Evangélica pirada afirma ser argumento questionável não definir homossexualidade como doença

quinta-feira, 28 de junho de 2012

A vigarista de Deus

Projeto surrealista do deputado João Campos (PSDB-GO), presidente da Frente Parlamentar Evangélica, mostra que os conservadores religiosos resolveram realmente pegar as pessoas homossexuais como bodes-expiatórios de seu projeto de poder. Espanta também que semelhante absurdo esteja sendo encaminhado, no âmbito estatal, sem maiores protestos mesmo dos setores ditos "progressistas". Apenas os já históricos aliados dos direitos LGBT se pronunciaram contra essa perigosa palhaçada. Inclusive, cabe perguntar a quantas anda o processo de cassação de registro da vigarista da Marisa Lobo.

Discussão sobre 'cura gay' opõe deputados em audiência na Câmara
'Canalhas!', xingou Bolsonaro, em protesto contra 'esculhambação da família'. Jean Wyllis e Erika Kokay criticaram proposta que permite 'tratamento'.

Uma discussão acalorada opôs deputados e militantes em audiência realizada nesta quinta-feira (28) na Câmara dos Deputados para debater um projeto que permite a psicólogos realizar tratamento para pessoas que querem deixar a homossexualidade. A sessão reuniu psicólogos, parlamentares e manifestantes a favor e contra a proposta.

Apelidado de "cura gay", o projeto, de autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), presidente da Frente Parlamentar Evangélica, quer vetar a validade de dois dispositivos da Resolução 1/99, do Conselho Federal de Psicologia que impedem psicólogos de usar a mídia para reforçar preconceitos ou propor tratamento para homossexuais.

A escritora e psicóloga com especialização em sexualidade Marisa Lobo, a favor da proposta, afirmou que é um argumento questionável não definir o homossexualidade como sendo uma doença. Ela argumenta que a retirada da homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças (CID) em 1990 foi feita por votação. Para ela, a ciência ainda "não tem entendimento do que é a homossexualidade".

Marisa afirmou que é contra profissionais que querem tratar homossexuais levados pelo preconceito, mas é preciso respeitar a vontade dos pacientes. Ela disse que a resolução do Conselho é arbitrária porque "impede que profissionais reprimam opções sexuais em pacientes, mas eles [psicólogos] devem atender aos pedidos solicitados por quem vai ao seu consultório".

'Homofobia'
Manifestantes criticaram a fala de Marisa Lobo com cartazes falando que a "cura" da homossexualidade é uma forma de perpetuar a homofobia. Marisa se defendeu dizendo que não possui preconceito algum contra gays e ressaltou que seu "cabeleireiro e dermatologista são homossexuais".

A psicóloga afirmou também que pacientes com egodistonia, que é a não-aceitação de um indivíduo sobre sua orientação sexual e querer mudá-la, precisam ter o direito de se "curarem", se assim for demandado.

O coordenador da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT na Câmara, deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), afirmou que ficou "constrangido" com as explicações. "Orientação sexual e identidade de gênero são coisas que não confundem. Uma pessoa não pode se valer disso para querer curar uma pessoa por ser homossexual", disse o parlamentar.

Para ele, a proposta da psicóloga só fortalece a egodistonia. "É óbvio que alguém homossexual vai ter egodistonia, mas por viver numa cultura homofóbica que rechaça e subalterniza sua homossexualidade. O certo seria colocar o ego em sintonia com seu desejo, é sair da vergonha para o orgulho", afirmou Jean Wyllys.

A deputada Erika Kokay (PT-DF) também criticou a proposta e afirmou que autorizar a "cura" para casos de homossexualismo "constrange a cidadania e a pessoa humana". Ela lembrou que resoluções semelhantes, que vetam a descrição do homossexualismo como "doença", existem na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Federal de Serviço Social.

Logo após suas falas, Jean Wyllys e Erika Kokay se retiraram do plenário em repúdio ao projeto do deputado João Campos (PSDB-SP).

Além de Marisa Lobo, estiveram na audiência a representante do Ministério Público Andrea Nice Lopes e o relator da proposta na comissão, o deputado Roberto de Lucena (PV-SP). O presidente do Conselho Federal de Psicologia, Humberto Verona, foi convidado para participar da audiência, mas não compareceu.

A entidade enviou um manifesto de repúdio à comissão e classificou a audiência como "falso debate de cunho unilateral" por ter apenas uma pessoa contrária ao projeto.

'Esculhambação da família'
Ao final da sessão, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), crítico notório do movimento LGBT, xingou militantes gays, em protesto contra iniciativas do governo contra a homofobia, como o "kit gay" que seria distribuído em escolas pelo Ministério da Educação, mas acabou vetado pela presidente Dilma Rousseff no ano passado.

"Canalhas! Canalhas! Emboscando crianças nas escolas! Canalhas mil vezes! (...) Não queiram estimular crianças, os filhos de vocês aqui, que ganham um salário mínimo, a receber uma carta de material homoafetivo nas escolas!".

Bolsonaro afirmou que o que está em jogo com a proposta de decreto é a "esculhambação da família" e disse que Wyllis e Kokay estão militando "em causa própria".

Fonte: G1

3 comentários:

  1. O que falta é desassociar a sexualidade humana da moralidade da época! A sexualidade humana é muito maior, mais ampla, mais ancestral, do que a moral da época em que vive o sujeito!
    O que causa sofrimento ao ser humano, não é a sua sexualidade, não é se reconhecer atraído por uma pessoa do mesmo gênero ou não. O que causa o sofrimento psicológico é o conflito que se estabelece dentro do indivíduo quando não vê sua sexualidade reconhecida como saudável pela sociedade em que vive.
    De mais, essas pessoas em questão na matéria, que tentam criar esse tipo de polêmica, são muuuito atrasadas! Cansa!

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  2. CARACA...QUANTA PREOCUPAÇÃO COM QUEM O VIZINHO LEVA PRA CAMA!!!
    QUANTO BAFAFÁ...É O MESMO QUE TENTAR FAZER EU GOSTAR DE COMER CHUCHU, BETERRABA, BRÓCOLIS....POWWWW EU NÃO GOSTO E PRONTO!!
    Se me vizinho é gay, problema é dele caramba!!!!

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  3. Resolução da Organização Pan-Americana da Saúde recrimina tais "terapias": http://new.paho.org/hq/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=17704&Itemid+

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