Casal de mulheres agredido em ônibus alega homofobia

quinta-feira, 12 de abril de 2018


Homofobia em ônibus motiva agressão a passageiras


Duas jovens foram agredidas por um motorista de ônibus na tarde de terça-feira, no Jardim Morada do Sol, em Indaiatuba. O fato teria ocorrido por um erro de comunicação entre eles, aliado, segundo as vítimas e a mãe de uma delas, a homofobia, devido a ambas formarem um casal.

Segundo o boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Defesa da Mulher da cidade, elas adentraram o veículo (da linha 310) no ponto inicial do trajeto, no Jardim Oliveira Camargo. A ideia era descer próximo ao Supermercado Sonda, perto do Jardim Pau Preto, onde residem, porém o coletivo chegou ao Jardim Morada do Sol, local que encerra o percurso. Nesse momento, A.R.C.J, de 46 anos, pediu que todos deixassem o ônibus. O condutor informou que para permanecer, Beatriz Petenão Pereira, de 19 anos, e Carmem Roberta dos Santos, de 22, precisariam pagar novamente. Elaine Rita Petenão, mãe de “Bia”, diz que a dupla não recusou e passou outra vez o cartão do transporte público.

Ao voltarem para o interior do coletivo, ela diz que sua filha e a companheira foram hostilizadas, pois o motorista agiu com arrogância e disse que elas não poderiam estar no ônibus “dele” e falou para Carmem, que se ela “se veste como um homem, deve apanhar como um”.

Revoltadas, as garotas avisaram que iriam reclamar na empresa de transporte. Em seguida, aconteceram as agressões. Carmem foi atacada primeiro, tendo levado um murro na boca, que quebrou um de seus dentes, além de ter a blusa rasgada no confronto.

Beatriz tentou intervir e foi golpeada com socos na boca, cabeça, olhos e barriga. O registro policial indica ainda que ao longo do ato, o indivíduo proferiu inúmeros xingamentos, utilizando palavras como “piranha” e “puta”. Ao ver a confusão, populares acionaram a Guarda Municipal, que conduziu todos à delegacia. Aos 48 anos, a professora Elaine, relembra que a situação foi “terrível” e que quando chegou foi ironizada pelo agressor, que riu dos acontecimentos e falou que não iria sofrer as consequências.

Divulgação Uma das jovens mostra ferimento 
que  sofreu; caso agora está na Justiça
  
Beatriz e Carmem foram até o Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc) e após receberem os devidos cuidados foram liberadas, no início da noite. O caso foi registrado como lesão corporal e injúria. As vítimas tem prazo de seis meses para representar contra o autor do fato, o que já está sendo providenciado, segundo a educadora.

Elaine diz que já contratou um advogado e que pretende levar o acontecimento até as últimas consequências. “As pessoas precisam amar mais o ser humano e não se ater a rótulos”, diz, enfatizando que quem não entende a opção sexual alheia, provavelmente, tem “demência”. Orgulhosa da filha que tem, ela ressalta: "É duro saber que essa violência foi originada por homofobia”.

Motorista demitido

Em nota, a Sou Indaiatuba certificou que está ciente do incidente e que se trataria de um fato isolado, “que não corresponde aos padrões de conduta que exigimos de nossos colaboradores”. Por isso, “o motorista em questão foi demitido imediatamente por justa causa e a empresa se dispôs a prestar a necessária assistência às passageiras”.

A organização encerra dizendo ser “a favor da diversidade étnica, social e de gênero e repudia totalmente qualquer tipo de preconceito ou discriminação”.

O motorista se defende dizendo que quando as meninas embarcaram no ônibus não questionaram o local da parada final da linha, motivo que gerou o desentendimento. Neste momento, ele alega que solicitou que ambas descessem, porém elas se recusaram e partiram para a agressão física. Ele, entretanto, confirmou que desferiu socos com o objetivo de se resguardar.

Fonte: Correio, por Daniel de Camargo, 12/04/2017

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