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Edição 2006   
Oficinas entusiasmadas e entusiasmantes
Miriam Martinho
 

Como todos os anos, marcamos mais uma passagem do dia do orgulho lésbico com algumas atividades na sede da Ação Educativa, em São Paulo. Desde 2003, temos realizado, no próprio dia 19 e/ou nos dias anteriores e posteriores, diferentes tipos de atividades, sempre mesclando temas mais técnicos com atividades mais lúdicas.

Já tivemos apresentações de vídeo, música, poesias, peças de teatro, uma feira mística, palestras e oficinas. As oficinas sempre estiveram presentes em todos os anos por serem atividades em que a horizontalidade e a interatividade predominam, com a participação integrada de quem coordena e de quem participa. Neste ano de 2006, elas foram onipresentes e os temas variaram sobre saúde e sexualidade, auto-estima e dança de salão.

Mais técnica, minha oficina sobre saúde e sexualidade propôs às participantes discutir sobre suas práticas sexuais e de como realizá-las de forma segura e saudável. Constatou-se ao fim, como sempre, a necessidade da discussão permanente sobre sexualidade lésbica a fim de quebrar mitos e preconceitos e tornar mais comum a preocupação com o sexo seguro. Prevaleceram como práticas sexuais preferidas, entre as participantes da oficina, o sexo oral e o tribadismo (chana com chana),
práticas realizadas, pelos depoimentos, sem preocupação com sexo seguro. A maioria das participantes revelou também, apesar de não fazer sexo seguro, não ter tido problemas mais sérios com doenças sexualmente transmissíveis (DST) e - as que tiveram – ter feito tratamento médico para curá-las. Com base na recém-lançada cartilha Prazer sem Medo, sobre saúde lésbica, discorri sobre as possíveis formas de se fazer sexo seguro de forma prazerosa, usando sobretudo a imaginação. Como subsídio adicional, as participantes levaram exemplares da cartilha para leitura posterior.

A segunda oficina, realizada pelas integrantes do grupo Soll, já combinou a abordagem do tema Auto-estima com mais trabalho corporal e técnicas de psicodrama. Clique aqui para ler a descrição da oficina escrita por Ciça Caropreso, colaboradora da UOO e participante dessa atividade.

A terceira oficina foi realizada pelo professor de dança Giovane Salmeron que introduziu as participantes nos primeiros passos de ritmos latinos, como o mambo e o bolero, culminando com um arretado forró. Já preparadas pelo trabalho corporal da oficina anterior, as participantes experimentaram primeiro individualmente os passos dos ritmos e depois em duplas, sempre trocando os pares ao comando do mestre bailarino. Após uma hora e meia de tentativas, mal e bem-sucedidas, de aprender as danças de salão, suadas e exaustas, mas felizes, terminamos a oficina com sorrisos radiantes nos lábios.

Sem dúvida a versão mais entusiasmada de todas as comemorações do 19 de Agosto, em vários aspectos, teve um final feliz, com desenvolvimentos para o decorrer do ano. Nossos especiais agradecimentos às moças do grupo Soll (fabiana@gruposoll.com.br) e a Giovane Salmeron (vouverisso@bol.com.br) pelas atividades que nos ofertaram e que muito contribuíram para o sucesso do evento.

OFICINA DE AUTO-ESTIMA
Ciça Caropreso

Com a participação de mulheres de diferentes tribos, por volta das três e meia da tarde começou a oficina “Auto-Estima”, segunda atividade da programação deste 19 de Agosto, conduzida pela psicólogas do Grupo Soll, Matilde, Fabiana e Célia.

Divididos em três partes, os trabalhos se iniciaram com um gostoso relaxamento físico. Reunidas no centro da sala, as participantes foram chamadas a realizar, em grupo, oito séries de movimentos, compostos de exercícios curtos e extremamente relaxantes para braços, pernas, mãos, rosto, para o corpo todo enfim. E, claro, para a mente também. Movimentos de cortar o ar com as mãos, chutar forte o vazio com os pés, torcer e contrair o corpo, reproduzir no rosto expressões de dor, alegria, tristeza, ciúme, inveja e por aí afora foram feitos num clima muito divertido, sempre com o pessoal circulando à vontade por todo o espaço e com música apropriada ao fundo, estimulante ou relaxante, conforme eram os gestos. Essa série de movimentos serviu para descontrair a turma toda, aproximar as participantes umas das outras (e das coordenadoras da oficina também), promovendo um contato já mais caloroso. Funcionou mesmo.
 
Em seguida, as coordenadoras propuseram uma atividade ainda mais divertida e de bastante integração (pra não dizer muito informativa...), para que todas fossem se conhecendo não só como grupo mas individualmente também. Assim: cada psicóloga representava uma destas respostas, SIM, NÃO e INDIFERENTE, e se postava num ponto da sala. Em seguida, uma delas lançava uma afirmação — por exemplo, “Estou à procura de namorada” — e cada participante dava sua resposta dirigindo-se para o lado do SIM, do NÃO ou do INDIFERENTE. À medida que as coordenadoras iam apresentando outras afirmações (e o próprio grupo foi lançando as suas “perguntas” também: Moro com meus pais / Estou a fim de transar esta noite / Gosto de baladas / Estou trabalhando / Curto viajar etc.) ia se formando um bolo de mulheres pra lá e pra cá, todas rindo demais e muito curiosas (ou interessadíssimas, em alguns casos...) nas respostas umas das outras. De resposta em resposta, as mais ligadas puderam montar uma verdadeira ficha das suas interessadas...

Baixado todo o entusiasmo dessa brincadeira, hormônios já devidamente no lugar, a última atividade proposta pelas psicólogas do Grupo Sol foi uma vivência interna, uma espécie de psicodrama individual conduzido pela psicodramatista Matilde. Sentadas em círculo e de olhos fechados, as participantes foram estimuladas, verbalmente, a embarcar primeiro num estado de relaxamento corporal e depois, cada uma, convidada a visualizar alguma situação do passado em que tivesse vivido algum tipo de preconceito, discriminação, rejeição. A idéia era que cada mulher mergulhasse o mais possível nesse momento passado e — por meio de técnicas de sugestão usadas por Matilde — saísse dessa experiência desconfortável um pouco mais fortalecida, com a auto-estima mais elevada e com um outro olhar para aquela difícil lembrança interior, um olhar mais maduro, confiante. Em seguida, quem quis compartilhou sua experiência individual com os pequenos grupos que se formaram para a troca de idéias dessa vivência, e depois com o grupo todo. Um exercício que acabou sendo mesmo uma verdadeira viagem emocionada para muitas participantes.
 

Míriam Martinho, 53, é editora do site Um Outro Olhar On-line. Leia mais aqui.
 

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