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Papa Francisco defende união civil homossexual em documentário intitulado "Francisco"

quarta-feira, 28 de outubro de 2020 0 comentários

"Precisamos de uma lei de união civil. Eles têm o direito de ser cobertos legalmente",          afirma Francisco no filme

Na quarta-feira (21), um terremoto sacudiu o menor país do mundo, o Vaticano. Uma nova declaração do Papa Francisco deixou confusos os fiéis, entusiasmados os progressistas e alarmados os conservadores da Igreja.

Os homossexuais têm o direito de ter uma família, pois são filhos de Deus. Você não pode expulsar alguém de uma família”. Em seguida disse algo pela primeira vez. “O que temos que ter é uma lei de convivência civil. Dessa forma, eles são legalmente cobertos. Eu lutei por isso”, completou.
                                                                                        
No Festival de Cinema de Roma, o documentário “Francisco” estreou mostrando os dramas do mundo através dos olhos do Papa argentino, mas só esta declaração ganhou repercussão.

Clipping Declaração histórica: a repercussão da fala do Papa Francisco sobre união civil entre pessoas do mesmo sexo, G1, 25/10/2020



Papa Francisco defende união civil homossexual

Pela primeira vez desde que assumiu a liderança da Igreja Católica, pontífice se manifesta a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo. "Gays têm direito a ter família, são filhos de Deus", diz em documentário.

A união de casais homossexuais recebeu a mais explícita aprovação do papa Francisco, a primeira desde que ele se tornou líder da Igreja Católica, em 2013. O endosso foi divulgado em um documentário que estreou nesta quarta-feira (21/10) no Festival de Cinema de Roma.

Em Francesco, o pontífice pede uma "lei de união civil" que permita que pessoas LGBTs "estejam em uma família".

Os homossexuais têm direito a ter uma família, são filhos de Deus [...]. Ninguém pode ser expulso de uma família, e a vida dessas pessoas não pode se tornar impossível por esse motivo."

Francisco já havia se pronunciado a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo anteriormente, mas quando servia como arcebispo de Buenos Aires. Na ocasião, ele saudou tais uniões como uma alternativa ao casamento gay, mas se opôs ao casamento em si.

Desde que assumiu a cadeira papal, portanto, esta é a primeira vez em que o pontífice de 83 anos endossa publicamente a união civil homossexual.

O que temos que fazer é uma lei de união civil. Eles têm o direito de ser cobertos legalmente. Eu defendi isso", afirma o papa no documentário de duas horas, que trata sobre os sete anos de seu pontificado com depoimentos e entrevistas.

A Igreja Católica perseguiu gays durante grande parte de sua história, e ainda vê a homossexualidade como uma "desordem intrínseca". A igreja também ensina que atos homossexuais são pecaminosos, mas sua postura moderna prega que ser gay não é um pecado por si só.

O autor jesuíta James Martin, que atua como consultor do Secretariado de Comunicações do Vaticano, elogiou a medida do papa como um "grande passo à frente".

Ela está de acordo com sua abordagem pastoral à comunidade LGBT, incluindo católicos LGBT, e envia um forte sinal aos países onde a Igreja se opõe a tais leis", escreveu ele no Twitter.
Um telefonema do papa

O documentário foi dirigido pelo cineasta Evgeny Afineevsky, um cidadão americano nascido na Rússia e de origem judaica. Além do papa, a produção também é estrelada por outros clérigos, bem como um sobrevivente gay de abuso sexual.

Um dos momentos mais emocionantes do longa detalha a interação entre o papa e um homossexual que, junto com seu companheiro, adotou três filhos.

O homem afirmou ter entregado uma carta a Francisco explicando sua situação, dizendo que ele e seu parceiro queriam criar os filhos como católicos, mas não sabiam como seriam recebidos.

Dias depois, o pontífice teria ligado para o homem dizendo que ficou comovido com a carta e pedindo-lhe que apresentasse as crianças à paróquia local, apesar da possível oposição.

O fio condutor deste filme é mais sobre nós como seres humanos, que estamos criando desastres todos os dias. E ele [o papa] é quem está nos conectando por meio desses fios", disse o diretor do filme em uma entrevista.

Afineevsky, que compareceu à audiência geral do Papa no Vaticano na quarta-feira, ganhou o Prêmio Kineo de Humanidade com Francesco. A premiação é voltada a quem promove questões sociais e humanitárias.

Clipping Papa Francisco defende união civil homossexual, DW, 21/10/2020

Remadora lésbica da Nova Zelândia busca sucesso olímpico para incentivar atletas LGB

segunda-feira, 27 de julho de 2020 0 comentários

Charlotte Mizzi e Emma Twigg em sua cerimônia de casamento (02/2020) - Img: Women's Day (NZ)

Quando a remadora neozelandesa Emma Twigg se deu conta de que era lésbica, não planejou servir de exemplo para ninguém.

Mas um afastamento do remo após a Olimpíada do Rio 2016, onde quase conquistou uma medalha de bronze, e o apoio que recebeu de amigos e colegas quando se casou com sua companheira no início deste ano mudaram o cenário.
Sempre tive a postura de querer ser conhecida como Emma, a remadora incrível, antes de Emma, a remadora gay", disse a atleta, de 33 anos, à Thomson Reuters Foundation, em uma entrevista por telefone.
Sinto que tenho muita sorte por sempre ter estado cercada por pessoas que nunca mostraram nenhum tipo de desrespeito, e minha sexualidade não é um ponto focal de minha carreira esportiva", acrescentou.
Emma Twigg – World Rowing Female Rower of the Year - worldrowing.com
Emma Wigg se prepara para as Olimpíadas de Tóquio

A Nova Zelândia legalizou as parcerias civis em 2004 e o casamento homossexual nove anos mais tarde, e foi depois de se casar, em janeiro, que Twigg percebeu que gostaria de usar sua plataforma como atleta para defender pessoas LGB menos privilegiadas do que ela.
Não é algo que, assim que percebi que era gay, fiquei à vontade fazendo. Com certeza exigiu algum tempo, e quanto a isso cada um tem sua jornada", disse.
À medida que cresci, percebi o poder de meu perfil e a oportunidade de fazer o bem usando o trabalho duro que dediquei ao meu esporte".
Ela se aposentou temporariamente após a Rio 2016, e sua volta ao esporte foi motivada em parte por seu desejo de mostrar a jovens e a atletas LGB que "a vida continua".
Se, ao ler sobre minha história, alguém se sentir mais confiante, será ótimo", disse ela, que aproveitará o adiamento da Tóquio 2020 para treinar.
Clipping Remadora gay da Nova Zelândia busca sucesso olímpico para "lançar luz" sobre injustiças, Por Seb Starcevic, 24/07/2020, UOL Esportes via Reuters

Personagem lésbica de Naya Rivera em 'Glee' ajudou público LGB a se autoaceitar

quarta-feira, 15 de julho de 2020 0 comentários

Naya Rivera como Santana Lopez em Glee (Foto: Divulgação)
Atriz interpretou Santana Lopez na série, que foi ao ar de 2009 a 2015, marcada
pela celebração da diversidade e da autoaceitação

A morte de Naya Rivera, atriz que interpretava Santana Lopez em Glee, chocou os fãs na última quarta-feira (8), principalmente pela importância da personagem em suas vidas pessoais. Naya sumiu durante um passeio de barco com o filho de 4 anos de idade, Josey, no Lago Piru, nos Estados Unidos, e as buscas por ela mobilizaram uma equipe de cerca de 100 pessoas até seu corpo ser encontrado na segunda-feira (13).


Glee ficou marcado na história da TV como uma série que celebrava a diversidade e a autoaceitação. Os discursos abordados nos episódios desde homossexualidade, preconceito, gordofobia, racismo, padrões de beleza, entre outros, destacava a série como precursora em 2009, quando foi lançada. Na série, Santana lidou com a aceitação da própria sexualidade e ajudou o público LGB que também enfrentava essa questão, além do preconceito.

Naya Rivera em Glee como Santana Lopez (Foto: Reprodução)
Naya Rivera em Glee como Santana Lopez (Foto: Reprodução)

Naya Rivera marcou uma geração com Santana, mostrando a importância de se aceitar como é!", escreveu um internauta no Twitter. "Hoje felizmente 90% das séries que vejo tem personagens não héteros. De Jane the Virgin pra cá, o número de séries com personagens latinos aumentou muito. Dez anos atrás, a realidade era outra. Ver uma personagem como a Santana Lopez foi de extrema importância pra mim", comentou outro. Além de Santana, Glee também tinha outros personagens LGB como Britanny (Heather Morris), Kurt (Chris Colfer) e Blaine (Darren Criss).
Estaria mentindo se dissesse que Santana Lopez não foi um personagem que me ajudou e influenciou em certo momento lá atrás", falou um fã. "Quem me conhece sabe o quanto eu sou fã dessa mulher, e quão importante pra mim foi a trajetória dela em Glee, série essa que me ajudou a me aceitar como um homem gay", disse um rapaz.
A personagem tem atitudes duvidosas ao longo da série e pode até ser considerada uma das vilãs. No final da última temporada, Santana e Britanny, que eram namoradas no ensino médio, se casam. A cena é uma das mais importantes da produção.



Clipping Personagem lésbica de Naya Rivera em 'Glee' ajudou público LGBTQIA+ com autoaceitação, por Isabela Pacilio, Quem, 10/07/2020               

Pesquisa indica que 67% dos brasileiros acreditam que a homossexualidade deve ser aceita pela sociedade

segunda-feira, 6 de julho de 2020 0 comentários

LGBTQIA Pride
67% dos brasileiros acreditam que a homossexualidade deve ser aceita pela sociedade
Uma pesquisa do Instituto Pew indica que 67% dos brasileiros dizem acreditar que a homossexualidade deveria ser aceita pela sociedade, um aumento de seis pontos percentuais desde a realização da última edição do levantamento, em 2013.

Entre os 34 países analisados, o Brasil aparece no 16º lugar, atrás dos outros dois Estados latino-americanos incluídos: México (14º) e Argentina (10º). Ambos já apareciam à frente do Brasil no levantamento anterior e tiveram altas mais expressivas: 15 pontos percentuais entre os mexicanos e 10 entre os argentinos.

O país vizinho foi o primeiro entre os três a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em 2010, durante o governo de Cristina Kirchner. No México, esse direito varia de uma região a outra. Na Cidade do México, o casamento gay foi legalizado em 2009, mas só passou a ter validade em todos os territórios após uma decisão da Suprema Corte, em 2010.

Desde 2011, os estados de Coahuila e Chihuahua, ao norte, e Quintana Roo, ao sul, também legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo gênero. Nos pólos extremos do ranking estão a Suécia, onde 94% se disseram a favor da aceitação da homossexualidade, e a Nigéria, na qual apenas 7% dos entrevistados responderam o mesmo.

A pesquisa, realizada em 2019 e divulgada nesta quinta-feira (25), mostra que, embora mais da metade dos entrevistados em 16 dos 34 países pesquisados diga que a homossexualidade deve ser aceita pela sociedade, discrepâncias expressivas entre os índices nacionais persistem.

Segundo o instituto, um dos fatores que influenciou as respostas é o alinhamento político dos entrevistados: pessoas mais à direita apoiam menos o tema do que quem está à esquerda no espectro político. Nos Estados Unidos, 53% dos direitistas responderam a favor da aceitação –33 pontos percentuais atrás dos esquerdistas, que registraram 86%.

No país, pautas progressistas como a legalização do aborto e do casamento gay, e a proibição de discriminação de pessoas transexuais no ambiente de trabalho ganharam terreno graças a decisões da Suprema Corte. Os legisladores federais não conseguiram formar maioria para adotar leis sobre esses temas -nem a favor, nem contra.

Essas demandas seguem sendo altamente sensíveis entre o eleitorado americano –a proibição do aborto, por exemplo, é uma das principais plataformas do Partido Republicano. A preferência política também é acentuada nos países europeus com governos populistas de direita ou nos quais há participação expressiva de partidos com esse perfil na política nacional.

Na Hungria de Viktor Orbán, por exemplo, 40% daqueles que se identificam com a direita responderam a favor, contra 61% daqueles que se alinham à esquerda. Outro fator determinante para a percepção da homossexualidade, segundo o Instituto Pew, é a idade. Em 2 de cada 3 países analisados, os jovens se mostraram significativamente mais propensos a serem favoráveis na questão.

A diferença entre as respostas do grupo de 18 a 29 anos daquelas dos entrevistados de mais de 50 chegou a 56 pontos percentuais na Coreia do Sul, o país que mostrou a maior diferença generacional. O Japão fica em segundo lugar desse índice: a proporção de jovens favoráveis à aceitação é 36 pontos percentuais mais alta. Seul também teve a maior diferença no recorte de gênero: 51% das mulheres se dizem a favor, enquanto apenas 37% dos homens concorda com esse posicionamento.

Clipping Aceitação da homossexualidade no Brasil cresceu de 61% em 2013 para 67% em 2019, Diário de Pernambuco (via FolhaPress), por Diana Lott, 5/06/2020

Registro de casamentos homossexuais entra em vigor na Costa Rica

sexta-feira, 15 de maio de 2020 0 comentários

Suprema Corte da Costa Rica estabeleceu prazo, em 2018, de 18 meses
 para o início dos registros de casamento LG no país

Enfim, o casamento igualitário entra em vigor na Costa Rica. O país, que vinha adiando essa decisão há anos, decidiu aprovar o registro civil de casais do mesmo sexo em plena pandemia, a fim de permitir que casais homossexuais, com pedidos de processos ativos desde 2016, finalmente sejam oficializados.

Segundo o portal ‘Q Costa Rica’, o parlamentar Luis Guillermo Chinchilla disse que tudo foi organizado para que os processos que já estavam em andamento sejam oficializados o mais rápido possível e novos registros possam ser feitos sem burocracia.
O Registro Civil fez esforços significativos para ajustar todos os sistemas de computadores em matéria de registro civil, com o objetivo de gerenciar esses registros de maneira oportuna e rápida, sempre dentro da estrutura de segurança de registro adequada e eficaz, como de costume por nossa instituição”, disse ele.
Até o final de maio, os casais do mesmo sexo já poderão dar entrada nos processos nos cartórios para oficializar a união civil. A procura já é tanta que foi feita uma lista de espera com agendamentos de atendimento. Eles vão começar a registrar todo mundo a partir do dia 26 de maio.

A Suprema Corte do país, decidiu em 2018 que era inconstitucional proibir casais do mesmo sexo de se casarem e estabeleceu um prazo total de 18 meses para a legislatura passar pelas devidas modificações a fim de caber nos autos o direito do registro civil para a comunidade de gays e lésbicas.

As últimas eleições no país, 2017/2018, foi dominada pelas pautas LGBT, após a decisão do Supremo. O candidato presidencial evangélico, Fabricio Alvarado Muñoz, emergiu do nada nas pesquisas do sexto lugar, após ‘prometer’ uma campanha agressiva contra o casamento gay no país.
Já o candidato centrista, Carlos Alvarado Quesada, acabou vencendo as eleições na votação de segundo turno.

N. E.
Um grupo de 24 legisladores apresentou uma moção à Corte Constitucional, dia 12/05,  no sentido de adiar a entrada em vigor do casamento entre pessoas do mesmo sexo por, no mínimo, um ano e meio a partir do fim da pandemia do novo coronavírus. Considerando que as estatísticas de contaminados e mortos, no país, é baixíssima, conclui-se que a moção é apenas desculpa para atrasar a concretização do casamento igualitário no país.

Clipping Costa Rica legaliza casamento gay, Meia Hora, 13/05/20

Estudos mostram que casais de gays e lésbicas são mais felizes do que casais heterossexuais

segunda-feira, 2 de março de 2020 0 comentários

Casais de gays e de lésbicas dividem melhor as tarefas domésticas e o cuidado com os filhos


Há cinco anos legalizado em todos os EUA, o casamento entre pessoas do mesmo sexo ainda não matou a união heterossexual. De fato, parece que muitos desses casais poderiam ter um matrimônio mais feliz e satisfatório se tomassem como exemplo algumas atitudes dos homossexuais.

Não faz muito tempo, um grupo de pesquisadores pediu a três grupos de casais casados legalmente — heterossexuais, gays e lésbicos — que mantivessem registros diários de suas experiências de pressão e dificuldades conjugais. E a conclusão foi que as mulheres em casamentos heterossexuais relataram os maiores níveis de estresse psicológico; os homens em casamentos homoafetivos, os menores. Os homens casados com mulheres e as mulheres casadas com mulheres ficaram no meio, registrando graus semelhantes de ansiedade.

Segundo Michael Garcia, principal autor do projeto, o mais impressionante é que estudos anteriores já tinham concluído que as mulheres em geral mostravam um nível maior de desconforto na relação, mas, na verdade, isso só vale para as que são casadas com homens.

Há fortes razões históricas para os casamentos heterossexuais serem sujeitos a mais tensão, desentendimento e ressentimento que as relações homossexuais: o que os distingue através dos tempos não é quantas vezes já foram realizados, mas as distinções gritantes que ditam em relação aos deveres e à autoridade dos parceiros.

Às vezes, um marido exercia autoridade sobre o trabalho de uma mulher; outras, sobre duas ou mais. Ocasionalmente, como em muitas das 80 e tantas sociedades conhecidas pela prática da poliandria, diversos maridos exerciam poder sobre uma única esposa. Até os anos 70, quando uma norte-americana se casava, seu marido passava a tomar conta de sua sexualidade e da maior parte de suas finanças, propriedades e comportamento.

Entretanto, já nessa época muita gente no país rejeitava o casamento tradicional. Ao longo das décadas de 70 e 80, as esposas ganharam igualdade legal em relação a seus maridos e a justiça redefiniu as responsabilidades da união em relação à neutralidade de gênero. Em 1994, a grande maioria da população dos EUA repudiava a necessidade de papéis específicos de gênero no matrimônio, defendendo em vez disso o compartilhamento de responsabilidades.

De fato, a divisão de tarefas domésticas passou a se tornar um componente cada vez mais importante na estabilidade conjugal, e a falta dela, um indicador mais e mais poderoso de conflito. Nas uniões realizadas antes de 1992, os casais pareciam satisfeitos com a mulher como principal responsável pelo cuidado com a casa e os filhos, mas isso mudou: estudos realizados em 2006 concluíram que os mais felizes e mais realizados sexualmente eram os que dividiam o trabalho caseiro e a educação dos filhos mais equitativamente. Aqueles em que a mulher acumulava a maior parte das obrigações domésticas, como a lavagem da louça, registravam os maiores níveis de discórdia.

Apesar disso, pouco menos de um terço dos casais heterossexuais analisados na época conseguira alcançar a igualdade aproximada na divisão do trabalho doméstico. Para a maioria dos heterossexuais, o casamento continua a reforçar o estereótipo de gêneros. Um estudo de 1999 concluiu que, quando um homem solteiro se casava, reduzia sua rotina de trabalho doméstico, em média, em três horas e meia por semana; no caso da mulher, ela aumentava o tempo de tarefas caseiras, aquelas atividades mecânicas que devem ser feitas diariamente, em um volume proporcional.

Quando chegam os filhos, as velhas tradições conjugais se confirmam ainda mais. Joanna Pepin, pesquisadora da Universidade do Texas, e seus colegas descobriram recentemente que as mães casadas passam mais tempo no serviço doméstico do que as mães solteiras e têm tempo de lazer significativamente menor que aquelas que só moram junto com os companheiros. Segundo a especialista me disse, "as expectativas de gênero tradicionalmente associadas ao papel da esposa parecem encorajar as mães casadas a trabalhar mais do que as que não são, e seus maridos a aceitar isso como algo normal".

É aqui que os casais de pessoas do mesmo sexo podem oferecer dicas bem úteis aos heterossexuais casados: uma vez que não podem usar as diferenças atribuídas às diferenças entre homens e mulheres para definir quem faz o quê, eles se baseiam menos nos estereótipos. A tendência dos pais heterossexuais é a de ver tarefas como cuidar dos filhos, lavar a roupa e a louça como parte do pacote atribuído a um dos parceiros; a probabilidade de os homossexuais assumirem obrigações tanto consideradas "femininas" como "masculinas" indiscriminadamente é muito maior.

Como também a de compartilharem os deveres rotineiros. Uma pesquisa de 2015 concluiu que quase metade dos casais homossexuais em que ambos trabalhavam fora dividia a lavagem de roupa, por exemplo, em contraste com os heterossexuais, cujos números não chegavam a um terço. A proporção chegava a ficar gritante quando se tratava do cuidado com os filhos: 74 por cento, em relação a 38 dos casais heterossexuais.

Como estes, entre os pais gays geralmente um se habilita a parar ou reduzir a carga horária de trabalho. Entre os casais de homens, há a mesma porcentagem de pais que ficam em casa quanto entre os heterossexuais; a diferença é que as chances de especificarem "tarefas femininas" àquele que passa mais tempo em casa são bem menores. E também tendem a discutir as preferências individuais de cada um para quem faz o que em casa. Isso é válido principalmente para os gays e talvez seja por isso que eles demonstrem uma satisfação maior com a divisão de tarefas.

Na questão parental, o fato de os pais do mesmo sexo não poderem se encaixar nos padrões de gênero gera algumas diferenças gritantes. Uma análise da American Time Use Surveys de 2003 a 2013 verificou que os homens que tinham parceiras mulheres passavam menos tempo do tempo total e a menor proporção do tempo livre engajados com os filhos. As mulheres com parceiras passavam mais tempo.

Mas os homens com parceiros do mesmo sexo passavam tanto tempo com os filhos quanto as mulheres médias casadas com homens. O resultado? As crianças que moram com pais do mesmo sexo convivem com os pais, em média, três horas e meia por dia; as que têm pais heterossexuais, duas horas e meia.

O estudo também mostra que pais gays e mães lésbicas têm mais probabilidade de interagir mutuamente com os filhos. Em famílias tradicionais, ao contrário, a mãe é quem toma a iniciativa e o pai fica de coadjuvante ou faz atividades paralelas.

Outra vantagem parental para os homossexuais é que eles raramente têm um filho indesejado ou não planejado, o que representa um risco para a parentalidade deficiente. Em 2011, último ano para o qual existem dados disponíveis, 45 por cento das gestações nos EUA foram acidentais, e 18 por cento, indesejadas. Se os oponentes ao controle de natalidade e ao aborto continuarem a ganhar espaço, os pais de mesmo sexo se verão com cada vez mais vantagens nesse aspecto da vida familiar.

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Há fortes razões históricas para os casamentos heterossexuais serem sujeitos a mais tensão,
desentendimento e ressentimento que as relações homossexuais

Uma comparação de doze anos em relação à maneira como os casais dão início e lidam com os desentendimentos identificou outras vantagens dos casais homossexuais. Os pesquisadores John Gottman e Robert Levenson concluíram que, em uma briga com o parceiro, gays e lésbicas se comportavam de forma menos agressiva, dominadora e amedrontada do que os indivíduos de sexos diferentes, talvez por não terem de lidar com a mesma bagagem de desigualdade de poder. Assim, usavam mais afeto e humor durante as discussões, tornavam-se menos agitados e se acalmavam mais rapidamente depois.

Mesmo no dia a dia, gays e lésbicas usam métodos mais positivos para influenciar o parceiro, usando o encorajamento e o elogio em vez de críticas, sermões ou apelos para estimular o remorso e a culpa no outro.

Um aspecto positivo característico dos casais gays é que a tendência de discutir abertamente as respectivas preferências se estende também para a sexualidade, incluindo escolhas que podem espantar alguns heterossexuais. Por exemplo, embora a extensão da não monogamia nos relacionamentos homossexuais masculinos seja quase sempre exagerada, as relações oficialmente abertas são mais comuns entre eles do que entre lésbicas e heterossexuais. Muitos inclusive definem acordos detalhados sobre os tipos de contato sexual permitidos fora da relação, sob que circunstâncias e com que frequência.

Notadamente, porém, embora o namoro entre homens seja menos estável do que o das lésbicas e dos heterossexuais, a união formal deles é tão sólida quanto a destes últimos, e mais que as uniões entre mulheres.

A socióloga Virginia Rutter, coautora de "The Gender of Sexuality", alega que os casais heterossexuais poderiam alcançar um nível maior de intimidade e evitar crises destrutivas em seus relacionamentos se também falassem de seus desejos e ambivalências sexuais com mais franqueza.

Por outro lado, os casamentos homoafetivos também são afetados pelas expectativas de gênero que permeiam nossa sociedade, talvez de formas surpreendentes; gays e lésbicas internalizam muitas dessas atitudes, ainda que tenham rejeitado ou modificado os limites que elas impõem, o que torna mais provável o compartilhamento de suas prioridades e hábitos.

A mulher, por exemplo, há muito é socializada para acreditar que dar e receber apoio emocional é uma obrigação rotineira, algo que, como pôr comida na mesa, deve ser feito todos os dias. Para Debra Umberson, socióloga da Universidade do Texas, a mulher tende a se dedicar integralmente à antecipação, compreensão e reação às necessidades físicas e emocionais do parceiro.
Só que isso funciona de um jeito totalmente diferente quando ela está em um relacionamento com outra mulher. Entre lésbicas, há uma reciprocidade muito maior no que se refere ao nível de cuidado; ambas se mostram atentas às necessidades e preferências da parceira, reagindo ativamente a elas. Já no casamento heterossexual, o marido, além de dar como certo esse tipo de atenção, não reconhece a dedicação da mulher e geralmente não vê a necessidade de apoio emocional da parte dela", explicou a professora em entrevista.
Casais de gays também mostram reciprocidade na questão desse desvelo, embora com menos intensidade que as mulheres. Como os homens heterossexuais, os parceiros geralmente valorizam mais a preservação da autonomia emocional e da independência do que o rompimento de barreiras com o objetivo de conquistar uma maior intimidade.
O gay é mais comedido que a mulher, oferecendo cuidado emocional e instrumental ao parceiro quando a necessidade é clara, sem tratar a questão como uma obrigação rotineira; e justamente por isso a tendência é não esperar esse tipo de comportamento, a menos que peça explicitamente — afirma Umberson.
Mas talvez justamente por não ter uma mulher em casa para "controlar" a temperatura emocional, o gay é muito mais consciente que o homem heterossexual da atenção à necessidade de apoio emocional do parceiro, de modo que possa oferecê-la quando realmente for necessária.

O que não significa dizer que os casais de gays e lésbicas têm todas as respostas para os heterossexuais que querem se livrar dos hábitos do casamento tradicional; uma dose dupla de socialização masculina ou feminina também tem lá seus problemas. A mulher se dedica mais a manter e aprofundar a intimidade do que a maioria dos homens e tem uma expectativa muito maior de empatia e apoio emocional. Também monitora a qualidade da relação mais de perto e tem padrões mais altos para ela.

Essas características podem produzir relacionamentos excepcionalmente íntimos e solidários, mas também consomem muita energia e geram estresse e decepção – o que talvez explique por que as relações lésbicas, apesar da alta qualidade, em média, tenham uma proporção maior de rompimento que as parcerias de casais heterossexuais e/ou gays.

Estes, por sinal, também têm vulnerabilidades relacionadas à socialização de gênero. No estudo de Gottman e Levenson, a única exceção à maior positividade dos casais de mesmo sexo ocorria quando um dos parceiros se tornava particularmente negativo na defesa de seu argumento. Nessas ocasiões, o companheiro achava mais difícil levar a conversa de volta para um nível menos beligerante do que os heterossexuais e as lésbicas. É possível que essa tendência de descambar para a hostilidade esteja relacionada com a socialização masculina que gera raiva quando o homem se sente desrespeitado.

Todos nós — heterossexuais, gays ou lésbicas — temos dificuldades em saber como substituir as regras tradicionais de gênero e casamento que frustram nossos valores mais modernos e adaptar/atualizar as que continuam sendo úteis. E o que funciona em algumas relações nem sempre dá certo em outras.

O que é mais um motivo para se abrir à existência e à visibilidade de outros modelos que ofereçam dicas de como tornar o casamento mais bem-sucedido. Kristi Williams, editora do "The Journal of Marriage and Family", por exemplo, se diz curiosa para ver como os norte-americanos de gênero fluido, cada vez mais comuns, negociarão seus relacionamentos.
Com a evolução e a diversificação das famílias, teremos novas oportunidades de aprender mais uns com os outros — ela aposta.
Clipping Estudos mostram que casais homoafetivos são mais felizes. O que eles podem ensinar aos heterossexuais?, por * Stephanie Coontz, O Globo, 26/02/2020 

* Stephanie Coontz, autora de "Marriage, a History: How Love Conquered Marriage", é diretora de pesquisa e educação pública do Conselho de Famílias Contemporâneas.

O primeiro casamento homoafetivo da Irlanda do Norte foi entre mulheres

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020 0 comentários

Sharni Edwards, 27 (à esq.), e Robyn Peoples, 26, é o primeiro casal do mesmo sexo a se...
O primeiro casamento homoafetivo da Irlanda do Norte entre as jovens Sharni Edwards e Robyn Peoples,

O primeiro casamento homoafetivo da Irlanda do Norte, entre as jovens Sharni Edwards e Robyn Peoples, aconteceu na terça-feira (11/02). Em outubro de 2019, a província suspendeu a proibição deste tipo de união, marcando a legalização histórica do casamento entre LGBTs em todo o Reino Unido.

Robyn Peoples, 26 anos, que trabalha na área da saúde em Belfast, capital do país, e Sharni Edwards, 27, que trabalha como garçonete em Brighton, no Reino Unido, se tornaram o primeiro casal gay da província a se casar, de acordo com a Love Equality, campanha da sociedade civil organizada para defender a aprovação do casamento LGBT na Irlanda do Norte.

Após seis anos juntas, o casal de lésbicas trocou votos em Carrickfergus, no condado de Antrim em uma cerimônia pequena para amigos e familiares. “Isso significa tudo para nós. Esta é minha esposa. Finalmente posso dizer que é minha esposa”, disse Peoples a repórteres após a cerimônia.
Somos o rosto desta causa na Irlanda do Norte. Para mostrar a todos que está tudo bem. Lutamos por tanto tempo para que esta oportunidade fosse vista como igual e agora estamos aqui e é simplesmente incrível”, completou.
O “sim” histórico aconteceu na data em que Edwards e Peoples já haviam reservado para assinar a união estável - permitida em todo o Reino Unido desde 2005. Com a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo em outubro de 2019, o casal decidiu oficializar a união de outro jeito.

O “sim” histórico aconteceu na data em que Edwards e Peoples já haviam reservado...
“Isso significa tudo para nós. Esta é minha esposa. Finalmente posso dizer que é minha esposa."

A dupla vai comemorar a lua de mel com uma viagem até Paris, na França, para curtirem juntas um show da estrela do pop, Ariana Grande. A primeira dança do cal será ao som da canção Over and Over Again, de Nathan Sykes, com participação de Grande.
Do jeito que você sorri, até o jeito que você olha, você me captura como nenhuma outra. Desde o primeiro olá, é tudo o que preciso. E de repente tínhamos uma à outra”, diz a letra da canção.
Em outubro de 2019, proibições tanto em relação ao aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo caíram na Irlanda do Norte por decisão do Parlamento britânico. 

Ao contrário do resto do Reino Unido, onde o aborto é autorizado desde 1967, na Irlanda este procedimento era ilegal, com exceção para quando a gravidez coloca em risco a vida da mulher. União estável entre pessoas do mesmo sexo já era permitida desde 2005, porém, o casamento civil, era proibido.

O ministro britânico da Irlanda do Norte, Julian Smith, membros do parlamento e ativistas comemoraram a legalização do casamento gay em um evento em Londres na mesma terça-feira.

Sara Canning, que era casada com Lyra McKee, ativista LGBT e jornalista assassinada em abril do ano passado, também participará do evento. 

Clipping Irlanda do Norte celebra primeiro casamento homoafetivo após proibição cair em 2019, Huffpost Brasil, Via Reuters,, por Equipe HuffPost,, 11/02/2020

Casamento entre pessoas de mesmo sexo aumenta 61,7% segundo IBGE

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019 0 comentários

Débora Calmon, de 32 anos, e Kaene Faria, de 29, decidiram formalizar a união com receio de que a resolução que garante o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo viesse a ser derrubada
— Foto: Arquivo Pessoal

Entre janeiro e outubro a média mensal de casamentos homoafetivos foi de 546; em dezembro, saltou para 3.098. Já o total de casamentos civis teve queda de 1,6% no ano.

O casamento está ficando menos popular entre os brasileiros: em 2018, o número total no país caiu 1,6% na comparação com o ano anterior. Entre pessoas do mesmo sexo, no entanto, o movimento foi contrário e bem mais acentuado: esse tipo de união teve um crescimento de 61,7% na mesma comparação, segundo as Estatísticas do Registro Civil, divulgadas nesta quarta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

O casamento civil entre pessoas do mesmo sexo foi autorizado pelo Conselho Nacional de Justiça somente em 2013. Naquele ano, foram registrados 3,7 mil em todo o país. Nos quatro anos seguintes, a média foi de 5,4 mil casamentos por ano. Já em 2018 foram 9,5 mil. 

Infográfico 03/12/2019


O IBGE destacou que o aumento do casamento entre pessoas do mesmo sexo ocorreu em todas as regiões do país, sendo o menor crescimento observado no Centro-Oeste (42,5%) e o maior no Nordeste (85,2%). 

De acordo com a gerente da pesquisa, Klívia de Oliveira, o levantamento traz “os números frios”, ou seja, não permite analisar o que levou a esse aumento no número de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. 

Estudiosos de temas ligados à população de gays, lésbicas e outras minorias ouvidos pelo G1 veem relação entre o fenômeno e o momento político do país. 

Infográfico 04/12/2019

Os números divulgados pelo IBGE apontam que o número de casamentos homoafetivos aumentou após o resultado das eleições. Entre janeiro e outubro, a média foi de 546 casamentos de pessoas do mesmo sexo por mês. Em novembro, subiu para 957 e saltou para 3.098 em dezembro – cinco vezes mais que a média. 
Muitos casais formalizaram suas uniões com medo de que em breve isso não fosse mais possível”, apontou a advogada Andressa Regina Bissolotti dos Santos, que é doutoranda em direitos humanos e democracia pela Universidade Federal do Paraná e integrante da Rede Lésbica Brasil. 
Uma resolução, ou mesmo uma decisão judicial, não são leis. Mesmo a decisão, embora seja vinculante em todo o território nacional, não gera o que nós chamamos no direito de ‘coisa julgada’, ou seja, o tema poderia voltar a ser apreciado”, destacou. 
Já Suane Felippe Soares, professora de bioética da Universidade Federal do Rio lembrou que o clima da campanha eleitoral foi marcado por diversos ataques à população homossexual o que pode ter provocado um “pânico social” entre essa população. 
O que é fato, que a gente pode afirmar, é que a maioria da população de gays e lésbicas e outras minorias está em busca de alternativas para manutenção de direitos básicos em função da ascensão dessa política de caráter discriminatório”, disse. 
Casal oficializou casamento para garantir direitos 

Foi justamente o receio de perder os direitos assegurados pelo casamento civil que fez Débora Calmon, de 32 anos, e Kaene Faria, de 29, alterarem os planos de sua união. Juntas há oito anos, elas já haviam programado para setembro uma festa que representaria o casamento, mas o “papel passado” em cartório não estava previsto. 
Vendo a eleição, que estava com um clima estranho, esquisito, a gente achou melhor casar formalmente, para ter um instrumento jurídico mais forte para que, no futuro, ninguém viesse questionar se o que a gente tinha era legal ou não”, contou Débora. 
Em novembro do ano passado, o G1 já havia mostrado aumento no número de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Após a eleição, houve uma mobilização nas redes sociais para ajudar casais LGBTI+ a realizar a cerimônia. 

Rossanna Pinheiro, fotógrafa e dona de uma empresa de karaokê, foi uma das muitas pessoas que se disponibilizaram a prestar serviços gratuitos para estes casais. 
Ano passado houve um boom mesmo... A procura foi tanta que precisei de ajuda para responder as mensagens”, contou. 
A cada três casamentos, um divórcio 

O levantamento do IBGE mostrou, também, que aumentou em 3,2% o número de divórcios realizados no país em 2018 na comparação com o ano anterior. Foram realizados 385.246 divórcios, cerca de 12 mil a mais que em 2017. Em média, equivale dizer que foi registrado um divórcio a cada três casamentos. 

A pesquisa revelou ainda que o tempo médio entre o registro do casamento e a formalização do divórcio foi de 14 anos. Em 2008, essa distância era de 17 anos, o que indica que os casamentos estão durando menos. Segundo o IBGE, cerca de 8% dos casamentos desfeitos no ano passado não tinham nem 2 anos. 

A pesquisa não detalha os divórcios pelo sexo dos cônjuges, ou seja, não permite saber se há diferença quando se trata de casais do mesmo sexo ou não. 

A gerente da pesquisa, Klívia Oliveira, chamou a atenção para o fato de que, do total de divórcios, 27% foram entre casais sem filhos, enquanto 54,4% foram entre casais com filhos menores de idade. “Isso mostra que filho realmente não segura casamento”, disse a pesquisadora em referência a um jargão popular. 

Em relação aos filhos, o levantamento evidenciou que houve aumento significativo do percentual de divórcios judiciais entre casais com filhos menores em cuja sentença consta a guarda compartilhada. Desde 2014 essa modalidade passou a ser priorizada mesmo quando não havia consenso entre os pais. 

Em 2014, a proporção de guarda compartilhada entre os cônjuges com filhos menores era de 7,5% dos divórcios judiciais concedidos. Em 2016, esse percentual subiu para 16,9%, chegou a 20,9% em 2017 e atingiu 24,4% em 2018.

Clipping Com disparada em dezembro, casamentos entre pessoas do mesmo sexo crescem 61,7% em 2018, diz IBGE, G!, 04/12/2019

Aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo legalizado na Irlanda do Norte

quarta-feira, 23 de outubro de 2019 0 comentários

Hora do casamento civil igualitário

Nos outros países do Reino Unido, as práticas, até então proibidas aos norte-irlandeses, são legais desde 1967.O aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo foram legalizados na Irlanda do Norte por decisão do Parlamento britânico, apesar de uma última tentativa simbólica da oposição, lançada por deputados da Assembleia regional norte-irlandesa.

Ao contrário do resto do Reino Unido, onde o aborto é autorizado desde 1967, na Irlanda é ilegal, exceto no caso da gravidez ameaçar a vida da mãe. O casamento entre pessoas do mesmo sexo também era proibido.

Sem Executivo regional desde 2017, por conta de um escândalo político-financeiro, os temas cotidianos da Irlanda do Norte são geridos de Londres.

Por conta desta situação, em julho passado, os deputados britânicos aprovaram emendas para estender à província o direito ao aborto e ao casamento homossexual se não se formasse um governo até 21 de outubro. Como isso não aconteceu, entraram em vigor a partir do primeiro minuto desta terça-feira (20H00 de segunda-feira em Brasília).

Os primeiros casamentos entre pessoas do mesmo sexo serão realizados “o mais tardar” durante “a Semana dos Namorados de 2020”, de acordo com o secretário de Estado da Irlanda do Norte, Julian Smith.

Hoje é “o dia em que nos despedimos das leis opressivas do aborto que controlaram nossos corpos e nos rejeitaram o direito de decidir”, comemorou Grainne Teggart, encarregada desta campanha na Anistia Internacional na Irlanda do Norte, em seu perfil no Twitter.

Um dia “muito triste”
Num ato simbólico contra a adoção dessas medidas, alguns deputados do parlamento regional norte-irlandês voltaram ao plenário na segunda-feira, pela primeira vez em dois anos e meio.

Entre os deputados presentes, a maioria pertencia ao Partido Unionista Democrático ultra-conservador (DUP), liderado pela ex-chefe do governo regional Arlene Foster, que se opõe a menor flexibilização dessas questões.
É um dia triste”, declarou Foster à imprensa após uma curta sessão parlamentar.
Sei que algumas pessoas vão querer comemorar hoje e digo a elas: ‘pense naqueles que estão tristes hoje e que acreditam ser uma afronta à dignidade e à vida humana”, afirmou Foster.
Aborto Descriminalizado

Em frente o parlamento norte-irlandês, um grupo de ativistas contrárias ao aborto criticavam a aprovação da medida e exibiam cartazes onde podia-se ler: “Aborto? Não no meu nome”.
Foi o governo de Westminster que impôs a legislação, não foi o governo que escolhemos aqui “, então isso é antidemocrático e incorreto””, disse à AFP Bernadette Smyth, diretora do grupo Precious Life Northern Ireland.
Trevor Lunn, deputado da Aliança MLA, atribuiu aos deputados que foram ao Parlamento apenas “para tentar negar às mulheres e à comunidade LGTBQ os direitos que tem garantidos no resto do Reino Unido”.

Do lado de fora do Parlamento, também havia um grupo pró-aborto que exibia grandes letras brancas que formavam a palavra “Descriminalizado”.

STF decide que uniões homoafetivas devem ter acesso a políticas públicas voltadas para a família

terça-feira, 24 de setembro de 2019 0 comentários


O Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, que uniões homoafetivas não podem ser excluídas do conceito de entidade familiar e, portanto, devem ter acesso a políticas públicas voltadas para a família.

A decisão foi tomada depois que o PT questionou o artigo 2º da Lei 6.160/2018, que define define como entidade familiar apenas o núcleo formado a partir da união entre um homem e uma mulher por meio de casamento ou união estável.

O partido alegou que o termo violava o princípio constitucional da dignidade humana, já que exclui pessoas LGBTQ+ das políticas públicas.

Com o voto dos onze ministros, o STF excluiu do Código Civil qualquer interpretação que impeça o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como família, seguindo as mesmas regras e com as mesmas consequências da união estável heteroafetiva.
Quando a norma prevê a instituição de diretrizes para implantação de política pública de valorização da família no Distrito Federal, deve-se levar em consideração também aquelas entidades familiares formadas por união homoafetiva", concluiu o relator da ação, o ministro Alexandre de Moraes.
Clipping STF proíbe que casais gays e lésbicos sejam excluídos de políticas públicas, Universa, 16/09/2019

Aprovada 1ª cooperativa de crédito para gays e lésbicas nos EUA

quarta-feira, 11 de setembro de 2019 0 comentários

 Superbia Credit Union, instituição financeira, para clientela de gays, lésbicas e outras minorias

Na segunda-feira, o estado de Michigan aprovou a licença para a nova instituição financeira, Superbia Credit Union, pensada para clientela de gays, lésbicas e outras minorias, o que abre caminho para o serviço on-line começar a ser oferecido no início de 2020.

A Superbia Credit Union oferecerá produtos que muitas vezes estão fora do escopo de um banco mais tradicional, disse Myles Meyers, fundador da Superbia Services, com sede em Nova York, que criou a cooperativa de crédito.
Posso entrar em um banco ou cooperativa de crédito e solicitar um empréstimo ou cartão de crédito ou conta poupança e, francamente, não há problema", disse Meyers. "Se eu for para a mesma instituição com meu marido, podemos encontrar respostas distintas e uma recepção diferente. É aí onde tudo começa a mudar para a comunidade."
Agora, grandes segmentos corporativos dos EUA anunciam apoio aos direitos de gays, lésbicas e outras minorias, e centenas de empresas aderiram às leis federais e estaduais para oferecer proteção igualitária à comunidade. A maioria dos americanos afirma apoiar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Mas a legislação ainda protege quem discrimina consumidores homossexuais na maioria dos estados dos EUA, e pesquisas mostram que casais homossexuais enfrentam obstáculos no setor bancário, independentemente da localização. Um casal do mesmo sexo tem menos probabilidade de conseguir a aprovação de um empréstimo, por exemplo. E, quando consegue, paga mais pelo financiamento.

Existe um incentivo financeiro para focar mais diretamente na clientela de gays, lésbicas e outras minorias  ao oferecer serviços bancários. O poder de compra combinado da população adulta de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros dos EUA foi estimado em US$ 987 bilhões em 2017, segundo dados da Witeck Communications.
Com o estatuto em vigor, a Superbia formará um conselho e começará a contratar executivos. Além da cooperativa de crédito, a Superbia Services também planeja oferecer produtos como seguros, assistência médica e gestão do patrimônio personalizados especificamente para clientela de gays, lésbicas e outras minorias, disse Meyers.
Clipping Michigan aprova licença de 1ª cooperativa de crédito gay dos EUA, por Daniela Milanese, via Bloomberg, UOL Economia, 10/09/2019

Manifestantes pediram legalização de casamento homoafetivo durante parada LGBT na Irlanda do Norte

quarta-feira, 7 de agosto de 2019 0 comentários

Manifestantes participam da Parada do Orgulho LGBT em Belfast,
na Irlanda do Norte, no sábado (3). — Foto: Paul Faith / AFP

Manifestantes pediram legalização de casamento homoafetivo durante parada LGBT na Irlanda do Norte
Milhares foram às ruas da capital do país, Belfast, neste sábado (3). A região é a única do Reino Unido que não permite o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo.
Milhares de pessoas foram às ruas de Belfast no sábado (3) para a parada do Orgulho LGBT. Existe a grande expectativa da aprovação do casamento homossexual na Irlanda do Norte, única região do Reino Unido onde isto ainda não aconteceu.

As cores do arco-íris e bandeiras coloridas deram o ar festivo ao desfile, que aconteceu ao som do hit "It's Raining Men". O evento contou com a participação do prefeito de Belfast, John Finucane, e do primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar.

Membros da Igreja também participaram. Um deles oferecia hóstia nas escadas da catedral protestante de Sainte-Anne, próximo a uma placa onde estava escrito “A Igreja apoia o casamento para todos”, enquanto um outro desfilava com o cartaz “Pedimos desculpas pela forma como a Igreja tratou a comunidade LGBT”.

No mês passado, os deputados britânicos do Parlamento de Westminster, em Londres, mostraram sua vontade de avançar rumo à aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Irlanda do Norte. Isso ocorreria com o voto de emendas, que também podem levar à legalização do aborto.

Em circunstâncias normais, o parlamento norte-irlandês seria responsável por legislar sobre estas questões, mas a região está sem Executivo local desde janeiro de 2017, fazendo com que Londres se ocupe de sua administração. Os votos, no entanto, só serão efetivos se nenhum governo local for formado em 21 de outubro na Irlanda do Norte.
Todos devem ter os mesmos direitos, por isso esperamos que isto aconteça. Faremos uma grande festa", comentou a manifestante Mary Francis White, 53, cujo filho gay é vereador de Belfast. O diretor da Anistia Internacional para a Irlanda do Norte, Patrick Corrigan, classificou a mudança política de "um grande avanço nos direitos humanos".
Para Sean O Neil, organizador da Parada do Orgulho LGBT de Belfast, a luta continua.
Neste ano, o evento tem o objetivo de dar destaque aos direitos que ainda são recusados à comunidade: mais atenção às pessoas trans, reconhecimento de gênero, fertilidade, reprodução, igualdade matrimonial”, declarou.
Uma série de fatores levou os deputados de Westminster a tomar uma ação quanto ao assunto. Em maio de 2018, a República da Irlanda organizou um referendo sobre o fim da proibição do aborto, que teve 66% de votos a favor. Já na Irlanda do Norte, a história de uma mãe sendo processada por ter supostamente comprado pílulas abortivas para sua filha de 15 anos provocou grande interesse na imprensa.

Além disso, em abril, a jornalista homossexual Lyra Mckee foi assassinada em Londonderry, na fronteira irlandesa, vítima de balas perdidas do grupo separatista Nova IRA durante um confronto com a polícia. Ainda que sua morte não tenha tido ligação direta com sua homossexualidade, Mckee se tornou um símbolo da luta pela liberação do casamento para todos. Sua companheira, Sara Canning, chegou até a pedir a Theresa May, quando ela era primeira-ministra britânica, para tomar uma ação.

Se a lei entrar em vigor em outubro, os primeiros casamentos poderão começar a ser oficializados em janeiro de 2020.

Clipping Manifestantes pedem legalização de casamento homoafetivo durante parada LGBT na Irlanda do Norte

Casal de mulheres primeiro a se casar no Equador

segunda-feira, 22 de julho de 2019 0 comentários


Duas mulheres são 1º casal gay a casar no Equador
Alexandra Chávez e Michelle Avilés se tornaram, nesta quinta-feira (18), o primeiro casal do mesmo sexo a contrair matrimônio no Equador, após anos lindando com a discriminação nesse país conservador.

Alexandra, de 41 anos, e Michelle, de 23, se casaram na cidade de Guayaquil (sudoeste), em uma sede do registro civil.

Quando se inscreveram não sabiam que caberia a elas ser as primeiras a estrear esse direito no Equador, após uma decisão judicial que, na prática, modifica uma norma constitucional.

"Eu me sinto mais amparada pelas leis. (...) Nós duas não fazemos mal a ninguém, não tiramos nada de ninguém e temos uma vida normal", declarou à imprensa Michelle, após assinar sua certidão de casamento.

Alexandra sentiu medo antes do casamento. Temia enfrentar protestos de grupos conservadores, que semanas atrás exigiram em manifestações multitudinárias a destituição dos juízes da Corte Constitucional, que em 12 de junho aprovaram o casamento homossexual.

O Equador, assim como Argentina, Brasil, Colômbia e Uruguai, autorizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas ainda mantém a proibição de que estas adotem crianças.


Irlanda do Norte libera aborto e casamento igualitário, mas leis não entram em vigor de imediato

segunda-feira, 15 de julho de 2019 0 comentários

"Não pise em mim", diz o cartaz
Irlanda do Norte: Liberalização do aborto e casamento gay

Com 332 votos a favor e 99 contra, o Parlamento britânico aprovou a liberalização do aborto na Irlanda do Norte. Paralelamente, os deputados também deram "luz verde" à liberalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo (383 votos a favor e 73 contra), mas as propostas não entram automaticamente em vigor.

As mudanças só terão efeito se o executivo regional da Irlanda do Norte não for reestabelecido até 21 de outubro. No entanto, impõem ao Governo britânico a introdução da respetiva legislação.

Para alguns ativistas este é um momento decisivo. Outros consideram um passo adicional para Westminster ampliar o governo direto sobre a região.

A Irlanda do Norte tem autonomia legislativa, mas está sem executivo desde 2017 devido à falta de entendimento entre o Partido Democrático Unionista e o Sinn Féin para formar uma coligação, obrigatória nos termos do processo de paz para o território.

Esta é a única região do Reino Unido em que o casamento gay não está permitido. O aborto é considerado crime a não ser em casos em que a vida da mãe está em risco.

Na vizinha Irlanda, a legalização do aborto foi aprovada em referendo no ano passado. As negociações entre o Partido Democrático Unionista (DUP) e o Sinn Féin destinadas a restabelecer o executivo têm sido infrutíferas.

Fonte: Euronews, 11/07/2019


Conheça os casais de mulheres da copa do mundo feminina

segunda-feira, 24 de junho de 2019 15 comentários

Casais da seleção (Foto: Reprodução/ Instagram)

Conheça os casais da copa do mundo feminina


A revista Quem reuniu o time de jogadoras lésbicas e bissexuais que estão arrasando na Copa do Mundo Feminina que acontece na França.


Cristiane Rozeira, atacante da Seleção Brasileira, namora a advogada Ana desde fevereiro. As duas vivem trocando declarações nas redes sociais. A jogadora foi destaque no jogo do Brasil contra a Jamaica, em que marcou os três gols da partida.



Isabell Herlovsen, atacante da Noruega, é casada com Christine Porsmyr. O casal enfrentou uma fase difícil em 2017, quando perdeu filhos gêmeos durante a gestação. A jogadora e a mulher têm o fofíssimo Henrik, que nasceu em julho do ano passado.



Defensora dos Estados Unidos, Tierna Davidson conheceu a namorada, Alison Jahansouz, na faculdade. As duas jogavam no time de futebol da Universidade de Stanford e vivem trocando declarações nas redes sociais.



Por conta da competiação, Bárbara Micheline, a goleira da Seleção Brasileira, comemorou o Dia dos Namorados longe da amada, Lidiane. A jogadora publicou uma declaração no Instagram para registrar a data especial.



Rachel Daly é atacante da Inglaterra. Ela e a namorada, Kristie Mewis, jogam juntas no Houston Dash, time de futebol dos Estados Unidos.



Jogadora da Austrália, Sam Kerr participou recentemente de um documentário e falou abertamente sobre o apoio da namorada, Nikki Stanton, quando sofreu uma lesão em 2015. As duas jogam juntas no Chicago Red Stars, time de futebol dos Estados Unidos.



A maior artilheira em Copas do Mundo, Marta, atacante da Seleção Brasileira, namora a jogadora Toni Pressley. As duas jogam juntas no Orlando Pride, time dos Estados Unidos.



Debinha, meia da Seleção Brasileira, namora a também jogadora Meredith Speck. Elas jogam juntas no North Carolina Courage, time dos Estados Unidos.



Megan Rapinoe, meia dos Estados Unidos, ganhou destaque além do campo. A jogadora virou manchete ao não cantar o hino americano nos jogos da Copa. "Como uma americana gay, eu sei o que significa olhar para essa bandeira e não tê-la como símbolo de proteção à sua liberdade. É algo pequeno que eu poderia fazer e planejo continuar fazendo para tentar espalhar uma discussão importante sobre isso", afirmou a jogadora em 2016 para a Associated Press. A atleta namora a jogadora de basquete Sue Bird.

Lorena Benítez joga pela Argentina. Ela é casada com Veronica Rivero com quem tem dois filhos, Ezequiel e Renata, que nasceram em maio deste ano.

Destaque da seleção da Itália, Manuela Giugliano namora Ambra Capotosto. A jogadora de apenas 21 anos faz parte do time A.C. Milan. O relacionamento já dura mais de um ano.

Fonte: Revista Quem, 19/06/2019

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