Agosto com orgulho: os primórdios da organização lesbiana no Brasil

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Edição 12 do Lampião que dá início
 ao Grupo Lésbico-Feminista (LF)
Por Míriam Martinho

A organização lésbica brasileira se inicia no começo de 1979 quando algumas mulheres ingressam no primeiro grupo homossexual do país, o SOMOS, formando um subgrupo que recebeu várias denominações (facção lésbica-feminista, subgrupo lésbico-feminista, ação lésbica-feminista) até fixar-se, em sua breve vida (de 1979 a meados de 1981) com o nome de Grupo Lésbico-Feminista (LF). Este grupo será pioneiro no tratamento da questão homossexual, dentro do Movimento Feminista, e da questão da mulher, dentro do Movimento Homossexual, bem como na elaboração da primeira publicação lésbica do país, intitulada ChanacomChana (janeiro de 1981).


Nos últimos meses de 1980, o Grupo Lésbico-Feminista, a partir de uma série de conflitos internos, sofre um racha, com a maior parte de suas integrantes deixando a militância, algumas outras formando um outro grupo lésbico (Terra Maria), ou indo atuar em organizações feministas (SOS Mulher), e outras ainda decidindo dar continuidade ao grupo lésbico-feminista com outra perspectiva. 

Em outubro de 1981, as que optaram por dar continuidade à militância especificamente lesbiana e feminista (Miriam Martinho e Rosely Roth), fundaram o Grupo Ação Lésbica Feminista (GALF), organização que voltou a produzir a publicação ChanacomChana, como boletim, construiu a primeira biblioteca sobre a temática lésbica no Brasil, fez as primeiras reivindicações junto a políticos pelo combate contra a discriminação, as primeiras articulações entre ativistas lésbicas em nível internacional (em particular da América Latina), as primeiras aparições públicas nos meios de comunicação nacionais (mídia impressa e televisiva) e permaneceu atuante durante praticamente toda a década de oitenta (1981-1989), ao contrário das outras poucas organizações lésbicas da época que tiveram vida efêmera.

Em 1988, o Grupo Ação Lésbica-Feminista também se encerra, dando origem à Rede de Informação Um Outro Olhar, muito influenciada, em seus primeiros anos, por distintas correntes ideológicas do Movimento Lésbico Internacional (não só mais pelo Feminismo), participando de vários encontros nacionais e internacionais e tornando-se, a partir de 1995, uma organização não-governamental, com vários projetos na área de saúde da mulher, com recorte para a população lésbica.

Abaixo, sumário cronológico da organização lésbica no Brasil dos anos 80, 90, até 2003.



Anos
80 - Organizações


Anos
90/2000 – Organizações

1979-1981
Grupo Lésbico Feminista (LF) – SP


Rede de Informação Um Outro Olhar 

1981-1988
Grupo Ação Lésbica Feminista(GALF-SP)


Grupo Deusa Terra (SP) 

Grupo Terra Maria Opção Lésbica (SP)


Grupo Afins (Santos, SP) 

Grupo Libertário Homossexual (BA)  


Estação Mulher (SP) 

Grupo Terceira Dimensão (RS)  


Coletivo de Feministas Lésbicas (SP)

Grupo 
Gaúcho de Lésbicas Feministas 
Grupo Lésbico da Bahia

Rede de Informação Um Outro Olhar 


Coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro


Movimento D’Ellas (RJ)


Associação Lésbica de Minas





 Organizações
2000-2003





Movimento Lésbico de Campinas (SP)


Lésbicas Gaúchas –Legau (RS)

Grupo de Mulheres Felipa de Souza (RJ)


Athena (SE)

AMAM (SP)

Umas e Outras (SP)

Secretaria de Lésbicas da
Associação da Parada GLBT de SP







Periódicos
– anos 80


Periódicos
– anos 90
Jornal
Chanacomchana (1981). Edição 0 –
Publicado pelo Grupo Lésbico-Feminista (LF)


Boletim
Um Outro Olhar

do 12 ao 25, até 1995
pela  Rede de Informação Um Outro Olhar

Boletim ChanacomChana  (12 edições- 1982 a 1987)
publicado pelo Grupo Ação Lésbica-
Feminista (GALF)
Boletim Gem, publicado
pelo grupo Estação Mulher

Boletim Iamaricumas (RJ)
pelo grupo de mesmo nome
 


Boletim Deusa Terra
publicado pelo grupo Deusa Terra

Boletim Amazonaspublicado pelo Grupo Libertário
Homossexual (BA)


Revista Femme,
publicada pelo grupo Afins 

Boletim Xererecapublicado por Rita Colaço e independentes (RJ)


Boletim Lesbertáriapublicado por lésbicas-feministas de São Paulo

Boletim Ponto G
publicado pelo Grupo Lésbico da Bahia


Boletim Ponto G
publicado pelo Grupo Lésbico da Bahia

Boletim Um Outro Olhar
do 1 ao 12, até 1990
pela Rede de Informação Um Outro Olhar
Boletim Folhetim
publicado pelo Movimento D ’Ellas


Boletim Ousar Viver (1995-2002)
publicado pela Rede de Informação Um Outro Olhar, 17 edições.


Revista Um Outro Olhar (1995-2002) publicada pela Rede de Informação Um Outro Olhar, 38 edições.

Publicado originalmente em 2004 no site Um Outro Olhar sob o título 1979-2004: 25 Anos de Organização Lésbica no Brasil. Nova edição 21 de agosto de 2012.

Ver também:
Tributo a Rosely Roth e Livreto Dia do Orgulho das Lesbianas do Brasil
19 de Agosto: A noite em que as lésbicas invadiram seu próprio bar 
Agosto com orgulho: Repercussão do 19 de agosto na Imprensa
Dia da visibilidade lésbica: 16 anos de uma história mal contada

3 comentários:

  1. sensacional !adorei o artigo principalmente por ele ser necessário ,pois faço um trabalho da facul sobre o assunto e estou com dificuldade em encontrar material de qualidade como esse , parabéns ,obrigada

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  2. muito maneiro... adorei....legal q continue assim.

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  3. Olá! Como faço para ter acesso ao jornal e aos boletins do chanacomchana? A biblioteca sobre temática lesbica mencionada no artigo tem qual endereço em sp?

    obrigada

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