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Manifestação contra a homofobia em São Paulo

Míriam Martinho

 

Na bandeira do arco-íris só bombas de chocolate!

Cerca de 200 pessoas participaram ontem, dia 20/06/09, da manifestação contra os atos homofóbicos ocorridos durante a Parada LGBT de São Paulo do domingo passado (14/06/09). Entre apitos, faixas pedindo o fim da homofobia e a aprovação do projeto de lei complementar 122/06 que combate o preconceito e a discriminação contra homossexuais, a manifestação contou com algumas falas, um manifesto e uma curta caminhada pela Av. Vieira de Carvalho, onde 20 pessoas foram atingidas por uma bomba caseira, lançada de um dos prédios, ao término da Parada. Também foi lembrada a morte do cozinheiro Marcelo Barros, de 35 anos, causada pelo espancamento que sofreu após o final da Parada, na rua Araújo, centro de São Paulo.

Falaram alguns dos representantes das entidades organizadoras do evento (Paulo Mariante, Regina Facchini, Julian Rodrigues...) e pessoas convidadas, com destaque para o Secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, Luiz Antônio Guimarães Marrey que prometeu todo o empenho nas investigações e punição dos criminosos pelos atos de violência ocorridos após a Parada. A maior parte dos oradores faz parte de organizações LGBT ligadas direta ou indiretamente ao PT e a seus aliados, o que não surpreende, mas as falas e mesmo o manifesto lido durante o evento foram corretos, sem os exageros que costumam caracterizar a retórica dos militantes do partido. A nota fora ficou apenas por conta do discurso do vereador Ítalo Cardoso, que desandou a falar sobre o estranho fato (?) de a imprensa ter divulgado tantos casos de violência durante e após a Parada, como se a imprensa, essa grande assombração dos petistas, estivesse conspirando contra o evento por razões que só petistas conseguem entender.

Os problemas que vêm ocorrendo durante e após a Parada (bêbados e drogados, homens inconvenientes assediando as lésbicas, sexo explícito, furtos, espancamentos e até mortes) foram se avolumando com o tempo e têm sido relatados sobretudo pelos participantes do evento nos inúmeros blogs, sites e listas de discussão lgbt da Web. Casos de violência costumam ter destaque na grande imprensa independentemente de onde ocorrem e, da mesma forma que os casos de violência nos estádios de futebol, que também têm gerado inclusive fatalidades, pergunta-se sempre o que fazer para que eles não voltem a ocorrer. Então, em vez de ficar procurando pelo em casca de ovo, é por aí que tod@s deveriam estar refletindo.

Achei a manifestação válida, os discursos em geral corretos, fundamentalmente LGBT, e considero como mais importante reconhecer o esforço d@s que a organizaram e a presença de quem lá esteve. Importante sobretudo pela expressão de luta contra a homofobia e a reivindicação de que os casos das agressões a bomba e os espancamentos e morte sejam de fato averiguados,
e os criminosos punidos.

Não dá para deixar de mencionar o número pequeno de pessoas em comparação inclusive com o número de entidades que assinam o manifesto. E naturalmente não dá para deixar de mencionar a pouca participação da população LGBT na manifestação. Talvez a divulgação tenha sido muito em cima da hora, meio titubeante, sei lá (eu mesma fiquei procurando confirmação do evento nas listas ainda pela quinta-feira), mas colegas afirmaram que outras manifestações dessa natureza tiveram ainda menos gente. Talvez se houvesse sido marcada para o dia 27/06, tivesse havido mais tempo para mais divulgação e um comparecimento maior de pessoas. De qualquer forma, muitos sites, blogs e listas divulgaram o evento, incluindo o meu. Eu mesma convidei várias mulheres para participar da manifestação, e necas. Inevitável pensar na passeata também contra a violência homofóbica, sexista e racista de quase mil pessoas ocorrida na mesma São Paulo, em 13 de junho de 1980, na mesma região, ainda sob a ditadura militar, num mundo infinitamente menos gay friendly. Coloco esse fato para a gente refletir sobre o que mudou, e por que não mudou para melhor nesse sentido.

De qualquer forma, achei a manifestação válida, os discursos em geral corretos, fundamentalmente LGBT, e considero como mais importante reconhecer o esforço d@s que a organizaram e a presença de quem lá esteve. Importante sobretudo pela expressão de luta contra a homofobia e a reivindicação de que os casos das agressões a bomba e os espancamentos e morte sejam de fato averiguados, e os criminosos punidos.

De quebra, a gente revê os antigos conhecidos do ativismo, conhece os seminovos e os novinhos (hehehe). Nessas, tive uma conversa sobre a questão político-partidária no MLGBT (juro que não fui eu que iniciei), onde meu interlocutor dizia que o movimento não podia ficar dividido assim em torno de partidos (óbvio, não?), e que o certo seria o movimento criar uma plataforma consensual não-partidarizada de reivindicações do movimento em geral (com participação de tod@s, não só dos cumpade e das cumade) que pudesse ser apresentável para qualquer presidenciável de plantão e sobretudo qualquer eleit@. Sábia proposta, coisa de gente grande. Ponderei que achava difícil algo assim acontecer nesse movimento com tant@s  que priorizam partidos, cargos, comissões, carreiras, em detrimento das questões da coletividade, mas decidi deixar registrada a sugestão, já que, como boa brasileira, minha profissão é a esperança.

P.S. As fotos um tanto expressionistas ficam por conta das limitações da fotógrafa e de sua máquina de fotografia

 

Na bandeira do arco-íris, só uma bomba de chocolate!

Homofobia, Basta! Justiça e Aprovação da PLC 122/06 já!

Combate à Homobofia Já! Homofobia basta! Justiça Já!

Uma bomba só porque lutamos pelo direito supremo de amar?

Alguns preconceitos só terminam por lei!

Paulo Mariante, do Fórum LGBT de São Paulo.

Regina Facchini, ex-vice-presidente da APOGLBT, lê o manifesto.

Representante da APOGLBT se pronuncia.

Apitos e o agitar da bandeira.

 

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