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Porque, no dia 19 de agosto de
1983, ocorreu a primeira manifestação lésbica organizada
contra o preconceito no Brasil.
Os donos do
Ferro's Bar, bar paulistano que por décadas foi ponto de
encontro das mulheres homossexuais de todo o país, não
aceitavam que as integrantes do Grupo Ação Lésbica
Feminista (GALF/1981-1990) vendessem seu boletim no
estabelecimento, embora permitissem a venda de todo outro tipo
de material. Chegaram a chamar a polícia para retirar as
ativistas do GALF do local, local este sustentado pelas
lésbicas de São Paulo e do Brasil. Indignadas, as
integrantes do GALF articularam uma manifestação de protesto
em frente ao bar, com apoio de grupos homossexuais,
feministas, de parlamentares e da OAB, conquistando por fim o
direito de venderem seu boletim sem repressão.

O bem-sucedido happening, além de marcar a data da primeira
manifestação lésbica brasileira contra a discriminação,
marca também o primeiro apoio de feministas à questão
lésbica, numa época em que isto normalmente não ocorria,
bem como uma das primeiras coberturas não-preconceituosas
dadas pela
imprensa nacional
ao tema. Reuniu ainda grupos homossexuais de São Paulo, como o socialista Somos e o
libertário Outra Coisa de Ação Homossexualista, irmanados,
naquela noite, por uma causa comum.
O 19 de agosto evoca igualmente a
memória de sua principal
articuladora,
Rosely Roth, ativista pioneira na política de
visibilidade que se tornaria bandeira do Movimento LGBT dos
anos 90 em diante. Nos traz também a presença de outr@s
ativistas que, como ela, já nos deixaram, mas permanecem na
lembrança dos movimentos que ajudaram a construir e deste
momento em particular, como Nestor Perlongher, Míriam
Botassi, Regina Stella e a vereadora Irede Cardoso (PT), uma
das primeiras parlamentares a defender publicamente a questão
homossexual no Brasil.
O 19 de agosto é, sobretudo, emblemático da situação das
lésbicas em todo o país ainda hoje. Continuamos sustentado
as casas de nossos pais, sem termos direito a levar nossas
namoradas até elas, continuamos educando os filhos dos
outros, mas não temos garantias de ter e de manter os nossos
filhos, continuamos colaborando para a construção do
patrimônio do país, mas não temos garantias de manter nosso
próprio patrimônio, continuamos à frente de muitos
movimentos, mas estes não nos colocam entre suas prioridades.
Mas o 19 de agosto é também o símbolo de que, quando não
aceitamos que nos explorem, nos humilhem, nos intimidem, tudo
pode mudar. Em 19 de agosto de 1983, tivemos orgulho,
enfrentamos o preconceito e a discriminação e saímos
vitoriosas. Hoje, 20 anos depois, nos inspiramos neste momento
e partimos para novas conquistas, das pequenas, grandes
conquistas do cotidiano, quando vencemos o medo e a vergonha
de ser o que somos, às grandes conquistas pela cidadania
plena e pelo amor sem culpas de outra mulher.
Clique aqui para baixar artigo da época da
Folha de São Paulo intitulado A Noite em que as lésbicas
invadiram seu próprio bar, 21 de agosto de 1983.
Clique aqui para ler o artigo
Democracia também para lésbicas: uma luta no FERRO's bar
de Vanda Frias
Leia sobre as atividades já realizadas no
dia 19, clicando no índice da coluna símbolos
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