Cientistas da Universidade de New Castle, liderados por Karim
Nayernia, um dos pesquisadores envolvidos no estudo que, em abril
do ano passado, demonstrou ser possível transformar
células-tronco da medula óssea de homens adultos em
espermatozóides imaturos, afirmaram agora à revista New
Scientist ter repetido a experiência com células-tronco da
medula óssea de mulheres, podendo "abrir caminho para a criação do
espermatozóide feminino".
Nayernia acredita que o incipiente esperma feminino, feito de
células-tronco da medula óssea de mulheres, através do uso de
processos químicos e vitaminas, poderá ser produzido em até 2 anos
e que um esperma maduro, capaz de fertilizar óvulos, poderá levar
mais 3 anos.
A New Scientist relata ainda uma experiência que está sendo
realizada por cientistas brasileiros no Instituto Butantã, em São
Paulo, onde os especialistas estariam desenvolvendo óvulos e
espermatozóides a partir de uma cultura de células-tronco
embrionárias de ratos machos.
A coordenadora da pesquisa, Irina Kerkis, afirmou estar apenas no
início do trabalho que pode produzir óvulos masculinos
posteriormente inclusive a partir de células da pele. Assim os
gays também poderiam ter filhos com 100% de seu material genético.
Nesse caso, um dos homens doaria células de sua pele, que seriam
transformadas em um óvulo a ser fecundado pelo espermatozóide do
parceiro. Uma vez fertilizado, o óvulo seria implantado no útero
de uma mulher.
À parte o clima de Admirável Mundo Novo, que certamente se tornará
realidade em futuro breve, resta saber como ficará a discussão
social sobre o assunto, principalmente vinda dos religiosos. De
qualquer maneira, uma pequena grande revolução tecnológica.
Em meados de janeiro deste ano, veio a público a pesquisa da
Universidade de Utah, que acompanhou 79 mulheres não-
heterossexuais durante dez anos, dirigida por Lisa Diamond e
publicada pela revista Developmental Psychology, da Associação
de Psicologia dos Estados Unidos, que descobriu que as mulheres
bissexuais continuam sentindo-se atraídas por ambos os sexos ao
longo do tempo.
No livro Sexual Fluidity de sua autoria, Lisa Diamond descreve a
prática de muitas mulheres que têm relações heterossexuais e
homossexuais de forma simultânea ou alternada. Segundo ela, duas
em cada três mulheres entrevistadas em seu estudo tinham mudado
sua preferência sexual pelo menos uma vez. “A autora concluiu que
a diferença entre lesbianismo e bissexualidade é mais um assunto
de grau do que de substância”, embora reconheça a dificuldade de
definir o próprio conceito de bissexualidade, já que não sabe se
se deve conceituá-la como instância passageira de atração por uma
pessoa do mesmo sexo ou como atração regular, forte e sustentada
por pessoas dos dois sexos.
De acordo com estudo realizado pelo Centro da Austrália Ocidental
de Pesquisa para Promoção da Saúde, as mulheres lésbicas e bissexuais
são menos saudáveis do que suas contrapartes heterossexuais.
O estudo, conduzido pela pesquisadora Jude Comfort e sua equipe, se
baseou em dados sobre identidade, relacionamentos na comunidade, uso
de drogas legais e ilegais, dieta e nutrição, atividade física,
incidência de câncer, saúde mental,
abuso, práticas de sexo seguro e acesso a serviços de saúde.
A análise do estudo revelou que as taxas de
consumo de cigarros entre mulheres
lésbicas e bissexuais eram quase o dobro das da população feminina
em geral.
Comfort declarou que o consumo de álcool também se mostrou 30% mais
alto entre lésbicas do que entre héteros; que mulheres lésbicas e
bissexuais consomem mais álcool e bebem com mais freqüência do que as
héteros:
“Estamos falando de um grupo que se socializa fundamentalmente em
bares e boates, o que – para mim – é um dos grandes problemas que
enfrentam.”
A pesquisadora acrescentou que a homofobia externa e a internalizada
igualmente podem afetar a saúde dessa população, sua auto-estima,
determinando em grande parte se ela estará feliz com sua própria
sexualidade ou em conflito com a mesma.
O estudo também revelou que 30% das mulheres lésbicas e bi foram
diagnosticadas com depressão; 20% receberam tratamento para algum
problema de saúde mental; 20% estavam acima do peso e 23% estavam
obesas.
Comfort afirmou que os sistemas de saúde têm sido lentos em responder
às demandas dessa população porque não foram criados tendo em vista as
minorias sexuais.
Pode-se afirmar que a orientação sexual é um determinante social de
saúde, todavia há poucos programas direcionados à população l/bi que
visem a promoção de estilos de vida saudáveis para mulheres que se
relacionam com outras mulheres.
“Obviamente há lésbicas que são saudáveis, mas, analisando os
resultados da pesquisa no geral, as cifras são alarmantes” – declarou
a pesquisadora
Criado
em 1988, pela OMS
(organização Mundial de Saúde), com apoio da ONU (Organização
das Nações Unidas), durante Encontro Mundial de ministros de Saúde
em Londres, a data celebra mundialmente a luta contra a epidemia,
contra a discriminação aos portadores da síndrome e a
solidariedade entre as pessoas. O laço vermelho que simboliza essa
luta foi criado pelo grupo Visual Aids, de Nova Iorque.
Após
matar mais de 25 milhões de pessoas em todo o mundo, a AIDS hoje
afeta cerca de 39,5 milhões de soropositivos ou doentes de Aids,
estando a maioria na África negra. A pandemia continua se
expandindoa um ritmo
de 11 mil novos contágios por dia e cerca de três milhões de
mortos ao ano (uma criança morre a cada minuto).
No
Brasil, numa daquelas exceções à regra do quadro de incompetência
dos projetos dos governos, os programas de prevenção a AIDS
conseguiram manter o nível de afetados pela síndrome estável
desde 2000, com cerca de 600.000 pessoas vivendo hoje com HIV.
Destes aproximadamente 47,3% são pessoas heterosexuais, 13,6%,
homosexuaise 11,4%,bissexuais (homens). A principal via de transmissão foi a
sexual. A transmissão vertical, de mães para filho durante a gestação,
corresponde a 2,1% do índice.
As
mulheres, sobretudo as de baixa renda, continuam sendo um segmento
bastante afetado pela epidemia devido a uma combinação de falta de
informação e machismo (dificuldade de negociar o uso do
preservativo com o parceiro). Neste ano, contudo, salienta-se o
aumento do número dos casos de transmissão entre pessoas com mais
de 50 anos.
No
site do Ministério da Saúde http://www.aids.gov.br/,
pode-se obter mais informações sobre o assunto, assistir aos vídeos
da campanha deste ano A Vida é mais Forte que a AIDS(http://www.aids.gov.br/mediacenter/)
e acessar a página sobre a exposição de humor sobre
HIV (a imagem que ilustra este artigo é um exemplo) que ocorrerá
em Nova Iorque.
Sobre
lésbicas e AIDS, acesse a página de nossa cartilha
Prazer
sem Medo.
WASHINGTON - Mulheres homossexuais têm duas vezes mais chances de
ficarem acima do peso ou obesas do que as heterossexuais, o que as
coloca em grande risco de ter problemas de saúde relacionados à
obesidade e até em risco de morte, disseram pesquisadores
norte-americanos. O relatório, publicado no American Journal of
Public Health, é um dos primeiros grandes estudos a observar a
obesidade entre lésbicas.
Ulrike Boehmer, da Boston University School
of Public Health, e seus colegas pesquisaram em uma análise
nacional feita em 2002 com quase 6.000 mulheres, e descobriram que
as lésbicas tinham 2,69 vezes mais de chances de estar acima do
peso e 2,47 vezes de serem obesas.
'Lésbicas têm mais de duas vezes as chances de (estarem) acima do
peso', escreveram os autores, o que as colocaria em risco maior de
diabetes e doenças cardíacas, entre outros problemas de saúde.
'Nossas descobertas indicam que a identidade sexual lésbica está
ligada a uma maior prevalência de sobrepeso e obesidade',
escreveram os autores no estudo, divulgado esta semana.
Os pesquisadores revisaram estudos de menor escala que sugeriram
possíveis explicações para essa condição.
'O resultado destes estudos indica que mulheres lésbicas têm uma
melhor imagem do corpo do que mulheres heterossexuais', disseram
os pesquisadores.
Mas os autores disseram ter pouca confiança na idéia de que
lésbicas tinham mais massa muscular do que mulheres
heterossexuais, e, conseqüentemente, maior índice de massa
corporal, com menos gordura.
Ter mais massa muscular 'pouco provavelmente leva a uma
classificação de obeso', disseram os pesquisadores.