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Em dose dupla, casal de mulheres amamenta seus dois filhos

quarta-feira, 18 de março de 2020 0 comentários

Casal homoafetivo se olhando enquanto amamentam os filhos gêmeos
Depois de encararem uma fertilização in vitro, Marcela e Melanie compartilharam a amamentação dos bebês graças a indução à lactação  — Foto: Arquivo pessoal/ Igor Dalboni

"Topo. Vamos!” Essas foram duas palavras mágicas usadas pela escritora e educadora Marcela Tiboni, de 37 anos, para aceitar o desafio de compartilhar as dores e as delícias da amamentação com a esposa, a corretora de imóveis Melanie Graille, 30 anos. Juntas, elas amamentaram os gêmeos Bernardo e Iolanda, nascidos em 2018, após uma fertilização in vitro. Assunto pouco divulgado na mídia, a lactação conjunta homoafetiva também foi uma novidade na vida do casal.

O início da relação foi em 2013, durante um curso de pós-graduação, em São Paulo. Desde do começo do relacionamento, o desejo de ter filhos sempre foi latente na vida de ambas.

Em conversa com o Metrópoles, o casal comenta desde do tratamento para a produção de leite até os olhares curiosos na rua e nas redes sociais desde que decidiram pela amamentação homoafetiva.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) é apenas uma entre dezenas de entidades do setor que reforça a importância do leite materno para o desenvolvimento das crianças de até dois anos. Ela deve ser exclusiva durante os seis primeiros meses de vida. A medida reduz em 13% a mortalidade por causas evitáveis em crianças menores de cinco anos.

O processo de fertilização

Apesar de cogitar a adoção, o casal decidiu que queria viver a maternidade por meio da gestação. Elas concretizaram o desejo com a fertilização in vitro, método gestacional em que a fertilização do óvulo é feita em laboratório e, se a evolução for favorável, os pré-embriões são transferidos para o útero da mãe.

No caso de Melanie e Marcela, o doador do sêmen preferiu não se identificar. Antes de realizar o processo, o casal sentiu falta de informação sobre o assunto, sobretudo em um casamento gay.

A cada consulta feita pelo médico, as dúvidas sobre essa nova fase cresciam”, relata Melanie, que gestou as crianças.

Marcela, Melanie e suas crianças

Amamentação em dose dupla

A dupla amamentação veio como uma proposta descompromissada para as duas mães. Apesar de ambas saberem que o método existia, nenhuma delas tinha noção de como aquilo era viável.

Após uma longa pesquisa, o casal seguiu para as consultas com a ginecologista e obstetra Ana Thais Vargas, e a consultora de amamentação Kely Carvalho Torres.

Do quinto ao sétimo mês de gravidez, Marcela tomou anticoncepcional. A medida fazia parte do tratamento e, assim, houve um aumento de estrogênio, progesterona e prolactina. Em seguida, sua menstruação foi interrompida.

Na visão da escritora, o grande diferencial foi utilizar a bomba para ordenha cinco vezes ao dia, durante todos os meses em que Melanie estava grávida.

Hoje, os gêmeos estão com 1 ano e 5 meses e seguem com o aleitamento materno.

As dores e delícias da maternidade

Para Melanie, dividir os sintomas da gravidez com a esposa foi enriquecedor.

As duas viveram o puerpério ao mesmo tempo. Variações de humor que iam de rir muito a chorar “de soluçar” eram sentimentos compartilhados.

A história das duas mães inspirou Marcela a escrever um livro sobre o assunto, batizado de Mama: um relato de maternidade homoafetiva, e lançado no ano passado.
O Mama foi a minha gestação. Colocava nas páginas todos os meus questionamentos em relação a maternidade“, afirma Marcela.

Olhares curiosos

Marcela Tiboni observa os olhares preconceituosos como falta de conhecimento sobre o assunto. A descriminação aconteceu poucas vezes, e é mais comum virtualmente. “Quando saem matérias nas redes sociais, surgem diversos comentários homofóbicos”, garante.

Por amamentar em público, o casal nunca sofreu preconceito, mas, muitas vezes, o ato gera um desentendimento dos indivíduos.
As pessoas veem dois bebês e perguntam que é a mãe, nós respondemos que são as duas. Algumas, se interessam. Outras, viram as costas e vão embora”, conclui.
Clipping Amor sem tabu: juntas, mulheres lésbicas amamentam 2 filhos, Metrópoles, por Fernanda Suassana, 14/03/2020

Casal de mulheres denuncia funcionária do SAC que pediu identificação paterna em RG do filho das duas

segunda-feira, 16 de março de 2020 0 comentários

Casal tenta fazer RG do filho e denuncia homofobia de funcionária do SAC, em Salvador — Foto: Reprodução/TV Bahia

Caso ocorreu em Salvador. Resolução da CNJ prevê, no caso de filhos de casais homoafetivos, que é obrigado constar no documento a nomenclatura 'filiação' sem distinção de paternidade e maternidade.

Um casal de Salvador denunciou uma funcionária do Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) por homofobia, na capital baiana. As mulheres contam que no momento de emitir o RG do filho, de um ano, a funcionária exigiu que uma delas se identificasse como o pai e a outra como a mãe. Além disso, perguntou a elas quem era o pai da criança.
Chegando lá no guichê, a funcionária de nome Maria de Fátima começou a preencher uns dados quando olhou a certidão de nascimento do nosso filho e viu que tinha duas mães. Ela parou, cruzou os braços e olhou para a nossa cara e falou: quem é o pai?", disse uma das denunciantes.
O caso ocorreu no início do mês fevereiro. Desde março de 2016, uma resolução da Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) sobre a emissão do registro geral prevê, no caso de filhos de casais homoafetivos, que a obrigatoriedade de constar os nomes dos ascendentes não deve haver qualquer distinção quanto paternidade ou maternidade.

Apesar da resolução e da nomenclatura "filiação" na certidão de nascimento, a funcionária não cedeu aos questionamentos do casal.
A gente se assustou um pouco e respondemos:' Não tem pai. Ele é um filho de duas mulheres, inclusive foi feita uma inseminação artificial, como consta na certidão de nascimento, e ele é filho de duas mães'. Ela chegou e disse: 'Alguém vai ter que ser o pai, porque senão não será possível emitir o RG da criança', conta.
O casal disse que se abalou diante da situação e acabou se convencendo com a explicação da funcionária. "A gente ficou meio abalada na hora e falou: 'Então a senhora coloca aí a mãe Flávia e o pai Andréa", revela.

Poucos minutos depois de deixar o SAC, que funciona em um shopping da Avenida Tancredo Neves, a família recebeu uma ligação, pedindo para que retornasse para a correção de um erro.
Chegamos lá no SAC novamente fomos atendidos pelo senhor Gildo. Ele pediu apenas a certidão de nascimento, não justificou qual seria o probleminha. Aí Flávia foi perguntar para ele: 'Ô seu Gildo, é necessário mesmo ter esse nome do pai no documento da criança?' Aí ele disse: Não. Vou corrigir isso mesmo, a questão da filiação, é porque a funcionária é nova e não conhece o procedimento", conta a mãe da criança.
O caso foi registrado na delegacia e uma denúncia também foi feita no Ministério Público do Estado (MP-BA).
Desde que nós assumimos casar, ter filho, a gente sempre lutou pelos nossos direitos. Agora, com o nosso filho, vem mais essa questão de lutar pela nossa família, nossa família existe. Se uma mãe já é algo maravilhoso na vida de uma pessoa, imagina duas?", diz.
Por meio de nota, a Secretaria de Administração do Estado (Saeb) informou que respeita a orientação sexual e a identidade de gênero de todas as pessoas. O SAC lamentou o caso e disse que está apurando a denúncia juntamente com o Instituto de Identificação Pedro Mello, órgão responsável pela emissão de carteiras de identidade. Esclareceu ainda que, na carteira de identidade, não tem distinção entre pai e mãe, consta apenas a filiação.

Clipping Casal denuncia funcionária do SAC por homofobia após mulher pedir identificação paterna em RG do filho: 'Alguém vai ter que ser o pai', 11/03/2020, por TV, Bahia, G1, Bahia

Ludmilla com a mulher na capa da revista Marie Claire e seus planos de ter filho com a amada

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020 0 comentários

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A cantora Ludmilla e sua mulher, Brunna Gonçalves, estrelas de capa da Marie Claire de fevereiro (Foto: Cássia Tabitini)

Ludmilla é a capa da edição de fevereiro da revista Marie Claire, em que aparece beijando a mulher, Brunna Gonçalves.
Cantora do ano, atração mais esperada do Rock in Rio, apresentadora de TV e mais de 20 milhões de seguidores no Instagram. Ludmilla chega em 2020 com predicados de uma carreira meteórica. Nascida na periferia, bissexual e muito bem-humorada, fala sobre o machismo no mundo do funk, conta pela primeira vez sobre um assédio, defende a legalização da maconha, revela detalhes do casamento com a dançarina Brunna Gonçalves e diz que a sua principal meta é combater a hipocrisia
Uma das brincadeiras preferidas de Ludmilla quando criança era soltar pipa no quintal dos fundos do sobrado onde morava com a mãe e o padrasto, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. A graça, no entanto, começava mesmo quando a pipa voava de suas mãos. Com os punhos cerrados, simulava um microfone e transformava o terreno baldio em uma plateia imaginária. “Imaginava as pessoas gritando: ‘Ludmilla, Ludmilla’. Quando ia dormir, sonhava com isso de novo”. Em poucos anos, o sonho virou realidade. Aos 16 anos, ainda sob a alcunha de MC Beyoncé, seu primeiro nome artístico, já lotava casas de show e bailes funk em todo o Brasil. Hoje, usando seu nome de registro como público (e o acréscimo de uma letra l) tornou-se uma das principais vozes femininas do funk no Brasil. Seu canal no YouTube, por exemplo, tem cerca de 6 milhões de inscritos. Somente ali foram quase 2 bilhões de reproduções de suas músicas. No Rock in Rio do ano passado, fez um show de apenas sete minutos catártico o suficiente para levar 70 mil pessoas a entoarem “Ôh, a favela chegou”, refrão de um dos seus hits.
Foi muito foda. Tinha tanta gente correndo pra assistir ao show que parecia um arrastão na Linha Vermelha. Uma loucura. Geral muito animado”, relembra. Ludmilla se tornou então a atração mais pedida do festival de 2021, com quase metade dos votos do público, mais do que o dobro da segunda colocada.
Foi em 2019, ainda, que Lud tornou público o seu amor pela dançarina Brunna Gonçalves, com quem se casou na penúltima semana de dezembro.
Existe uma Lud antes e outra depois da Brunna”, disse nesta entrevista na sua casa, na Ilha do Governador. “Via os casais se chamando de ‘Mô’ e achava brega, careta. Falava: ‘Deus me free, nunca vou casar’. Mas comecei a amar muito a Brunna e me tornei quem mais temia: apaixonadinha.”
Decidiu que faria o pedido no dia do aniversário da bailarina. Avisou a família, que organizou a cerimônia surpresa para aquela mesma noite.
Fiquei muito nervosa, a minha mão suava. Ensaiei. Gravei vários vídeos sozinha no banheiro.” Brunna aceitou na hora. “Desde o começo a gente fica o tempo todo juntas. Não tem condição de ficar um dia longe uma da outra”, diz a dançarina de 28 anos, nascida em Nilópolis, Rio. Agora, os planos do casal incluem uma gravidez compartilhada, com o óvulo da Ludmilla no útero de Brunna.
Clipping Ludmilla fala sobre casamento com Brunna Gonçalves, sucesso e relembra infância, por Maria Laura Neves, IstoÉ, 28/02/2020
Ludmilla e Brunna Gonçalves pensam em ter filho: “Quero ter esse ano”

Bebê a bordo? A cantora Ludmilla e sua mulher, Brunna Gonçalves, casadas recentemente, já estão querendo ampliar a família.

Segundo a coluna de Fábia Oliveira, do jornal O Dia, a amada de Ludmilla falou do desejo de ter um filho. E, ainda, segundo Brunna, o herdeiro virá por meio de inseminação artificial.
Quero ter esse ano. O primeiro eu vou ter, quero gerar. Pensamos em ter os genes das duas. A gente já sabe que tem uma clínica na Barra que faz isso. Já estamos pesquisando. Depois vamos ver se adotamos. Eu quero começar o processo logo esse ano, porque eu sei que isso é algo que pode demorar e também porque eu já estou com 28 anos. Quero ter meu primeiro filho antes dos 30”, afirmou.
Clipping Ludmilla e Brunna Gonçalves pensam em ter filho: “Quero ter esse ano”, IstoÉ, 16/01/2020

Conservadores franceses protestam contra reprodução assistida para lésbicas e mulheres solteiras

segunda-feira, 7 de outubro de 2019 0 comentários

Liberté, Égalité, Paternité (Liberdade, Igualdade, Paternidade)

Sete anos depois de mobilizações na França contra o casamento homossexual, pessoas contrárias à reprodução assistida de lésbicas e solteiras protestaram neste domingo (6), em Paris, para pedir aos deputados e senadores que o texto seja retirado da pauta.

Agitando bandeiras verdes e vermelhas com a inscrição “Liberdade Igualdade Paternidade”, os manifestantes começaram a caminhar por volta das 11h GMT (8h em Brasília), no sul da capital.

A multidão foi convocada por um coletivo de cerca de 20 associações, que se opõem à ampliação da reprodução assistida, uma medida emblemática do projeto de lei sobre bioética. Uma comissão especial do Senado se ocupará, a partir de 15 de outubro, deste projeto de lei.
Todos nascidos de um pai e de uma mãe, essa é a igualdade”, “Sem pai, com que direito?” são algumas das frases nos cartazes, que convocam o combate à uma “Reprodução Assistida sem pai”.
Há quase dois anos, nossas tentativas de diálogo não tiveram êxito (…) Resta apenas a rua para sermos ouvidos”, declarou a presidente do movimento católico conservador Manifestação para Todos, Ludovina de la Rochère, que também liderou a mobilização contra o casamento gay há sete anos.
Segundo a consultoria Occurence, a marcha de ontem em Paris reuniu cerca de 74.500 pessoas.

Manifestantes contrários à reprodução assistida de lésbicas e solteiras
 tomam as ruas de Paris, em 6 de outubro de 2019 - AFP

Em 2012-2013, as manifestações contra a lei que estabelecia o casamento homossexual reuniu cerca de 340.000 pessoas, de acordo com a polícia, e 1,4 milhão, segundo os organizadores.
O desenrolar e o ambiente da manifestação são tão importantes quanto sua amplitude”, afirmou Ludovine.
Christian Kersabiec, de 68 anos, que chegou de ônibus da Bretanha (oeste), defendeu que “a família com pai e mãe é um ecossistema que temos que proteger”.

Para Laetitia, de 20, “um filho é um dom, não é um direito”.
Não lutamos contra os homossexuais, não dizemos que sua vida é ruim, mas lutamos, sim, contra a legalização da reprodução assistida”, completa.
Para o diretor-geral adjunto do instituto de pesquisa Ifop, Frédéric Dabi, “é difícil antecipar o que vai acontecer, mas a opinião é muito menos crítica sobre a reprodução assistida do que sobre o casamento homossexual”.
Segundo a última enquete do instituto, realizada em setembro, uma grande maioria de franceses apoia a ampliação desse procedimento para solteiras (68%) e para lésbicas (65%) – um “nível recorde”, aponta Dabi.

O contexto político também mudou.
Em 2013, as pessoas também foram às ruas para dizer ‘não’ a François Hollande (presidente) e a uma política considerada antifamília”, lembra Dabi.
Desde então, a distância entre esquerda e direita se “enfraqueceu”, completa.

Clipping Conservadores protestam contra reprodução assistida de lésbicas e solteiras na França, Isto É, via AFP, 06/10/2019

STF decide que uniões homoafetivas devem ter acesso a políticas públicas voltadas para a família

terça-feira, 24 de setembro de 2019 0 comentários


O Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, que uniões homoafetivas não podem ser excluídas do conceito de entidade familiar e, portanto, devem ter acesso a políticas públicas voltadas para a família.

A decisão foi tomada depois que o PT questionou o artigo 2º da Lei 6.160/2018, que define define como entidade familiar apenas o núcleo formado a partir da união entre um homem e uma mulher por meio de casamento ou união estável.

O partido alegou que o termo violava o princípio constitucional da dignidade humana, já que exclui pessoas LGBTQ+ das políticas públicas.

Com o voto dos onze ministros, o STF excluiu do Código Civil qualquer interpretação que impeça o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como família, seguindo as mesmas regras e com as mesmas consequências da união estável heteroafetiva.
Quando a norma prevê a instituição de diretrizes para implantação de política pública de valorização da família no Distrito Federal, deve-se levar em consideração também aquelas entidades familiares formadas por união homoafetiva", concluiu o relator da ação, o ministro Alexandre de Moraes.
Clipping STF proíbe que casais gays e lésbicos sejam excluídos de políticas públicas, Universa, 16/09/2019

Lésbicas e as dores e delícias de se sair do armário

sexta-feira, 3 de maio de 2019 0 comentários

Lara, filho de Mardejan e Mardejan - Imagem: Arquivo Pessoal

A dificuldade de sair do armário: lésbicas relatam histórias de dor e afeto


Abrir o jogo sobre a homossexualidade para amigos e família é um processo delicado. Enquanto em alguns casos o assunto é tratado com naturalidade e acolhimento, em outras situações, a homofobia começa dentro do próprio lar.

Universa conversou com mulheres e relata experiências muito diferentes sobre a hora de sair do armário. Há quem tenha sido acolhida, há humilhação e até situações inusitadas.

Negação, religião, ameaças e gravidez

Lara, filho de Mardejan e Mardejan 

"Comecei a me relacionar com mulheres aos 14 anos. O processo de aceitação comigo foi muito doloroso, chorava bastante e me reprimia. Tinha medo de magoar minha mãe, de ser julgada. Aos 15, tive amigas que também estavam se descobrindo e pude experimentar a minha liberdade ilusória.

Aos 17, minha mãe, desconfiada, mudou de Duque de Caxias para Campos de Goytacazes, no Rio, em uma tentativa de me afastar das "péssimas amizades" e me isolar. Ficamos próximas da família dela, onde todos são evangélicos fanáticos.

E, então, me vi prisioneira. Antes de me mudar, eu estava namorando uma menina e postava coisas sobre nós em uma rede social. Um primo acessou o computador que eu usei, descobriu, e espalhou para toda a família. Fui ridicularizada, chantageada. Tiraram meu celular, eu não podia acessar a internet, ter amizades fora da igreja, ouvir músicas "mundanas".

Chegou até o ponto de não poder usar tênis, porque seria para "me sentir homem". Era obrigada a ouvir sermões e salmos. E claro, não podia sair. Minha mãe não me agrediu, mas me ameaçou muito. Eu passei a fugir de casa, pulava o muro ou inventava situações religiosas para conseguir sair. Me sentia em um cárcere, privada de amar.

Me cobravam que, se eu não havia transado com homens, não poderia ter certeza da minha sexualidade. Vivia um processo de heterossexualidade compulsória e em uma das fugas, acabei transando com um desconhecido. Estava extremamente bêbada e ele agiu como quis. Usamos camisinha, mas ele tirou sem minha permissão. Descobri um mês depois que estava grávida, quando fiz 18 anos.

Fugi de casa, deixando uma carta e fui em busca da minha liberdade, mesmo com a maternidade chegando pra me acorrentar. Hoje vivemos eu e meu filho Pierre, ele tem oito anos e ama minha namorada. Minha família segue religiosa e acreditando em uma milagre divino e eu sigo acreditando no amor", Mardejan, cantora, 27 anos.

Delatada pela 'máquina da verdade'
Jessica Luz, tatuadora Imagem: Arquivo Pessoal

"Meu pai trabalha com terapias alternativas, holísticas e frequências corporais. Quando eu tinha 18 anos, ele comprou um aparelho em que você coloca uns eletrodos na cabeça, nos pulsos, nos tornozelos e fica relaxado enquanto essa máquina vai passando várias frequências para um programa que lê e interpreta o que cada uma delas significa.

Ele me passou nessa máquina e depois me chamou para conversar, prescreveu alguns florais e falou: 'então, eu queria te perguntar uma coisa, eu vi nas suas frequências tendências homossexuais. Você quer conversar sobre isso, filha?' e eu fiquei: eita, eita, eita. E aí admiti e falei 'pai, então: a máquina está certa, pelo menos agora sabemos que ela funciona mesmo'. Ele foi tranquilo, e desde então meus amigos chamam esse aparelho de máquina da verdade. Mas foi muito louca a forma como meu pai descobriu", relembra a tatuadora." Jessica Luz, de 28 anos

Marina e Alessandra

Independência financeira, direito de amar, e, por fim, aceitação
"Eu, desde sempre, tinha me relacionado com homens. Tinha terminado um relacionamento abusivo há cerca de dois anos, e, nesse meio tempo, tinha saído do armário pra mim mesma. Pra mim, a saída do armário veio no mesmo momento da independência financeira. Quando eu terminei a faculdade e, com 23 anos, consegui me bancar, e não precisei mais dos meus pais.

Contei para minha mãe primeiro, quando eu comecei a namorar uma mulher. Minha mãe reagiu me dizendo que preferia que eu estivesse com um homem casado e com filhos, e me proibiu de contar para o resto da família, porque ela não queria ter essa vergonha. Eu pedi que ela esperasse eu mesma contar paro meu pai e ela não esperou.

Aí, foi uma sucessão de coisas horríveis. Eles são da igreja e não aceitavam, não falavam com a minha namorada, não olhavam, não perguntavam: nada. Depois dessa relação, eu firmei o pé, dizendo que gostava mesmo de mulheres e que isso não iria mudar.

Tive que bloquear os meus pais de todas as redes sociais e do Whatsapp, porque eles falavam sobre como eles ficavam mal, perguntavam qual era a necessidade de eu postar fotos com a minha namorada, ficavam perguntando aonde eles tinham errado, por que eu tinha terminado a relação com um cara, só que eles não sabiam que, nos bastidores, a relação era ruim.

Ficamos meses sem nos falarmos, e, depois de um tempo, eles aceitaram receber a minha namorada, que agora é esposa, na casa deles. A gente avisou que ia casar. Foi difícil, mas eles vieram ao nosso casamento, em novembro do ano passado e, depois, meu pai esteve na nossa casa, ficou uns dois dias, minha mãe também esteve lá recentemente. Agora eles já perguntam por ela, chamam pelo nome, querem saber, já a abraçam. Mas, até hoje, eles nunca pediram desculpa", conta Mariana Sampaio, 26 anos, servidora pública, que está casada e muito feliz.

Acolhimento e respeito ao tempo

Camila Martins

"Saí do armário há cerca de oito anos. Liguei para minha mãe, que mora em outro estado, e disse que estava indo visitá-la, mas que levaria minha namorada. E ela, prontamente, disse que tudo bem. Depois me mandou várias mensagens de afeto e disse que falaria com meu pai, que também foi tranquilo.


A essa altura minhas irmãs já sabiam e um tio, que é gay, já havia conhecido a minha primeira namorada, me acolhendo em todos os momentos. Contar para a família me ajudou a sair de um processo de depressão profunda, porque me assumi lésbica muito tardiamente, com 26 anos, e foi uma libertação emocional. O que mais me marcou na fala da minha mãe foi "Eu já sabia, sempre soube, e só estava esperando você me contar".

Ela respeitou meu momento e me deu todo apoio diante do restante da família. Foi aí que comecei a falar abertamente nas redes sociais. Ao mesmo tempo, percebi que outros espaços foram fechados, como alguns núcleos da família e de amigos. Mas houve muito apoio e acolhimento. E o que eu mais ouvi foi: "nós sempre soubemos".

Tirei um peso da minha vida. Mas entendo que sair do armário não é para todas as pessoas, uma vez que nós, lésbicas, somos ameaçadas pelo estupro corretivo, assassinato. Ficar no armário, muitas vezes, significa estratégia de sobrevivência diante do quadro de lesbofobia", conta a editora Camila Marins, de 34 anos.

Sair do armário em casa e no trabalho

"Eu nunca tive um relacionamento maravilhoso com a minha família. Até que eu me apaixonei por essa menina, C., e começar a sair com ela direto. Um dia, minha mãe me avisa pra eu tomar cuidado porque ela sabia que a C. era sapatão e ia querer me comer. Eu aproveitei a deixa para dizer um 'Tomara!' e falar que eu também era sapatão e não via nada demais, minha mãe ficou com nojo e se recusou a encostar ou falar comigo direito por meses.

Ela sugeriu que meu irmão me tirasse das redes sociais, pois poderia pegar mal ele ter ligações com uma pessoa gay; meu pai me fez prometer que eu nunca seria foto de capa de um jornal no topo de um trio elétrico com os peitos de fora numa parada gay. Eles passaram a me tratar mal e não falar comigo, tentar me impedir de sair, ou fazer pequenas humilhações diárias.

Por fim, avisei que sairia de casa. Eles, então, fizeram uma conta de tudo que já haviam gastado comigo na vida e me ofereceram para pagar um aluguel para ficar na casa deles, para que eles pudessem ser compensados pelos anos que passaram investindo em mim para eu estudar e ter sucesso ao invés de acabar 'me tornando' sapatão e arruinar tudo. Eles fizeram os cálculos de quantas viagens teriam feito à Europa não fosse o fardo de me criar e sustentar.

Depois de muito tempo e terapia, hoje temos um relacionamento agradável e nos falamos com frequência. Eu também tive que sair do armário no trabalho, em um lugar muito tóxico, repleto de pessoas machistas e homofóbicas. Percebi logo nos primeiros dias que não daria pra ser assumida nesse emprego.

Deixei o cabelo crescer para as piadas diminuírem e ouvia calada os comentários homofóbicos. Tinha medo de ser mandada embora. Um dia, cheguei para trabalhar e minha chefe me chamou em particular e disse que estava oferecendo a oportunidade de me explicar, pois alguém tinha contado para ela que eu sou gay e se ela soubesse disso antes ela não teria me contratado. Ela queria entender a razão de eu não ter contado para ela. Fiz um barraco, falei que era um absurdo, que eu não precisava da permissão dela para existir.

Foi uma história engraçada, porque o argumento dela foi que quando ela me imaginava com uma mulher, ela me imaginava fazendo atos sexuais muito fora da caixinha e isso a deixava desconfortável.


Respondi que quando ela me contou que era casada, eu não a imaginava chupando o marido dela, então não entendia a dificuldade. Encerramos a conversa ali e passei um ano trabalhando com ela, e ela interrompendo cada vez que o nome da minha namorada era mencionado", conta a professora M, de 31 anos, que, apesar de ser assumida, prefere não ter a identidade revelada pois muitas pessoas de seu convívio profissional são homofóbicos.

Fonte: Universa, por Elisa Soupin, 30/04/2019

Casais de mulheres e de homens contam suas felizes histórias de adoção

segunda-feira, 29 de abril de 2019 0 comentários


Casais homoafetivos contam histórias de adoção. Spoiler: com final feliz!

No Brasil, existem mais de 9.300 crianças e adolescentes à espera de serem adotados, de acordo com o Cadastro Nacional de Adoção, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Do outro lado, existem pais e mães que buscam um filho para fechar uma espécie de elo e formar uma família. No meio destes, estão os casais homossexuais. Pela legislação brasileira, não há qualquer diferença no processo de adoção por casais gays. Até por isso, não há estatística que mostre quantos casais formados apenas por homens ou apenas por mulheres adotaram crianças no Brasil.

O ritual segue o mesmo de um casal heterossexual: inscrição, curso de preparação, avaliação psicossocial dos pretendentes, entrevista técnica, inscrição na fila de adoção, estágio de convivência e adoção definitiva.

O que a lei permite de maneira tão fácil, porém, não reflete o que a sociedade pensa. Uma pesquisa realizada pelo Ibope mostrou que 55% dos brasileiros são contra a união estável e a adoção de crianças por casais homossexuais.

Mas quem resolve deixar as opiniões contrárias de lado e entrar nessa corrida, só tem boas histórias para contar.


Jorge, Walter e Arthur, no Rio Imagem: Arquivo Pessoal.
Tive medo que não nos aceitassem

Jorge Luiz Brasil Ninho, 50 anos, jornalista, e Walter do Patrocínio, 54 anos, farmacêutico, de Niterói (RJ), são pais de Arthur, de 11 anos.
O nosso desejo de adotar uma criança nasceu há 14 anos. Chegamos a dar entrada no processo, mas uma série de contratempos nos obrigou a parar a busca. Esse desejo ficou quietinho até que 10 anos depois voltou com muita força. Mas eu tinha receio da nossa habilitação não ser aceita por sermos um casal homoafetivo.
Mesmo assim resolvemos ir em frente. Pensamos, no primeiro momento, em uma criança entre dois e quatro anos. Mas o tempo amadureceu nossas ideias e decidimos pela adoção tardia -- quando a criança tem mais de seis anos. Contamos com a ajuda de uma ONG que emite comunicados com listas de crianças nesse perfil disponíveis em todo país.
E foi aí que conhecemos o Suênio, que hoje é o nosso Arthur. Na época, com seis anos. Desde o primeiro contato, falamos abertamente sobre o fato de ter dois pais. E só levamos a adoção à frente quando tivemos certeza que ele poderia lidar bem com isso.
Foi um processo longo e burocrático em que passamos por momentos bem angustiantes. Um deles foi a expectativa pelo parecer do juiz porque ainda não havia tido um caso como nosso, de um casal homoafetivo adotando uma criança, na comarca de Niterói. E quando o Arthur chegou, tivemos que lidar com a sua adaptação. Na primeira semana ele estava muito agitado e até tentou fugir da escola que o matriculamos. Respiramos fundo e tentamos fazer com que se sentisse mais seguro e confiante.
Uma semana depois, ele estava mais calmo e feliz e começou a nos chamar naturalmente de pai. Nunca passamos por nenhuma situação de preconceito. E nem damos espaço para que isso aconteça. Se tem festa do Dia das Mães na escola, eu o deixo participar. Se tiver alguma atividade, como uma dança com as mães num palco, eu danço com ele. Não percebo nenhum desdém ou deboche. E se um dia acontecer, ele será enfrentado com muito amor. E se for ofensivo, levaremos à Justiça.
Essa criança mudou tudo em nossa vida. Absolutamente tudo. Emocionalmente, psicologicamente, financeiramente, socialmente, fisicamente. Vida pessoal? Esquece. Não existe mais. Hoje só existe a vida com ele. Mas não é ruim. Pelo contrário: é maravilhoso. Nem consigo me lembrar como era nossa vida sem ele. Arthur é o que faz nossos corações continuarem batendo e o que nos move a levantar da cama todos os dias para amá-lo."

Ninguém nos tratou diferente no processo de adoção

Monica Drumond de Araújo, 51 anos, administradora, e Jeanne Tostes Drumond, 52 anos, cirurgiã dentista, de Lagoa Santa (MG), são mães da Giovanna, de 6 anos, e da Lorena, de 4 anos
Eu e a Jeanne estávamos há oito anos juntas, quando decidimos que era hora de termos os nossos filhos. Como nós duas já éramos histerectomizadas, a adoção foi o caminho para formarmos nossa família. Passamos por todo o processo normal de habilitação. Nunca fomos tratadas de forma diferente por sermos um casal homossexual. Em alguns momentos, nos sentimos até beneficiadas.
Primeiro, recebemos a Giovanna. Na época ela era recém-nascida e foi emocionante pegá-la no colo pela primeira vez. A primeira noite foi muito complicada. Ela dormiu direto e eu e a Jeanne ficamos ao lado dela até o amanhecer acompanhando o sono e certificando de que respirava. Depois, decidimos entrar na fila novamente.
Passamos pelo processo mais uma vez e recebemos a Lorena, na época com nove meses. Preconceito é algo que não nos afeta. Elas cresceram com duas mães e encaram isso com muita naturalidade. Eu sou a Mamamon e a Jeanne é a Mamathih, ou simplesmente, mamães. Quando nos chamam, sabemos pelo tom de voz, qual mãe elas querem naquele momento.
Conversamos muito e contamos a elas que não nasceram das nossas barrigas, mas que outra pessoa as fez para nós. Conforme elas vão crescendo e as curiosidades aumentando, podemos ir nos aprofundando no assunto. A emoção e a alegria não dão espaço para outro sentimento que não seja paixão pelas nossas filhas. Moramos numa cidade pequena e aqui somos uma família muito querida, aceita e respeitada. Pensamos em dar para as meninas todos os valores e referências para que sejam pessoas de bem e que no futuro continuem mudando a vida das gerações que virão a partir da nossa, com amor, respeito, cuidado e proteção."

Casal de mulheres engravida do mesmo bebê através de tecnologia inédita

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018 0 comentários

Ashleigh Coulter, Bliss Coutler e o filho Stetson (Foto: Reprodução / Facebook )

Casal de mulheres engravida do mesmo bebê com ajuda de tecnologia inédita

Ashleigh Coulter e Bliss Coutler dividiram a gravidez de Stetson, de cinco meses

Um casal de lésbicas dos Estados Unidos conseguiu, com a ajuda de uma tecnologia inédita, engravidar do mesmo bebê. Ashleigh Coulter, 28, e Bliss Coutler, 36, recorreram aos médicos Kathy e Kevin Doody para realizar o sonho de serem mães biológicas de seu filho. Com o apoio deles, superaram pela primeira vez uma barreira da medicina.

Primeiro, o embrião foi fertilizado e deixado no corpo de Bliss por cinco dias para depois ser introduzido no útero de Ashleigh, que deu à luz nove meses depois.
A Bliss passou por um processo de estimulação dos ovários e retirada dos óvulos”, contou a médica ao site da USA Today.
Mas o óvulo de Bliss e o esperma de um doador não foram deixados numa incubadora de laboratório, num processo chamado de fertilização in vitro recíproca, que é comum a casais homoafetivos. Eles foram colocados numa cápsula biológica, formada por uma câmara interna, e reintroduzidos no corpo de Bliss por cinco dias, onde o desenvolvimento do embrião começou.
Os óvulos foram fertilizados no corpo dela e, após cinco dias, nós removemos a cápsula e congelamos os embriões”, descreveu Kathy.
Como os embriões não possuem fígado, rins ou pulmões, tradicionalmente, dispositivos eletromecânicos, como incubadoras, são usados em laboratórios para remover toxinas e tentar manter um ambiente favorável ao embrião.
Acontece que o corpo da mulher é uma ótima incubadora”, disse ela ao explicar como foi possível o embrião desenvolver os órgãos de forma natural sem a ajuda de dispositivos artificiais.
Após todos esses procedimentos, chegou a vez de Ashleigh. Os médicos lhe deram estrogênio e progesterona para, no momento mais adequado, introduzirem o embrião em seu útero.
A Bliss levou ele por cinco dias na barriga e foi uma grande parte da fertilização, e eu o levei na barriga por nove meses”, relatou Ashleigh. “Foi uma experiência especial para nós duas, pois ambas estivemos envolvidas”.
O bebê, batizado de Stetson, nasceu perfeitamente saudável há cinco meses e é, segundo ela, um menino feliz.
Ninguém sabia que era possível, mas funcionou magnificamente”, relatou Bliss. “Acho que o procedimento abre novas possibilidades para casais do mesmo sexo”, finalizou Ashleigh.
Fonte: Marie Claire, 29/10/2018

Pode haver perda de direitos homossexuais no governo Bolsonaro?

quinta-feira, 8 de novembro de 2018 0 comentários


Entenda: direitos LGBT podem retroceder no Brasil?
Temor de que casamento entre pessoas do mesmo sexo seja proibido pelo próximo governo leva gays aos cartórios
RIO- Parte da comunidade LGBTI teme que, com a posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), direitos já conquistados pelos gays no Brasil sejam perdidos. Um deles, o casamento homoafetivo, está assegurado desde 2013 por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), após entendimento em defesa da igualdade dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2011.

A Comissão de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) recomendou, há pouco mais de uma semana, que homossexuais que quiserem "ter direitos garantidos" se casem até o fim do ano. O temor gerou uma corrida aos cartórios para oficializar uniões antes da posse do novo governo.

Mas o que exatamente pode mudar? Jair Bolsonaro poderia revogar alguma decisão da Justiça sobre esse tema?

O GLOBO ouviu especialistas no assunto, e, para eles, a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo é possível, mas seria considerada inconstitucional pelo Supremo. Portanto, se viesse a acontecer, seria derrubada.

A juíza de Direito Andréa Pachá considera alarmista o incentivo a uma corrida aos cartórios.
O medo que se tem agora é que surja uma lei revogando essa decisão administrativa do CNJ. É um medo legítimo, porque estamos falando de uma população, a LGBTI, que ficou muito tempo desprovida de qualquer direito. Então qualquer ameaça a recuo é algo muito sensível. É justo que seja sensível, por que foi uma luta de muitos anos. Mas eu acho um alarmismo correr aos cartórios, porque, quando falamos de afirmações de direitos, não devemos deixar o medo se sobrepor à realidade — diz ela. — Acho que o motivo para preocupação é um tanto precipitado. Eu aposto na prevalência da Constituição.
Pachá explica que, antes da norma administrativa criada pelo CNJ em 2013, cada juiz de cartório tinha autonomia para decidir se casaria ou não pessoas do mesmo sexo. Com a norma, o casamento se tornou inquestionável. Caso haja uma lei revogando a decisão do CNJ, os juízes de cartório voltariam a poder decidir individualmente se oficializam casamentos homoafetivos ou não. E, se o casamento de alguém for recusado, essa pessoa pode entrar com recurso, com base no entendimento do STF de 2011.
Se houver alguma lei, de fato, proibindo o casamento homoafetivo, o Supremo dará a última resposta. A tendência do Supremo ao tratar temas como liberdade de expressão e direitos individuais é se manter firme em relação às decisões já tomadas. Não acredito que possa vir um retrocesso — afirma a juíza. — Acho que esse ambiente muito passional das eleições acabou contaminando o debate mais racional. Acho que a gente acaba desconsiderando a existência da Constituição. Existe uma rede de proteção.
A presidente da Comissão da Diversidade Sexual e Gênero do Conselho Federal da OAB, Maria Berenice Dias, também aposta que o STF considerará inconstitucional uma lei que venha a proibir o casamento homoafetivo. No entanto, ela pondera que, entre uma lei ser aprovada e o Supremo se manifestar, pode levar muito tempo:
 Pode levar anos, não há como prever.
De acordo com ela, bastaria uma "canetada" do presidente eleito para que uma medida provisória — que tem força de lei, mas não precisa passar pelo Congresso Nacional — proibisse o casamento entre pessoas do mesmo sexo. 
 Não dá para anular uma decisão já dada pela Justiça. Mas dá para fazer uma medida provisória, por exemplo. E isso valeria como lei. Ela seria questionada pelo Supremo e classificada como inconstitucional, mas, até lá, as pessoas ficariam desprotegidas — avalia ela, que também é vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM).
Outro ponto que Maria Berenice levanta é o da restrição, por tabela, de outros direitos associados ao casamento, como o direito a pensão e herança.
Para quem já se casou, não existe questionamento. A pessoa tem esses direitos de pensão, por exemplo, assegurados. Mas, para quem ainda não se casou oficialmente, esses outros direitos também podem estar comprometidos — afirma a advogada. — Não há como ter certeza se o novo presidente tentará algo nesse sentido. Tomara que não. Mas, com base no que ele já disse, é possível. Então senti que era meu dever alertar.
Segundo o professor de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Pedro Nicoli, se a ordem constitucional continuar sendo respeitada no país, o direito não será restringido.
 Se o Estado de Direito se mantiver operante neste país nos próximos quatro anos, não caberia ao legislativo retroceder na questão e nem à presidência, já que o STF já se manifestou, a menos que se rompa com a ordem constitucional estabelecida.
Ele explica que, ao tomar a decisão sobre a união de pessoas do mesmo sexo, o Supremo evocou o inciso quarto do artigo terceiro da Constituição, que diz que é dever da República " promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação".
O temor que existe na comunidade LGBT e também na comunidade jurídica é que se tente algum tipo de manobra, um temor que se justifica devido aos conteúdos homofóbicos que o presidente eleito já veiculou — opina Nicoli, que pertence ao Núcleo Jurídico de Diversidade Sexual e de Gênero da UFMG (Diverso). — Na minha compreensão, o que existe é um direito fundamental, previsto na constituição, que se for desafiado de alguma forma por algum ato da presidência, estará submetido ao controle de constitucionalidade e será retomada a garantia prevista e já declarada pelo STF.
Fonte: G1, por Ana Paula Blower, Clarissa Pains e Paula Ferreira, 05/11/2018

Apoio à reprodução assistida para casais de lésbicas e mulheres solteiras na França

quinta-feira, 27 de setembro de 2018 0 comentários


Comitê de Ética ratifica apoio à reprodução assistida para casais de lésbicas e mulheres solteiras na França
Comitê de Ética ratifica apoio à reprodução assistida para casais de lésbicas e mulheres solteiras na França

É um novo passo que pode estender o direito da procriação medicamente assistida (PMA) a todas as mulheres na França. Acionado pelo governo, o Comitê Consultativo Nacional de Ética (CCNE) voltou a emitir um parecer nesta terça-feira (25) a favor da modificação da lei da bioética na França para que casais formados por lésbicas e mulheres solteiras que queiram ter filhos possam recorrer a inseminações artificiais ou a fecundações in vitro. 

Em comunicado, o CCNE divulgou que a impossibilidade para muitas famílias de terem uma criança hoje é “um sofrimento que deve ser considerado”. O comitê voltou, desta forma, a emitir sua opinião favorável a estender a PMA a todas as mulheres, a exemplo de como já havia feito em 2017

Ongs feministas e militantes LGBT comemoraram o anúncio. “Temos muita esperança de que a lei será modificada e passará a servir aos casais formados por mulheres e também às mulheres solteiras; há um forte apoio do governo para isso. Essa reflexão foi feita por defensores de direitos, pelo Estado, pelo Conselho de Ética e pesquisas mostram que os franceses também são favoráveis a essa extensão”, avalia o porta-voz da Associação das Famílias Homoparentais (ADFH), Fabien Joly, em entrevista à RFI. 

Atualmente, a lei francesa da bioética estabelece que a PMA – seja a inseminação artificial ou a fecundação in vitro – é autorizada apenas aos casais heterossexuais inférteis. A possibilidade para que casais formados por duas mulheres ou mulheres solteiras pudessem recorrer a esses métodos era uma promessa de campanha do presidente francês, Emmanuel Macron, e é liderado hoje pela ministra da Igualdade entre Mulheres e Homens, Marlène Schiappa.

Foi o próprio governo que pediu um parecer no CCNE antes de abrir o debate sobre a da PMA para todas as mulheres por legisladores. O projeto de lei sobre a questão deve ser apresentado antes do final deste ano e será debatido pela Assembleia Francesa no início de 2019. 

Conservadores e religiosos se opõem

A convocação do CCNE pelo governo incendiou os principais grupos conservadores da sociedade francesa. Como o Manif Pour Tous – coletivo de associações que se formou na época do debate sobre a legalização do casamento entre as pessoas do mesmo sexo na França, aprovado em 2013. 

“A sabedoria, o engajamento, a razão, a justiça, a igualdade para a criança não dizem que não precisamos de uma lei que permita uma filiação sem pai”, protestou Ludovine de La Rochère, presidente do Manif Pour Tous. Ela promete liderar grandes manifestações contra o parecer do CCNE, “porque estão interferindo no direito da criança”.

Representantes da Igreja Católica também se manifestaram contra a possibilidade de estender a PMA a casais de lésbicas e mulheres solteiras, baseado no mesmo princípio que a modificação da lei pode resultar em filhos sem pai. “Pedimos atenção para algumas consequências que essa lei pode ter, particularmente o fato de autorizar o nascimento de uma criança que será, juridicamente, privada de pai. É uma grande mudança na sociedade. Gostaríamos de prevenir que a presença de um pai não é ilustrativa”, avalia o bispo de Limoges, Pierre-Antoine Bozo, em entrevista à RFI. 

O Conselho do Culto Muçulmano da França (CFCM) se alinha à visão da Igreja Católica. “No Islã, queremos preservar a filiação e, é claro, na religião muçulmana, a procriação só pode ser feita por heterossexuais casados e apenas nesta situação a PMA é autorizada”, disse à RFI o vice-presidente do CFCM, Anouar Kbibech.

52% dos LGBT da França querem ter filhos

No mesmo dia em que o parecer do Comitê Consultativo Nacional de Ética sobre a PMA foi anunciado, uma pesquisa realizada pelo Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop) mostrou que 52% dos cidadãos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) no país em idade de procriar (com menos de 45 anos) querem ter filhos. Para boa parte deles, a possibilidade não faz parte de uma perspectiva a longo prazo: 35% dos entrevistados desejam fundar uma família nos próximos três anos.

Várias outras pesquisas mostram que os franceses são majoritariamente a favor da questão. Um levantamento realizado pelo Ifop em janeiro deste ano apontou que 60% da população apoia a realização da PMA por casais formados por lésbicas e 57% por mulheres solteiras.

“A dupla filiação maternal ou paternal já é aceita desde 2013, quando o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado, permitindo que casais homossexuais possam adotar. Ou seja, já foi debatido e decidido que ter dois pais ou duas mães não prejudica os interesses da criança. Por isso, penso que, apesar da agitação dos conservadores e dos religiosos, não há um cataclismo ou fim da civilização acontecendo”, defende Fabien Joly. 

Para o porta-voz da ADFH, a aceitação de diferentes tipos de famílias passa por uma evolução de pensamentos, já em curso na França. “Se pudermos fazer uma comparação, há um tempo atrás, crianças vindas de pais e mães que se separaram eram incomuns nas escolas; hoje eles são praticamente a maioria, sem que isso seja um problema. Nos próximos anos, crianças que fazem parte de famílias formadas por pessoas do mesmo sexo não serão mais objetos de questionamento, isso será algo completamente convencional”, conclui. 

Além do parecer sobre estender a PMA a todas as mulheres, o Comitê Consultativo Nacional de Ética também se pronunciou sobre a gestação de substituição, conhecida no Brasil como barriga de aluguel (GPA na França). O órgão renovou nesta terça-feira sua oposição ao método, que é proibido pela legislação francesa e centro de outro polêmico debate no país. Em julho, a Corte de Cassação da França autorizou a transferência de certidões de crianças nascidas fora do país, através de gestações de substituição, além da autorização para a adoção destas crianças pelo marido ou da esposa de seus pais biológicos.

Fonte: RFI, 25/09/2018

Casal de lésbicas francesas proibido de dar o nome de “Amber” ao filho

segunda-feira, 24 de setembro de 2018 0 comentários


Justiça francesa proíbe casal de lésbicas de dar o nome de “Amber” ao filho
No país, autoridades podem impedir que um nome seja dado se for considerado “prejudicial” para a criança

Na França, um casal de lésbicas está brigando com a Justiça para poder dar o nome de “Ambre” – o equivalente em inglês a Amber, um nome comum para meninas na Inglaterra – ao filho nascido em janeiro deste ano.

De acordo com a mídia local, o nome “Ambre” apareceu na França pela primeira vez em 1950 e é o feminino de Ambroise, que significa “imortal”. Porém, o nome é raramente dado no país até mesmo para meninas.

O casal foi denunciado pelo responsável por registrar o bebê no cartório e a Justiça entendeu que o nome deveria ser proibido porque “confunde a criança de uma maneira que poderá ser prejudicial” por ser considerado feminino.

Em entrevista ao France Bleu, o casal disse considerar a decisão muito injusta e questiona se não há um fundo de homofobia. “A sociedade é muito injusta e deixa nomes ridículos passarem, mas esse não! Ambre é um nome clássico reconhecido por poder ser dado aos dois gêneros”, disse Alice Gondelle, mãe do menino.

O casal está tentando reverter a decisão da Justiça e o caso deverá ser julgado novamente em abril de 2019. Até 1993, os pais franceses precisavam escolher como chamariam os filhos com base em uma lista de nomes considerados “aceitáveis” pelas autoridades. Isso não existe mais no país, mas a Justiça pode continuar banindo nomes considerados “prejudiciais” aos bebês. Os últimos casos de nomes proibidos que ganharam repercussão internacional foram Nutella, Fraise (morango) e Manhattan.

Fonte: Crescer Online, 13/09/2018

Filhos casais de mesmo sexo crescem tão bem quanto os de casais heterossexuais

quinta-feira, 26 de julho de 2018 0 comentários


Filhos de pais gays crescem tão bem quanto os de casais heterossexuais
Estudo científico analisou quase 400 casais com filhos e traçou suas condições psicológicas

São Paulo – Um estudo sobre pais do mesmo sexo concluiu que seus filhos são tão bem psicologicamente ajustados quanto os de casais heterossexuais–ou mesmo melhores.

Conduzida por psicólogos da Universidade de Sapienza de Roma e da Universidade do Texas de Austin, a pesquisa envolveu quase 400 casais.

Feito com base em questionários, o estudo consultou 195 pais heterossexuais (que tiveram filhos sob condições naturais), 70 casais de homens, que tiveram filhos com uma mulher (algo como barriga de aluguel), e 125 casais de mulheres, com concepção por doação de esperma.

As perguntas feitas aos pais foram “Quanto vocês avaliam que a sua família é funcional?”, “Quais são os pontos fortes, fracos e características sociais dos seus filhos?” e “Qual é a avaliação que faz se si mesmo enquanto pai?”. Os resultados foram compilados e analisados estatisticamente.

Os pesquisadores destacaram que as crianças com pais gays e mães lésbicas foram reportadas mostrando menor ocorrência de problemas psicológicos do que filhos de pais heterossexuais.

O estudo foi analisado pela comunidade científica e publicado no Journal of Developmental and Behavioral Pediatrics.

Ainda assim, ele tem algumas limitações. Ele não é longitudinal, quando pesquisadores acompanham os participantes de uma pesquisa ao longo dos anos, e é baseado em questionário, o que deixa a conclusão sujeita ao que se chama de viés.

No contexto científico, o novo estudo faz sentido e se encaixa em uma série de outros levantamentos e pesquisas feitas em diferentes regiões do planeta.

Em 2010, por exemplo, uma análise de 33 estudos sobre o bem-estar de crianças criadas por pais homossexuais concluiu que não há evidências, em termos sociais, educacionais, comportamentais e emocionais, que elas sejam piores do que os filhos de casais heterossexuais.

Fonte: Exame, por Lucas Agrela, 04/07/2018

Casal de mulheres impedido de registrar seu bebê na Itália

segunda-feira, 23 de abril de 2018 0 comentários

Chiara Foglietta e o filho Niccolò Pietro (Facebook/Reprodução)

Vereadora italiana é impedida de registrar filho por ser lésbica
Itália só permite registros de bebês de casais heterossexuais estáveis

TURIM — As autoridades da cidade de Turim, no Norte da Itália, se recusaram a registrar um bebê de um casal de mulheres concebido por inseminação artificial. Chiara Foglietta, uma vereadora do Partido Democrático (PD), realizou o procedimento na Dinamarca e deu à luz na última sexta-feira ao menino Niccolò Pietro.
Que o mundo saiba recebê-lo na melhor das maneiras, pequeno Niccolò Pietro", escreveu Chiara em uma publicação em seu perfil do Facebook na última sexta-feira.
Como a lei italiana é restrita para o tratamento de fertilidade e só permite registros de bebês de casais heterossexuais estáveis, a vereadora e sua mulher, Micaela Ghisleni, não puderam registrar Pietro no cartório da cidade.

Chiara Foglietta e Micaela Ghisleni

A equipe (do cartório público) me disse:
Você deve declarar que teve união com um homem para registrar seu filho. Não há fórmula que permita você dizer que teve inseminação artificial", escreveu Foglietta no Facebook. "Para registrá-lo no cartório, tenho que contar uma mentira. Toda criança tem o direito de conhecer sua própria história, a combinação de eventos que a criaram", acrescentou.
A prefeita de Turim, Chiara Appendino, afirmou que a "lei atualmente não prevê o reconhecimento dos filhos e filhas de casais homossexuais na Itália". Ao jornal "Corriere della Sera", Appendino afirmou que mesmo sendo "a favor" do registro de Pietro, "os direitos dos pais e das crianças não podem ser garantidos".
Eu e Micaela vamos lhe dar as mãos a cada instante e lutaremos para que possa ter tudo o que sonha. Bem-vindo", afirmou a vereadora na rede social.
Muitos procedimentos de fertilidade permitidos em outros países da União Europeia são proibidos na Itália como, por exemplo, triagem ou congelamento de embriões. Os tratamentos fornecidos no país são disponibilizados apenas para "casais heterossexuais" que se mostram clinicamente inférteis.

Fonte: G1, 20/04/2018, via ANSA


As noivas do Copa e seus planos de ter uma criança por inseminação artificial

quarta-feira, 14 de março de 2018 0 comentários

As noivas Roberta Gradel e Priscila Raab se beijam durante cerimônia (Foto: Marcos Ramos)

Copacabana Palace realiza o primeiro casamento entre mulheres em 95 anos de fundação
200 convidados presenciaram a festa, que seguiu tradição judaica. As noivas jogaram os buquês suspensas em cadeiras penduradas no teto

A farmacêutica Roberta Gradel e a economista Priscila Raab foram o primeiro casal de mulheres a se casar em 95 anos na história do Copacabana Palace. As noivas trocaram alianças frente a 200 convidados em uma festa de tradição judaica no último sábado (dia 10/03).

(Ricardo Stambowsky/Divulgação)

O bufê foi calculado em R$ 400 por pessoa, além de champanhe Perrier Jouet servido aos convidados. Como lembrança, os convidados levaram para casa velas perfumadas. O cerimonial foi organizado por Ricardo Stambowsky e a celebração foi de David Alhadeff. A decoração ficou por conta de Leonardo Araújo. 

 (Ricardo Stambowsky/Divulgação)

Pendurados no teto do Golden Room, dois balanços decorados com flores formaram um só palco. As mulheres jogaram os buquês suspensas nas poltronas, do alto da sala de ouro. Os vestidos das noivas foram assinados pela estilista Marie Lafayette. A abertura da pista de dança ficou sob a responsabilidade do coreógrafo Irídio Mendes.

Fonte: O Povo Online, 12/03/2018



Noivas do Copacabana Palace planejam ter um filho

O beijo entre a farmacêutica Roberta Gradel, 38 anos, e a administradora Priscila Raab, 42, que estampou a capa do GLOBO de ontem ganhou repercussão inversa à discrição da dupla. Hospedadas até o fim da tarde de ontem no Copacabana Palace, onde se casaram no sábado, as moças conversaram com a repórter Marluci Martins,sobre o espanto o com a repercussão da festa, o amor que as uniu e os planos para o futuro.

Como vocês se conheceram?

Roberta: Eu tinha 7 anos, e a Priscila, 12. Nossos pais eram amigos. A gente convivia, principalmente, nas férias.

Há quanto tempo estão juntas?

Priscila: Completamos cinco anos de namoro no sábado, dia do nosso casamento.

Antes, namoraram homens?

R: Priscila já tinha namorado menino e menina. Eu não. Fui casada com um homem, há seis anos. Não importa por quanto tempo... O importante é o presente e o futuro. Ela foi minha primeira namorada.

O que acharam da repercussão da união?

R: A gente não imaginava. O casamento era um sonho nosso. Principalmente, a cerimônia judaica. Sou judia. E o Copacabana Palace é um lugar mágico. É o sonho de toda mulher. Mas a gente não tinha noção da proporção que isso alcançaria.

P: Senti nas redes sociais muita gente me adicionando. E a capa do GLOBO foi um “boom”, um susto. Uma das madrinhas me mandou foto do jornal por Whasapp, hoje cedo.

Já foram vítimas de preconceito?

R: Não temos medo. Enfrentamos, botamos a cara à tapa. Estamos amando, não estamos fazendo nada errado. As pessoas deveriam ter menos ódio e preconceito. Somos uma família, sim. Somos um casal com muito amor.

P: Nosso país é machista. Cada um tem que ficar no seu quadrado e respeitar a sexualidade do outro. As pessoas seriam felizes se focassem mais no amor e na igualdade.

Por falar em preconceito, a comunidade judaica aceita o fato de a cerimônia não ter sido celebrada por um rabino?

Foi um chazan (cantor que também celebra casamentos). Eles aceitam, mas a Priscila não é judia.

Acham que a repercussão é um importante passo à frente na causa gay?

P: A gente entende que foi histórico. Foi uma coisa de quebrar barreiras mesmo. Havia casais homossexuais no nosso casamento que nunca tinham se sentido tão à vontade para dar um beijo ao vivo. E as pessoas se beijaram, felizes na festa. E, poxa vida, no Copacabana Palace, um hotel histórico, o mais tradicional do Rio. Você sabe, foi o primeiro casamento entre mulheres neste hotel...

Pensam em filhos?

R: A gente tem uma filha de 6 anos. Prefiro não mencionar o nome dela, por proteção. Ela diz que é minha filha de sangue. E diz que é filha da Priscila de coração. Chama as duas de mãe, leva tudo numa boa. Agora, estamos pensando na inseminação. Quero engravidar de novo com os óvulos da Priscila, que já estão congelados. Mas não definimos quando será.

Vão viajar em lua de mel?

R: Não, por causa do trabalho. Temos a vida inteira. Vai ser uma lua de mel para sempre.

Vocês casaram no civil?

R: Sim. E vale lembrar que, na cerimônia, não quisemos presentes. Recebemos doações para a reforma da pediatria do Inca.

Fonte: Marina Caruzo (O Globo), 13/03/2018

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