A entrevista abaixo foi concedida a Um Outro Olhar em 2007, ano da fundação do grupo SP Gay Bikers que continua existindo até hoje. Ao final do texto, links para o blog do grupo, que, à epoca desta entrevista ainda não existia, e a página do mesmo no Facebook. São links mais recentes dos bikers para quem quiser contatá-los.
SP Gay Bikers
Gays e lésbicas pedalando suas magrelas no exterior não são novidade e aqui no Brasil grupos informais sempre existiram. A diferença é que agora amigos decidiram formalizar um grupo de bicicleteiros gays e estão divulgando sua iniciativa para atrair mais amantes das magrelas, inclusive as meninas.
Nos Estados Unidos principalmente, são famosas as chamadas dykes on bikes (lésbicas sobre bi/motocicletas), embora o título tenha ficado mais relacionado às motociclistas do que às ciclistas. De qualquer forma, passear sobre rodas, acima de tudo sobre bicicletas, é uma forma bem saudável de se socializar e se exercitar também.
Assim sendo, a iniciativa de formalizar um grupo de ciclistas do arco-íris é muito bem-vinda. E para falar mais sobre o projeto, entrevistamos André Hidalgo do SP Gay Bikers.
UOO. André, primeiro, fale um pouco de você: sua idade, no que trabalha ou estuda, onde mora.
André Hidalgo (AH): Sou jornalista, tenho 40 anos e moro na rua Augusta, próximo à Paulista. Também tenho uma empresa produtora de eventos que organiza a Casa de Criadores, o principal evento lançador de novos talentos da moda brasileira.
UOO. Quando surgiu a idéia do SP Gay Bikers?
AH: Eu já ando de bike há uns 8 anos. De uns 3 anos para cá, formei um pequeno grupo com mais 2 amigos para andarmos pela cidade. Como somos gays, começamos a alimentar a idéia de montar um grupo de bikers gays. Esse tipo de grupo já existe em outros países. Fiz uma pesquisa e descobri que não havia nehum grupo similar no Brasil. Decidimos então criar o primeiro grupo desse tipo no país. Assim nasceu o SP Gay Bikers.
UOO. Em sua apresentação de divulgação, vocês afirmam não cobrar taxa de participação e não ter filiação polítco-partidária, o que é ótimo. Como vocês se definem, como um grupo gay autônomo ou apenas um grupo de amigos em busca de amizades de forma saudável ou ainda ambas as coisas?
AH: Acho que somos as duas coisas mesmo. Talvez no futuro possamos aproveitar o fato de sermos um grupo para tocarmos outros projetos similares. Por enquanto, somos apenas amigos querendo fazer novos amigos com afinidades e pontos em comum.
UOO. Na Europa e Estados Unidos, os grupos dykes on bikes (lésbicas de bi/motocicleta) são muito comuns. Vocês também aceitam meninas no grupo e/ou pretendem incentivar a criação de uma ala feminina?
AH: Sem dúvida. Promovemos 3 passeios até agora e só no último apareceu uma menina, a Fernanda. A participação dela foi muito festejada por nós e, durante o passeio, ela foi bem paparicada (rs!). Brincamos que ela é a chefe da ala feminina, o que significa que ela é chefe dela mesma. Mas só por enquanto. A idéia é que a ala feminina cresça e possa até, quem sabe, promover seus próprios passeios de vez em quando.
UOO. Vocês afirmam que estão abertos a participação de todos os interessados, mas quais são os requisitos básicos para participar do grupo?
AH: São 4 requisitos: ser gay, ter mais de 18 anos, ter uma bike (qualquer uma) e usar capacete nos passeios.
UOO. Vocês já vinham pedalando nos finais de semana casualmente, mas agora decidiram realizar eventos regulares e abertos a mais pessoas. Quais serão os dias e horários desses encontros?
AH: Por enquanto, duas vezes por mês: num domingo às 11h ou numa terça às 20h30. Para saber mais sobre nossa programação, os interessados podem consultar nossa página no Orkut (
comunidade "SP Gay Bikers"). Em breve estaremos lançando nosso blog.
UOO. Vocês percorrem sempre o mesmo itinerário ou variam de acordo com as circunstâncias e as necessidades dos participantes? Em geral, quantos quilômetros costumam percorrer?
AH: Os percursos sempre mudam, até para que a gente não enjoe (rs!). Em geral, andamos cerca de 20 a 30 km, a maior parte é em ruas planas, com muito poucas subidas.
UOO. Vocês organizaram o primeiro passeio em novembro e o segundo agora em dezembro (11/12/2007). Quando está previsto o próximo?
AH: Em janeiro, ainda sem data definida. Vamos promover também um passeio numa trilha fora de SP, numa espécie de pacote onde estarão inclusas a passagem, a hospedagem e a trilha.
UOO. Como as pessoas interessadas em participar do grupo podem contatar vocês? Há um fone ou e-mail?
UOO. André, agradecendo a entrevista, peço que deixe uma mensagem para nossas leitoras.
AH: Todo mundo diz que os gays não são unidos. Vamos provar que isso é uma grande bobagem. Juntem-se a nós e vamos nos divertir juntos!
Referências:
Blog do SP Gay Bikers Facebook
Publicado originalmente, no site Um Outro Olhar, em 12 de dezembro de 2007