) parecem realmente ser minoria.

O que a audiência da novela quer: que a fotógrafa lésbica assumida seja feliz com a indecisa Clara. Elas caíram no gosto do publico e o amor das duas é levado a sério, sim. O caso de Clara, que para realizar o amor pela menina teria que largar uma vida “perfeita” com um marido doente e um filhinho fofo para viver um caso com uma mulher poderia chocar o Brasil. Não mais. Parece que os telespectadores clamam para que Clara seja livre e feliz.

Quem diria? Perdem os conservadores. Ganha o país.

PS. E não, não é só uma novela. A aprovação ou não do que acontece em uma trama das nove da Globo diz muito sobre o que se anda pensando por aí. Quem duvida?

Fonte: Blog Nina Lemos, Nina Lemos, 02/05/2013

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