Ejaculação Feminina: você já teve?

sábado, 11 de fevereiro de 2012


Ejaculação Feminina: você já teve?
Autor(a):
Míriam Martinho

Já foi para cama com a amada, fez de tudo e no auge da coisa, jorrou como chafariz? Morreu de gozo e vergonha, pensando que tinha feito xixi sem querer? Confundiu-se, enrolou-se e reprimiu o que, ainda por cima, foi um de seus melhores momentos de prazer? Bom, então fez mal. De acordo com médicos e sexólogos, desde os anos 50, a ejaculação feminina é considerada um fato indiscutível pelo menos para algumas mulheres. Inclusive o que hoje se argumenta é que toda mulher é capaz de ejacular, variando apenas a quantidade de líquido expelido (de algumas gotinhas a verdadeiros jatos) relativa à capacidade de contração muscular de cada dama durante o orgasmo.

E de onde vem essa fonte de prazer, você deve estar se perguntando. Vem de minúsculas glândulas, chamadas parauretrais, situadas na esponja uretral, também conhecida como Ponto G, tecido esponjoso que envolve a uretra (canal que conecta a bexiga ao exterior, por onde se faz xixi) e que faz parte do sistema clitoriano. Durante o orgasmo, contrações musculares expelem este fluido das glândulas parauretrais, por dois igualmente minúsculos ductos, localizados em ambos os lados do canal uretral, em pouca ou muita quantidade. Pesquisas realizadas no fluido expelido, de uma maneira geral, revelaram pouca uréia e creatinina, componentes da urina e bem mais glicose e ácido prostático fosfatoso, elementos semelhantes aos encontrados no sêmen. Assim, de posse dessas informações, as potentes ejaculadores que andavam se reprimindo e até fazendo cirurgias para incontinência urinária, com vistas a não molhar a cama ou a(o) parceira(o), sentiram-se menos constrangidas e passaram a soltar a franga (ou seria melhor dizer a rolha?). 

AS PIONEIRAS NO ASSUNTO 

Bom, o certo é que essa nova expressão de prazer (digo nova, por ser de recente discussão, pois até Shakeaspeare já falava nas “águas do meu amor”) deve muito de sua vinda à luz às médicas ligadas ao movimento feminista que, desde a década de setenta, passaram a redesenhar a anatomia do clitóris, demonstrando que sua parte visível (a glande) nada mais era que a ponta de um iceberg, cujo corpo possuía uma estrutura interna muito maior e mais complexa do que a sonhada pelos vãos tratados de anatomia tradicional. Foram elas que apontaram a esponja uretral, como responsável pela ejaculação feminina e, mais recentemente, esclareceram ser esta esponja parte do sistema clitoriano e não simplesmente um ponto ou região como indicado, na década de 50, pelo médico Ernest Grafenberg (1881-1957), a quem o ponto G deve o nome). 

Além delas, outras pesquisadoras vêm aprofundando seus estudos sobre este órgão sexual feminino e lançando novas luzes sobre o assunto. Em 1998, a urologista australiana Helen O’Connell dissecou o clitóris de cadáveres de mulheres de várias idades, revelando que o corpo desse órgão de forma triangular, que se conecta à glande, é tão largo quanto à primeira junta do polegar, com dois braços de até 9 centímetros que adentram o corpo e terminam a apenas alguns milímetros das pontas da coxa. Entre esses braços, há, em cada lado da cavidade vaginal, dois bulbos, anteriormente chamados de bulbos do vestíbulo, por haverem sido considerados como partes da vagina, e que O’Connell agora quer denominar de bulbos do clitóris. A médica também afirma que, ao contrário da visão anatômica tradicional, o clitóris sim se conecta à uretra, rodeando-a em três lados enquanto um quarto lado se inserta na parede frontal da vagina. De fato, de acordo com O’Connell, os nervos cavernosos do clitóris se estendem ao longo das paredes do útero, da vagina, da bexiga e da uretra. Assim sendo, uma das aplicações, entre várias, dos estudos dessa médica, é a preservação da função sexual em mulheres que precisam ser submetidas a cirurgias na região pélvica, como retirada do útero, cirurgia para incontinência urinária e câncer na bexiga. 

Legal mesmo será comparar a visão de O’Connell e a das médicas feministas e ver no que elas diferem e no que acrescentam dados uma a outra a outra. Com certeza, após tanto tempo sem a atenção devida aos seus órgãos sexuais, as mulheres só têm a ganhar com essa comparação bem como com as novas descobertas sobre o tema que seguramente surgirão nos próximos anos.

LEVE A TOALHA PARA A CAMA

Enfim, embora, em algumas pesquisas com ejaculadoras, seus fluidos tenham apresentado mais elementos de urina do que de ejaculação, hoje a maioria das (os) entendidas (os) bota a mão no fogo pela verdadeira ejaculação feminina, fruto – repetindo – das glândulas parauretrais, situadas na esponja uretral, que pode ser sentida ao se inserir o dedo na parte da frente da vagina, pressionando na direção do osso púbico ou do monte-de-vênus. Além disso, de qualquer forma, é sempre bom lembrar que tem gente que também gosta de praticar o que as gringas chamam de watersports (esportes aquáticos) ou golden showers (banho dourado ou chuva dourada), práticas sexuais que envolvem urina de uma ou de outra forma. Saídas do armário sadomasoquista pela chegada da AIDS e pela necessidade da discussão de todas as práticas sexuais com vistas à prevenção, os watersports também passaram a ser citados nos folhetos de prevenção as DST para lésbicas, perdendo um pouco de seu caráter de tabu. Assim, seja por uma coisa ou outra, para alcançar ou intensificar o orgasmo, se for o seu caso, vale mais a pena perder a vergonha, achar uma companheira igualmente potente ou pelo menos compreensiva e simplesmente levar a toalha para cama. 

Bibliografia
CHALKER, Rebecca. Female Ejaculation: Fact or Fiction? In: NYC?LHF. New York City Lesbian Health Fair, May 4, 1996, p. 79-83.
CHALKER, Rebecca. Anatomy of the Clitoris. In: NYC/LHF. New York City Lesbian Health Fair, May 4, 1996, p. 85-89.
WILLIANSON, Susan & NOWAK, Rachel. The Truth about women. In: New Scientist Planet Science. 1998.
KEFER, Alex. Female Ejaculation – Just What is it? In: The Human Sexuality Web.
CHUI, Glennda. Research called faulty on female sexual organ. In: San Jose Mercury News, July 29, 1998.

Versão original deste texto: Boletim Ousar Viver, ano 5, n. 10, Fevereiro de 2000. Míriam Martinho. Publicado online em Um Outro Olhar, 29/12/05.

3 comentários:

  1. achei ótimo saber um pouco mais sobre esse assunto.acho q tenho esse problema,não se trato do liquido,mas sim do tempo.gozo muito rápido sou quase um coelhinho, isso é normal?

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  2. Gostei bastante... E se tiverem mais assuntos sobre isso ajudaria bastante, vocês tem o meu E-mail. Té mais.

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  3. É possível controlar a ejaculação feminina?

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