Nota da APOGLBT em resposta ao cálculo do Datafolha sobre o público da 16ª Parada

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Avenida Paulista às 15:30



















Para a entidade organizadora da manifestação, instituto do Grupo Folha subestima a contagem feita pelo Guinness Book e contradiz registros oficiais da Prefeitura de São Paulo.

No último domingo (10), ocorreu a 16ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, que trouxe o tema Homofobia tem cura: educação e criminalização. Desde 2007, a manifestação vem atingindo a média de 3,5 milhões de participantes, porém, a partir desta edição, a APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo), entidade organizadora, decidiu por não divulgar números oficiais. Mas diante do cálculo apresentado pelo Datafolha nesta segunda-feira (11), a organização vem a público expressar que discorda dos resultados e questiona o método aplicado.

A decisão da APOGLBT por não realizar a contagem deve-se pelos seguintes motivos:

1) Nos primeiros anos, enquanto a principal reivindicação do movimento era o reconhecimento da população LGBT através da promoção da visibilidade, foi de extrema importância o registro de quantas pessoas participavam da Parada e seu expressivo crescimento a cada ano. Conquistado esse reconhecimento, os esforços estão voltados para a efetivação de políticas públicas e avanços legislativos que garantam a cidadania e os direitos humanos. Tendo em consideração que as seis últimas edições mantiveram a mesma margem de público, a contabilização deste índice torna-se uma demanda secundária.

2) Não há compromisso firmado entre a APOGLBT, os patrocinadores e apoiadores da manifestação que estabeleça uma meta de público a ser atingida, nem mesmo é exigido que a quantidade de participantes seja relatada em caráter de prestação de contas. Por conseguinte, a medição de público vem sendo, nos últimos anos, uma solicitação de interesse exclusivo da imprensa.

3) A cada edição, a Parada do Orgulho LGBT traz um tema que reflete diversas reclamações do movimento, sendo as prioridades atuais a criminalização da homofobia em âmbito nacional através da aprovação do Projeto de Lei da Câmara 122 de 2006, o reconhecimento efetivo das famílias compostas por casais homoafetivos e a aplicação do projeto Escola Sem Homofobia e demais iniciativas que insiram o respeito às diversidades no ensino. Diante disso, a organização observa que o anseio por parte da mídia quanto ao número de integrantes tem dividido o foco da difusão de nossos principais objetivos.

Com o esclarecimento de sua estratégia e reafirmando que em nenhum momento seus membros anunciaram dados oficiais sobre a contabilidade dos participantes, a APOGLBT apresenta argumentos que denotam equívocos nas informações publicadas pela Folha de S.Paulo, que em matéria de capa diz que a 16ª Parada reuniu 270 mil pessoas, segundo método desenvolvido e aplicado pelo Datafolha.

Av. Consolação às 17:25

Ineditismo, área e período

Na página C1 de sua edição do último dia 11, o jornal afirma que “pela primeira vez na história, a manifestação teve uma medição de público com caráter científico”, o que não é verdade. Em 2006, representantes do Guinness World Records (Livro Guinness dos Recordes), com sede em Londres (Inglaterra), estiveram em São Paulo a convite da APOGLBT para realizar a contagem do público presente na 10º Parada, através de rigorosos requisitos com padrões internacionais.

Ao final, os pesquisadores concluíram que a manifestação teve a participação de 2,5 milhões de pessoas, o que conferiu à Parada paulista o título de The Biggest Pride Parade Of The World (A Maior Parada do Orgulho LGBT do Mundo).

Portanto, tanto a Folha quanto o instituto negligenciam o trabalho do Guinness e ainda subestimam a contagem realizada por uma organização renomada em todo o planeta, conhecida por sua seriedade e rigidez nos critérios de avaliação.

Além disso, de 2008 a 2010, a APOGLBT também realizou o cálculo através de método científico com base na engenharia hidráulica. A organização utilizava imagens aéreas fornecidas pela Polícia Militar e considerava o fluxo e rotatividade de público, tendo como área ocupada para pesquisa o final da Rua Vergueiro, a Avenida Paulista em sua extensão, início da Avenida Rebouças, Rua da Consolação, Avenida Ipiranga até a Praça da República, Largo do Arouche e todas as vias transversais e adjacentes deste espaço, no período das 10h (início da concentração) às 20h (prazo máximo de para liberação das interdições).

Como consta na página C4 do jornal, a área analisada pelo método do Datafolha vai do número 1578 da Avenida Paulista (MASP) – o que omite do registro quase a metade da via – até a Praça Roosevelt. Isso representa, no máximo, um terço do espaço considerado pela contagem da APOGLBT. O período de campo do instituto também é menor, das 11h30 às 18h – três horas e meia a menos que o da organização.

Para comparação, ocupando um espaço de aproximadamente 1,2 km, a festa de réveillon na Avenida Paulista anuncia receber 2 milhões de pessoa, mais da metade do que a margem de público da Parada, em cerca de uma área pelo menos 7,5 vezes menor.

Contradições

Segundo levantamento realizado pela São Paulo Turismo (SPTuris), empresa da Prefeitura, a Parada do Orgulho LGBT de 2011 recebeu mais de 600 mil visitantes, entre do habitantes do estado, de outra regiões do país e estrangeiros – número superior em 122% do que o total de participantes contabilizados pelo Datafolha –, o que classifica a manifestação como o maior atrativo turístico da cidade. Com a estimativa de que o número se repita neste ano e mesmo considerando que nem todos que vem a São Paulo no período participam diretamente da Parada, o valor apresentado pelo instituto é, no mínimo, incoerente.

Dos 270 mil anunciados pela reportagem, 40% seriam de fora de São Paulo. O valor significa que 108 mil turistas participaram da Parada. Isso representa que apenas 18% da expectativa registrada pelo levantamento oficial da SPTuris teriam, de fato, comparecido à Avenida Paulista no último domingo.

Outro dado da empresa municipal é que a 15ª Parada registrou recorde de arrecadação aos cofres públicos, somando um retorno de R$ 206 milhões em carga tributária, ficando somente abaixo do circuito de Fórmula 1. Esperando que esse montante se repita e calculando simbolicamente a média de gasto individual dos participantes da manifestação sobre o levantamento do Datafolha, a contribuição seria de quase R$ 793,00 por pessoa.

A SPTuris aponta ainda que 47,7% dos integrantes da Parada possuem renda familiar entre R$ 545,00 e R$ 2.725,00, o que torna mais uma vez questionável a estimativa do instituto do Grupo Folha.

E por fim, o último questionamento da organização se dá sobre os resultados da operação Parada Limpa, da Prefeitura de São Paulo, que recolheu durante e a após o término da manifestação 117 toneladas de lixo (106 toneladas na varrição e 11 toneladas de material reciclável). Se a informação de que 270 mil pessoas estiveram presentes for verídica, significa que cada manifestante foi responsável pela produção média de 433 gramas de lixo.

Números relevantes

Para a APOGLBT, os números realmente relevantes foram os divulgados pela Polícia Militar do Estado de São Paulo (PM) e pela Guarda Civil Metropolitana (GCM), que solidificam a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo como a atividade pública de grande porte mais pacífica e tranquila do estado. Conforme a PM, foram registradas apenas oito ocorrências de furto e roubo, índice que em 2008 e 2009 havia ultrapassado 140 casos.

Nesta 16ª edição, 106 participantes precisaram ser socorridos pelos profissionais dos postos médicos, número aproximadamente quatro vezes menor se comparado com a Parada anterior, quando foram atendidas cerca de 400 pessoas. Essa redução é um reflexo do primoroso trabalho da GCM, que interceptou a venda ilegal na região e recolheu mais de 22 mil produtos irregulares – contra 19,7 mil em 2001 – entre eles, 3,5 mil garrafas de vinho químico.

A organização considera-se extremamente satisfeita com a realização da Parada, pois o nosso principal objetivo foi alcançado. Durante todo o 16º Mês do Orgulho LGBT de São Paulo, apontamos a vulnerabilidade dos LGBT enquanto grupo minoritário com direitos constantemente ceifados, promovemos o debate político para a inclusão em todos os setores da sociedade, ocupamos os espaços públicos para reivindicar respeito e igualdade e ainda valorizamos a autoestima de milhares de pessoas que ainda se encontram à margem da cidadania.

E de todos os valores apresentados ao longo desses dias, os que verdadeiramente nos importam são os dados subnotificados da violência homofóbica no Brasil, que mata um LGBT a cada 33 horas. De nada adianta termos a maior Parada do mundo se ainda somos o país líder em crimes de ódio, respectivos à discriminação por orientação sexual e identidade de gênero.

Cientes de que nossa missão foi cumprida, a APOGLBT dedica o sucesso da 16ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo a todos que compareceram, incluindo nas demais atividades de calendário. Foram essas pessoas que, de forma alegre e positiva, contribuíram para a transformação da sociedade e a consolidação da democracia. A todas elas, seja lá qual for a quantidade e com votos de que estejam conosco nessa luta mais uma vez em 2013, registramos aqui o nosso MUITO OBRIGADO!

(Seguem anexadas duas fotos em baixa tiradas de cima do último trio elétrico durante a 16ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Na primeira, o carro passava pela altura do número 2065 da Avenida Paulista, às 15h35. Na segunda ele estava na altura do 1500 da Rua da Consolação, às 17h25. Para alta resolução, favor, basta solicitar para este e-mail – Créditos de Debora Ferraz)

Atendimento à imprensa,

Leandro Rodrigues
Assessoria de comunicação – APOGLBT
(11) 3362-8266 | (11) 9790-8538
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