Procura por presentes para casamento LGBT cresce e movimenta mercado específico

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Casamento gay faz procura por lista de presente crescer 40% em loja
O crescimento foi registrado principalmente na loja do shopping Frei Caneca, em São Paulo (SP), muito frequentado pelo público gay

A aprovação do casamento gay no país fez aumentar o público que busca serviços de lista de presente e organização de festas. Na loja de artigos de utilidade doméstica Arpège, por exemplo, aumentou em 40% o volume de clientes interessados em criar uma lista de presentes.

O crescimento foi registrado principalmente na loja do shopping Frei Caneca, em São Paulo (SP), muito frequentado pelo público gay. Além do shopping, a rede, que existe há 20 anos, possui lojas nos bairros de Moema, Paraíso, Perdizes e Santana, além de uma loja online.

"Os gays estão se programando para oficializar sua união. Sentimos que mais casais estão nos procurando para perguntar sobre listas de casamento porque estão interessados em montar uma casa para morar junto ", diz Ester Fraga, 54, dona da Arpége.

Outro empresário que está investindo na prestação de serviços para o público gay é Rossano Gastaldo, 30, dono da That's Amore, de Porto Alegre (RS). A empresa foi criada em março e só organiza casamentos gays. Até agora, ele realizou cinco cerimônias. 

"Com a aprovação da união de casais homossexuais, o número de clientes deve crescer bastante", afirma.

Segundo Gastaldo, os orçamentos de casamentos gays são, em média, 30% mais caros do que as cerimônias dos noivos heterossexuais. 

Para Marcelo Sinelli, consultor do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa), a aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo abre oportunidades de negócio.

"Existe uma demanda reprimida. Com essa novidade, muitas pessoas devem correr para realizar o sonho romântico do casamento. Isso deve gerar um 'boom' no mercado de casamentos, mas a procura deve estabilizar daqui algum tempo", declara.

De acordo com Sinelli, o público gay também traz oportunidades de negócio interessantes para outros segmentos, além do casamento, como turismo e gastronomia.

"Eles têm nível educacional elevado, o que lhes proporciona uma renda maior. Por não terem filhos, eles têm mais renda disponível para gastar com outras coisas."

Além de listas de casamento, a Arpège também faz lista de "open house", para equipar a casa de quem vai morar sozinho. Fraga afirma que, antes, muitos casais gays escolhiam a lista de "open house" quando iam morar juntos, provavelmente por vergonha.

"Agora, esses casais não têm mais a preocupação de se esconder e a maioria das pessoas não se incomoda mais, é algo normal", diz.
Lista de presentes gay tem mais itens com design

Fraga diz que há diferenças entre a lista de casamento de noivos heterossexuais e gays. Segundo a empresária, na lista de um casal hétero, geralmente é a noiva que escolhe tudo, sem participação do noivo, e os itens são mais tradicionais.

"Os casais gays gostam de coisas práticas, com design diferenciado e coloridas. São itens para receber de quatro a seis pessoas, principalmente os amigos, e não para grandes famílias."
Público é exigente e trabalho exige discrição

A That's Amore tem como público-alvo as classes A e B. Apesar de a empresa ter sede em Porto Alegre (RS), Gastaldo diz que mapeou fornecedores em outras cidades para poder atender também clientes de outras regiões.

Ele diz que, para atuar neste mercado, é fundamental ter discrição, pois ainda há muitos gays que preferem não se expor. Por isso, em todos os seus contratos há uma cláusula de confidencialidade que impede a divulgação de fotos e vídeos, por exemplo.

"O público gay é mais exigente, ele quer qualidade, exclusividade e itens personalizados, por isso invisto no treinamento da minha equipe e dos meus fornecedores", afirma.
Restringir mercado requer análise criteriosa, diz especialista

Apesar de a especialização em determinados nichos trazer vantagens para o negócio, Cláudio Gonçalves, professor do MBA de gestão de risco da Trevisan Escola de Negócios, diz que é importante avaliar se haverá volume suficiente de vendas para a empresa se manter.

"Se a empresa ficar focada apenas em um público muito restrito, ela pode perder outras oportunidades de negócio e ficar no vermelho. Quanto mais opções de público ela tiver, maiores são as possibilidades de retorno. Além disso, a empresa tem de trabalhar sempre com projeções e planejamento financeiro."

Segundo o consultor do Sebrae-SP, apesar de haver boas oportunidades de negócio no segmento, é necessário se preparar para lidar com este público.

"Apesar de a sociedade estar mudando, muita gente ainda tem preconceito. O empreendedor tem de ter cuidado ao escolher seus vendedores e treiná-los para tratar este consumidor com respeito e discrição."

Fonte: Tribuna Hoje, 02 Setembro de 2013

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