Vira filme história de lésbicas que enganaram a Igreja para poder se casar

quinta-feira, 1 de março de 2018 0 comentários

Marcela Gracia Ibeas e Elisa Sánchez Loriga, em foto de casamento | Foto: José Sellier

A história das lésbicas que enganaram a Igreja para se casar e que agora inspira filme

Em 1901, Marcela e Mário se casaram na Igreja Católica de São Jorge, na cidade de La Coruña, noroeste da Espanha. Mário tinha sido batizado no mesmo dia, dizendo que era filho de pais ingleses protestantes e que queria se converter ao catolicismo.

O detalhe incrível da história é que Mário, na verdade, era Elisa Sánchez Loriga, disfarçada com conhecimento de Marcela, para conseguirem se casar na Igreja. Até hoje, esse é o único casamento do mesmo sexo conhecido na história da Igreja Católica espanhola. É também um caso pioneiro de união homossexual no mundo.

Agora, a história do casal vai virar filme.
Quando eu penso sobre essas duas mulheres e a coragem de uma delas de se passar por homem, foram muito valentes", afirma Isabel Coixet, realizadora do filme.
Enredo elaborado

Elisa e Marcela Gracia Ibeas se conheceram em meados dos anos 1880 em La Coruña.
Marcela era aluna da escola de magistério. Elisa tinha estudado anteriormente para a mesma carreira e estava trabalhando na escola. Foi então que elas se apaixonaram", conta o escritor Narciso Gabriel, autor do livro Marcela e Elisa, muito além dos homens.
O casal enfrentou objeção da família de Marcela, que a enviou para Madri para que ficasse longe de Elisa. Mas, de acordo com Narciso Gabriel, as duas deram um jeito de continuar a se ver. Nessa época elas teriam planejado o casamento.

Primeiro, Elisa e Marcela simularam que brigaram e que não estavam mais juntas. Além disso, Marcela, estava grávida de um homem não identificado e anunciou que se casaria com um primo de Elisa, chamado Mário, que teria sido criado em Londres.

Então, com corte de cabelo curto e vestida de terno, Elisa se passou pelo rapaz.

Assédio da imprensa e da sociedade

Após o casamento, Elisa e Marcela tiveram pouco tempo de sossego. Uma foto do casal acabou na primeira página do jornal local, La Voz de Galicia, com os dizeres: "Um casamento sem um noivo".

A história se espalhou rápido.
O público mostrou um interesse enorme em saber os detalhes da história, a imprensa competiu para publicar a foto exclusiva. O caso teve uma grande repercussão não só na Galícia, mas também em Madri e na imprensa de outros países, como França, Bélgica e Argentina", contou Gabriel. A Justiça, por sua vez, decretou um mandado de prisão.
Diante do assédio da imprensa e da perseguição da Igreja e da polícia, o casal fugiu para a cidade do Porto, em Portugal.

Em terras portuguesas, Elisa passou a se chamar de Pepe. Sob o disfarce de um casal heterossexual, as duas viveram por dois meses. Nesse período, nasceu a filha de Marcela. Porém, em agosto de 1901, a pedido da polícia espanhola, foram detidas e levadas para a prisão em Portugal.

Segundo Gabriel, o caso começou a ganhar "uma cobertura em Portugal tão espetacular como a que aconteceu na Espanha". Mas, ao contrário das notícias espanholas, a imprensa portuguesa foi favorável ao casal. "A imprensa tomou partido da causa de Marcela e Elisa, assim como parte da sociedade portuguesa e alguns residentes espanhóis do Porto", conta ele.

Apesar de toda essa comoção, Portugal aceitou a extradição do casal, solicitada pela Espanha. Porém, antes de serem enviadas de volta, Elisa foi inocentada da acusação de adulteração de documento e Marcela, de tentar encobrir o crime.

Antes da extradição, no entanto, Marcela e Elisa escaparam. Desta vez, rumo à Argentina, onde, novamente, mudaram suas identidades. Em Buenos Aires, Marcela passou a se chamar Carmen; Elisa assumiu o nome de Maria.

Nova vida na Argentina

Elisa desembarcou na Argentina em 1903, dois anos após o casamento. Pouco tempo depois, chegou Marcela, acompanhada da sua filha.

A vida das jovens em Buenos Aires, a princípio, não parecia ser muito diferente da de milhares de imigrantes galegos que viviam na cidade.

Alguns meses depois, no entanto, a história sofreu uma nova reviravolta. Elisa - que na Argentina tinha o nome Maria - se casou com um homem de origem dinamarquesa. 
"O casamento não foi feliz e termina mal, entre outras coisas, porque Elisa se recusa a ter relações sexuais com o marido", conta Gabriel. O homem acabou denunciando Maria, dizendo que suas intenções ao se casar com ele eram fraudulentas.
O que aconteceu depois? Elisa continuou vivendo com seu marido dinamarquês? Para onde foram Marcela e sua filha? O desfecho desta história é desconhecido. As pistas das vidas das protagonistas se perderam nesta época, afirma Gabriel. Há apenas um relato de um jornal mexicano, de 1909, dizendo que Elisa havia se suicidado no país.

Apesar de o casamento civil entre homossexuais ser legal na Espanha há mais de uma década, ativistas LGBT no país dizem que ainda hoje há ecos da luta de Elisa e Marcela.
Uma lei não provoca uma mudança automática na sociedade. Ainda hoje há pessoas que mantêm sua sexualidade em segredo. Outras ainda se casam mas não tiram a licença a que têm direito após o casamento, devido a vergonha ou medo de ser demitidas", fala a socióloga e ativista Inmaculada Mujika Flores.
Mais de cem anos depois, o "casamento sem homem" de Elisa e Marcela continua causando admiração.

Fonte: BBC, 20/02/2018

"Twenties": primeira série de TV focada em uma lésbica negra

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018 0 comentários

Lena Waithe, em "Master fo None" (Reprodução/Netflix)


Vem aí a primeira série de TV focada em uma lésbica negra
"Twenties" é uma criação de Lena Waithe, que já ganhou um Emmy pelo roteiro de "Master of None".

A gente já viu algumas lésbicas negras brilhando nas séries de TV, como em “Orange Is The New Black”, “The Fosters” e até mesmo na saudosa “The L Word”, mas elas sempre aparecem em tramas com múltiplos personagens centrais ou são coadjuvantes, como no caso de “Master of None” e “Sense8”.

Mas isso está prestes a mudar, como anunciou a emissora TBS recentemente. O canal está trabalhando numa série chamada “Twenties”, criada pela atriz e roteirista Lena Waithe. Lésbica assumida, Lena é hoje uma das mulheres negras mais influente da TV americana.

 (Alberto E. Rodriguez/Staff/Getty Images)
Vencedora do Emmy pelo roteiro de “Master od None”, ela também é ativista nos movimentos negro e LGBT e muita gente já suspeitava que um projeto como esse estaria prestes a ser anunciado. Detalhes da série ainda não foram revelados, mas sabe-se que ela vai acompanhar a trajetória de uma mulher negra lésbica.
Eu sempre quis contar uma história em que uma negra lésbica fosse a protagonista e sou muito grata a TBS por me dar uma plataforma para contar essa história. Personagens negros LG vêm sendo coadjuvantes por muito tempo. Já é hora de a gente finalmente ganhar foco”, disse Lena, que escreveu o roteiro da série quase dez anos atrás. 
Como é de praxe em produções desse tipo, por enquanto apenas o piloto da série foi encomendado pela TBS e, a partir dele, a emissora irá decidir se vai colocar a atração no ar. Já estamos torcendo para que “Twenties” chegue logo à TV!

Fonte: M de Mulher, por Júlia Warken, 25/02/2018

Em Portugal, casamento LG cresceu 30% em 2017

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018 0 comentários


Casamento gay cresceu 30% no último ano

Há cada vez mais casamentos entre duas mulheres. Ao todo foram celebrados 550 matrimônios entre pessoas do mesmo sexo, em 2017.

O número de pessoas do mesmo sexo que decidem contrair matrimônio continuam a aumentar. Em 2017 registou-se uma aumento na ordem dos 30% comparativamente a 2016.

Os dados disponibilizados pelo Ministério da Justiça indica que foram celebrados 550 casamentos entre pessoas do mesmo sexo em 2017. Em 2016 foram celebrados 422 matrimônios homossexuais, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística.

A subida é comum tanto a homens como mulheres, mas é entre pessoas do sexo feminino que o aumento ganha mais expressão.

Em 2016 foram registados 173 matrimônios enquanto em 2017 esse número subiu para 253, valor que representa uma subida de 46%. Entre os homens registou-se apenas um aumento de 19% (249 matrimônios em 2016; 297 em 2017).

Os casamentos gay representaram 1,6% do total dos cerca de 33 mil casamentos que se realizaram em Portugal durante o último ano.

Fonte: S//Portugal, por Diogo Barreto, 17.02.2018


Britânica assume lesbianidade aos 91 anos

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018 0 comentários

Ao escrever suas memórias, a ex-servidora inglesa Barbara Hoskins revelou manter um relacionamento com outra mulher há 20 anos | Foto: Antonio Olmos

Por que resolvi me assumir homossexual aos 91 anos
Eu realmente aprecio o fato de que, na minha idade, posso ser totalmente livre com as pessoas. Acho que corro um pouco o risco de me tornar um ícone gay!", diz Barbara Hosking, que decidiu assumir sua homossexualidade aos 91 anos, em meio a suas reflexões sobre sua vida nos corredores do poder.
Como funcionária pública, a inglesa trabalhou para dois primeiros-ministros britânicos, Edward Heath (1970-74) e Harold Wilson (1964-70 e 1974-76), e também foi uma executiva de televisão.

Hosking combateu o sexismo em toda sua carreira, tendo defendido equiparação salarial entre mulheres e homens e  brigado para estar na mesma sala durante algumas reuniões.

Em entrevista à BBC Radio 5, ela explicou o motivo de nunca ter falado de sua sexualidade para a sua família.
Meus pais não teriam entendido e teriam ficado chocados. Eles me amavam muito, mas meu pai era um homem à moda antiga, convencional. Minha mãe provavelmente teria pensado que foi uma escolha difícil e infeliz para eu ter feito. Na verdade eu tenho sido muito feliz. Tive uma vida plena."
Hosking mantém um relacionamento homossexual há 20 anos e decidiu revelar isso publicamente ao escrever sua autobiografia, com o título Além dos meus limites: Memórias de uma Desobediente Funcionária Pública (em tradução livre).
Os homens tiveram um grande momento libertador quando as leis (que proibiam a homossexualidade) mudaram e eles não corriam mais perigo de serem presos ou, mais antigamente, serem mortos (por causa da orientação sexual)", diz ela. "As mulheres nunca tiveram isso, mas é extremamente difícil - você pode facilmente ser relegada ao ostracismo."
A inglesa se mudou da Cornuália para Londres aos 21 anos, em busca de uma carreira no jornalismo.

Ela se integrou ao escritório de imprensa do Partido Trabalhista e passou a servir como assessora de imprensa de Edward Heath e Harold Wilson.
Igualdade salarial

Apesar de seu histórico no Partido Trabalhista - ela chegou a pensar em concorrer a uma vaga como parlamentar -, Hosking diz ter certa empatia pelas dificuldades enfrentadas pela atual premiê, Theresa May, que tem o desafio de colocar em prática a saída do Reino Unido da União Europeia (o Brexit, decidido em plebiscito no ano passado), tendo perdido maioria absoluta no Parlamento em meados do ano passado.
Ela teria sido uma primeira-ministra maravilhosa em 'tempos fáceis', com uma grande maioria (no Parlamento), mas ela não teve condições para lidar com o que está acontecendo agora."
É uma posição horrorosa para qualquer primeiro-ministro estar, com seu gabinete rachado, assim como parlamentares divididos atrás dela. É triste porque ela tem muitas qualidades, mas falta o 'instinto matador' para agir. Pode ser que ela olhe em volta e sinta que não consegue."
Barbara Hosking em sua festa de 90 anos Foto: Arquivo Pessoal

Hosking, que já soube de subordinados que ganhavam salário maior que o seu, diz estar desanimada com o fato de as mulheres terem de continuar lutando por igualdade profissional.
Acho isso chocante. Por que é tão difícil pagar salários iguais? (A desigualdade) acontece em vários lugares, (mas) poderia ser resolvida."
Em defesa de direitos iguais

Apesar disso, Hosking acredita que agora as mulheres "têm mais liberdade para escolher serem elas mesmas do que em qualquer outro momento da história".

Ela lembra de mulheres sendo convidadas a se retirar da sala após um jantar de alto nível em Bruxelas.
Eu respondi 'Sinto muito, eu preciso voltar. Estou com meu ministro, sou sua secretária particular'. E eles disseram: 'Você não pode fazer isso, as mulheres se retiram para os homens então poderem discutir'. E eu disse: 'Ele não será capaz de fazer isso sem mim, eu fiz todo o trabalho para isso'", conta. "Me disseram que eu viraria tema de conversa em Bruxelas no dia seguinte (por causa dessa postura)."
Barbara também cuidou de uma mina na Tanzânia, onde encontrou criaturas como essa cobra da foto
(Foto: Arquivo Pessoal)

Ela torce para que o movimento #MeToo, que começou com os escândalos de Hollwood e se espalhou por todo o mundo trazendo denúncias de assédio e abuso sexual vivenciados por mulheres, seja um divisor de águas, mas não esconde certo ceticismo.
Pode haver uma mudança cultural, mas é algo difícil", opina. "No passado, (o assédio) era algo que você suportava e guardava para você. Você dava um tapa na mão deles (homens) ou dava um bom empurrão. Acho que você poderia dar uma joelhada se fosse o caso."
Ela também diz lamentar o Brexit, já que esteve com o primeiro-ministro Edward Heath quando ele assinou o Tratado de Roma, em 1957, que lançou as bases para a formação da União Europeia.
Eu votei para que o Reino Unido permanecesse na União Europeia. Que grande tiro no próprio pé (é o Brexit). As pessoas queriam mudança, então foi fácil culpar a imigração ou a Europa, como se não fossemos parte da Europa."
Por fim, ela revela sua estratégia de longevidade: vinho tinto. 
Bebo duas taças por dia. Meu médico sabe e diz que está tudo bem".

Fonte: BBC 5 Live,  Jim Taylor, 14/02/2018

Filme sobre "cura gay" de garota lésbica vence o Festival Sundance

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018 0 comentários

Forrest Goodluck, Sahsa Lane e Choe Grace Moretz em cena de 'The Miseducation of Cameron Post' 

Drama sobre garota lésbica forçada à 'cura gay' é vencedor em Sundance

O longa 'The Miseducation of Cameron Post' (a deseducação de Cameron Post), drama que se passa num centro de conversão para homossexuais, foi o vencedor do principal prêmio no Festival Sundance. Maior vitrine do cinema independente, a mostra anunciou seus vencedores neste sábado (27).

Ambientado em 1993, 'The Miseducation' traz a atriz Chloe Grace Moretz ("Deixe-Me Entrar") no papel de uma adolescente que é flagrada fazendo sexo com outra garota.

Seus tios a forçam a se submeter a uma terapia que supostamente converte homossexuais. O drama, dirigido por Desiree Akhavan, levou o grande prêmio do júri entre os filmes americanos.

Já o prêmio do público nesta categoria foi para "Burden", estreia na direção do ator Andrew Heckler. Seu filme fala de um ex-membro da Ku Klux Klan que começa a mudar de vida ao se apaixonar por uma mãe solteira.

Entre os filmes internacionais, o vencedor do prêmio do júri foi "Kelebekler", filme turco sobre três irmãos que se reaproximam do pai.

O prêmio do público foi para o dinamarquês "Den skyldige", sobre um ex-policial que precisa salvar uma mulher sequestrada.

O Brasil participava do festival com dois títulos –"Benzinho", de Gustavo Pizzi, e "Ferrugem", de Aly Muritiba–, mas não levou prêmios.

Fonte: Folha Ilustrada, 28/01/2018


Corte Interamericana determina que 20 países reconheçam casamento igualitário

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018 0 comentários


Corte Interamericana determina que 20 países reconheçam casamento gay
Decisão histórica teve como base uma consulta feita pela Costa Rica sobre o tema. 

A Corte Interamericana de Direitos Humanos proferiu na terça-feira, 9 de janeiro, uma decisão que foi considerada histórica pelos defensores das minorias sexuais, ao determinar a seus países membros que reconheçam direitos plenos aos casais do mesmo sexo e permitam a troca de identidade sexual nos registros civis. O tribunal internacional, com sede em San José (Costa Rica), considerou “necessário” que a figura do matrimônio não se restrinja às uniões heterossexuais, apesar da forte resistência demonstrada por grupos conservadores que exercem sua influência nos países da América Latina e Caribe.
O Estado deve reconhecer e garantir todos os direitos que derivam de um vínculo familiar entre pessoas do mesmo sexo”, afirmou a Corte, e para isso considera pertinente utilizar a figura do matrimônio e não outros formatos legais que poderiam prolongar a discriminação. A decisão foi feita em resposta a uma consulta consulta realizada pela Costa Rica em maio de 2016.
O presidente da Costa Rica, Luis Guillermo Solís, reagiu de imediato com satisfação e com o anúncio de um rápido acatamento da sentença. Centenas de pessoas foram comemorar a notícia na fonte da Hispanidad, localizada em uma rotatória na região leste da capital, à qual costumam ir os torcedores de futebol para festejar os triunfos da seleção costa-riquenha. Também houve críticas de alguns setores políticos conservadores que consideram o decreto uma violação da soberania nacional.

A vice-presidenta da Costa Rica, Ana Helena Chacón, considerada pelos ativistas a principal defensora de políticas igualitárias no Governo, comemorou emocionada a decisão por considerar que estimula os países da região a tirar da invisibilidade centenas de milhares de pessoas que se unem a outras do mesmo sexo ou que possuem uma identidade sexual diferente no Registro Civil de seu país.
Ajuste legal

A opinião consultiva da Corte Interamericana tem implicações que vão além da Costa Rica, porque seu acatamento é obrigatório para os 20 países que atualmente reconhecem a competência do tribunal internacional, alguns dos quais já reconhecem o direito ao casamento igualitário. O Centro pela Justiça e Direito Internacional(Cejil), com sede em Buenos Aires, considerou a decisão “histórica”. 
É uma jurisprudência enorme para guiar os Estados americanos no desenvolvimento de leis e políticas públicas que garantam os direitos de todas as pessoas, em igualdade, e permitam superar a realidade de discriminação e violência que sofrem as pessoas homossexuais”.
Segundo Jefferson Nascimento, assessor do Programa de Desenvolvimento e Direitos Socioambientais da ONG Conectas, a decisão da Corte Interamericana constitui inegável avanço no entendimento regional sobre o matrimônio igualitário. Dentre os países que reconhecem a competência da Corte, apenas Brasil, Uruguai e Argentina reconhecem o casamento igualitário. No Brasil, desde 2011, Supremo Tribunal Federal determinou que casais homossexuais têm os mesmos direitos e deveres que a legislação brasileira já estabelece para os casais heterossexuais. Em 2017, o STF decidiu ainda equiparar os direitos sucessórios de uma união estável com a de um casamento civil, dando mais um passo no reconhecimento igualitário do direitos entre casais gays e casais heterossexuais.

Apesar dos avanços na prática jurídica, o casamento homoafetivo ainda não é reconhecido pela Constituição brasileira. O Projeto de Lei do Senado 612/2011, que altera o Código Civil para reconhecer a união estável entre pessoas do mesmo sexo e possibilitar a conversão dessa união em casamento, foi aprovado em março de 2017 pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e segue em tramitação.

A Argentina foi o primeiro país da América Latina a reconhecer o casamento homoafetivo, em 2010. O Uruguai seguiu o pioneirismo do país vizinho e reconheceu o matrimônio igualitário em 2013.

Os juízes da Corte destacaram a necessidade de que os países comecem logo o ajuste de normas regulamentares ou legais que permitam aplicar esse critério, apesar de ter reconhecido que pode levar tempo por dificuldades burocráticas ou políticas. Afirmou de maneira taxativa que devem ser evitadas considerações religiosas, por ser este um tema próprio dos direitos humanos e não um assunto de fé ou crenças.

Com informações de El País, por Álvaro Murillo, San José (Costa Rica), 11/01/2018

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