Félix e Nico: um beijo de novela que nos fez chorar

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Félix e Nico: um beijo de novela que nos fez chorar

Impossível deixar de registrar a grande repercussão que teve o beijo entre os personagens Félix e Nico no último capítulo da novela Amor à Vida. Precedido de grande campanha a favor nas redes sociais, o delicado beijo entre dois homens foi comemorado, pelo Brasil afora, em bares, restaurantes e até no Campus Party. Clique em Telespectadores se emocionam com final romântico de Félix e Nico em 'Amor à Vida', para conferir a repercussão, leia abaixo os depoimentos do autor da novela, Walcyr Carrasco, e de seus autores e veja e reveja o já clássico primeiro beijo gay da novela brasileira.

Walcyr Carrasco: “Orientei que Felix e Niko dessem um beijo de amor”
Na sexta-feira, algo incomum aconteceu durante a exibição do último capítulo de Amor à Vida. Gritos ecoaram pela região da Avenida Paulista tal qual acontece quando um time goleia o adversário em um jogo de futebol. O motivo da euforia: o tão esperado beijo de Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso). Autor de Amor à Vida, Walcyr Carrasco, por telefone, deu um depoimento sobre a cena que parou o Brasil e entrou para a história da teledramaturgia.
A novela quis falar da pluralidade. Nesse final, mostrei desde a criança evangélica sendo apresentada à comunidade até o beijo gay. Estamos numa democracia e todos têm que aprender a conviver e têm o direito de ser quem são. A novela é um avanço em termos de colocar questões sociais, como beijo gay. O capítulo final colocou várias situações de família: a evangélica (Gina e Elias), a tradicional (Paloma e Bruno), a moderna (Michel, Patrícia, Guto e Sílvia). Coloquei os gays numa situação familiar com filhos indo para escola, Félix cuidando do pai doente. Dentro desse contexto, cabia o beijo. Minha única orientação foi que eles dessem um beijo de amor. Escrevi a cena que quis. Optei por uma sequência cotidiana comum em muitos lares, afinal, fiz uma novela sobre família. Eu estou muito feliz que o beijo entre Félix e Niko aconteceu. Foi um avanço em termo de direitos humanos e por mostrar que as famílias são diferentes, mas são famílias.”
Fonte:  Veja SP, Ricky Hiraoka, 01/02/2014



'Um grande passo na sociedade', diz Mateus Solano sobre beijo gay de 'Amor à vida'

  • Cena que fez história nas novelas brasileiras foi ao ar na noite de sexta. Walcyr Carrasco declara: 'O beijo gay diz que o mundo é para todos'

RIO - O diretor-geral de “Amor à vida”, Mauro Mendonça Filho, anunciou antes de entrar na churrascaria onde o elenco da novela assistia, ontem, ao último capítulo da novela escrita por Walcyr Carrasco: “Hoje vai ter beijo gay com certeza”. Momentos depois, o beijo mais esperado da história da TV brasileira foi ao ar, protagonizado pelo vilão recuperado Félix (Mateus Solano) e seu “carneirinho” Niko (Thiago Fragoso). Era sabido que os atores haviam gravado a cena, mas era grande o suspense se iria ao ar.

É a primeira vez que um beijo gay é mostrado dessa forma numa novela, mas reza a lenda que o primeiro da teledramaturgia foi entre Alda Alves e Geórgia Gomide em “A Calúnia”, teleteatro de 1963, na TV Tupi. Não há registros da cena. Em 1990, Raí Alves e Daniel Barcellos compartilharam um beijo discreto na minissérie “Mãe de santo”, da TV Manchete, em câmera lenta e na penumbra. Na TV Globo, foi em 1995, em “A próxima vítima”, de Silvio de Abreu, que surgiu um casal gay que deu o que falar: Jefferson (Lui Mendes) e Sandrinho (André Gonçalves). Mas o beijo nunca chegou a ser cogitado.

Três anos depois, o casal Rafaela (Christiane Torloni) e Leila (Silvia Pfeifer) em “Torre de Babel”, da Globo, também de Silvio de Abreu, foi rejeitado pelo público. Elas morreram numa explosão. Já em 2003, parecia que o espectador estava mais tolerante à relação das namoradas Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli), em “Mulheres apaixonadas”, de Manoel Carlos. No final da trama, as duas deram um selinho, mas de mentira: elas estavam atuando no teatro. No ano seguinte, outro casal foi visto no ar: Jennifer (Bárbara Borges) e Eleonora (Mylla Christie), de “Senhora do destino”, de Aguinaldo Silva, dormiam na mesma cama, mas só.

Em 2005, “América”, de Glória Perez, o aspirante a estilista Junior (Bruno Gagliasso) e o peão Zeca (Erom Cordeiro) terminaram juntos e a cena do beijo chegou a ser gravada, mas a emissora decidiu não colocá-la no ar.

O canal teve ainda outros dois casos de beijos gays que foram gravados mas não foram exibidos: na série “Clandestinos” (2010), entre o ator Hugo (Hugo Leão) e o diretor Fábio (Fábio Henriquez), e na minissérie “Um só coração” (2004), protagonizado pelo próprio Mateus Solano.

Em 2011, o SBT enfim exibiu o primeiro beijo gay em novelas, em “Amor e revolução”. Na história, a advogada Marcela (Luciana Vendramini) se apaixona por Marina (Gisele Tigre), a dona de um jornal. Na TV por assinatura nacional, o beijo entre pessoas do mesmo sexo já não é novidade. Em realities shows e programas de entretenimento, homens e mulheres já haviam se beijado em vários canais abertos.

Após a exibição do capítulo final, a Globo divulgou nota sobre o esperado beijo entre Niko e Félix.
Toda cena de novela é consequência da história, responde a uma necessidade dramatúrgica e reflete o momento da sociedade. O beijo entre Felix e Niko selou uma relação que foi construída com muito carinho pelos dois personagens. Foi, portanto, o desdobramento dramatúrgico natural dessa trama. A pertinência desse desfecho foi construída com muita sensibilidade pelo autor, diretor e atores e assim foi percebida pelo público. É importante lembrar que o relacionamento homossexual sempre esteve presente nas nossas novelas e séries de maneira constante, responsável e natural. A cena esteve de acordo com essa premissa e com a relevância para a história.
Reunidos para assistir ao último capítulo, atores do elenco comentaram a cena. A palavra mais esperada era a de Mateus Solano:
Fiz história? Não sei se fiz história. É tudo tão efêmero. É uma cena que, se Deus quiser, vai reverberar na sociedade e em outros trabalhos. É um pequeno passo na dramaturgia, mas um grande passo na sociedade.
O autor Walcyr Carrasco diz estar "superfeliz":
A novela foi um marco na quebra de paradigmas. Demonstrou para a sociedade a convivência entre diferentes. O beijo gay diz que o mundo é para todos.
O ator Sidney Sampaio, que viveu o Elias, disse ter achado "justíssimo".
Os dois fizeram um lindo trabalho e mereciam esse marco.
Maria Casadevall, intérprete de Patricia, acha que, a partir de agora, muita coisa vai mudar.
Achei incrível. É um marco na TV brasileira.
Já Rosamaria Murtinho afirmou que o gesto foi superestimado.
Não tem a menor importância se teve ou não o beijo. Tem que encarar como algo normal. Quantos beijos tiveram no fim da novela e ninguém comentou?
Fonte: O Globo, Natalia Boere, 01/02/2014

Beijo gay de Felix e Niko - Amor a Vida... por UPNovelas

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