Festa da Parada LGBT 2013: chuva, protestos e música!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Público se diverte ao lado da bandeira gigante (Foto: J. Duran Machfee/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Chuva, protestos e música marcam a Parada Gay de 2013
Daniela Mercury e manifestações contra homofobia marcaram evento. Ao contrário da Virada Cultural, parada teve poucas ocorrências policiais.

Chuva, protestos contra o preconceito e muita música marcaram a 17ª edição da Parada Gay de São Paulo, ocorrida neste domingo (2). O tempo nublado e chuvoso não desanimou o público, que marcou presença desde a concentração, na Avenida Paulista, próximo ao Masp, até o fim, na região da Praça da República, no Centro. Segundo a organização, 3 milhões de pessoas participaram do evento. Até as 22h, a PM não tinha um número fechado de quantos estiveram no evento.

Ao contrário do que ocorreu na última Virada Cultural, que foi marcada pela violência, a parada teve poucos casos de polícia. Segundo balanço das 20h da Polícia Militar, das 2.179 pessoas abordadas, apenas duas foram presas em flagrante: uma por tentativa de furto de uma câmera e outra por usar uniforme oficial do Corpo de Bombeiros sem pertencer à corporação. Seis foram detidas por urinar em via pública.

O clima de paz era nítido desde horas antes do início da festa. Aos poucos a Avenida Paulista ganhava os tons do arco-íris, símbolo do movimento gay. Bandeiras coloridas apareciam nas mãos de drag queens com perucas e roupas extravagantes, de travestis com decotes exagerados, de casais gays e até de casais heteros com crianças.

Guarda-chuvas e capas eram itens fundamentais, principalmente para quem usava fantasia ou maquiagem carregada. Mas houve quem não se importasse com a precipitação. "A maquiagem vai ficar mais desconstruída ainda. É essa a ideia", disse o maquiador Maurício do Vale. Outros se protegeram sob uma bandeira gigante do arco-íris.

A maioria, porém, torcia que a chuva passasse. Um “sósia” do Papa perdeu a conta de quantos participantes o abordaram para que ele pedisse a São Pedro que encerrasse a chuva. Coincidência ou não, o tempo melhorou no início da tarde. "Vamos aplaudir São Pedro que parou a chuva para a gente", disse um animador no primeiro trio.

Prevista para começar ao meio-dia, a parada teve início com mais de uma hora de atraso. No primeiro trio, o prefeito Fernando Haddad (PT) discursou contra o preconceito. "Existe amor em São Paulo. Vamos lutar contra toda forma de intolerância. Viva São Paulo na luta pela liberdade", disse.

Querida pelo público gay, a ministra da Cultura e ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) subiu no caminhão e, ao lado de Haddad e do deputado federal Jean Willys, disse ao microfone: "Manda bala, gente! Vamos começar essa parada". Ela discursou sobre os direitos dos homossexuais, que devem ser iguais aos dos heterossexuais, e foi aclamada pelo público.

Apesar de a chuva voltar a cair, com alguns períodos de tregua, o público não desanimou e caiu na dança. Cada trio tocava um tipo de som. Em alguns imperava a música eletrônica, outros tocavam Lady Gaga, mais adiante havia um caminhão de axé.

Daniela Mercury e sua namorada na Parada Gay
(Foto: Marcio Fernandes/Estadão Conteúdo)
O trio mais requisitado, porém, foi o da cantora baiana Daniela Mercury. Já na Rua da Consolação, ela começou a cantar alguns de seus sucessos, como "O Canto da Cidade" e “Ilê Pérola Negra”. Por quase duas horas ela agitou o público, inclusive cantando marchinhas de carnaval. Apesar da chuva, o público não se intimidou e seguiu seu trio.

No meio da apresentação, Daniela beijou a namorada, sendo ovacionada pelo público. A cantora recentemente se assumiu homossexual e, desde então, tornou-se crítica contumaz da homofobia. "A Constituição aceita todo mundo do jeito que é", disse.

Antes de cantar "Qualquer maneira de amor vale a pena", Daniela contou ao público que gravou a música, de autoria de Milton Nascimento, coincidentemente quando conheceu sua namorada. "Feliciano, qualquer maneira de amor vale a pena", cantou, em referência ao deputado Marco Feliciano (PSC). Ligado à ala evangélica da Câmara, o polêmico presidente da Comissão de Direitos Humanos é considerado homofóbico por entidades ligadas aos gays.

Protestos
Protesto contra Marco Feliciano (Foto: Flavio Moraes/G1)

Feliciano foi uma das figuras mais citadas na parada. Além das críticas de Daniela, o deputado foi citado em um trio elétrico. “[A Comissão de] Direitos Humanos não é lugar de homofóbico e racista. Fora Feliciano. Não nos representa”, dizia banner fixado na lateral do último caminhão.

Ele também foi lembrado em cartazes levados pelo público. Um deles dizia: “Beijos, Feliciano. Agora eu posso casar!”, em referência à aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Por volta das 18h30 o último trio chegou à Praça Roosevelt, perto da Rua da Consolação, onde o público se reuniu. De lá, os participantes seguiram para a Praça da República.

Apresentações
Fazia oito anos que a parada não contava com shows de encerramento, segundo a organização. Neste ano, duas apresentações foram feitas em palco montado na Praça da República, perto da Rua 24 de Maio, no Centro.

A primeira a subir no palco foi a baiana Mariene de Castro, que cantou clássicos de Clara Nunes. “A parada é um dia em que se comemora o amor e a liberdade”, disse, logo no início de sua apresentação. “É um momento importante para essa luta. Respeito é bom e todo mundo gosta. Isso vem de casa”, acrescentou.

A parada terminou com apresentação de Ellen Oléria. Vencedora do The Voice Brasil e lésbica assumida, ela subiu no palco e, no início do show, beijou sua namorada. Antes de encerrar o show, ela agradeceu os fãs e disse: "O amor venceu a guerra".

*Com reportagem de Julia Basso Viana, Roney Domingos e Elaine Almeida

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