O cãozinho e os homossexuais

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Pela igualdade entre as espécies do planeta

Autor(a):
 Míriam Martinho

Não vi nem vou ver o vídeo da enfermeira que agrediu um cãozinho até a morte, e ao que tudo indica na frente da filha, na cidade de Formosa, em Goiás (GO). Não tenho estômago para isso, não tenho coração para perdoar quem comete atrocidades contra crianças e animais. Entendo e perdoo é quem, devidamente tomado por justa revolta contra semelhante barbárie, pede não só punições mais pesadas, para quem comete esse tipo de crime, como também prega a lei do “olho por olho, dente por dente” contra a sádica. Não sou hipócrita, sempre digo, como muitos que, diante de fatos dessa natureza, ainda se saem dizendo que não vão fazer linchamento moral (sic) da fulana. No dia que começarmos a punir devidamente quem maltrata animais, começaremos a pelo menos limitar as barbáries que cometemos contra nossa própria espécie.

Por enquanto, contudo, estamos longe disso. Basta ver que a tal enfermeira-monstra foi simplesmente multada em três mil reais e nem terá seu registro profissional cassado. Será que algum paciente se sente seguro em ser atendido por semelhante criatura? Segundo os especialistas, um dos primeiros indícios de psicopatia em uma criança se revela quando a flagram maltratando animais. Uma psicopata cuidando de enfermos em hospitais? Será que a sociedade está tão insana quanto ela? E ainda, onde estão as organizações governamentais e não-governamentais de proteção a menores que não tomam medidas de precaução no sentido de preservar a menina que vive com essa mulher doentia? Vão esperar que a psico cometa outra barbárie para achar alguma brecha legal a fim de condená-la e botá-la na jaula? Brincadeira, não?

Entretanto, o assunto principal desta postagem não é o drama do cãozinho mas sim uma das reações a ele. Ativistas homossexuais vêm fazendo comparações lastimáveis entre o clamor popular, contra a psicopata que matou o bicho, e a ausência de empatia da sociedade com a morte muitas vezes também bárbara de pessoas homossexuais. Tal comparação é de uma falta de tato atroz. É como a piadinha do Danilo Gentili com os judeus a propósito da falsa polêmica sobre uma estação de metrô no bairro de Higienópolis em São Paulo. Disse o “humorista”: "Entendo os velhos de Higienópolis temerem o metrô. A última vez que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz." Realmente!!

Pois, então, no meio da comoção causada pelo bárbaro crime contra o animal, vem ativistas LGBT dizer que querem ser tratados como cachorros, pois assim terão a devida atenção da sociedade para seu sofrimento e os crimes homofóbicos. Tal abordagem ressentida não traz, contudo, nenhum ganho para a justa reivindicação contra a impunidade dos crimes homofóbicos. Pelo contrário, dá a impressão de que esses ativistas menosprezam a sensibilidade social para com o calvário do bicho e que, na contramão da visão ambientalista contra o especismo, não creem ser todos os seres vivos merecedores de igual respeito e proteção contra a violência. Aliás, alguns declaram abertamente seu credo especista, afirmando que vidas humanas valem sim mais do que as de um cão. Tanta gente boa tentando mudar essa visão antropocêntrica, responsável pela destruição sem precedentes da natureza, e vem logo um grupo discriminado reafirmá-la?

Que as pessoas atualmente demonstrem indignação contra os maltratos a animais revela evolução da espécie, fruto do nobre trabalho dos protetores dos animais, algo que nos dá esperança de dias melhores, e não falta de sensibilidade social. A comparação é infeliz, antipática e equivocada,  resultado de uma militância que perdeu a bússola, anda a esmo e frequentemente atira no próprio pé.

São Paulo, 29/12/2011 - Míriam Martinho. Originalmente publicado em Contra o Coro dos Contentes

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