Retrospectiva das famosas que saíram do armário: de Angela Roro a Maria Gadu

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Ângela Ro Ro e Maria Gadú  Foto: Reprodução

Famosas assumem cada vez mais a homossexualidade
Maria Zilda, Daniela Mercury, Maria Gadú: Veja quem já 'saiu do armário'

Dizem que as relações homossexuais entre duas mulheres são mais aceitas socialmente do que as entre dois homens. Ainda assim, sempre foi raro no meio artístico brasileiro ver celebridades lésbicas (ou bissexuais) assumirem em público sua orientação sexual. Nas décadas de 80 e 90, a cantora Ângela Ro Ro (63) costumava até brincar a certa altura de seus shows: “Vocês já sabem: eu sou a única cantora lésbica da MPB”.

Era uma forma bem-humorada de alfinetar as diversas outras divas da nossa música (que quase todos sempre souberam ser homo ou bissexuais) que nunca assumiram sua preferência por mulheres publicamente – enquanto Ângela, desde o início da carreira, nos anos 70, jamais fez segredo disso. Ela teve, inclusive, um tumultuado romance com Zizi Possi (57) (que, por sua vez, nunca gostou de falar do assunto). Mas Ângela permaneceu por tempos como um caso quase isolado de lésbica assumida – não só da música, mas das artes, em geral.

Por anos, praticamente só ela e Marina Lima (58) declaravam seu desejo por pessoas do mesmo sexo. Ao mesmo tempo, cantoras como Maria Bethânia (67), Gal Costa (68), Simone (63) e Joanna(56), quando indagadas sobre sua sexualidade, preferiam dar respostas vagas ou simplesmente não falar do assunto. Nenhum problema nisso, aliás, mas não deixa de ser estranho que essas mesmas artistas tenham transmitido, ao longo de suas longas carreiras, uma mensagem libertária em diversos níveis, inclusive o sexual...

O EXEMPLO DE CÁSSIA

Foi só na década de 90, quando Cássia Eller (1962-2001) não fazia segredo a ninguém sobre sua homossexualidade, que mais artistas lésbicas ou bi resolveram “sair do armário”. O fato de ser assumida nunca restringiu seu sucesso, ao contrário: a tornou um ícone e uma referência para outras artistas falarem publicamentede sua sexualidade.

Foi talvez graças a ela que uma cantora muito popular, comoAna Carolina (39), porexemplo, pôde ir a público e se assumir. “Sou bi. E daí?”, estampava a capa de uma famosa revista brasileira, em 2005, com uma foto de Ana Carolina. Em geral, o público recebeu a notícia sem problemas, até elogiando a coragem da cantora – muito embora alguns membros da comunidade LGBT tenham achado que a saída do armário foi pela metade (por Ana ter se assumido “bi”, e não totalmente“gay”).

Em termos de comercialização de discos, não dá para negar: houve uma queda de vendas entre o CD daquele mesmo ano e o lançado em 2006. Mas isso provavelmente não teve relação com a atitude da cantora – foi antes um reflexo da decadência do formato CD, que começou a se acentuar em meados dos anos 2000, e a um desgaste natural causado por sua superexposição do timbre de Ana naquela época (afinal, quem ainda aguentava ouvir sua voz depois de ela se esgoelar por tanto tempo nas rádios?).

HOJE EM DIA

O que se percebe hoje é que, a cada dia, mais e mais famosas resolvem assumir publicamente sua orientação sexual. Maria Gadú (26) não esconde suas namoradas de ninguém. Cláudia Jimenez(54), embora de vez em quando circule com homens que ela jura serem seus namorados, também não oculta que sai com mulheres. E Adriana Calcanhotto (48) selou união estável coma cineasta Suzana de Moraes (73), filha de Vinícius de Moraes (1913-1980).

As redes sociais têm ajudado nesse sentido. No caso mais recente de estrela que resolveu se assumir, o de Maria Zilda, foi pelo Facebook que a história ficou pública. E outro caso que mais deu o que falar, o de Daniela Mercury (48), foi revelado no Instagram. Aliás, muitos fãs nem cogitavam que a baiana não fosse heterossexual. A notícia de que ela estava apaixonada pela jornalista Malu Verçosa(37) foi divulgada pela própria cantora na rede social. Da noite para o dia, a hoje numerosa comunidade LGBT (para a qual Daniela nunca foi exatamente um ídolo) a colocou no posto de diva. E quem já era fã não a abandonou. Será que a atitude vai ter algum efeito sobre a vendagem de discos?

Seja como for, o fato de essas estrelas terem continuado a fazer sucesso mesmo após se assumirem deve continuar estimulando outras famosas a saírem do armário. Não está longe o tempo em quen ão serão mais necessários os discursos evasivos, como: “Não existe homossexualismo, heterossexualismo, bissexualismo, tudo isso é nomenclatura inventada por Freud”, como disse a atrizLúcia Veríssimo (55) à Folha de S.Paulo, em 2010. E que muitas estrelas que ajudaram milhões de pessoas a se aceitarem e terem orgulho de serem quem são poderão, elas também, falar livremente sobre si. Sem medos nem amarras.

Fonte: Revista Conta Mais / Ed. 672, por Fabio Augusto dos Santos, 10/11/2013

Ver também Quando Marina Lima assumiu Gal Costa como sua primeira transa lésbica 

3 comentários:

  1. Lueri...
    Mal vejo a hora de ver atrizes se assumindo. Por que A Lucia Veríssimo, que afirma gostar de mulheres, já disse que isso a prejudicou em conseguir papeis na tv, principalmente de "mocinha" de novela ( ela só entrou em Amor a Vida parece que foi por pedido do autor, eu acho, mas ela não tem a propaganda de outras atrizes)
    A Thammy Miranda me dá até dó, pois só foi usada para chamar atenção e depois descartada.

    Algumas de vocês conhecem alguma atriz lesbica assumida e que não dê a impressão de sofrer algum tipo de descriminação? A Luciana Vendramini saiu uma notícia de que foi dispensanda de um papel por ter "beijado uma mulher" na novela Amor e Revolução do SBT.

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  2. Parece que finalmente as mulheres estão descobrindo o que os homens já sabem há séculos: Que mulher é uma delícia!

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  3. Na Bahia a gente sabia sim de Daniela. Oxee..

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