Casal de namoradas agredido em Goiânia: “Gay, veado, tem que matar essa desgraça”

quinta-feira, 16 de junho de 2016

O médico pneumologista Ricardo Dourado
assediou e agrediu casal de namoradas

Casal de lésbicas é agredido em Goiânia: “Gay, veado, tem que matar essa desgraça”
Gravações mostram homem, identificado pelas vítimas como um renomado médico da capital, destilando preconceito contra homossexuais

“Gay, veado, tem que matar essa desgraça.” Assim começa um dos vídeos de poucos segundos publicado no Facebook por uma usuária, que afirma ter sido hostilizada por um homem, identificado por ela como um renomado médico em Goiânia.

Nas filmagens, visivelmente transtornado, ele dispara insultos e comentários homofóbicos contra ela e sua namorada em um bar de um posto de combustíveis no Setor Sul da capital, depois de, segundo relato das vítimas, tentar se aproximar de uma delas.
“Não fui eu quem me expus, não fui. Não estava aos beijos, poderia estar, mas não estava. Apenas foi dito: ‘não encosta nela, ela não quer nada com você’. Poucas palavras, porém suficientes para desabrochar um homofóbico”, contou Angélica Santana, de 27 anos, no Facebook.
No vídeo, o médico também chama os homossexuais de “aberrações” e fala para a vítima “ir atrás de um homem”.
“O mundo não é para isso. As aberrações… Esquece isso. Vai atrás de um homem bom para você e casa, vai ter filho. Isso é o normal. Vocês querem o anormal? Vocês vão lutar… No dia que você pular no rio você nada contra a correnteza.”
Em entrevista ao Jornal Opção, Giovana Alves Vieira de Melo, de 36 anos, namorada de Angélica, contou que as duas estavam no bar, acompanhadas de uma amiga, quando o homem as abordou oferecendo bebidas. Mesmo após a clara negativa, ele teria começado a tocá-las, quando Giovana pediu para que ele se afastasse de sua namorada. Depois disso, o homem passou a proferir ofensas de cunho homofóbico.

No relato publicado no Facebook, Angélica conta, ainda, que outras pessoas, que também testemunharam o episódio, afirmaram que o homem estava armado. A versão é a mesma narrada pela namorada.
“Não vi, mas quem estava comigo disse claramente: ele está armado. Cuidado. Chegou com um ‘sente aqui minha pistola’. Agressivo. Ofensivo. Até que eu tivesse a ousadia de filmar houveram muitas outras palavras duras”, desabafou na rede social.
Agora, Giovana conta à reportagem que irá procurar a Justiça e o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás para que sejam tomadas as devidas providências sobre o episódio. De acordo com o advogado Dyogo Crosara, o caso se enquadra em crime de injúria racial, cuja pena é de até três anos de reclusão.
“Este é o nome legal, mas o crime de injúria racial se enquadra em qualquer tipo de discriminação, seja ela de gênero, cor, credo ou orientação sexual”, explicou. O casal, acrescenta o profissional, pode também entrar com um pedido de reparação civil e com uma ação de indenização por danos morais.
Ainda segundo o advogado, os vídeos publicados nas redes sociais podem ser usadas como “provas lícitas” em um eventual processo judicial. Além disso, conforme Crosara, mesmo que as vítimas não procurem a Justiça, apenas com base no material publicado nas redes sociais, o Ministério Público de Goiás já pode entrar com uma ação penal contra o suspeito.

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