Entre
os hábitos perniciosos que causam problemas de saúde entre a
população lésbica, o hábito de fumar ocupa lastimavelmente posição
privilegiada. No texto que traduzimos ao fim desta introdução, da
Mautner Project, organização que trabalha pela saúde das lésbicas
americanas, com base em pesquisas recentes realizadas nos EUA,
observa-se que, entre as mulheres que fumam, o número de lésbicas é
praticamente o dobro das demais fumantes.
Observa-se também que as mulheres lésbicas têm mais facilidade para
adquirir o vício do tabagismo, devido às tensões adicionais causadas
pelo preconceito, e mais dificuldade para deixá-lo, tendo em vista
que seus locais de socialização são fundamentalmente bares e boates,
onde o consumo de cigarros é muito alto.
Vale lembrar que o tabagismo é diretamente responsável por 30% das
mortes por câncer em geral; 90% das mortes por câncer de pulmão; 25%
das mortes por doença coronariana; 85% das mortes por doença
pulmonar obstrutiva crônica e 25% das mortes por doença
cerebrovascular. Além dessas enfermidades, o consumo de cigarro está
relacionado a uma maior incidência de aneurisma arterial, trombose
vascular, úlcera do aparelho digestivo, infecções respiratórias e
impotência sexual no homem.
De acordo com dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), cerca de
um terço da população mundial adulta, isto é, 1 bilhão e 200 milhões
de pessoas (entre as quais 200 milhões de mulheres), sejam fumantes.
Pesquisas comprovam que aproximadamente 47% de toda a população
masculina e 12% da população feminina no mundo fumam. Enquanto nos
países em desenvolvimento os fumantes constituem 48% da população
masculina e 7% da população feminina, nos países desenvolvidos a
participação das mulheres mais do que triplica: 42% dos homens e 24%
das mulheres têm o comportamento de fumar.
O total de mortes devido ao uso do tabaco atingiu a cifra de 4,9
milhões de mortes anuais, o que corresponde a mais de 10 mil mortes
por dia. Caso as atuais tendências de expansão do seu consumo sejam
mantidas, esses números aumentarão para 10 milhões de mortes anuais
por volta do ano 2030, sendo metade delas em indivíduos em idade
produtiva (entre 35 e 69 anos) (WHO, 2003)
Embora não existam pesquisas sobre o tabagismo entre mulheres
lésbicas no Brasil, seguramente, pela simples observação,
acreditamos que a situação dessa população não seja diferente da
americana. Ao contrário, levando em conta os dados do INCA, que
apontam um consumo maior de cigarros entre mulheres nos países em
desenvolvimento, a situação das lésbicas brasileiras em relação ao
fumo deve ser pior. Basta ir a qualquer balada lésbica de qualquer
cidade brasileira para ter essa intoxicante certeza. O mais
incrível: muitas ativistas lésbicas fumam (sic), embora desenvolvam
inclusive atividades ligadas à área de saúde junto aos governos
(?!).
Portanto, dar início a uma discussão mais aprofundada e permanente
sobre esse tema se constitui numa prioridade não só pela população
lésbica que já fuma como pela população lésbica que não fuma mas
também é atingida pelo fumo passivo, encontrando inclusive mais
dificuldades para se socializar.
Veja os componentes do cigarro no quadro abaixo. Clique na
imagem para ampliar
Veja também dicas de como para de fumar,
clicando aqui.
Veja um vídeo sobre o tabagismo
clicando aqui.
Saúde:
Lésbicas e Fumo The Mautner Project
Fumar é uma das
principais causas de morte entre mulheres, sendo as lésbicas as
mulheres que apresentam maiores dificuldades para largar o hábito.
De acordo com a American Cancer
Society – 2003
(Sociedade Americana de Câncer), cerca de 30.000 mulheres morrem
mais de câncer de pulmão do que de câncer de mama. Mulheres que
fumam correm maior risco de desenvolver diferentes tipos de câncer
assim como maior risco de doenças cardíacas e ataques do coração.
De acordo com pesquisa conduzida pela Professora Doutora Michele
Elias, do Lesbian Health Research Center (Centro de Pesquisa em
Saúde Lésbica) e da Universidade de Iowa, mulheres são mais
propensas a fumar do que homens como forma de aliviar as tensões,
lembrando que mulheres que pertencem a minorias sexuais encaram mais
estresse em suas vidas cotidianas.
Lésbicas e bissexuais com menos de 50 anos estão mais propensas do
que mulheres heterossexuais a adquirir o hábito de fumar e de beber
com freqüência (Valanis, et al., 2000).
Dados da Women's Health Initiative (Iniciativa para Saúde das
Mulheres) indicam que mulheres lésbicas fumam quase duas vezes mais
do que heterossexuais (6,8-7,4% das lésbicas e 3,5% das
heterossexuais). Embora quase 50% das mulheres heterossexuais tenham
afirmado nunca ter fumado, somente 25-33% das lésbicas afirmou o
mesmo (Valanis, et al., 2000).
De acordo com o American Journal of Preventive Medicine (Jornal
Americano de Medicina Preventiva) as lésbicas são mais propensas a
consumir maior quantidade de cigarros do que as mulheres
heterossexuais (Ryan et al., 2001).
As taxas de consumo de cigarros entre adolescentes e mulheres
adultas lésbicas são mais altas do que entre a população em geral (U.S.
Department of Health and Human Services, 2000).
De acordo com a National Lesbian Survey (Pesquisa Nacional sobre
Lésbicas), o hábito de fumar entre lésbicas aumenta com a idade
enquanto diminui entre as outras mulheres (Bradford, et al., 1994).
Em um estudo do Mautner Project (Projeto Mautner), lésbicas mais
velhas relataram sofrer forte estigmatização social por fumar e
pressão para largar o vício tanto de parte de familiares quanto de
amigos (2003). Infelizmente, essa pressão tende a aumentar o desejo
de fumar como resposta compensatória ao estresse de abandonar o
hábito de fumar.
Ambientes Livres de Fumo
Os bares, comumente associados com o hábito de fumar, são os
principais espaços de socialização de gays e lésbicas já que, em
outros locais, essa população costuma enfrentar discriminação.
De acordo com um estudo LGBT encaminhado pelo Mautner Project, 2004
(Projeto Mautner), 49% dos bares LGBT já patrocinou noites livres de
fumo nos últimos 12 meses. Entretanto, o receio de perda de receita
tem impedido muitos outros estabelecimentos LGBT de considerar
eventos similares.
70% dos LGBTês que responderam à pesquisa do estudo afirmara que
preferem bares e boates livres de fumo e que se sentiam predispostos
a pagar mais por esses espaços em comparação com 50% dos
heterossexuais que responderam à mesma pergunta (Harris Interactive/Witeck-Combs
Communications, 2003).
Bibliography
American Cancer Society. (2003). Cancer Facts and Figures: 2003.
Atlanta, GA: American Cancer Society.
Bradford, J., Ryan, C., & Rothblum, E. D. (1994). National lesbian
health care survey: Implications for mental health care. Journal of
Consulting Clinical Psychology, 62, 228-242.
Valanis, B.C., Bowen, D.J., Bassford, T., Whitlock, E., Charney, P.,
& Carter, R (2000). Sexual orientation and health. Archives of
Family Medicine, 9, 843-853.
Ryan, H., Wortley, P. M., Easton, A., Penderson, L, Greenwood, G.
(2001). Smoking among lesbians, gays, and bisexuals: A review of the
literature. American Journal of Preventative Medicine, 21, 142-149.
Stevens, P., Carlson, L. M., Himman, J. M. (2004). An analysis of
tobacco industry marketing to lesbian, gay, bisexual, and
transgender (LGBT) populations: Strategies for mainstream tobacco
control and prevention. Health Promotion Practice, 5, 129S-134S.
U.S. Department of Health and Human Services. (2000). Healthy People
2010: Understanding and Improving health (2 ed.). Washington, DC: US
Government Printing Office.
* Original: Lesbians and Smoking. In: Facts about Lesbians and
Smoking - The Mautner Project - The National Lesbian Health
Organization, Washington, DC, EUA.
Escolha
um méto-do para deixar de fumar
Parada Imediata
Você marca uma data e nesse dia não fumará mais nenhum cigarro.
Esta deve ser sempre sua primeira opção.
Parada Gradual
Você pode utilizar este método de duas formas:
Reduzindo
o número de cigarros.
Por exemplo: Um fumante de 30 cigarros por dia, no primeiro dia fuma
os 30 cigarros usuais.
no segundo - 25
no terceiro - 20
no quarto - 15
no quinto - 10
no sexto - 5
O sétimo dia seria a data para deixar de fumar e o primeiro dia
sem cigarros.
Retardando a hora do primeiro cigarro
Por exemplo: no primeiro dia você começa a fumar às 9 horas,
no segundo às 11 horas,
no terceiro às 13 horas,
no quarto às 15 horas,
no quinto às 17 horas,
no sexto às 19 horas,
no sétimo dia seria a data para deixar de fumar e o primeiro dia
sem cigarros
A estratégia gradual não deve gastar mais de duas semanas para ser
colocada em prática, pois pode se tornar uma forma de adiar, e não de
parar de fumar. O mais importante é marcar uma data-alvo para que seja
seu primeiro dia de ex-fumante. Lembre-se também que fumar cigarros de
baixos teores não é uma boa alternativa. Todos os tipos de derivados
do tabaco (cigarros, charutos, cachimbos, cigarros de Bali, etc) fazem
mal à saúde (leia
mais).
Caso não consiga parar de fumar sozinho, procure orientação médica.
Cuidado com os métodos milagrosos para deixar de fumar.