Agnes e Elin: Apaixonadas em Amal

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Por Angela Gonçalves

Amigas de colégio 
(Fucking Amal, 1998)
Diretor: Lukas Moodysson 
Com: Alexandra Dahlströn, Rebecca Liljeberg 
Distribuidora:Cult film 

Quando Amigas de Colégio, filme do diretor sueco Lukas Moodysson, passou no Festival Mix Brasil, produziu tal encanto que acabou levando o prêmio de Melhor Filme do Júri Popular. O segredo do filme: ele está anos luz da visão que os filmes americanos têm do mundo dos adolescentes. Um dos poucos filmes que eu assisti em que os adolescentes são retratados com respeito e não como um bando de palhaços sem graça. 

A história se passa em Amal, uma cidadezinha da Suécia, e gira em torno da descoberta da sexualidade por um grupo de jovens, entre eles Elin, a loirinha bonita do colégio que tem uma considerável lista de ex-namorados, e Agnes, a garota diferente que, ao contrário de Elin, não tem amigos no colégio porque todo mundo desconfia que ela seja lésbica. Aí você pensa: ah! Mais eu já vi essa história antes. Calma! Você também deduz que duas adolescentes descobrindo sua lesbianidade em uma cidadezinha da Suécia dever ser totalmente diferente de duas adolescentes de uma cidadezinha qualquer aqui no Brasil. Errado! Por incrível que pareça, você percebe que os mecanismos são os mesmos: as mesmas dúvidas, os mesmos dramas, os mesmos conflitos, as mesmas vontades. 

Os pais de Agnes resolvem dar-lhe uma festa de aniversário contra sua vontade. Claro que ninguém aparece, a não ser uma garotinha chata que na verdade apenas suporta Agnes porque, tal como ela, sofre com o preconceito dos colegas do colégio, no seu caso por ter problemas físicos. Porém, num ímpeto, Agnes manda a hipocrisia às favas e, junto com ela, a garotinha chata. Então ocorre uma reviravolta: Elin, na ânsia de fazer algo diferente, convence a irmã mais velha a ir com ela à festa de Agnes e aposta com ela que beijará a aniversariante na boca. Ganha a aposta e depois, já em outra festa, com a consciência pesada, decide voltar e pedir desculpas a Agnes. 

Voltando para se desculpar, Elin não apenas salva a vida de Agnes, que tentara se suicidar ao som de Adaggio de Albioni, mas a sua também. Elin convida Agnes para ir a uma outra festa com ela. Quando decidem seguir para Estocolmo a e não para a festa, elas simplesmente mudam o rumo de suas vidas. Logo depois, vem a cena do beijo entre elas que, de um modo muito delicado, acontece dentro de um carro ao som de I Know what love is do grupo Foreigner. A partir daí tudo vira de ponta cabeça. A garota mais cobiçada do colégio se descobre apaixonada por outra garota, o patinho estranho do colégio, e, numa tentativa louca de enganar a si mesma, resolve namorar o primeiro garoto que lhe aparece na frente. Pensa que menosprezando, diminuindo quem sabe que ama, pode se convencer do contrário. Mas o estrago já havia sido feito. Conforme o tempo passa, mais ela percebe a distância que separa Agnes de seu namorado e do restante de seus amigos adolescentes, inclusive o namorado machista e vazio da irmã mais velha, e isso a faz sentir-se cada vez mais atraída pela menina. 

Na outra ponta do filme está Agnes que cada vez mais se vê distante dos pais (o pai fica tentando fazer com que a filha se enxergue como um auto-retrato dele). Soa ridículo o diálogo em que o pai tenta se impor à filha, explicando que levou uns vinte e cinco anos para compreender o que é ser feliz. Ela simplesmente responde que prefere ser feliz naquele momento, no agora. A mãe que antes tinha um discurso moderninho em relação à lesbianidade, dizendo que mesmo uma garota sendo lésbica merecia respeito, entra em parafuso ao descobrir que sua filha também é. Na escola, a solidão se intensifica: os garotos aproveitam a situação e a ridicularizam cada vez mais. E o pior de tudo é a indiferença de Elin. 

Entretanto, o desejo e o amor vencem quaisquer barreiras tanto numa cidadezinha da Suécia quanto em qualquer outra do mundo. Elin se rende à sensibilidade, à inteligência, ao amor de Agnes. E é interessante a maneira como Moodyson narra esse fato: ele cria uma nova versão bem divertida da história do “sair do armário (quando uma lésbica se assume para todos como tal).” Também a interpretação sincera e correta das atrizes torna suas respectivas personagens muito humanas, muito próximas de cada uma de nós. Quem, pelo menos uma vez na vida, não passou por alguma das situações vividas por elas?. Enfim, Moodysson fez um filme simples, onde o bom humor e a dramaticidade na medida certa garantem o sucesso. Sem dúvida nenhuma, uma ótima diversão e uma boa pedida para sua tarde de domingo! 

Publicado originalmente na revista Um Outro Olhar – Saúde, Cultura e Sexualidades, ano 14, n. 33, p. 13. Reedição 01/11/06.


Amigas de Colegio -Legendado PT-BR (PARTE 1)... por Universo_Lesbico


Amigas de Colegio -Legendado PT-BR (PARTE 2... por Universo_Lesbico

1 comentários:

  1. Adorei a resenha, porem parece que percebi uma certa parcialidade (um "que" mais pessoal) no resumo do filme. Eu o consegui numa loja em sampa e tenho com as legendas em ingles, mas o entendo perfeitamente e até pq eu me identifico muito com a Agnes. Como ela, ja senti que não respeitaram meus sentimentos, as pessoas q me interessei se portavam de maneira indiferente comigo e me tratavam meio mal, pena que só no filme isso queira dizer uma "talvez" pq na vidarealé um não velado e covarde. Acho esse filme uma gracinha pq fala da descoberta de ambas, mas a diferença é que uma ja sentia que era ecarregava em suas costas o peso do preconceito e a outra foi se descobrindo aos poucos através de suas experiencias " falidas ". Amor esse filme, mas só uma correçãozinha: a musica da cena do beijo se chama "I wana know what love is" tb mto linda.. me pergunto eu se eu ainda viverei algum amor les assim hehehe! Espero que eu encontre a garota da minha vida, beijos !

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