As Divas Lesbianas de Hollywood

terça-feira, 5 de junho de 2012

Lizabeth Scott

THE HOLLYWOOD LESBIANS

por  Antonio Nahud Júnior

A vida privada das estrelas de cinema há muito alimenta especulação e fofocas. Muitas atrizes da década de 1930, 1940 e 1950 faziam parte do então chamado - no jargão gay – “círculo de costura”, uma frase supostamente inventada pela diva Alla Nazimova para descrever encontros discretos de lésbicas, salvaguardando o segredo sexual (de certa forma, maridos ausentes ou gays cooperavam para a freqüência dessas reuniões). Impedidas de se abrirem sobre sua sexualidade, essas mulheres famosas - com diferentes graus de sigilo - se relacionavam amorosamente ou sexualmente umas com as outras. Com a aplicação do Código Hays, na década de 30, a repressão aumentou e todo o cast hollywoodiano passou a ter sua intimidade controlada. Tal situação levou atrizes lésbicas a recuarem cada vez mais para dentro do armário, namorando ou até mesmo se casando com homens, a fim de parecerem heterossexuais. É o chamado “casamento perfumado”, um termo cunhado na Hollywood clássica para descrever núpcias entre astros gays e estrelas lésbicas. Eles viviam uma existência pública de casal, enquanto, na intimidade, habitavam quartos separados e dormiam com amantes do mesmo sexo. No entanto, a abertamente bissexual Marlene Dietrich e a insaciável sedutora Tallulah Bankhead pareciam não se preocupar com os rumores em torno de sua sexualidade, inclusive procurando incentivá-los. A imagem pública de La Dietrich e a de muitos de seus filmes incluem fortes conotações sexuais. Seus casos amorosos são parte do folclore da meca do cinema. Andrógina, tinha predileção por roupas masculinas (ternos, cartolas, etc), representando uma ambigüidade sexual audaciosa, atraente e lendária.

Janet Gaynor e Margaret Lindsay

Celebridades femininas bissexuais em geral são mais aceitas do que as exclusivamente lésbicas, especialmente aquelas que não aparecem com suas companheiras em público. Quando a ex-estrela infantil Drew Barrymore ou Angelina Jolie (que durante dez anos namorou a modelo Jenny Shimizu) falaram abertamente sobre sua bissexualidade, não afetou em nada a carreira de ambas. Entretanto, o conhecimento do lesbianismo de atrizes é mais complexo, embora o público de hoje seja mais aberto. A revelação pode significar nunca mais ser convidada para papéis românticos heterossexuais ou principais.

Dorothy Arzner dirigindo Merle Oberon

Ao longo dos anos, os buxixos de lesbianismo ou bissexualidade têm persistido em torno de várias atrizes - como Lillian Gish, Marie Dressler, Louise Brooks, Jean Arthur, Constance Bennett, Joan Crawford (segundo Marilyn Monroe ela tentou seduzi-la a todo custo), Barbara Stanwyck, Katharine Hepburn, Annabella (casou-se com o galã gay Tyrone Power), Hattie McDaniel, Arletty, Elsa Lanchester, Judy Holliday, Capucine, Sandy Dennis, Catherine Deneuve, Debra Winger, Helen Hunt, Queen Latifah, Clea DuVall ou as brasileiras Norma Bengell, Florinda Bolkan e Carla Camuratti, entre dezenas de outras. Elas nunca confirmaram o falatório, acreditando que sua sexualidade não tem nenhuma importância para os fãs ou para suas carreiras. Quando a comediante Lily Tomlin e a estrela Jodie Foster, depois de anos de silêncio, declararam-se lésbicas, não surpreenderam ninguém. Jodie vive um relacionamento de 15 anos com a produtora Cydney Bernard. Mas o divórcio de Brigitte Nielsen, senhora Sylvester Stallone, após o flagra na cama com sua secretária, em 1987, gerou um escândalo mundial que alimentou a mídia sensacionalista. As mentes tacanhas não conseguiam entender como aquele mulherão preferia o seu mesmo sexo.

Marlene Dietrich

Marlene Dietrich e Claudette Colbert

Para alguns, a ânsia da verdade sobre a orientação sexual de figuras públicas tem pouco a ver com lascívia ou invasão de privacidade, mas com o desejo de contribuição honesta e positiva em relação a gays e lésbicas de todo o mundo que, infelizmente, enfrentam problemas de aceitação social ou mesmo de ordem emocional. Entre dezenas de casos, listo uma cineasta e doze atrizes lésbicas. As informações vieram principalmente dos livros “The Lavender Screen: Gay and Lesbian Films — Their Stars, Makers, Characters and Critics” (1993) e “Hollywood Lesbians” (1996), de Boze Hadleigh; e “The Girls: Sappho Goes to Hollywood” (2001), de Diana McLellen. Seus autores levantaram o véu da intimidade de atrizes de Hollywood através de sólidos depoimentos de alcova, correspondência privada e arquivos do FBI.

Agnes Moorehead (1900-1974)

Seu estilo exigente e traços marcantes colocaram-na em papéis abusados. Coadjuvante de luxo, ao longo de sua carreira apareceu em mais de 60 filmes, incluindo a estréia em “Cidadão Kane / Citizen Kane” (1941). Recebeu várias indicações ao prêmio da Academia, mas provavelmente é mais lembrada por sua atuação como Endora, mãe de bruxa Samantha no seriado de televisão “A Feiticeira”, dos anos 1960. Teve um longo romance com a estrela de "Cantando na Chuva / Singin' in the Rain" (1951), Debbie Reynolds.

Alla Nazimova (1879-1945)

Sua homossexualidade era bastante conhecida na comunidade cinematográfica, apesar do envolvimento duradouro com o ator gay Charles Bryant. No final da década de 1910, tornou-se uma das estrelas mais populares de Hollywood. Depois do fim de seu contrato com a Metro, fundou sua própria produtora, lançando a famosa (mas financeiramente desastrosa) versão gay de “Salomé / Salome” (1923), de Oscar Wilde. Teve romances com a milionária Mercedes de Acosta, a atriz de teatro Eva Le Gallienne e a cineasta Dorothy Arzner. 

Claudette Colbert (1903-1996)

Estrelou várias peças da Broadway e iniciou no cinema com Frank Capra em 1927. Uma das atrizes mais bem pagas da década de 1930, atuou em épicos, comédias e dramas. Recebeu o Oscar de Melhor Atriz por seu papel de herdeira excêntrica em “Aconteceu Naquela Noite / It Happened One Night” (1934). Exigente com os câmaras e os iluminadores, ela sempre insistia para que seu rosto fosse fotografado do lado esquerdo. Conhecida na intimidade como "Tio Claude", um dos seus casos mais divulgados aconteceu com a musa germânica Marlene Dietrich.

Dorothy Arzner (1897-1979)

Por algum tempo foi a única diretora dos grandes estúdios de Hollywood. Realizou 17 longas, sendo o último o anti-nazista “Crepúsculo Sangrento / First Comes Courage” (1943), com Merle Oberon. Durante muitos anos viveu com a premiada figurinista Edith Head.

Greta Garbo (1905-1990)

Dominou a Metro-Goldwyn-Mayer nos anos 30 com uma série de clássicos. Ícone do cinema, devia seu sucesso ao diretor de fotografia William H. Daniels, cuja iluminação transformou seus traços angulosos, quase masculinos, na personificação da beleza. Nunca se casou, referindo-se aos seus assuntos com mulheres como “segredos excitantes”. Discreta, ainda assim sabe-se de seus casos com Mercedes de Acosta e Eva Le Gallienne. Em suas memórias, a estrela do cinema mudo Louise Brooks assumiu que namorou Garbo.

Janet Gaynor (1906-1984)

A queridinha dos filmes mudos norte-americanos no final dos anos 20. Primeira ganhadora do Oscar de Melhor Atriz, reservada, nem ao menos frequentava os “círculos de costura” de sua época. Mas seus colegas sabiam do seu romance com a atriz da Warner, Margaret Lindsay, e depois com Mary Martin. Para abafar o caso, casou-se com o figurinista Adian (da MGM) e Mary com um decorador de interiores. Durante muitos anos o quarteto morou no Brasil, numa fazenda no interior de Goiás.

Judith Anderson (1897-1972)

Reconhecida como grande atriz shakespeariana, marcou a história do cinema como a sinistra governanta da mansão Manderley em “Rebecca, a Mulher Inesquecível / Rebecca” (1940), que revela traços lésbicos. Especializada em papéis densos, o seu romance mais conhecido foi com a famosa atriz teatral Beatrice Lillie.

Kay Francis (1905-1968)

Consolidou-se como uma das mais glamourosas estrelas, com um corpo perfeito e sempre portando modelos da alta costura. Trabalhou com os melhores diretores e fez dezenas de filmes durante os anos 30, até que sua popularidade declinou nos anos 40.

Lizabeth Scott (nasceu em 1922)

Loura e belíssima, de voz rouca e sensual, trabalhou primeiro como modelo, estreando no cinema em 1945. Vendida como uma nova Lauren Bacall, não se tornou uma estrela devido aos sucessivos fracassos de bilheteria de seus filmes. Nos anos 50, a revista “Confidential” revelou aos leitores que ela era lésbica, contando seu romance com a diva de teatro Tallulah Bankhead e sobre sua persona como inspiração do personagem de Anne Baxter em “A Malvada / All About Eve” (1950). Com o passar do tempo, transformou-se em uma atriz cult de cinéfilos.

Marjorie Main (1890-1975)

Coadjuvante de luxo da MGM, talvez seu papel mais popular seja o de Ma Kettle, que ela interpretou em dez filmes. Famosa por seus personagens de mãe durona ou esposa autoritária, teve um longo affair com Spring Byington, ótima coadjuvante que encarnava mães doces, frágeis e carinhosas.


Ona Munson (1903-1955)

Lembrada pela prostituta Belle Watling de “... E o Vento Levou / Gone with the Wind” (1939), sua estréia no cinema ocorreu em 1928. Também trabalhou na Broadway. Casada três vezes, vivia em conflito com sua sexualidade. Cometeu suicídio aos 51 anos de idade, tomando uma overdose de barbitúricos. Deixou uma nota: "Esta é a única maneira que eu conheço de ser livre novamente... Por favor, não me sigam."

Tallulah Bankhead (1902-1968)

Alcançou enorme sucesso na Broadway. Trabalhou também no cinema e televisão. Teve inúmeras parceiras amorosas: Nazimova, Marlene Dietrich, Greta Garbo, Dorothy Arzner e Lizabeth Scott, além das atrizes de teatro Patsy Kelly, Katharine Cornell, Laurette Taylor, Sybil Thorndyke e Beatrice Lillie. Ela afirmou ter levado Barbara Stanwyck para a cama. Seu último trabalho foi no seriado “Batman”, interpretando a vilã Viúva Negra. Morreu em 1968, de pneumonia.

Thelma Ritter (1902-1969)

Apesar de indicada seis vezes para o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, não o recebeu em nenhuma das ocasiões. Atriz do teatro e do rádio, estava com 42 anos quando estreou no cinema. Sua especialidade, personagens de língua ferina ou desiludidas. Faleceu de ataque cardíaco em 1968, logo após uma aparição no programa de televisão de Jerry Lewis.




O famoso beijo de Dietrich numa mulher aos 3:15 do vídeo abaixo

11 comentários:

  1. quem diria, a mãe da feiticeira também, hem?...rsss muito bom o texto.

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  2. Marlene dietrich?????? Kkk nunca ouvi tanta bobagem em toda a minha vida! Greta Garbo? Ela tinha seus motivos,razões e nunca foi comprovado nada. Mesmo assim é um otimo texto

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  3. É, a Janet Gaynor é lésbica mesmo. Não posso negar que estou um pouco decepcionado, eu tenho uma grande admiração por ela, uma pequena paixão platônica. Queira ou não, muda a imagem que temos da pessoa. Não tô dizendo que para pior, somente que muda. Fica diferente, é outra pessoa.

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  4. Oh! vida imunda esta de artista hem!!! Só decepção. Eu li o livro lançado chamado "A Vida Sexual dos Idolos de Hollywood" Fiquei hiper decepcionado. A gente vê estas meninas lindas fazendo filmes, toda feminina e os caras tudo machões no cinema e na globo dando uma de "Galã"???? Ah, francamente, fala sério né?

    Rivaldo

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    1. Decepcionado?kkk Até parece que em qualquer circunstância você seria ao menos notado...

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  5. Respostas
    1. Fim dos tempos??? Você por a caso viu as décadas que essas atrizes talentosas nasceram??? Então o fim dos tempos vem desde de muitoooooo tempo não?! kkkkkk Saí fora mau comida e mau resolvida!

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  6. ... É apenas o que sabemos...
    Se mexermos neste baú, sairão muitas surpresas !!!!

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  7. lesbicas ou nao todas eram gostossissimas

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