Que eu saiba, na época em que começamos, há uns dois anos e meio mais ou menos, não existiam outras páginas dentro desse formato. Mesmo hoje, ainda acho que somos muito carentes em comparação com o que já existe por aí, infelizmente quase tudo em sites de língua estrangeira - nesse caso refiro-me a sites lésbicos de um modo geral, mas também, e, principalmente, aos voltados para o universo do sexo e sexualidade lésbica. Exemplos: Susie Brigth e Fairy Butch , duas experts, americanas, e muito famosas em assuntos desse gênero. Também faço uma ressalva aos sites e blogs portugueses, maiores em número, eu acho, e muitas vezes mais antenados e arrojados que os nossos -nesse caso refiro-me a sites e blogs GLBT de modo geral e não só específicos sobre sexo/erotismo ou sexualidade lésbica. Neles, o que chama a atenção é a visão, geralmente mais ampla, e o conteúdo bem mais rico e menos “cute, cute”, que eles trazem do universo GLBT. Aqui as opções também são muitas, mas nada que uma busca rápida, no Google ou mesmo no Sapo, por “blogs lésbicos” ou qualquer coisa do gênero não aponte. Exemplos: Blogayesfera, a mais completa e atualizada listagem de blogs gays, lésbicos, bissexuais e transgenders em Portugal.
R: Ser butch é ser mulher antes de qualquer coisa. É mesclar o melhor da energia feminina ao melhor da energia masculina criando um gênero de essência impar, apesar e além de aparências ou comportamentos normalmente MAL-conceituados como sendo exclusivos do SEXO masculino. "Femmes, são mulheres que se sentem atraídas por mulheres, mas que gostam e não abrem mão do papel tradicionalmente feminino criado pela sociedade. Muitas vezes, femmes se sentem atraídas por butches e vice-versa, mas simplesmente porque esta parece ser uma boa combinação de energias, e não porque desejem imitar modelos heterossexuais. “ (Susie Bright)
Qual a diferença entre uma butch e um homem?
Você não acha que as butches e femmes reproduzem os velhos papéis sexuais de homem e mulher, ativa e passiva?
R: Claro que não. Sexo, SEXUALIDADE e gênero são coisas completamente distintas. Quem disse que toda butch é ativa ou que toda femme é passiva? Essa obrigatoriedade não existe. Na cama cada uma procura sua identidade, que nem precisa ser fixa e nem ter necessariamente nada a ver com o gênero nem mesmo com o sexo genético de ninguém. Conheço homens completamente passivos na cama e mulheres que são ativíssimas. Quem pensa que na cama devem existir padrões e papéis fixos está engessado, e fazer sexo engessado ou com alguém assim deve ser um horror.
Até que ponto o que se faz na cama não se reflete no cotidiano das pessoas? Você falou, por exemplo, que as femmes adotam o papel tradicionalmente feminino criado pela sociedade. Esse papel determina que a mulher seja passiva na cama e no dia-a-dia, que seja sustentada por outra mulher a quem deve obediência em menor ou maior grau. Tenho uma colega chegada num SM básico que diz que o problema é que algumas mulheres confundem a horizontal com a vertical, ou seja, se são subs (submissas) na cena SM querem ser no cotidiano também. Você acha que no caso butch e femme se corre esse risco? Antigamente, na época das fanchonas e ladies, isso acontecia mesmo. E hoje como rola isso?R: Mas as cabeças mudaram, evoluíram graças a deus! E esse papel, esse comportamento também mudou muito de lá pra cá. Mulheres não são mais submissas, nem no sexo nem em seus elacionamentos, sejam homo ou hetero. Quem não acompanha isso é retrógrado, está desatualizado, e isso não pode ser bom. Sobre como as coisas funcionam dentro de uma relação SM, posso falar pouco ou quase nada. Sei apenas que nesse caso a submissão faz parte do jogo erótico/sexual, mas não que necessariamente tenha que refletir na vida cotidiana dessas pessoas.
Respondendo a pergunta: Bem, eu diria que não. O que se faz na cama, em regra, não precisa refletir no cotidiano de ninguém. Tanto que não é raro ouvirmos queixas do tipo, “Que decepção! A butch era tão machona e na hora da cama se revelou uma “ladie”, totalmente passiva.” (risos) Reflexo de cama no cotidiano, pra mim, só se for no estado de humor. Sexo bom, bom humor. Sexo ruim, mau humor. Ou na pele, dizem que sexo bom deixa a pele ótima! (risos)
Você acha que as lésbicas brasileiras são conservadoras quando se trata de falar de sexo? E de fazer? Como você avalia a cama das lésbicas brasileiras?
R: Sim, muito, e as duas coisas. E não só as lésbicas, mas principalmente elas. Mas já melhorou bastante, muitos tabus estão se dissolvendo. Acho que o primeiro passo é sempre falar, muito e sobre. Buscar e trocar informação também. Abrir a mente e, claro, praticar. Mais coragem, meninas! Prazer não é pecado é um direito. E que pertence e está ao alcance de todas.
R: Normal. Vejo como vejo qualquer outra prática, sendo consensual e dando prazer... E aí caímos no velho e bom clichê do "qualquer maneira de amor-e de amar-vale a pena". Quanto a grupos de lésbicas SM, não tenho essa informação. Sei que existem muitas lésbicas praticantes do SM, mas nunca ouvi falar de algum grupo que fosse especialmente delas.
R: Acho que é um plus e tanto. Sou uma adepta! Pode não ser essencial, mas com certeza é especial.
Você acha que deve existir um padrão de relações sexuais entre mulheres ou na cama o que deve prevalecer é a fantasia que leve ao gozo mútuo?
Entrevista concedida ao site Um Outro Olhar em junho de 2008






Adooorei....parabéns gurias!