Memória Lesbiana: Morre Barbara Hammer, pioneira do cinema lésbico

sexta-feira, 22 de março de 2019

Foto: Susan Wides

Morre Barbara Hammer, pioneira do cinema experimental e lésbico

A pioneira cineasta americana Barbara Hammer morreu neste sábado (16), aos 79 anos. Diagnosticada com câncer de ovário em 2006, nos últimos anos ela tinha se tornado ativista pelo direito de morrer, e recentemente concedeu o que seria sua entrevista final para revista New Yorker.

Hammer é referência no cinema dirigido por mulheres e ficou conhecida internacionalmente por filmes que retratam a cultura lésbica e são marcados por experimentações narrativas. Nascida em 1939 em Los Angeles, ela começou a carreira no fim dos anos 1960 e fez curtas, longas, documentários e ficções, além de performances artísticas.

Sua obra ganhou retrospectivas no Museu de Arte Moderna de Nova York e na Tate Modern de Londres. De acordo com a New Yorker, ela “provavelmente foi a primeira artista a receber reconhecimento no mainstreampor uma vida de trabalho feito como lésbica e em grande medida sobre lésbicas.”

Em uma entrevista ao ARTnews concedida em 2018, mas não publicada, Hammer disse: “Nunca separei minha sexualidade da minha arte, mesmo se o filme não tinha nada a ver com a representação lésbica.”

Entre seus trabalhos marcantes estão Dyketatics (1973), Menses (1974), Multiple Orgasm (1976), Pond and Waterfall (1982), Snow Job (1986), History of the World According to a Lesbian (1988), The Female Closet(1998), Generations (2010), Maya Deren’s Sink (2011) e Nitrate Kisses (1992), que recentemente entrou na lista da IndieWire dos 100 melhores filmes dirigidos por mulheres de todos os tempos.

Em 2017, ela criou a Barbara Hammer Lesbian Experimental Filmmaking Grant, uma bolsa para cineastas lésbicas que é administrada pela organização sem fins lucrativos Queer|Art e que já premiou Fair Brane e Miatta Kawinzi. Em comunicado sobre a criação da iniciativa, Hammer afirmou:
Colocar o modo de vida lésbico na tela foi o objetivo da minha vida. Por quê? Porque quando comecei, não conseguia encontrar isso […] Trabalhar sendo uma cineasta lésbica não era fácil nos anos 1970 na estrutura social e na instituição educacional em que eu estava. Foi difícil. Quero que esta bolsa torne as coisas mais fáceis para as lésbicas de hoje. Para que vocês façam o trabalho que querem fazer.”
Fonte: Mulher no Cinema, 17 de março de 2019

Para mais informações sobre direitos e conquistas das mulheres em geral, acesse Contra o Coro dos Contentes

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